OS FILMES DE HORROR DE VAL LEWTON

Entre 1942 e 1946 uma série de filmes de horror realizados pela RKO-Radio em Hollywood, conjugando escassez de recursos com qualidade artística, tornou-se surpreendentemente lucrativa, fortalecendo o estúdio e dando mais respeitabilidade à linha de produção “B”. Com sua originalidade temático-visual, essas fitas renovaram o gênero e ofereceram verdadeiras lições de Cinema, estampando no conjunto a personalidade de um produtor meticuloso e criativo. Seu nome era Val Lewton.

INFÂNCIA E PRIMEIROS TRABALHOS

VLADIMIR Leventon nasceu em Yalta, Rússia, a 7 de maio de 1904. Sua mãe, Nina Leventon, irmã de Alla Nazimova, a famosa atriz da cena muda, após abandonar o marido, partiu com os dois filhos, Lucy e Vladimir, para Berlim, emigrando depois os três para a América.

Nina, Vladimir e Alla Leventon (da esquerda para a direita).

Em 1916, Nazimova estava fazendo filmes em Nova Iorque, e conseguiu arranjar emprego para Nina na Metro, como leitora de argumentos. Quando, em 1928, esta assumiu um posto mais elevado, incluiu seu filho Val no setor de publicidade do estúdio. Paralelamente à sua atividade na MGM, Lewton escrevia romances (usando os pseudônimos de Carlos Keith e Cosmo Forbes) e outros textos sem ser de ficção, tendo publicado inclusive um livro de poesia e uma obra erótica, Yasmine, belissimamente ilustrada. Em 1932, ao celebrar contrato com a editora Vanguard e se responsabilizar por um seriado radiofônico, deixou a MGM. No ano seguinte, David O. Selznick pediu a Nina que lhe indicasse um autor de origem russa que pudesse escrever o roteiro de Taras Bulba, e ela lhe entregou uma lista de seis nomes, entre eles o do próprio filho.

Os outros, por vários motivos, não aceitaram o cargo, e Lewton foi contratado. Depois de prestar o serviço (Taras Bulba, porém, não veio a ser filmado), continuou trabalhando com Selznick, aconselhando-o na escolha de argumentos, checando a fidelidade histórica dos cenários (como, por exemplo, o de A Queda da Bastilha/A Tale of Two Cities/1935) e remendando certos trechos imperfeitos de roteiros. Foi Lewton quem persuadiu o produtor a adquirir os direitos de Intermezzo, Uma História de Amor/Intermezzo/1939, e trazer Ingrid Bergman para Hollywood e quem bolou o travelling aéreo sobre os corpos dos sobreviventes da batalha de Gettysburg em E o Vento Levou/Gone With the Wind/1939. Em 1942, após oito anos de paciente colaboração com o genioso Selznick recebeu o convite que mudaria o Curso de sua vida.

NO GÊNERO HORROR

CHARLES Koerner, recentemente nomeado chefe de produção da RKO, decidira competir com a Universal no gênero de horror, e incumbiu Lewton de formar uma equipe dedicada exclusivamente à realização de filmes deste gênero, com orçamento limitado e duração máxima de 75 minutos, para serem exibidos como complemento de programa. No futuro, Lewton recordaria com graça: “Há alguns anos eu escrevia romances para ganhar a vida, e quando a RKO procurava um produtor de filmes de horror, alguém disse que eu havia escrito romances horríveis. Eles compreenderam mal, trocando a palavra horrível por horror, e me deram o emprego”.

Val Lewton com Mark Robson durante uma projeção na RKO.

A equipe originária constituiu-se do argumentista DeWitt Bodeen, do diretor Jacques Tourneur e do montador Mark Robson. Bodeen conheceu Lewton quando este estava com Selznick e o recomendou para assistente de Aldous Huxley na adaptação de Jane Eyre, afinal filmada pela Fox. Tourneur, filho do renomado diretor francês, Maurice Tourneur, radicado nos EUA durante a fase silenciosa, fora assistente e montador dos filmes do pai, e havia dirigido quatro filmes na França, antes de se fixar definitivamente na América em 1934, onde funcionou como diretor de segunda unidade (cenas da tomada da Bastilha em A Queda da Bastilha) e shorts, integrando o célebre departamento no qual também se exercitavam na época Fred Zinnemann, George Sidney, Jules Dassin, David Miller, Joseph Newman, Harold S. Bucquet, Roy Rowland, Gunther V. Fritsch, etc. Antes de ingressar na RKO, Tourneur dirigiu os longas-metragens Escravos do Mal/They All Come Out/1939, Nick Carter, Super Detective/Nick Carter, Master Detetive/1939, Nick Carter nas Nuvens/Phantom Raiders/1940 e Silêncio do Médico/Doctors Don’t Tell/1941, este último na Republic. Robson iniciou sua carreira, em 1932, no almoxarifado da Fox, e, um ano depois, transferiu-se para o setor de montagem da RKO, onde começou a chamar atenção como assistente de Robert Wise em Cidadão Kane/Citizen Kane/1941 e Soberba/The Magnificent Ambersons/1942.

A CRIAÇÃO DE UM HORROR DIFERENTE

KOERNER achou que vampiros e lobisomens já haviam sido bastante explorados na tela, e quis fazer algo com felinos. Como um dos títulos testados numa pesquisa de mercado, Cat People, obtivera bons índices, ele convocou Bodeen e Lewton e lhes disse: “Vamos ver o que vocês podem fazer com isso”. Lewton pensou em aproveitar um conto de Algernon Blackwood, Ancient Sorceries, mas logo mudou de idéia, e preferiu inventar sua própria história, passada na Nova Iorque contemporânea. Depois de comunicar a Bodeen o que tinha em mente, este fez um resumo de duas páginas detalhando os personagens e a ação e, nas reuniões democráticas com toda a equipe, surgiu uma espécie de fórmula que iria marcar todos os filmes da série, assim sintetizada por Lewton: “A nossa fórmula é simples. Uma história de amor, três cenas de horror apenas sugerido e uma de violência explícita. Escurecimento. Tudo está terminado em menos de 70 minutos”.

Simone Simon, Tom Conway e Jacques Tourneur no set de filmagem de “Cat People”, 1942.

Descartando os monstros tradicionais, as fitas de Lewton não lidavam com o horror realístico, mas com a expressão de algum medo ou superstição universal através de meios estritamente cinematográficos ou da simples sugestão da câmara. Pode-se dizer que suas histórias eram dramatizações da psicologia do medo. O medo do desconhecido, da escuridão da loucura, da morte ou dos mortos. “O que o homem conhece e pode ver com os olhos, ele não teme. Mas o desconhecido e o que ele não pode ver inundam-no de um básico e compreensível terror”.

“SANGUE DE PANTERA”

BODEEN desenvolveu a sinopse e uma cópia foi remetida para Simone Simon em Paris, sendo os outros papéis mais importantes entregues a Kent Smith, Jane Randolph e Tom Conway, já pertencentes ao elenco contratado do estúdio.

Na trama de Sangue de Pantera/Cat People/1942, Irena Dubrovna (Simone Simon), desenhista de modas em Nova Iorque, vive obcecada pela idéia de que é descendente de uma antiga raça de mulheres-felinas, as quais, quando excitadas, transformam-se em panteras. Por isso, tem medo, de consumar seu casamento com Oliver Reed (Kent Smith), empregado numa firma de construção naval. Ele persuade a esposa a consultar o Dr. Judd (Tom Conway), um psiquiatra; mas este não consegue melhorar o estado de Irena. Oliver então se consola, contando seus problemas a Alice (Jane Randolph), uma colega de escritório.

Subseqüentemente, Alice é ameaçada duas vezes por uma fera desconhecida. Oliver ameaça deixar Irena e, na mesma noite, ele e Alice são atacados. O Dr. Judd visita Irena, e tenta conquistá-la à força. Ela vira pantera, e o mata. Ferida por Judd, Irena morre no Jardim Zoológico do Central Park, ao tentar libertar uma pantera enjaulada. Numa seqüência memorável, Alice caminha pelas imediações do parque à noite e ouve ‘passos de alguém a segui-la. Ela pára diante de um poste de luz e olha para trás nas trevas. O barulho dos passos se interrompe; ela não vê nada, mas sente que continua sendo seguida por algo que roça na folhagem. Assustada, corre até o próximo poste.

No momento em que a tensão da platéia está no auge, um ônibus surge bruscamente dentro do quadro e dá uma freada súbita para alguns passageiros desembarcarem. A inesperada aparição do ônibus e o ruído estridente dos freios dão um susto tremendo nos espectadores. Na mesma noite, uma ovelha é morta no parque; e a câmara segue o rastro das patas de um felino afastando-se do corpo do animal morto, até que repentinamente as patas viram marcas de saltos de sapatos de uma mulher. Noutra seqüência, Alice entra à noite numa piscina deserta, e quando se prepara para seu exercício de natação, sente a aproximação de algo ameaçador. Sem possibilidade de fuga, atira-se à água. A câmara focaliza Alice só com o rosto à tona, em alternância com as sombras das águas turvas nas paredes e a repercussão sonora dos urros de uma pantera.

“Nós todos concordamos num ponto: a transformação da heroína em fera e vice-versa seria apenas sugerida… Estávamos convencidos também de que os diálogos tinham de ser usados somente para fazerem prosseguir a história, quando ela não pudesse ser plenamente compreendida por intermédio da ação visual e do som natural”.

