O NASCER DA HUMANIDADE

Em uma série de postagens, recheadas de informações, fotos, filmes e séries, apresentaremos para vocês A HISTÓRIA DO MUNDO ATRAVÉS DE FILMES E SÉRIES, onde tentaremos proporcionar um passeio por todas as eras da humanidade. Por meio de textos curtos, iremos abarcar tanto a Europa como as Américas, a África e o Oriente. Começaremos com O NASCER DA HUMANIDADE.

Há 1 milhão de anos, o Homo erectus, descendente direto e aperfeiçoado do Homo habilis, começou sua marcha da África para mundo. A bem da verdade, ele saiu da África centro-oriental para a Ásia e a Europa. O que o levou a sair foi, sem dúvida, uma organização social que garantia uma estabilidade econômica e um domínio tecnológico que o deixava seguro de suas possibilidades; mas não teriam sido a curiosidade e o espírito de aventura que desempenharam significativo papel nesse êxodo, nessa diáspora? É possível, como discutiremos logo adiante. Nossa preocupação é a de não impor a nossos ancestrais, a pessoas que viveram em época muito distinta da nossa, valores, padrões de comportamento e vontades que são nossos, criaturas de nossa civilização. Conhecemos ainda hoje tribos de seres bem mais evoluídos que esses ancestrais e que nem por isso se interessam em rasgar os limites de seu território.

O fato é que, por uma razão ou por outra – ou por nenhuma delas –, o Homo erectus sai da África para o mundo numa expansão que, tanto do ponto de vista de área como de população, só faz crescer. Sob o aspecto puramente biológico, o homem representa hoje uma praga tão ou até mais desafiadora do que os ratos ou mesmo do que várias espécies de insetos. E, provavelmente, com um potencial de destruição ainda maior. Na verdade, o Homo erectus não era exatamente um homem idêntico a nós. Seu corpo até que não era muito diferente de, por exemplo, um homem robusto, com bastante atividade física; mas seu rosto emoldurado por uma cabeça achatada, de maxilares salientes e proeminentes arcos superciliares, nos assustaria, se visto numa elegante recepção ou mesmo em uma sala de aula informal. Acredita-se que o arredondamento da cabeça e a redução dos maxilares e arcos superciliares ocorreram ao longo do último milhão de anos, com o surgimento do Homo sapiens básico há 500 mil anos e do Homo sapiens sapiens há 50 mil anos.

O Homo erectus propiciou outros descendentes – que não vingaram –, dos quais o mais conhecido é o Homo sapiens neanderthalensis: o famoso homem de Neanderthal. Todos esses são descendentes daquele Homo que um belo dia saiu da África centro-oriental. Se não sabemos – e provavelmente jamais saberemos – o que motivou o êxodo do Homo erectus, podemos ao menos conhecer as condições que permitiram sua mobilidade, as quais, segundo Leackey, se resumem na capacidade de transportar. Primeiro, o transporte de alimento, permitindo um distanciamento cada vez maior com relação ao acampamento-base. Em segundo
lugar, o transporte de água, seja em estado natural, seja em frutas como a melancia. Em terceiro, o fogo, tanto pelo que representava objetivamente – de maneira especial contra os climas temperados e frios –, como pelo símbolo de poder, de domínio da natureza. Finalmente, era importante transportar a própria experiência. Afinal, como vimos, o que caracteriza o homem é a aprendizagem social. A maneira pela qual a experiência é transmitida chama-se linguagem, processo lenta e paulatinamente adquirido e que iria permitir o transporte das experiências do grupo.

A capacidade de transportar a água, os alimentos, o fogo e a experiência dota nossos ancestrais de independência indispensável para ousarem a longa viagem da África para a Ásia e a Europa. Isso não significa que os que ficaram não tivessem evoluído. Contrariamente a preconceitos hoje ainda correntes, pode-se afirmar que todos os homens atuais pertencem à subespécie Homo sapiens sapiens e que as variações físicas que se podem verificar são variações dentro da subespécie. Por uma questão de seleção natural, constata-se uma pigmentação mais intensa entre os habitantes de regiões muito quentes, uma vez que a melanina tem por função proteger a pele das fortes radiações solares. O oposto ocorreu entre habitantes de regiões frias. Da mesma forma, não é acidental o fato de a população esquimó ser relativamente gorda, já que necessita de reservas de gordura para melhor combater o frio. O que não se pode é identificar características físicas do homem atual com parentesco maior ou menor dos primatas. Essa é uma atitude ignorante, fundamentada em preconceitos racistas pulverizados pelo estado atual do conhecimento científico.

