OSCARITO | ‘Rei do riso’, ator era filho de família de tradição circense

O comediante brasileiro que melhor representa o espírito carioca, responsável pelo maior afluxo de público para ver Cinema brasileiro, nas décadas de 40 e 50, era espanhol.

OSCAR Lorenzo Jacinto de ia imaculada Concepción Teresa Dias’ ou simplesmente Oscarito, nasceu em Villa de la Allameda (Málaga na Espanha), cidade portuária do Mediterrâneo, berço também do grande pintor Picasso, em 16 de agosto de 1906. A certidão de sua chegada ao Brasil diz que ele aportou no Rio de Janeiro em 9 de dezembro de 1908, a bordo do vapor “Santa Lúcia”, com pouco mais de dois anos, portanto. Desde os 4 ou 5 anos de idade, começou a trabalhar em circo, com os pais. E em circo ele fez de tudo, inclusive acrobacia, em número ao lado da mãe e da irmã — esta já nascida no Brasil, e que usou o nome francês da avó materna — Lily Brenier — para trabalhar no Teatro. Oscarito, aliás, também usou o mesmo sobrenome, no princípio da carreira, assinando músicas e textos teatrais.

Depois de trabalhar em modestos teatros de periferia e do interior, Oscarito era, em 1931, o “excêntrico” (palhaço) do Pavilhão Democrata, na Praça da Bandeira do Rio de Janeiro. Foi quando conheceu Margot Louro (Margarida Costa Velho), então com 14 anos, que voltava ao Rio depois de ter estreado em São Paulo, na Companhia Teatral de Oduvaldo Viana e Abigail Maia. No princípio do namoro, houve uma terrível oposição por parte da família da moça. Os dois arranjaram, então, um aliado providencial — tio Horácio — que ajudou um bocado. Em 1932, Oscarito estreou no Teatro Recreio com a revista Calma, Gegê. Margot estava no Trianon. Ficaram noivos.

Oscarito e Margot.

Oscar Lorenzo Jacinto de la imaculada Concepción Teresa Diaz é o nome completo desse que foi, junto com Grande Otelo, a grande personalidade que a comédia cinematográfica brasileira produziu em seus anos de ouro, as décadas de 40 e 50. Oscarito veio de uma família com tradição secular no espetáculo circense. Da Europa chega primeiro ao Brasil, a fim de trabalhar em espetáculos de variedades, Lili Cardona, uma tia de Oscarito que, com o marido Oscar, formava a dupla Os Cardonas. Foram eles que recomendaram a um empresário que mandasse buscar uma outra dupla para também tentar fazer carreira por aqui. Os Teresas desembarcaram no Rio de Janeiro em 1907 trazendo com eles o filho primogênito, Oscarito, nascido um ano antes.

Contam os relatos que o menino já trabalhava no picadeiro com quatro ou cinco anos de idade. E muito antes de formar par com Grande Otelo, Oscarito ,já, aparecia ao lado do famoso palhaço negro Benjamin de Oliveira, numa adaptação de O Guarani. A carreira do versátil e prematuro ator cobriria a partir dai praticamente todos os caminhos e formas do espetáculo Popular no Brasil. Além do circo, Oscarito experimentou o teatro, primeiro em incursões pelos modestos teatros do subúrbio e do interior como passaporte para a consagração no teatro de revista da capital da República.

Em 1932. na peça Calma, Gegê ele aparece já com o nome artístico de Oscarito Brenier, um ator de sucesso excursionando pelo Brasil e pelo exterior. O teatro permaneceria sempre no horizonte de trabalho do múltiplo ator. A exposição e consagração possibilitada pelo cinema permitiu, inclusive, que Oscarito, já na década de 50, montasse a sua própria companhia teatral, encenando peças de José Wanderley e Mário Lago, algumas delas mais tarde curiosamente adaptadas para o cinema, como O Golpe, Papai Fanfarrão e O cupim, todas sob a direção de Carlos Manga. A dedicação e paixão pelo teatro lhe valeram, em 1948, o título de melhor ator, dado pela Associação Brasileira de Cronistas Teatrais.

Genésio Arruda e Oscarito em 1934.