Outros instantes esplêndidos: o encontro de Irena com a outra “mulher-pantera” (Elizabeth Russell) no restaurante; a cena do escritório, quando a pantera entra, e põe-se a caçar Oliver e Alice dentro da sala; a do trucidamento do psiquiatra, e todo o final culminando com a fuga da fera e a morte de Irena.

A direção de fotografia, a cargo de Nicolas Musuraca, um especialista na iluminação contrastada em preto e branco, seguia o estilo expressionista alemão de Robert Wiene, Fritz Lang, Lupu Pick, Paul Leni e Richard Oswald. Musuraca, depois de grande atividade nos anos 20 em faroestes e fitas de ação baratas, tornou-se, na década de 30, um dos mais destacados cameramen da RKO, onde faria ainda, entre outros, Beijo da Traição/Fallen Sparrow/1943, Silêncio nas Trevas/The Spiral Staircase/1946, Angústia/The Locket/1947, Fuga ao Passado/Out of the Past/1947, etc., e mais quatro filmes com Lewton (A 7ª Vitima/The Seventh Victim/1943, O Fantasma dos Mares/The Ghost Ship/1943, A Maldição do Sangue de Pantera/The Curse of the Cat People/1944, Asilo Sinistro/Bedlam/1946.

Na direção de arte, Albert S. D’Agostino e Walter E. Keller, atuantes em todas as fitas da série, por medida econômica, aproveitaram sets já usados anteriormente em outras produções do estúdio (o Central Park, por exemplo, em vários musicais de Fred Astaire e Ginger Rogers) e espalharam por todos os cantos referências a felinos — como a estátua de Bubastis, os lírios astecas, (flor-tigre) na vitrine do florista, ou os gatos na reprodução do quadro de Goya — para sublinhar a obsessão da heroína.

Rodado em 24 dias, o filme custou 134 mil dólares, e rendeu, no mínimo, 2 milhões. Tornou-se um sleeper, ou seja, um sucesso inesperado de público, salvando a RKO da falência. No Brasil, Vinicius de Moraes, então crítico do Diário Carioca, “descobriu” a fita e escreveu três crônicas apontando-lhe os méritos. “O filme é riquíssimo em material puro, e conta, a meu ver, entre os mais importantes desses últimos cinco anos de cinematografia… Jacques Tourneur realizou uma pequena obra-prima de Cinema, em essência, silenciosa”.

“A MORTA-VIVA”

ANTES mesmo de Sangue de Pantera começar a ser filmado, Koerner informou a Lewton que sua próxima produção seria baseada num artigo de Inez Wallace, publicado na revista American Weekly, intitulado I Walked With a Zombie. Após um dia de intensa preocupação, o produtor chamou Bodeen e lhe disse: “provavelmente eles jamais irão perceber isto, mas o que eu vou lhes dar em I Walked With a Zombie é Jane Eyre nas Antilhas”.

No enredo, escrito por Curt Siodmak e Ardel Wray, e inspirado muito livremente na obra de Charlotte Bronte, Betsy (Frances Dee), enfermeira canadense, chega a St. Sebastian nas Antilhas, para cuidar de Jessica Holland (Christine Gordon), uma inválida que parece estar sofrendo de uma forma de paralisia nervosa. Betsy apaixona-se por Paul (Tom Conway), marido de Jessica, e é cortejada por Wesley Rand (James Ellison), o meio-irmão dele. Acreditando que Paul continua enamorado da esposa, Betsy, altruisticamente, leva Jessica a uma cerimônia de vodu na esperança de restituí-la ao marido. Sua intenção falha, mas força Mrs. Rand (Edith Barrett), viúva missionária e mãe de Paul e Wesley, a revelar que havia usado o vodu para transformar Jessica numa zumbi. quando ela anunciara sua partida de St. Sebastian com Wesley. Este mata Jessica a fim de libertá-la da maldição da “morte em vida” e morre, ele também, no mar.

Dirigido por Tourneur com grande inspiração magnificamente fotorafado por J. Roy Hunt (Voando Para o Ria/Flying Down to Rio/1933, Os Últimos Dias de Pompéia/The Last Days of Pompeii/1935, Heróis do Mar/Sea Devils/1937, Última Confissão/Full Confession/1939, etc.) e interpretado com segurança por Frances Dee, Tom Conway, James Ellison, Edith Barrett, Christine Gordon e os atores negros Sir Lancelot (cantor de calipso) e Darby Jones (Carre-Four), o filme é considerado por muitos o melhor da série “um dos raros exemplares de pura poesia visual fabricado por Hollywood”. Esta qualidade é perceptível em seqüências como a do primeiro encontro de Betsy com Jessica; a da caminhada das duas à sede da macumba através dos canaviais sob o batuque enervante dos tambores e o soprar do vento; e a do desenlace, em notável montagem alternada, encerrando-se quando a agulha é espetada na boneca representando Jessica e, em seguida, num corte brusco, aparece Wesley que acabara de matar a Jessica de carne e osso com a flecha da estátua de São Sebastião.

A Morta-Viva/I Walked With a Zombie/1943 foi exibido com atraso no Brasil por causa da censura e, nessa ocasião, Moniz Vianna deu a medida certa de seu valor: “Grande, não; nem perfeito. Mas, inegavelmente, um filme muito bom”.

“O HOMEM-LEOPARDO”

A TERCEIRA produção de Lewton, O Homem-Leopardo/The Leopard Man/1943, um drama fantástico-criminal escrito por Ardel Wray, com base em Black Alibi, novela de Cornell Woolrich (Willaim Irish), foi também dirigido por Jacques Tourneur.

Numa pequena cidade do Novo México, um leopardo que o empresário Jerry Manning (Dennis O’Keefe) havia trazido ao palco para contracenar com sua vedete, Kiki Walker (Jean Brooks), assusta-se com o som de castanholas, e foge. A fera mata uma adolescente, Teresa Delgado (Margaret Landry), quando esta sai à noite para ir a uma mercearia. Duas outras jovens, Consuelo Contreras (Tuia Parma) e Clo-Clo (Mamo), são mortas, mas, desta vez, por um assassino demente que usa o leopardo para encobrir-lhe as atividades. Perseguido por Jerry e Kiki, o criminoso vem a ser preso, e liqüidado pelo namorado de uma das vítimas.

A narrativa, sem ter personagens centrais, é um tanto fragmentada, prejudicando um pouco a dramaticidade, mas há seqüências de excelente Cinema. Numa delas, sem dúvida a mais aterrorizadora de toda a série, uma adolescente mexicana é forçada pela mãe a sair de noite para comprar farinha. A mocinha está assustada, pois ouvira dizer que um leopardo anda às soltas pelas redondezas. A mãe empurra-a para fora da casa, e tranca a porta. A pobrezinha encontra a mercearia fechada, e tem de atravessar um longo caminho na escuridão, até chegar à única loja ainda aberta.

Na volta, ela vê os olhos de um felino brilhando nas trevas. Os olhos desaparecem e, num efeito semelhante ao da freada do ônibus em Sangue de Pantera, quando ela está sob uma passegem elevada da estrada de ferro, um trem irrompe estridentemente. Logo após, ela se depara com a fera, cai, derra-mando a farinha, e foge. O resto da seqüência é filmado do interior da casa. A menina bate aflita na porta, suplicando à mãe para deixá-la entrar; esta, zangada com a demora, decide puni-la. fazendo-a esperar. Quando finalmente se convence de que a filha corre perigo, não consegue abrir o ferrolho, e vê o sangue da menina escorrendo por debaixo da porta.

O virtuoso emprego do som e das sombras e a sucessão tensa das imagens continua nos momentos das outras mortes — a da jovem no cemitério e a da dançarina Clo-Clo tocando castanholas pelas ruas escuras, antes de perecer nas mãos do assassino. Boa parte do êxito destes instantes deveu-se aos perfeitos shots em chave baixa do fotógrafo Robert de Grasse (Kitty Foyle/Kitty Foyle/1940, A Morte Dirige o Espetáculo/Lady of Burlesque/1943, Clamor Humano/Home of the Brave/1949, Espíritos Indômitos/The Men/1950), que faria ainda com Lewton O Túmulo Vazio/The Body Snatcher/1945.

Filmado em um mês, O Homem-Leopardo custou menos de 150 mil dólares, e deu bons lucros à RKO. Lewton estava provando que o público sabia reconhecer e respondia, muito bem à qualidade em fitas pouco dispendiosas. Nesta oportunidade, James Agee escreveu que os filmes mais imaginosos e criativos de Hollywood eram os feitos por Lewton e sua equipe.

A DUPLA SE DESFAZ

O estúdio viria quebrar a parceria Lewton-Tourneur, conduzindo este último para a área das produções classe “A”, onde estrearia com Quando a Neve Tornar a Cair/Days of Glory/1944, drama de guerra na Rússia, com Gregory Peck e Tatuara Toumanova. “Mantínhamos uma perfeita colaboração — Val era o sonhador, o idealista, e eu o materialista, o realista. Devíamos ter continuado a fazer filmes mais importantes e ambiciosos, e não somente filmes de horror”.

“A SÉTIMA VITIMA”

SEM Tourneur, Lewton teve que escolher outro diretor para o novo projeto já programado, A Sétima Vitima/The Seventh Victim/1943, história mórbida e pessimista, escrita por DeWitt Bodeen e Charles O’Neal (pai de Ryan O’Neal), a partir das ideias do produtor.