O historiador, como qualquer cientista, trabalha com evidências e suposições. Não pode romper o tênue equilíbrio entre esses dois elementos. Se não se arrisca a lançar hipóteses a partir de suposições, corre o risco de repetir o já conhecido, reafirmar o óbvio, transformar a aventura humana numa narrativa sistemática e organizada como cadeias de elementos químicos ou rígidas fórmulas matemáticas. Se, por outro lado, abandona as evidências e se permite “delirar” à vontade, pode criar uma interessante obra de ficção desvinculada do conhecimento acumulado por gerações, comprometida apenas com a imaginação criadora do autor. Correndo, conscientemente, esse último risco – mas respaldados pela sisudez do texto até a presente página –, gostaríamos de voltar a discutir a motivação que teria levado o Homo erectus a sair de seu hábitat. Já vimos que ele tinha condições para sair. Mas o que o levou mesmo a sair é outra história, tendo em vista que poder fazer algo não é sinônimo de fazê-lo. De fato, a grande aventura humana de ocupação do planeta se iniciou há 1 milhão de anos, quando algum membro do grupo dos Homo erectus, firmando-se sobre seus pés, esticou a cabeça por sobre a rala vegetação da savana africana e se perguntou sobre o que haveria para além das montanhas que ele percebia acima da linha do horizonte. Naquele instante talvez não fossem relevantes o problema alimentar ou a necessidade de mais espaço.

Nada nos leva a crer que aquele nosso ancestral tenha abandonado seu hábitat para resolver alguma questão material. Tanto isso é verdade que a esmagadora maioria de membros do grupo permaneceu no continente africano. É até provável que sua saída tenha sido um risco não devidamente calculado, uma vez que estaria trocando o seguro pelo duvidoso, o poço de água conhecido ou o riacho ao lado do acampamento pelo perigo de uma área desértica; poderia estar ameaçado em sua segurança, saindo de uma área onde os perigos eram conhecidos, rumo ao desconhecido; abandonava uma região em que a tecnologia da sobrevivência era dominada para se embrenhar em situações novas. Então, por quê? Por espírito de aventura. Não negamos condições objetivas como fundamentais para a ação humana. Mas que não se negue a ação do homem na História, seu poder decisório, sua iniciativa. Aliás, a própria humanização do homem se dá nesse processo. Sabemos que, quanto mais primitivo o ser vivo, mais indiferenciado ele é. Dois protozoários são mais semelhantes entre si do que dois peixes que, por sua vez, são mais semelhantes entre si do que dois cães. Entre os homens, as diferenças são maiores; não se veem dois indivíduos iguais.

Amamos contos de fada porque terminam bem, mas principalmente por que neles corremos riscos, na confortável condição de leitores engajados. O homem não pode viver num estado permanente de equilíbrio: tranquilidade, serenidade e calma excessivos são sinônimos não só de aborrecimento, de tédio, mas até de ausência de vida. O risco, aparentemente uma declaração de amor à morte, é paradoxalmente uma atitude radical que faz com que nos sintamos vivos. Precisamos de situações de risco, de momentos de desequilíbrio para podermos em seguida nos reequilibrar. Na paz e na tranquilidade da nossa casa, sentados em nossa poltrona, no calor de nossa cama, logo nos pomos a lembrar saudosos dos momentos de risco, de nossa aventura. Condicionantes sociais e talvez genéticos nos fazem diferentes uns dos outros, também nesse aspecto. Para uns, a vida não pode dar descanso, há que estar em estado de tensão permanente: vida e aventura são sinônimos. Outros precisam de longos, imensos intervalos entre uma aventura e outra e seu medo os leva a viver as aventuras alheias: para isso há os programas de prêmios, imensas maratonas domingueiras na televisão, em que alguns de nós permanecem horas diante do aparelho eletrônico, sofrendo sem riscos a emoção do risco alheio.

Filmes ambientados na Idade da Pedra (100.000 a.C.-3.300 a.C.)


ALFA (Alpha, 2018 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 6 de setembro de 2018

SINOPSE: Europa, 20.000 anos atrás. Enquanto participa de sua primeira caçada, um rito de passagem para o grupo de elite de sua tribo, um jovem é ferido e deixado para morrer. Ao despertar, ferido e sozinho, ele precisa encontrar meios de sobreviver e se guiar pela natureza dura e implacável. E quando ele relutantemente domina um lobo selvagem que foi abandonado por seu bando, os dois aprendem a confiar um no outro e se tornam aliados improváveis, enfrentando perigos incontáveis e superando todos os desafios para poderem voltar para suas casas antes que um inverno mortal se instale.

