O Cinema de DAVID LEAN (1908–1991) | Os Diretores

Último representante (juntamente com Fred Zinnemann e Akira Kurosawa) de uma geração de classicistas, da qual também fizeram parte William Wyler, George Stevens e Kenji Mizoguchi, Sir David Lean pode ser considerado o supra-sumo de todos os profissionais de Cinema.

Dotado de notável intuição fílmica e delicadeza de sentimentos, ele é um inspirado contador de histórias, de temperamento romântico, que adorna suas fitas com requinte visual e perfeição técnica, imprimindo-lhes o sopro artístico. Ao falecer com 83 anos, por causa de seu perfeccionismo, realizou apenas 16 filmes, e logrou o respeito e a admiração dos seus pares e do público. “Noel Coward me disse isto nos velhos tempos: Faga o que lhe agrada, e se o que the agrada nao agradar o público, caia fora do ramo do entretenimento’.” Fazendo Cinema nos moldes tradicionais (“Gosto de uma boa história, bem consistente, com começo, meio e fim. A maioria dos filmes novos parecem diários. Nao tem construção dramática. E devo dizer que gosto de uma boa construção dramática. Gosto de me emocionar quando vou ao cinema”), com afinco (“Se você quer ser diretor, tem que ter espírito prático. É trabalho árduo, como o de um carpinteiro, e quando termino um fame, estou absolutamente exausto”) e humildade (“Só agora comecei a ter a ousadia de pensar que tenho algo de artista”), Lean construiu uma carreira modelar marcada por uma inflexível busca de qualidade.

David Lean nasceu em Croydon, Surrey, Inglaterra, a 25 de março de 1908, filho de Francis Williams le Blount e Helena Annie (Tangye) Lean e foi educado numa rígida disciplina quaker na Leighton Park Quaker School, perto de Reading. Após um currículo escolar sem grandes méritos, abandonou os estudos, indo trabalhar como aprendiz do pai, contador juramentado; mas achou o ofício insuportável. Sempre que podia, refugiava-se no cinema local, onde se entusiasmava com os filmes silenciosos americanos, impressionando-se fortemente com Os Quatro Cavaleiros do Apocalipse/The Four Horseman of the Apocalypse/1921 e Scaramouche/Scaramouche/1923, ambos de Rex Ingram, diretor que admirava.

Em 1927, aos 19 anos, candidatou-se a um emprego nos estúdios Gainsborough, sendo contratado por um período de experiência, sem receber salário. Um de seus primeiros encargos foi o de segurar a claquete (primeira intervenção em Quinneys, de Maurice Elvey), passando sucessivamente a assistente de câmara e 3º assistente de direção. Lean queria aprender tudo, e começou a assistir ao trabalho na sala de montagem. Em 1930, foi nomeado montador-chefe da Gaumont British News, transferindo-se mais tarde para British Movietone News. Nos meados da década, voltou aos filmes de ficção e, depois de participar de algumas produções modestas e de três fitas bastante populares estreladas por Elizabeth Bergner (Contudo és Meu/Escape me Never/1935, Como Gostais/As You Like It/1936 e Lábios Pecadores/Dreaming Lips/1937, todos dirigidos por Paul Czinner), havia se tornado o mais bem pago montador da Inglaterra.

Sua reputação subiu em 1938, quando trabalhou em Pigmalião/Pigmalion, do húngaro Gabriel Pascal, baseado na peça de Bernard Shaw e co-dirigida por Anthony Asquith e Leslie Howard. Um ano depois, esteve de novo com Asquith em Caçador de Corações/French Without Tears, adaptação da comédia de Terence Rattigan, e subsequentemente montou importantes filmes britânicos do início dos anos 40 como Major Barbara/Major Barbara/1941, Invasão de Bárbaros/The 49th Paralel/1942 e E um Avião não Regressou/One of Our Aircraft is Missing/1942. No começo da guerra fez amizade com Ronald Neame, fotógrafo de Major Barbara, em quem encontrou grande afinidade. “Nós acreditávamos que a câmara poderia conduzir a atenção dos espectadores para onde quisesse. Usávamos Neame e eu, a mesma linguagem, comum ao montador e ao cameraman.”