Mary Gibson (Kim Hunter) chega a Manhattan à procura da irmã, Jacqueline (Jean Brooks), que desaparecera. A investigação que faz, com o auxílio de Gregory Ward (Hugh Beaumont), marido de Jacqueline, leva-a aos Palladists, culto diabólico do qual Jacqueline é adepta. Os Palladists tentam matar Jacqueline por revelar os segredos de sua ordem a um psicanalista, Dr. Judd (Tom Conway), mas falham no seu intento. Ela acaba pondo fim à vida, deixando Mary e Gregory um nos braços do outro.

Hugh Beaumont conforta Kim Hunter enquanto ela procura sua irmã.

A trama é conduzida de modo um tanto intrincado, mas contém elementos de susto e suspense dentro de um clima inquietante como na cena em que Mary descobre o laço e a cadeira no quarto alugado pela irmã, no andar superior de um restaurante, em Greenwich Village, ou quando ela, de dentro do chuveiro, através da cortina de plástico, vê a sombra da lésbica, Mrs. Redi (Mary Newton), lembrando a de Psicose/Psycho/1960, de Hitchcock. Como disse Carlos Clarens, “raramente um filme conseguiu captar tão bem a ameaça noturna numa grande cidade, o terror subjacente no cotidiano e a sugestão de um espirito maligno oculto”. Outra cena marcante é a do suicídio de Jacqueline sugerido pelo som de uma cadeira sendo empurrada enquanto fora de cenas ela se enforca e uma voz repete a epígrafe de John Donne que abre o filme: “Eu corro para a Morte e a Morte logo me encontra… e todos os meus Prazeres são como os Dias de Ontem”.

“O FANTASMA DOS MARES”

SATISFEITO com Mark Robson, Lewton entregou-lhe a direção do filme seguinte, O Fantasma dos Mares/The Ghost Ship/1943, algo parecido com uma versão psicanalítica de O Lobo do Mar, romance de Jack London, feito para aproveitar um grande cenário de navio que a RKO havia construído para uma fita de Lew Landers.

No relato (escrito por Donald Henderson Clarke, com apoio numa história de Leo Mittler) Tom Merriam (Russell Wade), jovem oficial do “Altair”, impressionado com as atitudes de um comandante autoritário, Capitão Stone (Richard Dix), vai percebendo aos poucos que este é um assassino psicopata, responsável pela morte de vários tripulantes. Ninguém acredita nas suas acusações, e ele quase vem a ser morto, antes de pôr fim aos crimes de Stone, apunhalado no desfecho por Finn (Skeiton Knaggs), um tripulante mudo que funciona como uma espécie de destino.

Logo após a estréia do filme, dois homens impetraram uma ação judicial contra o produtor, alegando plágio. Alguns meses antes, eles haviam deixado por conta própria um manuscrito nas mãos da secretária de Lewton que, seguindo um procedimento usual no estúdio, devolveu-o aos autores. Embora a história de O Fantasma dos Mares não tivesse nada a ver com a do texto, a ação foi julgada procedente e, em Consequência, sustada a distribuição. Segundo os que puderam assisti-la, a fita é atraente do ponto de vista narrativo e pictórico, com foto desta vez menos contrastada e cenas de horror apoiadas mais em efeitos auditivos do que visuais, como no assassinato do marujo: ouvem-se apenas seus gritos, abafados pelo barulho das pesadas correntes que o soterram.

“A MALDIÇÃO DO SANGUE DE PANTERA”

EM seguida, Koerner encomendou uma continuação de Sangue de Pantera, mas Lewton driblou-lhe as instruções, e fez um filme mais poético do que terrorífico.

No roteiro (escrito por DeWitt Bodeen), Oliver Reed (Kent Smith), preocupa-se porque sua filhinha Amy (Ann Carter), vive num mundo de fantasia. A mãe (Jane Randolph) atribui o fato simplesmente à imaginação infantil, mas Oliver suspeita da influência de sua primeira esposa, Irena (Simone Simon), que falecera acreditando ser uma mulher-pantera. Amy frequenta a mansão ocupada por Barbara Farren (Elizabeth Russell) e sua mãe, Julia (Julia Dean), antiga atriz de outra época. Julia gosta da menina, e Barbara a odeia, Com ciúmes da mãe. Amy vê uma fotogratia de Irena e imagina que ela é sua amiga. Quando insiste que Irena é “real”, Oliver fica mais impaciente e a castiga. Ela foge para a casa das Farren, sem saber que Barbara prometera matá-la. Julia tenta esconder Amy, mas sofre um colapso. Barbara ameaça Amy; fica, porém, desarmada diante da inocência da menina, no exato momento em que Oliver chega com a polícia. Oliver então mostra-se indulgente com as fantasias da filha, fazendo-a esquecer-se de Irena.

Fascinante análise da psicologia infantil, e talvez o mais pessoal dos filmes de Lewton, A Maldição do Sangue de Pantera/The Curse of the Cat People/1944 foi entretanto prejudicado por cortes e inserções ordenados pelos chefões do estúdio e tumultuado pela substituição do diretor. Gunther von Fritsch, inicialmente escolhido havia se sobressaído em dois shorts da Metro, Fala, o Cachorro do Presidente/Fala, the President’s Dog/1943 e Mãos Videntes/Seeing Hands/1943, este último indicado para o Oscar; mas, na sua primeira intervenção num longa, deixou que a filmagem se atrasasse, e colocaram Robert Wise no seu lugar. Wise, contratado como auxiliar do departamento de montagem da RKO, tornara-se respeitado com O Homem Que Vendeu Sua Alma/All That Money Can Buy/1941, Cidadão Kane/Cítizen Kane/1941 e Soberba/The Magnificent Ambersons/1942, montando também Sete Dias de Licença/Seven Days Leave/1942, Bombardeiro/Bombardier/1943 e Beijo da Traição/The Fallen Sparrow/1943 até preencher a vaga de Fritsch, ascendendo à direção.

Apesar dos problemas, a fita tem muitos admiradores (Agee elegeu-a uma das melhores de 1945) e, sem dúvida, alguns efeitos góticos e de horror interessantes, como na cena em que, no sombrio casarão, a velha ex-atriz narra a Amy a história do cavaleiro-sem-cabeça e depois, ao ouvir o barulho de um carro com o pneu furado, a menina tem a impressão, no escuro, de ver o personagem fantasma se aproximando.

“A ILHA DOS MORTOS”

APÓS um breve intervalo, no qual realizou Youth Runs Wild/1944 e Mademoiselle Fifi/1944 (exibidos no Brasil apenas na televisão), o primeiro sobre delinqüência juvenil e o segundo extraído de dois contos de Maupassant, Lewton voltou ao gênero de horror com três fitas ambiciosas, todas protagonizadas por Boris Karloff, que havia sido contratado pela RKO.

No primeiro, A Ilha dos Mortos/Isle of the Dead/1945 (dirigido por Mark Robson e inspirado num quadro famoso do pintor suíço Arnold Boecklin (1827-1901), com roteiro de Ardel Wray e Josef Mischel), o General Pherides (Boris Karloff), um repórter americano, Oliver (Marc Cramer), um cônsul britânico (Alan Napier), sua esposa (Katherine Emery, substituindo Rose Hobart) e mais algumas pessoas ficam de quarentena numa ilha grega, durante a guerra dos Bálcãs de 1912. A cólera é descoberta entre o grupo, embora uma velha campesina, Kyra, suspeite da presença de demônios chamados Vryvolakas, acusando Thea (Ellen Drew), uma bela jovem, do local, de ser vampiro, responsável pelas mortes. Perturbado pela peste, Pherides tenta matar Thea, mas a ressuscitada o liquida, antes de cometer suicídio, atirando-se num precipício. O perigo da cólera passa, permitindo ao americano deixar a ilha na companhia de Thea que lhe conquistara o coração.

O filme tem de início um compasso um pouco arrastado, mas, por toda a sua extensão, sente-se a atmosfera intensamente trágica que vai preparando o final, quando se acumulam os acontecimentos mais empolgantes. A certa altura, a câmara se aproxima lentamente do caixão no qual sabemos que a mulher atacada de catalepsia está encerrada e a qualquer momento pode acordar. O único som é o de gotas d’água caindo sobre a tampa de madeira do caixão. De repente, ouvimos um grito do seu interior e o ranger das dobradiças da tampa forçada por dentro para se abrir. Num suspensa angustiante, a platéia fica aguardando o despertar da mulher, já enlouquecida pela horrível experiência. Nesta e em outras cenas do desfecho, Robson, ajudado por Jack Mackenzie, fotógrafo geralmente confinado às séries da RKO, Scattergood (Guy Kibbee), Mexican Spitfire (Lupa Velez), Falcon (Tom Conway), Gildersleeve (Harold Peary), dá ao filme mais vigor e valor artístico. Moniz Vianna considerou A Ilha dos Mortos uma pequena obra-prima, e James Agee, “um dos melhores filmes de horror jamais feitos”.

“O TÚMULO VAZIO”

O Túmulo Vazio/The Body Snatcher/1945 começou a ser feito durante uma interrupção na filmagem de A Ilha dos Mortos, e foi lançado antes deste. Lewton abordou um conto de Robert Louis Stevenson e, pela primeira vez, assinou o roteiro, juntamente com Philip MacDonald, usando o pseudônimo de Carlos Keith.