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SOBRE O FILME: 

A amizade entre cachorros e seres humanos já rendeu diversas abordagens cinematográficas. Alfa, em toda a sua simplicidade narrativa, trabalha com aquele que, possivelmente, é o primeiro caso de amor entre essas espécies, muito tempo antes dos cachorros domésticos tornarem-se, pelo menos aqueles de raça, em algum paralelo esquisitíssimo com superioridade ariana, objetos de luxo, custando o preço de um rim, mas, felizmente, dando margem a uma movimentação na adoção daqueles menos “puros”. O comércio de animal doméstico sempre vai ser algo esquisito para mim. A digressão, justamente isso que eu acabei de fazer no texto, é uma característica que não atende esse produção com cara de filme de gigantesco orçamento, mas coração – e orçamento – de obra menor, mas, potencialmente, tão poderosa quanto. A realidade desse ambiente pré-histórico, contudo, é um contraste que ousa funcionar em pormenores, mas não tem poder o suficiente para conseguir alçar voo, indo além das montanhas de uma narrativa há tempo esgotada, pedindo por uma renovação justamente nesse olhar para o seu passado, onde novas histórias e propostas poderiam ser encontradas.

Alfa é uma produção que trabalha com vários “ataques” a animais, pois, diante do período escolhido para compor a escala, contexto e cenário da história, os seres humanos retratados alimentam-se de outros seres vivos para sobreviver, obviamente. A quebra dessa caçada aos animais, nos quais os homens estão, ao mesmo tempo, a parte e dentro dessa condição animalesca, é justamente com a fomentação da amizade entre Alfa e Keda (Kodi Smit-McPhee), jovem garoto que deve retornar a sua família após ser dado como morto. Ao chegar em certo ponto da história, devido ao modo com que a narrativa trabalha a necessidade por comida, uma constante em todo o longa-metragem, pensa-se, nas tentativas de sermos mais inteligente do que a obra, que o lobo seria sacrificado como alimento durante a conclusão da história, dando um peso extremamente destoante para a resolução. O instinto de sobrevivência é uma característica bem desenvolvida e trabalhada no filme, impulsionado pela amizade entre o animal e o garoto, que, sozinho, não convenceria nesse desenvolvimento. De certa forma, algumas atitudes do protagonista – e do roteiro – o condenam nessa evolução de um menino para um homem.

A amizade entre o homem e o animal, portanto, dá origem a um encontro entre as duas espécies, com ambas tornando-se parte de uma tribo só. A intenção da produção é interessante, ainda mais trabalhando tudo isso de uma maneira mais simplificada, entretanto, antes das coisas engrenarem de vez, o enredo possui uns vinte minutos engessados sobre uma história entre pai (Jóhannes Haukur Jóhannesson, um ator que, fisicamente, convenceria como descendente de Orson Welles) e filho que não convence e, no final das contas, acaba por ser sobre isso, e não a amizade entre Keda e o animal propriamente dita. O grande sustentáculo da produção, beirando o campo do cinema “artístico” – uma bobeira, mas de fácil entendimento -, acaba por ser a sua cinematografia. Com inúmeros planos contemplativos da natureza, o escopo visual de Alfa, facilmente categorizando a obra como uma grande coleção de papéis de parede belíssimos, é o ponto mais impressionante para o público, que, provavelmente, não problematizará as ocasionais, mas inócuas, quebras da realidade com a computação gráfica. O orçamento do filme de Albert Hughes, proporcionalmente, não é um dos maiores possíveis para o diretor, mas a grandiloquência é sentida, irrompendo as barreiras orçamentárias.

A ambição de Hughes também é na questão da língua ficcional inventada para o filme. A versão brasileira da obra, porém, ferindo bastante o produto original, impede sua própria identidade, sempre distinta da primária, de ficar fora das considerações sobre o filme. As cópias distribuídas no Brasil são todas dubladas. A obra, no original, não é falada em inglês, mas em uma língua própria daquele período pré-histórico. A versão brasileira, portanto, fica extremamente verborrágica, tirando uma característica linguística que enriqueceu o produto histórico e que, traduzindo, mesmo fielmente ao que os personagens falam, não encontra um correspondente tão fiel quanto. O diretor, nos momentos que carrega a amizade entre o garoto e o lobo, sendo o ápice o momento em que os amigos tomam banho juntos, encontra um propósito para a abordagem dessa relação. Todavia, nessa quebra extrema entre proposta, o seu longa-metragem, às vezes, parece ser um grande episódio do National Geographic ou alguma obra sobre natureza da Disney, ou, em outras situações, uma jornada de provação do frio para o seu pai. Quando a jornada, enfim, termina, apressada e sem fôlego, o sentimento é muito mais de vácuo do que de preenchimento dessa lacuna no espaço-tempo. Os cachorros e os homens, ao menos, continuarão sendo amigos.

