Rumo ao Inferno (1952)

RUMO AO INFERNO aka TRILHOS SINISTROS (The Narrow Margin, 1952 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 4 de maio de 1952 

SINOPSE: Walter Brown (Charles McGraw), um determinado detetive, é designado para proteger Frankie Neall (Marie Windsor), a viúva de um gângster, que decide depor contra o crime organizado. Para tanto ela precisa pegar um trem de Chicago para Los Angeles, onde deporá no Grande Júri. Para ajudá-lo nesta missão, Brown iria contar com a ajuda de Gus Forbe (Don Beddoe), seu parceiro, mas este é morto por membros da quadrilha quando salvava Neall de uma tentativa de assassinato. No trem, Brown faz amizade com Ann Sinclair (Jacqueline White), que se mostra bem gentil. Ela viaja com Tommy (Gordon Gebert), seu filho. Walter também conhece um gorducho, que pode ser um assassino da quadrilha. Logo após o trem partir para a Califórnia, um membro da gangue, Vincent Yost (Peter Brocco), se aproxima de Walter e lhe oferece uma grande soma se deixar que Neall seja silenciada.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Richard Fleisher é um diretor que joga nas 11. Realiza filmes acima da média em gêneros completamente diferentes. E com êxito. Visto este Rumo ao inferno, que foi o hit da RKO em 1952. E detalhe: filmado em apenas 13 dias !!! A única cena realmente rodada em um trem foi a da chegada em Los Angeles, que dura alguns poucos segundos. Para economizar, os sets do trem estavam presos de forma rígida ao chão, com a câmera sendo mexida de forma a passar ao espectador a sensação do trem em movimento.

É um filme “B” policial com pedigree de “A”. Howard Hughes, o proprietário da RKO na época, gostou tanto do filme, que ele queria melhorá-lo (torná-lo “A”) colocando a dupla  Robert Mitchum e Jane Russell em cena, substituindo cenas e refilmando algumas com eles.  A ideia não foi para a frente (ainda bem !!!). Charles McGraw parece ter saído de um filme do Dick Tracy de tão impressionante a semelhança dele com o personagem. A produção tem um plot twist final estilo os filmes dirigido por M. Night Shyamalan, que fazem tanto sucesso desde “Sexto sentido”. Rumo ao inferno foi refilmado com um resultado bastante favorável por Peter Hyams, sendo chamado no Brasil de  “De frente para o perigo” e com a dupla afinadíssima  Gene Hackman e Anne Archer. Para quem duvida que remakes possam ser bons, basta olhar a própria filmografia de Hyams, que fez um remake de  “Suplício de uma alma”, de Fritz Lang; um remake de Matar ou morrer, com Sean Connery e no espaço (!!!!); e ainda teve a coragem de fazer uma continuação de 2001, de Kubrick.

Sempre que assisto filmes envolvendo trens, me surpreendo como os roteiristas conseguem fazer obras interessantes em um espaço tão pequeno. E passagens em trens são sempre marcantes. Alguns vem à mente imediatamente, como Assassinato no expresso Oriente, Pacto sinistro, Expresso para o inferno, Incontrolável ou mesmo Trem desgovernado, clássico eficiente da sessão da tarde. Até mesmo a cena de Gene Hackman correndo em cima do trem em “De frente para o perigo”. Mas porque será que um dos melhores, Rumo ao inferno, é menos lembrado? Talvez porque o cinema Noir é mais popular entre os admiradores do cinema clássico, mas pouco revisitado em filmes atuais, deixando de trazer a estética para atualidade. Para quem não sabe, em 1946, o crítico francês Nino Frank identificou semelhanças estéticas em filmes norte-americanos dos anos 1930 e 1940 e os batizou de filmes noir (do francês, filme preto).

Estes filmes teriam surgido no final da década de 30, pouco tempo depois da crise da bolsa em 1929, como um reflexo da recessão que assolava os EUA e criava um ambiente propicio para o crime. Os jovens críticos franceses da revista Cahiers du Cinema (entre eles Godard e Truffaut) adoraram o termo e passaram a utilizá-lo com frequência, levando o conceito de film noir para os EUA, onde eram muito respeitados.

Hoje em dia, mesmo os musicais e os faroestes, característicos do cinema clássico, são atualizados e alguns muito reconhecidos, como Chicago, Imperdoáveis, La la Landa, Rei do Show e Dança com lobos. Mas o Noir é pouco lembrado, infelizmente. Mas enquanto houver cinéfilos, colecionadores e criadores de sites que trazem sempre estes filmes para a mídia e enquanto houver distribuidoras dispostas a colocar estes filmes no mercado para serem relembrados ou mesmo conhecidos, o cinema clássico jamais morrerá. 

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Richard Fleischer, William Cameron Menzies (uncredited)
ROTEIRO: Earl Felton (screen play), Martin Goldsmith, Jack Leonard (story)
GÊNERO: Filme Noir
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 11min
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ELENCO PRINCIPAL:
Charles McGraw … Det. Sgt. Walter Brown
Marie Windsor … Mrs. Frankie Neall
Jacqueline White … Ann Sinclair
Queenie Leonard … Mrs. Troll
David Clarke … Joseph Kemp
Peter Virgo … Densel
Don Beddoe … Det. Sgt. Gus Forbes
Paul Maxey … Sam Jennings
Harry Harvey … Train Conductor
Gordon Gebert … Tommy Sinclair


Fontes de Pesquisa/Textos: SWDB, iMDB, Filmow, Tudo Sobre Seu Filme.

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