Em Edimburgo, Escócia, 1831, o médico Mac Farlane (Henry Daniell) dirige uma escola de medicina. Ele é chantageado por John Gray (Boris Karloff), um cocheiro que, certa vez, o encobertara numa investigação por roubo de cadáveres e cumprira longa pena de prisão em seu lugar. Fettes (Russell Wade), jovem estudante idealista, torna-se assistente de Mac Farlane, e implora ao mestre que opere uma criança paralítica, Georgina (Sharyn Moffett). Em pouco tempo, Fettes vem a descobrir que, por meios ilegais, Gray arranja cadáveres para a escola e que o ladrão de túmulos traz Mac Farlane sob estranho controle. Os recentes roubos de Gray fazem com que sejam colocados guardas nos cemitérios e, então, para conseguir mais corpos ele dá início a uma série de assassinatos. Atormentado, Mac Farlane mata Gray, e como a operação em Georgina é bem sucedida, convence Fettes a ajudá-lo a roubar o cadáver de uma mulher. No retorno da sinistra expedição, durante uma tempestade, Fettes cai do descontrolado carro funerário. Mac Farlane, cada vez mais alucinado, pensa ser de Gray o cadáver que está transportando e que está sendo atacado por ele, enquanto a viatura se encaminha para o abismo.

A narrativa é um tanto literária, mas a fita tem uma eficiente ambientação e algumas cenas de horror no esquema plástico-sonoro lewtoniano, soberbameontae dirigidas por Robert Wise, com o apoio de Robert de Grasse. Numa delas, uma cantora das ruas, cega (Donna Lee, a Deanna Durbin da RKO) — que atua como uma espécie de coro, ligando os episódios com suas canções escocesas — afasta-se da objetiva, penetra numa passagem escura com entrada em forma de arco, e o som do seu canto continua sendo ouvido. Em seguida, a carroça de Gray entra no quadro e desaparece nas trevas atrás da jovem. O canto cessa repentinamente, e a câmara permanece focalizando o arco de entrada, até a imagem se dissolver. Outra cena tétrica muito lembrada é a do epílogo, Mac Farlane imagina que Gray ressuscitara para vingar-se e a voz do morto (repetindo “Nunca se livrará de mim, nunca se livrará de mim”), ecoa no ritmo do galope dos cavalos, iluminados os dois em luta, pelos flashes de relâmpagos sobre a carruagem fúnebre desgovernada. Ao lado de Karloff, está outro veterano do gênero, Bela Lugosi, como Joseph, o inescrupuloso criado de Mac Farlane.

“ASILO SINISTRO”

O último filme de Lewton para a RKO, Asilo Sinistro/Bedlam/1946, inicialmente intitulado Chambers of Horrors, inspirou-se temática e visualmente na série de ilustraçõe satíricas A Rake’s Progress, do artista inglês William Hogarth (1697-1764), também intercaladas entre as seqüências, comentando-as antecipadamente e sugerindo ainda vários enquadramentos (“Hogarth foi nosso desenhista de arte”).

O entrecho, de autoria de Lewton e Mark Robson, transcorre na Londres de 1761. Nell Bowen (Anna Lee), atriz protegida do gordo Lord Mortimer (Billy House), interessa-se pelas tristemente célebres condições do asilo de loucos de St. Mary of Bethelehem (Bedlam), dirigido pelo ambicioso e sádico Master Sims (Boris Karloff). Sua intromissão, encorajada por Hannay (Richard Fraser), um quaker, provoca a ira de Mortimer, a quem Sims deve o cargo. Após algum tempo, por intriga de Sims, ela é conduzida ao asilo como punição. Embora amedrontada pelos loucos, Nell esforça-se por melhorar a condição daquelas pobres criaturas. Quando Sims ameaça fazer mal a ela, é capturado pelos internos, e estes formam um tribunal para julgá-lo. Reconhecendo que sua crueldade é uma doença, eles o deixam partir, absolvido; mas um infeliz, maltratado pelo impiedoso diretor, o apunhala. Temendo o castigo, os loucos resolvem emparedar Sims ainda vivo, e, com seu misterioso desaparecimento, Bedlam transforma-se numa instituição humanitária.

Esta trama, um tanto bizarra, se desenrola num clima asfixiante, criado pelo método fotográfico típico de Musuraca e, apesar de conter diálogos excessivos (mas cultos e irônicos), segue com fluência. O estúdio deu ao produtor um orçamento maior do que o de costume (350 mil dólares); mesmo assim, no entanto, ele teve que apertar os cintos, usando como sempre antigos cenários, o asilo, por exemplo, era a igreja de Os Sinos de Santa Maria/The Bells of St, Mary’s/1945. O horror irrompe nas cenas da morte do jovem louco personificando a Razão, em pleno espetáculo, com os poros obstruídos pela tinta dourada que lhe cobre o corpo, na do confronto, sob o olhar maquiavélico de Sims, entre a heroína e um demente furioso que a jovem apazigua com doçura; na das mãos que surgem para fora das grades acompanhadas de gritos lancinantes; na do julgamento de Sims por suas vítimas; e quando ele abre os olhos, ao cair sobre sua cabeça a última pedra que havia de sepultá-lo vivo, um instante digno de Edgar Allan Poe.

TRÊS FILMES SEM HORROR

LEWTON, entre alguns projetos irrealizados, produziu ainda mais três filmes de outros gêneros: Meu Verdadeiro Amor/My Own True Love/1948, Crê em Mim/Please Believe Me/1950 e Flechas de Vingança/Apache Drums/1951, pela ordem, para a Paramount, MGM e Universal.

Falece prematuramente, aos 46 anos, de um ataque cardíaco, a 14 de março de 1951. Alguém disse uma frase que lhe cai sob medida como epitáfio: “Ele usou a Beleza para criar o Horror”.

SANGUE DE PANTERA (Cat People, 1942 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 25 de dezembro de 1942

SINOPSE: Irena Dubrovna (Simone Simon) é uma bela e misteriosa jovem sérvia, que vai trabalhar em Nova York como designer de modas e se casa com Oliver Reed (Ken Smith). Irene vive obcecada pela idéia de ser vítima de uma maldição, pois descenderia de uma raça de mulheres-felinas que, quando estão emocionalmente excitadas, se transformam em panteras assassinas. Seu temor mostra ter fundamento ao sentir ciúmes de Alice Moore (Jane Randolph), que está íntima de Oliver. Ela tenta convencer o marido que se transformará em uma pantera, sendo que ele a manda para Louis Judd (Tom Conway), um psiquiatra para avaliar o problema da sua mulher, sem imaginar realmente o que está acontecendo.

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SOBRE O FILME: Em 1942, o estúdio RKO se encontrava à beira da falência após o alto investimento feito nos filmes de Orson Welles, Cidadão Kane (1941) e Soberba (1942), que embora sejam considerados clássicos nos dias de hoje, foram retumbantes fracassos de bilheteria na época. Percebendo o sucesso que a Universal vinha fazendo há alguns anos com seus “filmes de monstro”, o estúdio contratou o produtor Val Lewton para que ele produzisse uma série de filmes de terror de baixo orçamento.

Tendo que trabalhar com o título já pré-determinado Sangue de Pantera (Cat People, no original) antes mesmo que existisse um roteiro ou mesmo uma ideia do que seria o filme, Lewton começou a trabalhar no projeto. Não tendo a intenção de simplesmente reproduzir o estilo de terror da Universal, presente em filmes como O Lobisomem (1941)o produtor convocou o roteirista Dewitt Bodeen e o diretor Jacques Tourneur para realizar um filme de terror mais urbano e intimista, onde o terror se originava muito mais da sugestão do que do choque. O resultado foi Sangue de Pantera, que deu início à série de filmes produzidos por Lewton para RKO.

A trama acompanha Irena Dubrovna (Simone Simon), uma jovem estilista sérvia que vive em Nova York. Depois que Irena conhece e se apaixona pelo arquiteto Oliver Reed (Kent Smith), os dois se casam, mas o matrimônio é ameaçado por uma antiga maldição que, segundo Irena, acomete as mulheres nascidas em seu povoado. A moça crê que no momento em que se excitar sexualmente ou sentir ciúme intenso, irá se transformar em uma pantera e matar o seu parceiro. Será isso fruto de alguma neurose ou realmente existe algo de sobrenatural em Irena?

Embora seja muito menos famoso do que seus contemporâneos da Universal Studios, Sangue de Pantera tem uma grande importância para o cinema de terror. Nesta produção de Val Lewton, o monstro surge não só em um ambiente construído pra ser muito próximo do público (no caso, uma grande metrópole, contrastando com as regiões isoladas e tempos distantes de outras produções da época), mas também como uma metáfora de questões muito mais intimistas do que aquelas que eram geralmente trabalhadas pelo gênero.

O filme de Tourneur coloca o sexo no centro da narrativa, ao usar a maldição de Irena como uma metáfora evidente para a repressão sexual que sua protagonista carrega. Todo o suspense e potencial terror que a obra propõe gira em torno de seus conflitos matrimoniais, da insatisfação sexual do casal protagonista, até o ciúme que Irena passa a sentir da relação cada vez mais próxima de seu marido com a colega de trabalho Alice (Jane Randolph).