Mas Oscarito também passeou pelo rádio (contratado pela TUPI já em 1942), e, no limiar da década de 50, emplacou pelo menos dois grandes sucessos no disco, com a Marcha do gago, gravada por sugestão do jornalista David Nasser e cantada no filme Carnaval no fogo e, no ano seguinte, a Marcha do neném, um dos números mais engraçados do filme Aviso aos navegantes, este, como o anterior, conta com a direção de Watson Macedo. Oscarito também exercitou a carreira de compositor em co-autoria com o parceiro Grande Otelo, assinando o tema musical do filme Dupla do barulho, de Calos Manga. Finalmente a televisão também não passaria incólume a esse artista de múltiplas faces e, como que antecipando o verdadeiro destino da chanchada, além de artista convidado da TV RIO, na TUPI Oscarito ancora uma série, digamos, visionária, intitulada Trapalhadas de Oscarito. Mas como a televisão ainda engatinhava, sem o vislumbre do alcance que teria neste final de século, foi mesmo através do cinema que um público maior conheceu, identificou-se e cultuou nosso cômico maior.

A estreia nas telas acontece em A Voz do Carnaval, de Adhemar Gonzaga e Humberto Mauro, semidocumentário da CINÉDIA mostrando as folias de Momo na capital, com um inédito som direto gravado nas ruas da cidade, intercalando esses registros com algumas filmagens em estúdio. Nesse início de carreira cinematográfica, além da CINÉDIA, Oscarito atuou para a SONOFILMS em duas produções de sucesso, Bombonzinho, de Joracy Camargo, e Céu azul, de Ruy Costa. Daí em diante, a partir de 1943 e por quase 20 anos, Oscarito foi não só um dos artistas exclusivos da ATLÂNTIDA como também o seu maior nome, no bem-sucedido esquema de star system promovido pelos estúdios cariocas.

Oscarito fez de tudo um pouco. E fez muito. Freqüentemente comparado a Chaplin, Totó e Cantinflas, cômicos que igualmente percorreram vasta quilometragem em espetáculos e expressões de raízes totalmente populares, Oscarito era, nas palavras de seu patrão, Luís Severiano Ribeiro Jr., uma verdadeira “mina de ouro”. É difícil destacar este ou aquele traço interpretativo da persona cinematográfica construída pelo cômíco Oscarito. Tanto os inúmeros trejeitos, quanto sua capacidade inesgotável de criar o improviso através de seu corpo dinâmico e completamente maleável, e principalmente as linhas naturais do rosto, denunciam mais do que tudo a forte ligação com o circo. O desenho de sua boca, ressaltado pelas maçãs do rosto e o nariz, lembrara sempre a clássica máscara do palhaço.

“Nem Sansão Nem Dalila”, um dos melhores momentos de OSCARITO.

Na linguagem da chanchada, Oscarito ajudou a definir os contornos mais precisos da paródia, ao ironizar e exagerar sempre alguns dos aspectos mais evidentes da personalidade parodiada, fossem o jogo sedutor dos ombros de uma Gilda/Rita Hayworth, em Este mundo é um pandeiro, de Watson Macedo, ou a dança “moderna” de um Nijinsky em A dupla do barulho, ou, ainda, quando assume a expressão corporal e a voz no discurso populista de Getúlio Vargas em Nem Sansão nem Dalila, ou mesmo no grotesco travesti de Eva Todor em frente ao “espelho” em Dois ladrões, estes dois últimos de Manga. A perfeita alquimia com Otelo, com quem já havia trabalhado antes em Noites cariocas, dirigido pelo argentino Enrique Cadicamo, e Céu azul, só começou a tomar forma mesmo na ATLÂNTIDA, em 1943, com Tristezas não pagam dívidas, de Ruy Costa e José Carlos Burle. E também na paródia a dupla atirava certeiramente, tra-balhando as inversões necessárias a essa linguagem, tanto racial quanto sexual, como na antológica seqüência de Carnaval no Fogo em que os alvos são Romeu e Julieta, ou nas incongruências genéricas do faroeste em Matar ou Correr, mais uma vez com Manga.

Com o declínio da ATLÂNTIDA e a transferência da chanchada para os programas de televisão, já em pleno período do Cinema Novo, Oscarito só fez mais três filmes depois de 1962, na pele de um chefe de família em Crônica da cidade amada, de Carlos Hugo Christensen, numa aparição surpresa na paródia tardia A espiã que entrou em fria, de Sanin Cherques; e como um padre simpático em Jovens pra frente, do estreante Alcino Diniz, seu último filme.

Oscarito foi casado com a atriz Margarida (Margot) Louro e teve dois filhos, Myriam Therezinha, também atriz e que trabalhou com os pais no teatro e no cinema, e José Carlos, que restringiu seu interesse artístico à música, tocando bateria.