A oportunidade de dirigir surgiu quando o produtor criativo Filippe Del Giudice persuadiu o consagrado teatrólogo das comédias sofisticadas e revistas musicais borbulhantes, Noel Coward, a realizar um filme para a sua companhia, Two Cities. Coward concordou, mas inseriu no seu contrato uma cláusula segundo a qual teria pleno controle sobre a história, o elenco e a produção. Escolheu Neame para diretor de fotografia e, por sugestão do produtor-associado, Anthony Havelock-Allan, entregou a Lean o cargo de diretor-associado. “Eu ficaria responsáve1 pela técnica e ele pela direção de atores. Isto funcionou muito bem para mim, porque eu aprendi bastante com Coward sobre como lidar com atores”. A produção intitulou-se NOSSO BARCO, NOSSA ALMA/In Which We Serve/1942 e narrava, em estilo semidocumentário, tom patriótico e com pano de fundo social, a história de um destróier da Marinha Real Britânica, o “H. M. S. Torrin”, desde a sua construção até seu torpedeamento durante a Segunda Guerra Mundial, e dos homens que nele serviam. O relato começava pelo afundamento, e então se concentrava em três membros da tripulação, Capitão Kinross (Noel Coward), Imediato Walter Hardy (Bernard Miles) e marujo Shorty Blake (John Mills) quando eles se agarravam aos destroços no mar cheio de óleo e recordavam (em flashbacks) suas vidas à bordo e suas esposas (Celia Johnson, Joyce Carey e Kay Walsh) e familiares em Plymouth.

Com pouca vivência cinematográfica, Coward produziu, escreveu, interpretou e compôs a música do filme. Na elaboração do argumento, inspirando-se nas experiências pessoais do amigo Lorde Mountbatten (o incidente envolvendo o marinheiro tomado de pânico (Richard Attenborough em sua primeira intervenção na tela, foi extraído de um fato real presenciado por Mountbatten) e na folha de serviços do “H. M. S. Kelly”, embarcação realmente naufragada na Batalha de Creta.

Para exercer a função de co-diretor, Coward apoiou-se na habilidade de Lean como montador; este dirigiu inclusive a filmagem de muitas cenas, como por exemplo, a do torpedeamento, rodada num tanque do estúdio, e influenciou decisivamente na encenação do longo discurso de Celia Johnson, opinando no sentido de que não se fizessem cortes para os ouvintes, a fim de intensificar o efeito emocional. Entretanto, a major glória ficou mesmo com o dramaturgo que recebeu urn prêmio especial da Academia de Hollywood “pela notável produção”.

A fita foi considerada a melhor de 1942 pelos críticos de cinema de Nova Iorque e comparada a Longa Viagem de Volta/The Long Voyage Home/19401 de John Ford. O cineasta russo Vsevolod Pudovkin, assim se manifestou: “um trabalho esplêndido, irresistível, com sua bem estudada sinceridade. Um de meus camaradas achou-o profundamente nacional e concordo com ele. O filme é completamente inglês. A gente pode ver a face da verdadeira Inglaterra nele”. 0 segundo filme nascido da colaboração Coward/Neame/Lean/Havelock-Allan, THIS HAPPY BREED/1944 (título oriundo de uma fala do personagem John of Gaunt, em Richard II de Shakespeare), baseado na peça de Coward (autor também do roteiro e da música), marcou o início das atividades de uma nova produtora independente, a Cineguild, formada pelos quatro, e foi totalmente dirigido por Lean (foto abaixo).

O enredo, espécie de continuação de Cavalcade/Cavalcade/1933 transportado para outra época e ambiente, mostrava, através de vinhetas episódicas, o cotidiano num lar suburbano, em Clapham, entre as duas guerras, contrastado com os acontecimentos mundiais nesse período de tempo. O filme começava em 1919 com o plano geral dos telhados cinzentos de Londres e, em seguida, a câmara penetrava lentamente pela janela de uma casa, focalizando o instante em que os Gibbons (marido, mulher, três filhos adolescentes, a mãe viúva da mulher e a irmã solteirona do marido) estavam se instalando; vinte anos depois, a câmara saía pela mesma janela, quando a família deixava o local para nova residência. Crônica familiar com acuradas observações sobre o modo de vida da classe média baixa inglesa, fotografada por Neame em Technicolor reticente e de tonalidade realista, e controlada com firmeza por Lean, evitando o sentimentalismo e o clima de teatro filmado, a fita foi um dos maiores êxitos de bilheteria na Inglaterra, em 1944. No elenco, interpretações calorosas, destacando-se Robert Newton (Frank Gibbons), Celia Johnson (Ethel Gibbons), Kay Walsh (Queenie Gibbons), John Mills (Billy Mitchel, namorado de Queenie) e Stanley Holloway (Bob Mitchell).