O longa-metragem dirigido por Jacques Tourneur bebe direto da fonte da psicanálise e de sua iconografia, vide a estatueta de um guerreiro matando uma pantera com uma lança fálica, ou a própria figura da pantera enjaulada que tanto fascina a protagonista, para trabalhar as inibições e desejos reprimidos de sua heroína. Não é de se esperar que o roteiro insira a figura de um psiquiatra, o antiético Doutor Louis Judd (Tom Conway), com um papel fundamental na resolução do conflito. O diretor Jacques Tourneur, que entre outros trabalhos comandou o clássico noir Fuga ao Passado, constrói aqui um estilo de terror muito mais calcado no que é imaginado do que no que é de fato visto, dando o tom de todos os filmes que seriam produzidos por Lewton posteriormente.

As cenas que envolvem Alice sendo perseguida por uma ciumenta Irena na rua e posteriormente sendo encurralada em uma piscina são de uma elegância incrível, pela forma como constroem uma presença absolutamente ameaçadora utilizando apenas sombras e o desenho de som. O devido mérito também deve ser dado ao trabalho do montador Mark Robson, que cria um ritmo fílmico excelente e sugere uma ameaça sobrenatural, nunca tornando-a explícita.

É uma pena, portanto, que em seu 3º ato, por imposição do estúdio, o filme de Jacques Tourneur deixe a sutileza de lado e opte por mostrar o seu monstro, eliminando assim o fator da ambiguidade que era um dos grandes charmes do projeto. Não que a metáfora proposta pelo roteiro no que diz respeito à condição de Irena perca força, mas a exposição visual, ainda que pouca, acaba criando um contraste incômodo com o resto do filme.

Apesar desse deslize final, Sangue de Pantera continua sendo um bom terror psicológico, que influenciou diversos outros filmes que o sucederam. Com seu pequeno “filme de terror B”, Jacques Tourneur e Val Lewton não apenas salvaram a RKO da falência, como também popularizaram uma vertente do gênero mais preocupada em explorar ansiedades sociais de caráter intimista através da psique de seus personagens, do que no choque em si. Nada mal para um filme que tinha como intenção inicial pegar carona no sucesso de monstros antropomórficos.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Jacques Tourneur
ROTEIRO: DeWitt Bodeen
GÊNERO: Fantasia, Horror, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 13min
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ELENCO PRINCIPAL:
Simone Simon … Irena Dubrovna Reed
Kent Smith … Oliver Reed
Tom Conway … Dr. Louis Judd
Jane Randolph … Alice Moore
Jack Holt … The Commodore
Henrietta Burnside … Sue Ellen
Elizabeth Dunne … Mrs. Plunkett
Theresa Harris … Minnie
Elizabeth Russell … The Cat Woman


A MORTA-VIVA (I Walked With a Zombie, 1943 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 30 de abril de 1943

SINOPSE: Betsey Connell (Frances Dee) é uma jovem enfermeira canadense contratada para cuidar de Jessica Holland (Christine Gordon), a mulher de um poderoso fazendeiro das Índias Ocidentais. Ela pensa que a esposa do seu patrão sofre de um tipo de paralisia mental resultante de uma febre tropical, já que ela costuma vagar pela torre da casa sem falar nada. Para tentar ajudar a moça ela vai recorrer a um costume africano da ilha caribenha: O vodu.

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SOBRE O FILME: Antes de se tornarem ágeis e comedores de carne humana, os zumbis eram personagens retratados através de perspectivas diferenciadas do que conhecemos na contemporaneidade. Sabemos da importância de George A. Romero para a história dos filmes de terror, mas é preciso mergulhar mais profundamente e entender que antes de A Noite dos Mortos Vivos e seus derivados, como por exemplo, The Walkind DeadGuerra Mundial ZMadrugada dos Mortos, etc. há uma linhagem de filmes que abordam estes mitológicos personagens sob outra ótica.

Lançado em 1943, A Morta-Viva surge na esteira dos sucessos dos estúdios Universal. Os monstros conseguiram provar que o gênero era uma das apostas mais lucrativas no campo da sétima arte e por isso, a extinta (mas não menos importante) RKO recrutou o diretor francês Jacques Tourneaur para comandar a produção.

O filme é narrado por Betsy Connell (Frances Dee), uma enfermeira canadense contratada para cuidar da esposa de um proprietário de um engenho de açúcar, localizado no Caribe. Marcada por questões sociais ligadas aos processos de colonialismo, o espaço é habitado por brancos que ocupam postos como médicos e policiais, enquanto os negros são descendentes de antigos escravos, em suma, pessoas ainda vitimadas pelos males causados pela diáspora africana.

A presença no local não muda muito a vida de Betsy até o dia em que ela acorda de madrugada e escuta o choro de uma mulher. Ao sair dos seus aposentos, ela se depara com Jessica Holland (Christine Gordon), a esposa catatônica do dono do engenho, Mr. Paul Holland (Tom Conway), envolta numa camisola branca a circundar a torre da casa. Não vai demorar muito para a enfermeira começar a desconfiar que algo além do seu inicial diagnóstico de enfermidade mental pode estar por detrás dos acontecimentos misteriosos posteriores.

Após tentar alguns métodos “tradicionais” para ajudar na reconstrução da saúde mental de Jéssica, os envolvidos no tratamento decidem levar a moça ao local onde os nativos praticam o vodu, no intuito de buscar ajuda espiritual para a resolução dos problemas. Zumbis catatônicos caminhando à passos lentos demarcam a produção, focada na tensão psicológica.

No que tange aos aspectos narrativos, o filme não faz feio. Apesar do baixo orçamento, consegue empregar um excelente trabalho graças ao apoio da fotografia em preto e branco e o competente trabalho de iluminação. Outro ponto técnico que cabe ser ressaltado é o som do filme. Os envolventes sons dos tambores tocados pelos nativos e os assustadores “ventos uivantes” ajudam na construção da tensão. Hoje pode até ter pouco impacto, haja vista que estamos inseridos em um contexto com tamanha intromissão do som para impactar, principalmente para provocar os tais “sustos fáceis”, mas a sutileza aqui faz a diferença.

A Morta-Viva possui paralelo com Jane Eyre, romance de Charlotte Bronte, narrativa ambientada em castelos, adornada por um clima de mistério e repleta de cenários e situações bem próximas do estilo gótico literário-arquitetônico. A obra traça um perfil da mulher no século XIX: personagens inquietas, cansadas de sua condição limitada em relação ao homem e em busca de emancipação e novos rumos. Apesar de não creditado, há registros em sites especializados e em estudos acadêmicos que atribuem essa ressonância da obra literária ao filme dirigido de forma competente por Jacques Tourneur, uma produção com 69 minutos de duração e muito mistério.

 A Morta-Viva é uma prévia do que os zumbis se tornariam ao serem adaptados pela cultura pop nas décadas seguintes: uma espécie de mitologia dentro da história do cinema, porém captada por enquadramentos mais próximos ao terror à moda antiga. Há gritos de horror, sombras misteriosas e tensão mais concentrada nos diálogos, além do bom trabalho de som, uma das características mais comuns dos filmes deste gênero.

Se você estiver interessado em ir além e aprofundar nas reflexões sobre o filme, vale a pena pensar como o vodu e as práticas africanas espalhadas pelo mundo afora ganharam lugar nos roteiros de filmes deste tipo. Além deste tópico, discutido brevemente na critica ao filme A Chave Mestra, há também o debate entre cientificismo e feitiçaria, maniqueísmo bastante comum na seara dos filmes de terror. Como curiosidade, A Morta-Viva ganhou refilmagem em 2002, intitulada Ritual, com a presença da sumida Jennifer Grey, a mocinha de Dirty Dancing – Ritmo Quente. Esquecível, a produção não emplacou e chegou ao Brasil direto no mercado de VHS – DVD.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Jacques Tourneur
ROTEIRO: Curt Siodmak, Ardel Wray (screenplay), Inez Wallace (original story)
GÊNERO: Drama, Fantasia, Horror
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 9min
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ELENCO PRINCIPAL:
James Ellison … Wesley Rand
Frances Dee … Betsy Connell
Tom Conway … Paul Holland
Edith Barrett … Mrs. Rand
James Bell … Dr. Maxwell
Christine Gordon … Jessica Holland
Theresa Harris … Alma – Maid
Sir Lancelot … Calypso Singer
Darby Jones … Carrefour
Jeni Le Gon … Dancer


O HOMEM-LEOPARDO (The Leopard Man, 1943 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 30 de abril de 1943

SINOPSE: Performer de um nightclub no Novo México, Kiki Taylor, encorajada pelo gerente, inclui na sua atuação um leopardo como estratégia publicitária. Mas o animal foge devido ao barulho e às luzes do clube e passado alguns dias surgem cadáveres mutilados na vila. Tudo indica que se trata de ataques do leopardo, mas Kiki não se convence disso.

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SOBRE O FILME: Jacques Tourneur se tornou um dos meus diretores favoritos e muito foi por conta da Versátil que lançou alguns dos seus filmes e também pelo documentário que o Martin Scorsese fez que chama “Uma Viagem com Martin Scorsese pelo Cinema Americano” no qual ele fala do diretor e suas obras pelo cinema noir como “Sangue de Pantera” que beira ao terror e também “Fuga do Passado”. Mas um dos meu filmes favoritos de Tourneur é “A Noite do Demônio” que já virou resenha no Terror Mania.