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DIREÇÃO: Albert Hughes
ROTEIRO: Daniele Sebastian Wiedenhaupt (screenplay), Albert Hughes (story)
GÊNERO: Ação/Aventura, Drama
ORIGEM: USA/Canadá/China
DURAÇÃO: 1h 36min
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ELENCO PRINCIPAL:
Kodi Smit-McPhee … Keda
Jóhannes Haukur Jóhannesson … Tau
Marcin Kowalczyk … Sigma
Jens Hultén … Xi
Natassia Malthe … Rho
Spencer Bogaert … Kappa
Mercedes de la Zerda … Nu
Leonor Varela … Shaman Woman
Morgan Freeman … Narrator (voice)

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Fonte de Pesquisa/Textos: iMDB, Filmow, Plano Crítico/Gabriel Carvalho.


CONAN, O DESTRUIDOR (Conan the Destroyer, 1984 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 29 de junho de 1984

SINOPSE: Para que a rainha Taramis, cumpra a promessa de trazer a amada de Conan, Valeria, do mundo dos mortos, terá de cumprir uma perigosa missão da qual faz parte a princesa Jehnna. Mas o que ele desconhece é que Taramis, ordenou que, após a missão cumprida, Conan, deve ser morto e a virginal princesa deve voltar para então ser sacrificada ao deus demônio Dagoth.

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SOBRE O FILME: John Milius acertou em cheio com Conan, o Bárbaro, uma adaptação que não só fez jus ao clássico personagem de Robert E. Howard, como também ajudou a catapultar a prolífica carreira de Arnold Schwarzenegger como um dos mais queridos brucutus dos anos 80. O sucesso do filme havia marcado as cartas e uma continuação era inevitável, mas o diretor e co-roteirista do original estava indisponível na época e os De Laurentiis e a Universal elegeram produzir uma obra que pudesse atrair público ainda maior, sacrificando, com isso, o grau de violência explícita.

E, assim, Richard Fleischer embarcou no projeto e levou para as telas a visão de Stanley Mann para Conan, visão essa que, de tão diferente da história originalmente criada pelos quadrinistas Roy Thomas e Gerry Conway, levou os dois a rejeitarem o produto final. Schwarzenegger, claro, voltaria para o papel, mas esse seu segundo Conan é tonalmente bem diferente do anterior, resultando em uma obra que, mesmo sendo melhor do que muita gente se lembra, não se aproxima da original, descambando para uma pegada cômica camp em uma história clichê e sem nenhuma imaginação ou senso de perigo.

Ainda lamentando a morte de sua amada Valeria, Conan é arregimentado pela Rainha Taramis (Sarah Douglas, a eterna Ursa dos dois primeiros Superman, com Christopher Reeve), de Shadizar, para levar uma loira virginal (Jehnna, vivida por Olivia d’Abo), acompanhada do gigante guarda-costas Bombaata (Wilt Chamberlain), em uma jornada para roubar um chifre mágico de valor inestimável, capaz de reviver um deus milenar. Com o fiel ladrão Malak (Tracey Walter em personagem que é inserido aqui sem cerimônia ou ligação com o filme anterior) a seu lado, Conan procura a ajuda do mago Akiro (Mako reprisando seu papel) e salva a guerreira Zula (Grace Jones) no processo, ganhando sua lealdade, com o grupo partindo para uma jornada cansada e repetitiva contra magos vilanescos e traidores assassinos.

O roteiro não sabe muito bem o que fazer com a história, por mais simples que ela seja, já que Mann simplesmente recicla suas próprias pobres ideias que gravitam entre o sequestro de Jehnna, Conan e Bombaata levantando portas, Akiro fazendo magia como se estivesse com prisão de ventre e Zula mostrando os dentes muito brancos entre um rosnado e outro. O texto é inábil em estabelecer ameaças e em dar função a qualquer personagem que não seja o próprio Cimério, este, claro, sempre pronto para brandir sua espada selvagem contra todo tipo de inimigo, inclusive monstros de borracha que não são muito melhores do que o Monstro do Pântano de Wes Craven de dois anos antes, mesmo considerando que eles foram criados por Carlo Rambaldi, um dos grandes nomes dessa área.