A produção seguinte da Cineguild, UMA MULHER DO OUTRO MUNDO/Blithe Spirit/1945, era a versão da farsa de Coward sobre um romancista best-seller, Charles Condomine (Rex Harrison) que, a fim de escrever um livro de espiritismo, convidava uma excêntrica medium, Madame Arcati (Margaret Rutherford), para uma experiência. Tudo o que esta conseguia era evocar o fantasma da primeira mulher do romancista, Elvira (Kay Hammond), para desalento da esposa atual, Ruth (Constance Cummings). Esta alta comédia ectoplásmica deveu muito as novelas de Thorne Smith, criador do personagem Topper, inúmeras vezes trazido para o Cinema e, tal como sua fonte inspiradora possuía ingredientes para divertir o público.

A esta altura, estabelecido como diretor único, Lean usou alguns truques engenhosos nas cenas dos fantasmas (o filme ganhou o Oscar de efeitos especiais) e deu um polimento as imagens com o Technicolor, mas a fita, na sua maior parte, não escondia a origem teatral. Margaret Rutherford tinha um papell memorável. Segundo James Agee, ela era a alma do filme: “Sempre que Margaret está na tela como a médium que inicia e tenta controlar a encrenca, a fita é admiravelmente engraçada”. Na França, apelidaram-na de “a prima de Michel Simon”,

Em DESENCANTO/Brief Encounter/1945, o terceiro filme da Cineguild, revelou-se com maior amplitude o talento individual de Lean. Baseado em “Still Life”, exemplar da série de dez peças curtas escritas por Coward em 1938, e reunidas sob o título geral de Tonight at 8.30, girava em torno de um homem, Alec Harvey (Trevor Howard), e uma mulher, Laura Jesson (Celia Johnson), ambos de meia-idade e casados, que se encontravam casualmente numa estação ferroviária. O homem era médico e pai de dois garotos; a mulher também tinha dois filhos. O encontro inocente transformava-se em algo mais sério. Após alguns momentos de felicidade, os dois compreendiam que o amor clandestino não podia continuar, e concordavam em se separar, voltando cada qual para seus respectivos companheiros.

Narrando o frustrado romance com muita sinceridade e sutileza através de flashbacks e em espaços confinados (a sala de espera da estação, a casa de Laura, o cinema, o apartamento do amigo de Alec), Lean realizou uma obra-prima intimista, transmitindo, do ponto de vista da mulher o sentimento de uma existência insípida, embora não infeliz, subitamente perturbada por algo fora de seu controle.

A melhor cena do filme (lindamente fotografado por Robert Krasker) era aquela muito lembrada na qual Laura, tendo dado o adeus final ao médico, avança para perto da plataforma da estação com ímpeto suicida. Enquanto o trem apita estridentemente e passa, as luzes do vagão, refletem-se expressionisticamente sua face agoniada. Como tema do fundo musical, o Concerto de Rachmaninoff serve para incrementar o impacto emotivo.

Lean recebeu uma indicação para o Oscar de Melhor Diretor e outra, juntamente com Coward e Havelock-Allan, para o de melhor roteiro. Celia Johnson foi apontada para Melhor Atriz e arrebatou o Prêmio dos Críticos de Cinema de Nova York. Em Cannes, o filme levou o Prix International de Critique. No elenco, além de Celia e Trevor Howard, em tocantes desempenhos: Cyril Raymond (Fred Jasson, o marido), Joyce Carey (Myrtle Bagot, a garçonete), Stanley Holloway (Albert Godby, o condutor do trem) e Everley Gregg, a tagarela).

Trevor Howard e Celia Johnson em Brief Encounter (1945).

Embora seja hoje considerado um clássico do Cinema inglês, o filme não teve boa acolhida na sua primeira exibição. “Estávamos fazendo Grandes Esperanças em locações nos pântanos de Romney, quando Desencanto ficou pronto, e eu trouxe a primeira cópia. Nós a levamos para o cinema local e a projetamos como uma pré-estréia de surpresa. A fita começou e, durante a primeira cena de amor, a mulher na fila da frente desatou a rir, uma horrível gargalhada como cacarejar de galinha. Então todos começaram a rir, e o cinema inteiro a acompanhou. No dia seguinte, fiquei pensando como poderia entrar no laboratório de Denham e queimar o negativo. Estava tão evergonhado do meu trabalho…”

Embora sua associação com Coward tivesse sido bastante proveitosa, Lean resolveu adaptar — extirpando personagens menores para condensar a intriga — GRANDES ESPERANÇAS/Great Expectations, de Charles Dickens. Ele e os demais roteiristas (Neame e Havelock-Allan) souberam preservar a estrutura da história, o verdadeiro espírito do autor e seu senso de observação, notadamente na primeira parte da fita, na qual se expressa muito bem o mundo da infância. O filme e até hoje considerado como a melhor transposição da obra do famoso escritor, e a cena do encontro assustador de Pip com o forçado Magwitch nos pântanos de Kent, um instante antológico do Cinema.