Quando “aluguei” pela internet esse filme deixei estocado no meu HD e pensei que depois assistiria e tal. Mas grata surpresa que esse dia finalmente chegou. E quando assisti meu irmão! Que baita suspense com uma pitada de “slasher” apesar de não ter elementos para deixá-lo nessa categoria, mas mesmo assim é um baita filme. O filme é baseado na obra de Cornell Woolrich que tentou fazer um primeiro retrato do “serial-killer”, você percebe que muitos filmes famosos hoje repetem a mesma estética de “O Homem Leopardo”.

A produção é clássica de um filme B como personagens não tão famosos ou começo de carreira, um só ambiente e também o orçamento que é muito baixo no caso “O Homem Leopardo” teve um orçamento modesto de 150 mil dólares. Eu acredito que o diretor Jacques Tourneur brincou muito com o roteiro e com a imaginação das pessoas ao simular que um homem meio leopardo é quem assassinava as pessoas. E é legal ver esse sentimento rolando ainda hoje, porque mesmo a produção ser de 1943, você ainda acha quem está matando as pessoas é um homem meio leopardo.

A história se passar numa boate no Novo México e a cantora principal Kiki Taylor (Jean Brooks), é encorajada pelo seu gerente Jerry Manning (Dennis O’Keefe), a incluir na sua atuação um leopardo como estratégia publicitária. Mas o animal foge devido ao barulho e às luzes do clube e passado alguns dias surgem cadáveres mutilados na vila. Tudo indica que se trata de ataques do leopardo, mas Kiki não se convence disso. Essa é a sinopse básica. Mas aos poucos vamos vendo que a história foge e bastante desse clichê e ainda bem.

Gostei muito de assistir ao “O Homem Leopardo”, ele foge dos clichês básicos e coloca um assassino para lá de perturbador que entra em cena só para tocar o terror mesmo. E assim vemos que eles conseguem e bastante inovar em certas coisas e deixar um roteiro bacana e para lá de inteligente em certas cenas. Apesar de claro escorregar em alguns pontos que é normal para um filme B e tal. Ele consegue ser divertido e macabro em algumas cenas.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Jacques Tourneur
ROTEIRO: Ardel Wray (screenplay), Edward Dein, Cornell Woolrich (novel “Black Alibi”)
GÊNERO: Filme Noir, Horror, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 6min
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ELENCO PRINCIPAL:
Dennis O’Keefe … Jerry Manning
Margo … Clo-Clo
Jean Brooks … Kiki Walker
Isabel Jewell … Maria – Fortune Teller
James Bell … Dr. Galbraith
Margaret Landry … Teresa Delgado
Abner Biberman … Charlie How-Come
Tuulikki Paananen … Consuelo Contreras
Ben Bard … Roblos – the Police Chief


A SÉTIMA VÍTIMA (The Seventh Victim, 1943 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 21 de agosto de 1943

SINOPSE: Quando sua irmã mais velha Jacqueline desaparece, Mary Gibson é forçada a deixar sua escola particular e viajar para Nova Iorque para procurar por ela. Ingênua, ela não está completamente certa de como encontrá-la. Eventualmente ela conhece Gregory Ward, marido da irmã e um misterioso psiquiatra, Dr. Louis Judd que afirma saber o paradeiro de Jacqueline. O que ela não percebe é que sua irmã se envolveu com adoradores do diabo que agora querem eliminar-lhe por ter revelado a sua existência.

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SOBRE O FILME: De acordo com Martin Scorsese, Val Lewton era uma espécie de “David Selznick benevolente” que “trabalhava intensamente em todos os roteiros que produzia, mas nunca pisava no set de filmagem, deixando os diretores agirem por conta própria”. Conseguiu seu espaço na história do cinema com filmes baratos, apostando na criatividade dos diretores com quem trabalhava e na própria imaginação do público, como é o caso deste The seventh victim.

O diretor é Mark Robson e o seu trabalho em muito lembra o de Jacques Tourneur, com quem Lewton trabalhou três vezes nos clássicos Cat peopleI walked with a zombie e The leopard man. O jogo de sombras, a criação de uma atmosfera macabra em paralelo a uma realidade aparentemente promissora, isto é, com potencialidades que parecem nunca se confirmar por algum motivo – os personagens, aqui, como nos filmes de Tourneur, são solitários e dúbios – e a comunicação, fundamental em qualquer história de terror, com a escuridão (justamente para incitar a curiosidade e imaginação do público) estão presentes, pelo menos nos momentos-chaves do filme.

No entanto, não há como negar a fragilidade do roteiro. As coisas acontecem rapidamente (o filme tem pouco mais de uma hora) e por vezes os motivos não ficam claros, mas essa dimensão da obra está praticamente implícita – como se fosse mesmo uma daquelas histórias que ouvíamos na infância: o que importa são os momentos de suspense, os aspectos sombrios e o clímax dos acontecimentos; todo o resto, sem qualquer tipo de desmerecimento, é burocracia agradável, típica das novelas mais baratas.

The seventh victim é um filme de potencialidades que não podem ser subestimadas. Ficava imaginando como, em outras circunstâncias, com um roteiro melhor lapidado e com um diretor mais ousado e/ou talentoso, a obra poderia alcançar superior patamar. Quer dizer, é um filme muito bom, surpreendente dentro de suas limitações, e mesmo não sendo um Cat people, não é exagero dizer que tenha influenciado algumas obras-primas do cinema.

Por exemplo, há uma sequência em que a protagonista toma banho no chuveiro, completamente nua e vulnerável, só com uma cortina a “protegendo” do perigo externo quando o inimigo entra no quarto e a ameaça. A reunião dos integrantes da seita diabólica do filme pode lembrar Rosemary’s baby, mas não tirava da minha cabeça todo o clima de Eyes wide shut, quando a mocinha, inocente e sem ninguém para lhe dar cobertura, adentra no submundo formado por figurões da alta sociedade, capazes de sequestrar e exterminar aqueles que porventura traiam ou revelem segredos da organização.

Além da condução competente nas sequências de mistério, é o tipo de filme que interessa justamente no que se pode extrair de sua aparente superficialidade, ou seja, na possibilidade de se retirar dele princípios que norteiam todo o cinema e perceber, ainda que difusamente, como seus elementos são comuns aos grandes filmes. Isso sem contar no seu discurso filosófico central, o suicídio, sintetizado na frase eque abre e encerra a história: “Eu corro para a morte, e a morte me encontra com a mesma rapidez. E todos os meus prazeres são como ontem”.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Mark Robson
ROTEIRO: Charles O’Neal, DeWitt Bodeen
GÊNERO: Drama, Horror, Mistério
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 11min
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ELENCO PRINCIPAL:
Tom Conway … Dr. Louis Judd
Jean Brooks … Jacqueline Gibson
Isabel Jewell … Frances Fallon
Kim Hunter … Mary Gibson
Evelyn Brent … Natalie Cortez
Erford Gage … Jason Hoag
Ben Bard … Mr. Brun
Hugh Beaumont … Gregory Ward
Chef Milani … Mr. Giacomo Romari
Marguerita Sylva … Mrs. Bella Romari


O FANTASMA DOS MARES (The Ghost Ship, 1943 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 24 de dezembro de 1943

SINOPSE: Tom Merriam é contratado para a tripulação do navio Altair como terceiro oficial sob ordens do capitão Stone. No início, as coisas vão bem, mas depois de algumas estranhas mortes de membros da tripulação, Merriam acredita que Stone é um louco psicopata obcecado com autoridade. Ele tenta contar aos outros, mas ninguém lhe dá atenção e sua tentativa só faz com que Stone fique com raiva.

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SOBRE O FILME: Nesse filme, Val Lewton, nos apresenta um thriller psicológico. Embora “The Ghost Ship” não tenha aparições ou fantasmas com lençóis brancos, compensa em arrepios e momentos inesquecíveis, apresentando o retrato assustador de um homem com um complexo de Deus e do poder total sobre sua tripulação, um tipo de monstro que é muito mais provável encontrar na vida cotidiana.

Richard Dix, o galã do cinema mudo e ínicio do cinema falado é visto aqui em seus últimos anos, interpretando um capitão de navio, para quem a autoridade é tudo. Ele se vê como mais do que simplesmente um homem no comando. Ele acredita ter domínio sobre aqueles que ele jurou proteger e que, se ele é grande o suficiente para dar-lhes tudo o que precisam, ele também é grande o suficiente para tirar -lhes tudo o que eles têm. A este navio incorpora-se um novo oficial, uma versão idealista, impressionável e mais jovem do capitão, interpretado por Russell Wade. Wade é um jovem sério, ansioso para ganhar, confiando e escutando atentamente, mas sempre com uma ligeira desconfiança com os comentários de Dix e seu comportamento estranho.

À medida que a trama se desenrola , Dix revela -se não como a figura de um pai carinhoso, que, literalmente, não faria mal a uma mosca, mas como um ser  mesquinho, vingativo, louco, arrogante e perigoso (muito bem disfarçado ). Dix é assustador, permanecendo na maior parte calmo, afirmando insistentemente suas teorias. Ele jorra sua sabedoria, mas quando é confrontado, não faz questão de ouvir. Fica isolado, perdido em suas próprias interpretações e julgamentos. 