A decisão de suavizar a violência para conseguir a classificação PG (esse foi um dos últimos filmes “fronteiriços” a ficar com PG, já que o PG-13 seria criado mais para o final do mesmo ano) fica evidente na quase que completa eliminação do sangue, ainda que haja algum aqui e ali. Com isso, tudo ficou mais “limpinho e bonitinho” na fita, sem aquela guturalidade que tanto marcou o primeiro filme. Creio, também, que a falta de momentos chocantes acabou elevando a quantidade de tiradas cômicas – ou tentativas disso – ao longo de toda a projeção, começando com a repetição da rivalidade entre o bárbaro e o mesmo dromedário cuspidor que socara (e que realmente foi uma boa jogada) e continuando sem parar com a covardia constante do inútil Malak e a languidez brega de Jehnna que fica deslumbrada pelos músculos de Conan desde o primeiro segundo em que os vê.

Mas, dentro de sua proposta camp de um espada e sandália mais leve e inocente na linha de O Príncipe Guerreiro ou KrullConan, o Destruidor até que não é o horror total que minha memória (nada) afetiva imaginava. Schwarzenegger mantém sua impressionante presença em tela, há breves momentos com efeitos especiais interessantes como o do monstro alado em desenho diretamente no celuloide, a fotografia em exteriores naturais no México consegue ser por vezes bonita, ainda que não muito mais do que isso, e a espetacular trilha sonora de Basil Poledouris é relembrada, mesmo que com novos arranjos.

O Conan light de Richard Fleischer não honra nem de longe o de John Milius ou mesmo o personagem de Robert E. Howard, mas é uma obra passável, daquelas que divertirão o espectador em uma tarde chuvosa dentro de casa nem que seja pela tosquidão inescapável. Ao final, até fica aquela sensação de que foi uma pena que Schwarzenegger nunca tenha voltado ao papel que o consagrou.

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DIREÇÃO: Richard Fleischer
ROTEIRO: Robert E. Howard (based on the character), Roy Thomas and Gerry Conway (story)
GÊNERO: Ação/Aventura/Fantasia
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 43min
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ELENCO PRINCIPAL:
Arnold Schwarzenegger … Conan
James Earl Jones … Thulsa Doom
Max von Sydow … King Osric
Sandahl Bergman … Valeria
Ben Davidson … Rexor
Cassandra Gava … The Witch
Gerry Lopez … Subotai
Mako … The Wizard / Narrator
Valérie Quennessen … The Princess
William Smith … Conan’s Father

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Fonte de Pesquisa/Textos: iMDB, Filmow, Plano Crítico/Ritter Fan.


CONAN, O BÁRBARO (Conan the Barbarian, 1982 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 14 de maio de 1982

SINOPSE: Há milhares de anos Thulsa Doom, um demoníaco feiticeiro, comanda um ataque por motivos até hoje não revelados que poderia ser simplesmente pelo prazer de matar ou para descobrir o segredo do aço, que era guardado pelos moradores desta aldeia. Conan, um cimério, vê seus pais serem mortos na sua frente e seu povo ser massacrado, sendo que ele, ainda criança, é levado para um campo de escravos. Os anos passam e ele desenvolve uma enorme força física, o que faz Conan, se tornar gladiador. Ele ainda se mantém determinado a vingar a morte dos pais e quando é libertado tenta alcançar seu objetivo. Conan, descobre que Thulsa Doom, lidera o misterioso culto da serpente e, tentando se aproximar do feiticeiro, faz amizade com dois ladrões, Valeria e Subotai. Ao trio é prometida uma vultosa recompensa pelo rei Osric, que quer que o trio de guerreiros resgate sua filha, que se tornou uma seguidora de Thulsa Doom.

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SOBRE O FILME: Dentre os vários “filmes de brucutu” dos anos 80, Conan, o Bárbaro é, sem dúvida alguma, um dos que mais merece destaque, ao lado de Rambo – Programado para MatarO Exterminador do Futuro e Duro de Matar. Um dos últimos exemplares genuínos do subgênero espada e sandálias e produzido por Raffaella De Laurentiis, filha do mítico, exagerado e quase trash produtor italiano Dino De Laurentiis, que não tinha medo de arriscar, o filme é um épico violento e inesquecível que marca o efetivo começo da meteórica carreira cinematográfica de Arnold Schwarzenegger.