Oscarito e os netos, em 1963.

Oscarito morreu no Rio, a 4 de agosto de 1970.

Carlos Manga, que o dirigiu em 16 fitas, disse sobre ele: “Dentro do estúdio, era de todos o mais quieto, o mais obediente, equilibrado, moderado, excelente pessoa humana… Com ele morre e desaparece, de maneira irrecuperável, a maior força de comunicação do Cinema brasileiro.”

Os preferidos de Oscarito: Chaplin (adorava), Ben Turpin, Buster Keaton, Danny Kaye, o Gordo e o Magro.

Seu jeito de ser: Em dia de estreia, depois que o público saía, chamava um porteiro ou um bilheteiro do teatro e perguntava a opinião deles; era muito ciumento (não só de Margot, mas dos filhos e até dos amigos); era muito bom e, mais de uma vez, socorreu gente na rua, levando para casa; gostava de fazer papel sério, dizendo, até, que seu melhor filme era Gente Honesta, dirigido por Moacyr Fenelon, com Wanda Lacerda, Mário Brasini, Lydia Matos.

As músicas: Como autor: “Olhos Verdes”, “Foi Você”, “Eu Quero Ver Isso de Perto”, “No Me Dejes Nunca”, “Realidade”, “Botei Fora o Lenço”, “Entra Tudo”. Como intérprete: “Vingança do Rafaé”, baião de Armando Cavalcanti e David Nasser; “Chorinho… Chorão”, choro de Klécius Caldas; “Toureiro de Cascadura”, marcha de Armando Cavalcanti e David Nasser; “Garota Boa”, samba de Saint’Clair Sena; “Marcha do Nenen”, marcha de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, no filme Aviso aos Navegantes; “Pouca Roupa”, marcha de Klécius Caldas e Armando Cavalcanti, no mesmo filme; “Marcha do Gago”, marcha da mesma dupla, no filme Carnaval no Fogo; “Greve no Harém”, de Klécius Caldas, Armando Cavalcanti e David Nasser, no mesmo filme.

Os textos: “Entrou Areia”, com Vicente Marchelli, revista de 1940 “Disso é Que eu Gosto”, com Vicente Marchelli e Miguel Orrico, revista do mesmo ano.

Os prêmios principais: “Melhor Ator”, em 1948 (Associação Brasileira de Críticos Teatrais), “Ator Mais Popular do Cinema Brasileiro”, em 1951 (Clube dos Fãs, de Cinema e Teatro em Revista); “Melhor Ator Cômico”, em 1952 (Jornal do Cinema).

Algumas frases: “Quando eu era garoto, adorava o batalhão naval; quebrei muita vidraça a pedrada, levei muito bofetão e dei muito pontapé. Sou ou não sou o “malandro carioca,”?”. (Depoimento a Brício de Abreu, em 1963).

“Filme que não é aceito pelo público tem algum defeito.”

“Não tenho preferência por platéia. Todas me agradam. Gosto de palmas e de ouvir as gargalhadas do público. É como a gente ter milhões de amigos.” (revista Visão, de 14/11/52).

“O filme que fiz com Grande Otelo de que mais gostei foi Carnaval no Fogo, se bem que não desgoste dos outros (de alguns outros).” (Jornal do Cinema, de 26-27/10/54).

JOVENS PRA FRENTE (Jovens pra Frente, 1968)


A ESPIÃ QUE ENTROU EM FRIA (A Espiã Que Entrou em Fria, 1967)


CRÔNICA DA CIDADE AMADA (Episódio: Receita de Domingo, 1965 – Brasil)
(Filme Completo / Original em Português)

SINOPSE: O filme homenageia o Rio de Janeiro, na passagem do quarto centenário da cidade, através de onze pequenas estórias, baseadas em crônicas de autores famosos.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Crônica da Cidade Amada foi o quinto e último filme “celebratório” de Carlos Hugo Christensen após sua vinda definitiva para o Brasil, feito em seguida a Meus Amores no Rio (1958), Matemática Zero, Amor Dez (1960), Amor para Três (1960) e Esse Rio que eu Amo (1961). Se um espectador incauto assistisse apenas a estes trabalhos “amorosos” dirigidos pelo realizador argentino, teria a impressão bastante distorcida não apenas de seu talento e capacidade criativa (que, entre um filme e outro desta relação, têm pouquíssimas variações), mas especialmente do que era o Rio de Janeiro na primeira metade dos anos 1960. Tributos à Cidade Maravilhosa, os cinco longas-metragens constroem um cenário idílico e utópico tanto da geografia e do cotidiano da capital carioca como das pessoas que nela vivem e convivem.