The Ghost Ship foi o primeiro trabalho de Mark Robson como diretor. Dois anos antes desta estréia, ele havia impressionado Lewton com o seu trabalho de edição em Cat People e trabalhou com o produtor em vários filmes antes de se enveredar por projetos maiores, dirigindo muitos atores indicados ao Oscar e realizando filmes como “Campeão” “As Pontes de Toko -Ri” ,”Peyton Place” e “The Harder They Fall” .

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Mark Robson
ROTEIRO: Donald Henderson Clarke (screenplay), Leo Mittler (story)
GÊNERO: Drama, Horror, Mistério, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 9min
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ELENCO PRINCIPAL:
Richard Dix … Capt. Will Stone
Russell Wade … 3rd Officer Tom Merriam / Tertius
Edith Barrett … Ellen Roberts
Ben Bard … First Officer Bowns
Edmund Glover … Jacob ‘Sparks’ Winslow
Robert Bice … Raphael – the Steward
Tom Burton … William Benson
Harry Clay … Tom McCall
Sir Lancelot … Billy Ra


A MALDIÇÃO DO SANGUE DE PANTERA (The Curse of the Cat People, 1944 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 2 de março de 1944

SINOPSE: Amy Reed é a solitária filha de 6 anos de Oliver e Alice. Ela deixa o pai sempre preocupado, pois é uma menina com uma imaginação muito fértil e não sabe diferenciar fantasia da realidade, o que acaba fazendo com que não tenha amigos de sua faixa etária. Oliver se preocupa porque a filha começa a exibir tendências psicopatas semelhantes às de Irena, a falecida esposa de Oliver. Alice e a Srta. Callahan, a professora de Amy, tentam ajudar, mas ela prefere a companhia da idosa Julia Farren, uma ex-atriz louca que vive em uma mansão com Barbara, sua filha neurótica que sente um ciúme doentio de Amy, ao ponto de planejar machucar a menina.

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SOBRE O FILME: Lançado em 1942, Sangue de Pantera, filme de terror de baixo orçamento dirigido por Jacques Tourneur e produzido por Val Lewton não apenas foi um grande sucesso de bilheteria, como também salvou o estúdio RKO da falência. Assim, não é de se surpreender que o estúdio tenha começado a pressionar Lewton para que produzisse uma sequência. Passando por uma produção conturbada, que viu o diretor original, Gunther Von Fritsch, ser substituído por Robert Wise (em seu primeiro trabalho como diretor) depois que o primeiro não conseguiu sustentar o cronograma, o filme chegou aos cinemas em 1944, trazendo uma obra bem diferente da produção original.

Na trama, Amy Reed (Ann Carter) é uma garotinha de seis anos que, devido à sua imaginação fértil somada ao fato de estar sempre sonhando acordada, tem dificuldade em se relacionar com outras crianças, o que preocupa e irrita seu pai Oliver (Kent Smith). Ao mesmo tempo em que faz amizade com uma velha atriz senil chamada Julia Farren (Julia Dean), Amy ganha uma nova amiga, Irina (Simone Simon), uma mulher que a garota reconhece de uma antiga fotografia de sua casa. O problema é que Irina é a falecida primeira esposa de seu pai. Estaria Amy vendo o fantasma de Irina, ou tudo não passa de imaginação da menina?

A Maldição do Sangue de Pantera surge como uma das sequâncias mais estranhas que eu já vi na vida, tomando um rumo totalmente diferente do visto no filme original. O longa-metragem de Jacques Tourneur era um suspense bastante intimista e de caráter urbano, que tratava basicamente sobre a repressão sexual de uma mulher. Já o filme de Wise e Von Fritsch é um drama infantil lúdico com um velho toque de terror gótico tradicional, que trata da solidão da filha do casal que sobreviveu à fúria de Irina, no filme original.

A verdade é que existe bastante oportunismo no título, pois apesar de grande parte do elenco original retornar para este segundo filme, seus personagens poderiam muito bem ser outros que não faria diferença alguma para a narrativa. A tal maldição que é vista no filme original não chega nem perto de dar as caras, sendo apenas sutilmente referenciada pelos personagens. Por isto, este filme tem certo cheiro de enganação. Mas isto não é culpa nem dos diretores e nem do produtor Val Lewton, que quando idealizou a história, não a imaginou como uma sequência do filme de 1942 — mas foi obrigado pela RKO a adaptar seu enredo sobre uma menina e sua amiga imaginária ao mundo de Sangue de Pantera (forçando também o título A Maldição do Sangue de Pantera, que não tem absolutamente nada a ver com o filme).

Mas oportunismos à parte, A Maldição do Sangue de Pantera é um filme bem simpático, possuindo até mesmo certa delicadeza. O roteiro de Dewitt Bodeen, que também escreveu o primeiro filme, explora de forma satisfatória a incompreensão do pai da jovem protagonista em relação à sua filha e a forma como a pequena Amy enxerga o mundo. A obra também consegue criar pequenas sequências de suspense bem interessantes. Um destaque é a cena onde a velha atriz conta para Amy a lenda do cavaleiro sem cabeça, enquanto o plano lentamente se fecha no rosto da menina e passamos a ouvir o som de cascos de cavalo, que voltam a ser ouvidos pela garota em uma cena posterior, quando ela anda na estrada sozinha.

São cenas simples, mas que retratam de forma bastante eficiente uma suposta ameaça vista pelos olhos de uma criança. A verdadeira ameaça aqui não é o “fantasma” de Irina (que surge como uma força benevolente, mesmo que sua existência seja ambígua), e sim a instável Barbara (Elizabeth Russell, a única atriz que participa da sequência a voltar com outra personagem), filha da velha atriz com quem Amy faz amizade e cuja relação distante com a mãe surge como um reflexo do distanciamento de Amy e Oliver.

A Maldição do Sangue de Pantera poderia ter mais brilho se não fosse uma sequência forçada. Está longe de ser o melhor projeto da série de filmes de horror que Val Lewton produziu para a RKO na primeira metade da década de 40, mas ainda é interessante de se assistir pelo delicado olhar que lança sobre a solidão infantil.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Gunther von Fritsch, Robert Wise
ROTEIRO: DeWitt Bodeen (screenplay)
GÊNERO: Drama, Horror, Mistério
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 10min
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ELENCO PRINCIPAL:
Simone Simon … Ghost of Irena
Kent Smith … Oliver ‘Ollie’ Reed
Jane Randolph … Alice Reed
Ann Carter … Amy Reed
Eve March … Miss Callahan
Julia Dean … Mrs. Julia Farren
Elizabeth Russell … Barbara Farren
Erford Gage … Police Captain
Sir Lancelot … Edward


A ILHA DOS MORTOS (Isle of the Dead, 1945 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 7 de setembro de 1945

SINOPSE: A praga de 1912 e a guerra deixam a Europa livre, entre outros países, a Grécia. Ali, o exigente e torturado general Nikolas Pherides, logrou uma importante vitória, o que não lhe impede de empurrar seus homens ao suicídio por comportamentos que acha desonrosos. Pouco depois, em companhia de um jornalista americano, visita uma ilha perto onde está enterrada sua esposa. Ambos deverão permanecer forçosamente na ilha com os habitantes de uma casa, devido uma plaga de Sepcemia.

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SOBRE O FILME: Mais uma obra prima do terror de Val Lewton, a década de 40 foi marcada por seus filmes por trazer um novo tipo de horror voltado mais para o psicológico, e dessa safra um dos meus preferidos é esse “Ilha dos Mortos” por trazer o lendário Boris Karloff em uma trama surreal e sufocante com a morte como temática os rodeando por toda parte. Recomendo muito para quem gosta de filmes de terror antigos com bons diálogos e uma atmosfera sombria.

Mark Robson cria uma dinâmica até certo ponto mecânica nas cenas, mas sua caracterização de tudo é tão única que o diretor consegue conceber uma atmosfera poderosa no filme como um todo. Uma unidade mística envolvente. Toda a lógica da aparição no final se completa muito bem com uma iluminação sombria (e precária?) que puxa todo o grão da película. Uma materialidade tétrica fascinante.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Mark Robson
ROTEIRO: Ardel Wray, Val Lewton (uncredited), Josef Mischel (uncredited)
GÊNERO: Drama, Horror, Mistério
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 11min
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ELENCO PRINCIPAL:
Boris Karloff … Gen. Nikolas Pherides
Ellen Drew … Thea
Marc Cramer … Oliver Davis
Katherine Emery … Mrs. Mary St. Aubyn
Helene Thimig … Madame Kyra
Alan Napier … St. Aubyn
Jason Robards Sr. … Albrecht
Ernst Deutsch … Dr. Drossos
Sherry Hall … Col. Kobestes
Erick Hanson … Officer
Rose Hobart … Mrs. Mary St. Aubyn
Skelton Knaggs … Andrew Robbins


O TÚMULO VAZIO (The Body Snatcher, 1945 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 16 February 1945 (USA)

SINOPSE: Na Edinburgo de 1831, o Dr. MacFarlane contrata um taxista para desenterrar corpos e trazê-los para que possa fazer suas experiências. Com o aumento da segurança nos cemitérios, o taxista torna-se um assassino para conseguir os corpos e Joseph, um vigia, flagra uma das mortes e aborda Gray, o qual sugere uma parceria para que não o entregue às autoridades.