Baseado nas histórias pulp de Robert E. Howard sobre seu personagem Conan que escreveu a partir de 1932 e que ganhou o imaginário popular mais tarde ao migrar para os quadrinhos, onde continua sendo publicado até hoje, o roteiro original foi escrito por ninguém menos do que Oliver Stone, que situou a ação não no passado remoto como nas obras originais, mas sim em um futuro pós-apocalíptico. No entanto, a visão de Stone exigiria que o filme tivesse três ou quatro vezes o orçamento planejado e o roteiro foi, então, reescrito por John Milius quando ele entrou para dirigir a empreitada. Milius, ato contínuo, reverteu tudo para a ideia original de um passado remoto, inserindo exatamente o tipo de “mitologia misturada e anacrônica” característica de Howard, com elementos das Idades Antiga e Média, tanto europeia quanto asiática para facilitar a ligação com o público em geral a esse seu mundo de fantasia, misticismo e muito sangue, que ainda bebe de Nietzsche e filosofia de guerreiros como Genghis Khan, além de filmes como As 4 Faces do Medo e Os Sete Samurais.

Schwarzenegger, que ganhara o prêmio Mr. Olympia de fisiculturismo em 1975, foi a única escolha para viver o icônico personagem e ele começou sua preparação ainda em 1979, deixando o cabelo crescer ao ponto que vemos no filme (não é peruca ou enxertos) e novamente entrando em plena forma física que o levou a concorrer – e ganhar – o Mr. Olympia novamente em 1980, ainda que, aparentemente, com um certo grau de controvérsia. De toda forma, fica fácil perceber como o ator se amolda perfeitamente ao papel desde os primeiros segundos que o vemos, depois de crescido, na roda de moagem – a Roda da Dor – onde passou acorrentado algo como 15 anos. Ali, vemos um troglodita nascendo, primeiro como alguém que apenas reage sem entender a ataques em uma pequena arena gladiatorial e, depois, como um guerreiro nato com pleno controle de sua técnica que é ainda mais afinada com ensinamentos posteriores.

Mas o que realmente empresta o tom épico do filme é o uso de um razoavelmente extenso prólogo – uma das grande mudanças feitas por Milius, aliás, que expandiu o breve começo escrito por Stone – em que vemos sua origem, desde muito jovem, com sua vila sendo atacado por Thulsa Doom (James Earl Jones usando sua imponente presença e, especialmente, sua marcante voz para criar um personagem que, apesar de raso, é perfeito para o filme) e seu exército em busca do “enigma do aço”. Seu pai (William Smith) é morto por uma combinação de machado e cães de caça e sua mãe (Nadiuska) diretamente por Doom com a bela e recém-forjada espada do pai, iniciando, assim, a Jornada do Herói movida à vingança e muita dor. Somando-se a isso, há a narração feita pelo mago sem nome vivido por Mako que só entra na história diante das câmeras bem mais para a frente e que nos conta a história a partir de um futuro em que Conan já se tornou uma lenda, lenda essa que é vislumbrada pelo guerreiro quando ele encontra a sala do trono de um rei atlante milenar e toma sua espada e prevista por uma bruxa que ele sem cerimônia arremessa no fogo.

A construção da mitologia ao redor do protagonista é exemplar. O roteiro não corre, mas também não se perde e estabelece as bases para um personagem instigante, com ramificações potencialmente interessantes, mas que nunca foram levadas à fruição em sua plenitude (Schwarzenegger viveria Conan apenas mais uma vez em continuação bem inferior de 1984 e uma versão genérica do personagem – Kalidor – logo no ano seguinte em Guerreiros de Fogo). De toda forma, o material de Conan, o Bárbaro se sustenta sozinho, sendo fechado nele mesmo com a visão final do Rei Conan, barbado e sentado em seu trono, sendo a proverbial e aqui necessária cereja no bolo.

Outro elemento que solidifica o caráter épico do filme é a poderosa trilha sonora composta por Basil Poledouris, que começara sua carreira no cinema exatamente com John Milius em The Reversal of Richard Sun (sem nome oficial em português), de 1970 e repetiria a parceria com sucesso em Amargo Reencontro, de 1978. Usando forte percussão e um leit motif maleável para Conan à base de cordas e metais – batizado bem propriamente de Riddle of Steel – que ele adapta para as diversas situações trágicas vividas pelo personagem, de preparação para a vingança, passando pela morte de personagens até sua vitória final, os acordes do compositor estabelecem a atmosfera grandiosa da produção e a força física e moral do protagonista.