Nesse sentido, Crônica da Cidade Amada, homenagem aos 400 anos do Rio, é uma espécie de súmula de uma paixão declarada e explícita. Com participações diretas do escritor Orígenes Lessa e do jornalista Millôr Fernandes no roteiro, Christensen adapta 11 textos de renomados cronistas que retrataram aspectos locais inusitados, nostálgicos ou afetuosos. Os autores são Carlos Drummond de Andrade, Paulo Mendes Campos, Fernando Sabino, Dinah Silveira de Queiroz, Paulo Rodrigues e o próprio Orígenes Lessa. Somados à narração de Paulo Autran, à música de Taiguara e às participações especiais no elenco de Grande Otelo e Oscarito (ainda que não contracenem juntos, é o reencontro da dupla num mesmo filme desde Matar ou Correr, de 1954), tem-se um vasto painel de referências, homenagens e tributos à cidade.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Carlos Hugo Christensen
ROTEIRO: Manuel Bandeira, Pedro Bloch (dialogue), Carlos Hugo Christensen
GÊNERO: Comédia
ORIGEM: Brasil
DURAÇÃO: 1h 50min
»
»
ELENCO PRINCIPAL:
Oscarito … (segment “Receita de Domingo”)
Liana Duval … (segment “Receita de Domingo”)
Millor Fernandes … (segment “Receita de Domingo”)
Deborah Rubinstein … (segment “Receita de Domingo”)
Luiz Viana … (segment “Receita de Domingo”)


OS APAVORADOS (Os Apavorados, 1962)


ENTRE MULHERES E ESPIÕES (Entre Mulheres e Espiões, 1961)


OS DOIS LADRÕES(Os Dois Ladrões, 1960 – Brasil)
(Filme Completo / Original em Português)

SINOPSE: Dois golpistas vivem enganando senhoras ricas, trocando jóias por réplicas para sustentar uma instituição de caridade. Jonjoca (Oscarito) é especialista em disfarces e Mão Leve (Cyll Farney) tem o hábito de doar para os mais necessitados o que consegue com os crimes. Tudo vai bem até que Mão Leve descobre que uma de suas últimas vítimas é tia da noiva de seu irmão, Roberto (Sergio Roberto). Arrependido, Mão Leve decide devolver as joias roubadas, mas elas agora estão em poder de um perigoso receptador.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Carlos Manga
ROTEIRO: José Cajado Filho
GÊNERO: Comédia
ORIGEM: Brasil
DURAÇÃO: 1h 25min
»
»
ELENCO PRINCIPAL:
Oscarito … Jonjoca
Cyl Farney … Mão Leve
Eva Todor … Madame Gaby
Jaime Costa … Panariço
Ema D’avila … Madame Fortuna
Jaime Moreira Filho … Gregório
Irma Álvarez … Leninha
Lenita Clever … Teresa
Sérgio Roberto … Roberto


DUAS HISTÓRIAS: CACARECO VEM AÍ (Duas Histórias: Cacareco vem aí, 1960)


PINTANDO O SETE(Pintando o Sete, 1959 – Brasil)
(Filme Completo / Original em Português)

SINOPSE: Catito é um palhaço esperto que consegue escapar de um casamento forçado com a filha de um coronel. Em sua fuga, ele se mete no automóvel do médico Cláudio, com quem trava amizade. Silvia é noiva de Cláudio e está para receber um intelectual francês. Com ciúmes da noiva, Cláudio resolve contratar Catito para que este finja ser um grande artista, o pintor Picansô. Na vernissagem do palhaço em que todos admiram um quadro do suposto artista, Cláudio conhece Gilda.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Carlos Manga
ROTEIRO: José Cajado Filho, Oswaldo Sampaio (story)
GÊNERO: Comédia
ORIGEM: Brasil
DURAÇÃO: 1h 20min
»
»
ELENCO PRINCIPAL:
Oscarito … Catito
Cyl Farney … Cláudio
Sonia Mamede … Zilá
Ilka Soares … Sílvia
Maria Petar … Gilda
Ema D’avila … Filomena
Antônio Carlos … Epaminondas
Abel Pera … Mendonça
Grijo Sobrinho … Tibúrcio
Vera Regina … Marlene