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SOBRE O FILME: Em 1828, a Escócia se espantou diante dos homicídios cometidos por Wiliam Burke e William Hare, que mataram 16 pessoas em Edimburgo para venderem os cadáveres para a escola de medicina. Os crimes se tornaram célebres tanto por sua crueldade, quanto pelo impacto nos estudos anatômicos, já que chamaram a atenção da opinião pública sobre a necessidade da dissecação de cadáveres para o avanço da medicina e de órgãos reguladores que policiassem essa questão, extinguindo a prática de roubo de túmulos. Inevitavelmente, os crimes inspiraram obras de ficção como o conto O Ladrão de Cadáveres, de Robert Louis Stevenson, adaptado pelo produtor Val Lewton, e por Robert Wise no filme O Túmulo Vazio.

Na trama situada em Edimburgo, no ano de 1831, o Doutor MacFarlane (Henry Daniell) é um renomado professor de medicina, que aceita como seu novo assistente o jovem estudante Donald Fettes (Russell Wade). Logo, o rapaz descobre a estranha relação que existe entre MacFarlane e o misterioso John Gray (Boris Karloff), um cocheiro que secretamente é um ladrão de túmulos que fornece cadáveres para o médico dissecar e ampliar os seus conhecimentos anatômicos. Os segredos que ligam os três homens tornam-se ainda mais sombrios quando Gray percebe que há formas mais rápidas de conseguir os corpos que MacFarlane e Fettes precisam para seus estudos.

O roteiro escrito por Philip Macdonald, e pelo próprio Lewton (usando o pseudônimo de Carlos Keith) aposta na ambiguidade como canalizador do terror da narrativa, embora neste caso, a ambiguidade seja de natureza moral. O começo do filme estabelece o sofrimento que o roubo de cadáveres provoca às famílias, o que leva Fettes, personagem que funciona como nosso guia, a considerar abandonar o curso de medicina. Entretanto, quando o jovem conhece a bela viúva Marsh (Rita Corday) e sua filha, Georgina (Sharyn Moffett), menina cadeirante que sofre de uma condição degenerativa na coluna e que só pode ser curada através de uma cirurgia experimental, conseguir cadáveres para estudos deixa de ser algo tão hediondo. Claro, quanto mais Fettes tenta acreditar que “os fins justificam os meios”, mais preso ele fica no ciclo de morte que seu mentor e Gray vivenciam há anos, passando por uma jornada que ameaça corrompê-lo.

Embora o conflito moral de Fettes desempenhe um papel importante, é na relação de dependência e aversão de Gray e MacFarlane onde o coração do filme reside. MacFarlane não possui os conflitos morais de seu pupilo, pois diferente de Fettes, não vê os seus pacientes como pessoas; ele não empatiza com seus dramas, portanto, não está interessado realmente em como Gray consegue os corpos que lhe traz. Gray é quem rouba cadáveres, e eventualmente mata pessoas, mas ele só o faz para que MacFarlane tenha o seu material de estudo. Os dois são necessários para que os crimes ocorram, ainda que o médico tenha prestígio enquanto Gray vive á margem da sociedade.

Ao ligar os dois homens com os crimes de Burke e Hare (tomando a liberdade artística de colocar os assassinatos muito mais no passado do que de fato ocorreram) o roteiro também coloca a co-dependência e rivalidade de Gray e MacFarlane como uma questão de classe social, por ambos terem sido afetados de formas diferentes por suas participações nos macabros eventos. O texto de Lewton e Macdonald constrói o desprezo entre os dois com base em sua percepção sobre a sua relação. O médico odeia o ladrão de túmulos por ele lembrá-lo de seu próprio lado sombrio e Gray odeia MacFarlane por ele fingir não fazer parte do ciclo macabro que é a sua vida. E ainda assim, ambos precisam um do outro para dar sentido às suas vidas.

Robert Wise, colaborador de longa data de Val Lewtonfaz um ótimo trabalho de direção, criando uma atmosfera claustrofóbica e sufocante, mas que ao mesmo tempo utiliza bem os belos cenários da Edimburgo do século 19. Wise faz um bom uso da profundidade de campo e do desenho de som para trabalhar o terror pela sugestão, como na sinistra cena em que o coche de Gray anda lentamente atrás de uma cantora de rua que aos poucos desaparece nas sombras, seguida pelo veículo, enquanto ouvimos o canto da mulher até o momento em que, abruptamente, não ouvimos mais.

Na parte das atuações é preciso destacar o excelente trabalho de Boris Karloff, que na pele de John Gray, entrega uma de suas melhores atuações. O ator vive John Gray como um homem de modos humildes, mas que ao mesmo tempo claramente se deleita ao ver-se em uma posição de poder, vide as cenas em que lembra a MacFarlane sobre o passado que ambos compartilham; ou o momento em que alegremente conta a uma vítima a história de Burke e Hare. Karloff domina todas as cenas de que participa, mas encontra em Henry Daniell um parceiro de cena perfeito. Daniell interpreta MacFarlane como alguém que exibe para os outros uma postura de grande confiança, mas que é apenas uma fachada para seus medos e inseguranças. Se o personagem de Karloff parece tão ameaçador, muito disso se deve ao incômodo que vemos refletido na atuação de Daniell. O elenco ainda conta com a presença de Bela Lugosi, vivendo um criado do Doutor MacFarlane; um papel pequeno, mas que pelo menos permite ao ator húngaro (na época já com problemas com o vício em morfina) participar de uma das cenas mais tensas do longa.

Sendo um dos últimos projetos do ciclo de filmes de terror de Val Lewton para a RKO, O Túmulo Vazio revela-se um ótimo thriller psicológico, trazendo uma atmosfera de suspense fantástica e interessantes dilemas morais para os seus personagens. A elegante direção de Robert Wise, o bom roteiro de Lewton e Macdonald, mais as atuações fortes de Boris Karloff e Henry Daniell fazem desse filme uma joia esquecida do terror.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Robert Wise
ROTEIRO: Robert Louis Stevenson (short story), Philip MacDonald (written)
GÊNERO:  Horror, Thriller 
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 18min 
»
»
ELENCO PRINCIPAL:
Boris Karloff … Cabman John Gray
Bela Lugosi … Joseph
Henry Daniell … Dr. Wolfe ‘Toddy’ MacFarlane
Edith Atwater … Meg Cameron
Russell Wade … Donald Fettes
Rita Corday … Mrs. Marsh
Sharyn Moffett … Georgina Marsh
Donna Lee … Street Singer


ASILO SINISTRO (Bedlam, 1946 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 19 de abril de 1946

SINOPSE: Nell Bowen, a espirituosa protegida do rico Lord Mortimer, se interessa na condição do notório Asilo St. Mary’s of Bethlehem, conhecido como Bedlam. Com a ajuda do Quaker Hannay, ela tenta ajudar a reformar Bedlam, mas o cruel Sims, que dirige o lugar, deseja a todo custo tirá-la do caminho.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Partindo da contextualização do período pré-reforma psiquiátrica, o filme de Mark Robson é baseado em um projeto de humanização daquele ambiente, de bom senso solidário que encontra uma base nos preceitos religiosos quaker. Um essência civilizatória que faz o julgamento de um grupo de loucos honestos ser mais justo que o de juízes corrompidos.

Nessa política social que evidencia a bestialidade daquela situação (e invariavelmente o horror político do produtor Val Lewton), o diretor consegue traduzir muito bem tanto o processo de esclarecimento da sua protagonista (que ainda possui certos preceitos conservadores em sua essência, mas vai se livrando deles aos poucos), como do próprio entorno comportamental daquela sociedade.

Às vezes, o ritmo pode parecer um pouco forçado e, para meu gosto, o desempenho de Richard Fraser é muito rígido e subestimado. No entanto, a forma como Bedlam é feito é suntuosa e atmosférica, e os detalhes do período histórico também são impressionantes. A música é assustadoramente sinistra, embora não prejudique o suspense, enquanto o filme é roteirizado de forma muito inteligente com diálogos que provocam muito seus pensamentos. Fala-se bastante, mas você não se importa quando o diálogo está tão bem escrito quanto é, se eu tenho um problema com um filme ser falado, é quando o diálogo não é particularmente bom. A história tem uma atmosfera contida, mas misteriosa, é cheia de suspense. Boris Karloff oferece uma atuação que é ameaçadora e espirituosa, claramente apreciando seu papel, enquanto Anna Lee é atraente e espirituosa. Billy House faz um bom trabalho e Jason Robards Sr tira o máximo proveito de seu interessante personagem.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Mark Robson
ROTEIRO: William Hogarth (suggested by The William Hogarth painting Bedlam Plate #8 “The Rake’s Progress”), Val Lewton, Mark Robson (screenplay)
GÊNERO:  Drama, Horror, Thriller 
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 19min 
»
»
ELENCO PRINCIPAL:
Boris Karloff … Master George Sims
Anna Lee … Nell Bowen
Billy House … Lord Mortimer
Richard Fraser … The Stonemason
Glen Vernon … The Gilded Boy
Ian Wolfe … Sidney Long
Jason Robards Sr. … Oliver Todd
Leyland Hodgson … That Devil Wilkes
Joan Newton … Dorothea the Dove
Elizabeth Russell … Mistress Sims


Fontes de Pesquisa/Textos: Cinemin/A. C. Gomes de Mattos, iMDB, Filmow, Plano Crítico, Terrormania, Análise Indiscreta, Space Monster.

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