Enquanto o design de produção é bem trabalhado, com figurinos convincentes e que estabelecem as regiões de nosso mundo em que as ações desse mundo de fantasia acontecem, além de cenários grandiosos e diversas tomadas em locação, há um certo exagero dramático que carrega a marca registrada dos De Laurentiis. Orgias, canibalismo e sangue falso aos borbotões pontuam a produção do começo ao fim e John Milius, infelizmente, por muitas vezes não sabe usar sua  direção para tirar proveito do material que tem, focando nesse lado mais trash, com direito a alguns closes constrangedores de Schwarzenegger e uma inépcia ao lidar com as sequências de ação em planos gerais, o que somente amplifica a sensação de teatralidade que acaba ofuscando um pouco o lado mais gutural da obra.

No entanto, se pararmos para pensar na origem literária de Conan, com Howard e suas famosas pulp fictions, a pitada trash que Milius deixa inadvertidamente passar pode ser perfeitamente perdoada, especialmente diante de um conjunto decididamente inesquecível que não só marca a estreia definitiva de Schwarzenegger em Hollywood, como estabelece o Conan definitivo logo na primeira tentativa. Sem dúvida alguma, um perfeito exemplar da estética oitentista que passa com honras pelo teste do tempo.

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DIREÇÃO: John Milius
ROTEIRO: Robert E. Howard (based on the character), John Milius, Oliver Stone
GÊNERO: Ação/Aventura/Fantasia
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 9min
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ELENCO PRINCIPAL:
Arnold Schwarzenegger … Conan
James Earl Jones … Thulsa Doom
Max von Sydow … King Osric
Sandahl Bergman … Valeria
Ben Davidson … Rexor
Cassandra Gava … The Witch
Gerry Lopez … Subotai
Mako … The Wizard / Narrator
Valérie Quennessen … The Princess
William Smith … Conan’s Father

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Fonte de Pesquisa/Textos: iMDB, Filmow, Plano Crítico/Ritter Fan.


A GUERRA DO FOGO (Quest for Fire, 1981 – Canadá/França)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 16 de dezembro de 1981

SINOPSE: A reconstituição da pré-história, tendo como eixo a descoberta do fogo. A saga de uma tribo e seu líder, Naoh, que tenta recuperar o precioso fogo recém-descoberto e já roubado. Através dos pântanos e da neve, Naoh, encontra três outras tribos, cada uma em um estágio diferente de evolução, caminhando para a atual civilização em que vivemos.

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SOBRE O FILME: Rodado em lugares exóticos de vários continentes, como cavernas no Canadá, montanhas do Reino Unido, lagos no Quênia, o filme reconstitui o período Paleolítico, há 80 mil anos, quando o homem descobriu o fogo. Traz todos os elementos dessa era numa verdadeira aula: o nomadismo, as rivalidades entre grupos, as cavernas como proteção, os primeiros usos de ferramentas e utensílios e as caçadas em busca de alimentos.

Baseado no romance do escritor franco-belga J.H. Rosny, escrito em 1909, tem roteiro adaptado por Gérard Brach, um velho colaborador dos filmes de Roman Polanski (escreveu, por exemplo, “Repulsa ao sexo”, “Busca frenética” e “Lua de fel”), e depois voltaria a trabalhar com o diretor de “A guerra do fogo”, Jean-Jacques Annaud, em “O nome da rosa” e “O urso”, os maiores sucessos do cineasta.

Pelos estudos antropológicos, os homens das cavernas grunhiam e tinham comportamentos animalescos, por isso que no filme não há diálogos; na verdade há uma linguagem oral com termos soltos, e foi criada pelo escritor Anthony Burgess, autor de “Laranja mecânica”, que colaborou com o roteiro. Segundo o diretor Annaud, não houve grandes efeitos especiais nem filtros, exceto a maquiagem dos atores (ganhadora do Oscar e do Bafta na categoria), ou seja, tudo o que vemos é do jeito que foi gravado, em locações originais sem uso de cenários; na cena dos mamutes, por exemplo, eles são elefantes fantasiados.

Indicado ao Globo de Ouro de filme estrangeiro, custou caro para a época por diversos pontos: maquiagens pesadas, grande número de figurantes, demora na gravação das longas tomadas externas devido ao clima e ao comportamento da natureza, parte do elenco se feriu etc. O orçamento foi de U$ 12 milhões, rendendo U$ 20 mi. nas bilheterias. Aqui deu-se a estreia de Ron Perlman (de “Hellboy”).

