Queimada! (1969)

QUEIMADA! (Burn!, 1969 – Itália/França)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 21 de dezembro de 1969

SINOPSE: No século XIX um representante inglês é mandado para uma ilha do Caribe que se encontra sob domínio português, para incentivar uma revolta para favorer os negócios da coroa inglesa. Dez anos depois ele retorna, para depor quem ele colocou no poder, pois o momento econômico exige um novo quadro político na região.

Assista o filme clicando no player acima. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: O italiano Gillo Pontecorvo já foi criticado por realizar, em seu filme sobre os campos de concentração, “Kapo” (59), travellings por demais gratuitos. O acusador, o então jovem crítico Jacques Rivette, vinha de uma geração cujo grande lema era: “Travelling é uma questão de moral”.
Para essa geração, que fez da mise-en-scène sua política, o mais importante não era o que se contava, mas como se contava.
Natural que, nesse ponto de vista, um diretor como Gillo Pontecorvo, que pareceu sempre mais preocupado em se adaptar aos anseios de seus produtores do que em desenvolver um estilo próprio, não passasse de um falso cineasta político.
O relançamento de “Queimada” (1969) nos obriga a retomar a questão: o que resta do cinema de Gillo Pontecorvo? Financiado pela United Artists e rodado na Cinecittà, “Queimada” é uma produção tão cabotina quanto a atuação de Marlon Brando no papel central. Porém é um filme com “grande tema”, que os cineastas de hoje já não encaram mais.
O personagem de Brando, sir William Walker, representa, com seu discurso civilizatório e sua prática belicista, um pouco da dialética do esclarecimento.
Em nome da civilização e a serviço da rainha, o inglês promove a barbárie, espalhando o caos na ilha antilhana que dá título ao filme. Atrás do discurso progressista estão os interesses do Império Britânico na cana-de-açúcar da região.
Walker incita os escravos à liberdade e a elite crioula local à independência para fazer dos primeiros mão-de-obra barata e dos segundos credores. Os senhores apenas renovaram suas estratégias de dominação. É assim que se recai sempre na guerra: do genocídio que, vitimando os índios, marcou o batismo de fogo da ilha, ao genocídio de Walker contra os trabalhadores negros, muito pouca coisa mudou para os nativos oprimidos.
Quem pensar em fazer um paralelo entre a situação de Walker e a de seu xará americano hoje no poder não terá forçado muito a barra. Dez anos depois, ele volta para matar o líder rebelde nativo que ele mesmo fomentara no passado. A Queimada independente se terá então tornado financeiramente dependente da indústria açucareira inglesa como tantas outras ex-colônias portuguesas -aos historiadores que estranharem uma colônia portuguesa nas Antilhas, arquipélago colonizado pelos espanhóis, vale o lembrete: pressionado pelo governo franquista, Pontecorvo se prestou a essa distorção histórica, sendo essa sua primeira concessão.

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DIREÇÃO: Gillo Pontecorvo
ROTEIRO: Franco Solinas e Giorgio Arlorio (story/screenplay)
GÊNERO: Ação, Drama, Guerra
ORIGEM: Itália/França
DURAÇÃO: 2h 12min
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ELENCO PRINCIPAL:
Marlon Brando … Sir William Walker
Evaristo Márquez … José Dolores
Renato Salvatori … Teddy Sanchez
Dana Ghia … Francesca
Valeria Ferran Wanani … Guarina
Giampiero Albertini … Henry Thompson
Carlo Palmucci … Jack
Norman Hill … Shelton
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, AdoroCinema, Folha S.Paulo/Tiago M. Machado.

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