CUPIM (Cupim, 1959)


O HOMEM DO SPUTNIK(O Homem do Sputnik, 1958 – Brasil)
(Filme Completo / Original em Português)

SINOPSE: O provinciano Anastácio (Oscarito), cujo maior sonho é comprar uma chocadeira para suas galinhas, vive uma vidinha sem maiores novidades com sua esposa Deocleciana (Macedo), até a noite em que um objeto não identificado cai em seu galinheiro. Anastácio descobre tratar-se do famoso satélite Sputnik, que se encontraria recheado de ouro. Enquanto Anastácio não modifica suas ambições iniciais, a esposa só pensa em seu reconhecimento pela sociedade colunável. A fama do evento chega nas bocas e mentes dos mais diversos tipos. De um cronista social honesto, Jacinto (Farney), mas igualmente de um inescrupuloso, assim como das grandes potências. Já celebrizados pela imprensa, Anastácio e sua esposa hospedam-se no Copacabana Palace. Logo serão vizinhos de um grupo de russos, americanos e franceses ávidos por porem as mãos no Sputnik. Enquanto os russos pretendem se passar por honestos e os americanos pagarem um melhor preço, os franceses apelam para sua famosa moda e uma amante no estilo Brigitte Bardot (Benguell), para seduzir respectivamente Deocleciana e Anastácio.

SOBRE O FILME: Embora a chanchada tenha sido um gênero intelectualmente limitado, essa produção que é considerada talvez seu melhor exemplar, consegue efetivar uma saborosa crônica cômica da Guerra Fria, dentro dos moldes explicitamente paródicos que celebrizou o estilo das produções da Atlântida, porém sem agora apoiar seu enredo nos números musicais. O estilo galhofeiro, em que personagens caricaturam estereótipos de russos, franceses e americanos, inclusive no sotaque é herdeiro de influências díspares como o teatro de revista e cinema americano (sendo Cupido Não Tem Bandeira, de Billy Wilder, realizado dois anos após, uma referência bem próxima). Seu final pode ser interpretado como um retrato conformado da realidade sociocultural do país, onde o casal, já tocado pela sede de mudança que traz a modernidade e a riqueza, prefere esquecer tudo e continuar com sua pachorrenta vidinha de antes. Curiosamente, embora tenha sido um dos maiores sucessos de crítica da chanchada, foi igualmente um de seus últimos exemplares. 

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Carlos Manga
ROTEIRO: José Cajado Filho
GÊNERO: Comédia
ORIGEM: Brasil
DURAÇÃO: 1h 38min
»
»
ELENCO PRINCIPAL:
Oscarito … Anastácio Fortuna
Cyl Farney … Nélson / Jacinto Boucha
Zezé Macedo … Cleci / Dioclécia Fortuna
Neide Aparecida … Dorinha
Norma Bengell … BêBê
Jô Soares … American Spy
Alberto Pérez … Alberto
Hamilton Ferreira … Soviet Spy
Heloísa Helena … Dondoca


1933 — A voz do carnaval.
1935 — Noites cariocas; Alô, alô, Carnaval.
1938 — Banana da terra; Bombonzinho.
1939 — Está tudo ai!
1940 — Céu azul.
1941 — o dia é nosso; Vinte e quatro horas de sonho.
1943 — Tristezas não pagam dívidas.
1944 — Gente honesta.
1945 — Não adianta chorar.
1946 — Fantasma por acaso.
1947 — Asas do Brasil; Este mundo é um pandeiro.
1948 — É com este que eu vou; Falta alguém no manicômio; Caçula do barulho; E o mundo se diverte.
1949 — Carnaval no fogo.
1950 — Aviso aos navegantes.
1951 — Aí vem o barão; Barnabé, tu és meu.
1952 — Três vagabundos; Carnaval AtLântida.
1953 — Dupla do barulho; Nem Sansão nem Dalila.
1954 — Matar ou correr.
1955 — Guerra ao samba; o golpe.
1956 — Vamos com calma; Colégio de brotos; Papai fanfarrão.
1957 — De vento em popa; Treze cadeiras.
1958 — Esse milhão é meu.


Fontes de Pesquisa/Texto de Fernando Albagli (baseado, em parte, numa entrevista com Margot Louro), Revista Cinemin, Enciclopédia do Cinema Brasileiro, Portal Brasileiro de Cinema, iMDB, Filmow.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s