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DIREÇÃO: Jean-Jacques Annaud
ROTEIRO: Gérard Brach (screenplay), J.H. Rosny Sr. (based on the novel by)
GÊNERO: AVentura, Drama, História
ORIGEM: Canadá/França
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:
Everett McGill … Naoh
Ron Perlman … Amoukar
Nicholas Kadi … Gaw
Rae Dawn Chong … Ika
Gary Schwartz … Rouka – The Ulam Tribe
Naseer El-Kadi … Nam – The Ulam Tribe
Franck-Olivier Bonnet … Aghoo – The Ulam Tribe
Jean-Michel Kindt … Lakar – The Ulam Tribe
Kurt Schiegl … Faum – The Ulam Tribe
Brian Gill … Modoc – The Ulam Tribe

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A TRIBO DA CAVERNA DO URSO (The Clan of the Cave Bear, 1986 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 17 de janeiro de 1986

SINOPSE: Tribo de Neandertais encontra a menina Ayla (Daryl Hannah), uma Cro-Magnon órfã.Iza (Pamela reed) e Creb (James Remar), o curandeiro e sábio da Tribo da Caverna do Urso, praticamente adotam Ayla e a educam como uma Neandertal, apesar das objeções de outros membros. Ayla cresce diferenciada de todos, hábil, inteligente e determinada, o que incomoda Broud (Thomas G. Waites), futuro líder da tribo. Cabe a ela agora, defender sua identidade e encontrar seu espaço. Baseado em best-seller de Jean M. Auel.

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SOBRE O FILME: Na ocasião que estreou nos cinemas na década de 80 foi inevitável a comparação com o obra de Annaud “A Guerra do Fogo” feita três anos antes. Revisto hoje o longa tornou-se ainda mais anacrônico em virtude da evolução dos efeitos digitais no cinema. Apesar do potencial da livro o qual baseia-se a estória, Chapman preferiu tratar o assunto na superficialidade e caricatura dos personagens, além disso o trabalho de maquiagem foi muito mal feito e nem de longe compara-se ao clássico de Annaud.

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DIREÇÃO: Michael Chapman
ROTEIRO: Jean M. Auel (novel “The Clan Of The Cave Bear”), John Sayles (screenplay)
GÊNERO: AVentura, Drama, Fantasia
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 38min
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ELENCO PRINCIPAL:

Daryl Hannah … Ayla
Pamela Reed … Iza
James Remar … Creb
Thomas G. Waites … Broud
John Doolittle … Brun
Curtis Armstrong … Goov
Martin Doyle … Grod

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O ELO PERDIDO (The Missink Link, 1988 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 25 de novembro de 1988

SINOPSE: África há um milhão de anos: o último homem-macaco foge dos humanos, que mataram todos os membros do seu clã. Sozinho, em busca de outros da sua espécie, percorre desertos e montanhas até que chega à costa. Mas aí também já existem humanos. Especulação sobre o processo de evolução biológica humana e sobre uma suposta linha evolutiva que terá sido dizimada pelo homo sapiens.

Assista o filme clicando no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Um filme que de uma forma sensível transmitir os diversos conflitos internos de um hominídeo com o encontro do saber sobre este confuso, belo e caótico mundo. Um trabalho que pela sua composição merece ser contemplado, este é um filme corajoso que encara de forma sincera a evolução como pretexto de nosso conhecimento, algo que por mais que muitos ainda ignorem, é extremamente explicito no mundo em que vivemos dentre as descobertas que fizemos ao longo de toda a nossa existência intelectiva. Infelizmente trabalhos como esse e “A Guerra do Fogo” não são exploradas mais a fundo, há muito o que falar sobre as diversas espécies que vieram antecedendo o homem que hoje somos. Um filme belo que provoca nossa reflexão de mundo. Afinal, não podemos ignorar os fatos que nos levaram a esta posição apenas estarmos na principal escala evolutiva dos vertebrados. Por questionamentos como esse é um filme que merece toda nossa atenção e que assim como ele, deve ser vista de forma sincera e sem preconceitos.

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DIREÇÃO: Carol Hughes, David Hughes
ROTEIRO: Carol Hughes, David Hughes
GÊNERO: AVentura
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 31min
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ELENCO PRINCIPAL:
Peter Elliott … Man-ape
Michael Gambon … Narrator (voice)

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Fontes de Pesquisa: As Primeiras Civilizações, de Jaime Pinsky; Blog Cinema na Web/Felipe Brida; imdB; Filmow, CinePlayers.

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