David Lean e John Mills em Great Expectations (1946).

Outras cenas marcantes: a chegada de Joe Gargery a Londres, a morte de Miss Havisham com as vestes incendiadas, a tentativa de fuga de Magwitch e a caminhada de Pip até o leito de seu benfeitor, todas expostas com inteligência e rigor formal. Os sets contribuíram muito para o sucesso da fita, particularmente os interiores da mansão gótica e decadente de Miss Havisham (que parece assumir proporções maiores do que as reais, porque o cinegrafista Guy Green usou uma lente de 24mm em vez da usual de 35 ou 40mm), as ruas de Londres de 1830, a estalagem Barnard, a prisao de Newgate, o Templo e o cemitério campestre, todos erguidos dentro dos estúdios Denham com a mesma maestria. E o resultado foi a obtenção do Oscar de 1947 para Melhor Fotografia e Direção de Arte em preto e branco, tendo havido ainda indicações para Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Roteiro.

O elenco, formando admiravelmente os deliciosos tipos, perfeitamente delineados pelos roteiristas, além do menino Anthony Wager (Pip criança), incluía John Mills (Pip adulto), Valerie Hobson (Estella adulta), Jean Simmons (Estella criança), Bernard Miles (Joe Gargery), Martita Hunt (Miss Havisham), Francis L. Sullivan (Jaggers), Finlay Currie (Magwitch) e Alec Guinness, estreando no Cinema aos 32 anos e iniciando sua longa colaboração com o diretor (ao todo, seis filmes), no papel do companheiro de quarto de Pip, Herbert Pocket. Como resumiu James Agee: “Grandes Esperanças fez por Dickens o que Henrique V fez por Shakespeare”.

Com este êxito, Lean e seus associados decidiram filmar com a mesma integridade no tratamento e cuidadosa construção dramática, outro livro de Dickens, e para o papel central de OLIVER TWIST/Oliver Twist/1948 selecionaram entre 1.500 candidatos — o jovem John Howard Davies. Coube entretanto a Alec Guinness o penoso encargo de recriar a figura de Fagin, no roteiro inspirada pelas ilustrações originais do romance feitas por George Cruikshank. O ator tinha que chegar a Pinewood às seis da manhã para ficar durante duas horas e meia sob os cuidados do maquiador. “Guinness era muito moço quando demonstrou desejo de interpretar Fagin. Pensei que estivesse fora de si, mas ele me persuadiu a testá-lo, dizendo que não queria saber de maquiagem ou das roupas que iria usar: só queria caminhar pelos sets e me surpreender. Bem, no dia do teste, foi isso o que ele fez. Maravilhoso!” Mas tal performance provocou fortes protestos de alguns grupos judaicos nos Estados Unidos, os quais o apontavam como acentuadamente anti-semita, tendo sido, por isso cortados 10 minutos de close-ups e de perfis de Fagin, quando o filme veio a ser normalmente exibido, dois anos após o lançamento na Inglaterra. Por curiosidade, em 1922, a censura britânica havia objetado a versão americana muda, com Lon Chaney, porque “poderia encorar a a delinquência juvenil no pais”.

David Lean e Robert Newton em Oliver Twist (1948)

Para alguns, Oliver Twist é mais poético e visualmente excitante do que Grandes Esperanças. A sequência de abertura, inventada especialmente para o filme mostrando a jornada da mãe de Oliver, grávida, pelo desolado pântano sob a tempestade até falecer, após o nascimento do filho, por exemplo, um momento de puro Cinema, sobressaindo também as cenas brutais e realistas no asilo, as de Fagin ensinando Oliver a roubar e a da morte de Nancy, ouvindo-se os gritos fora do quadro, enquanto o cachorro do assassino arranha em pânico a porta.

Ao lado dos lances melodramáticos, e é de grande melodrama que se trata, o aspecto social foi abordado com veemência, evocando-se as condições desumanas dos pobres, a miséria e a sordidez da Londres do século dezenove (por sorte, Lean abandonou a idéia de modernizar a história) e novamente um cast impecável, no qual se destacam, além de Guinness, Robert Newton (Bill Sykes), depois de cogitado Robert Donat, Anthony Newley (Artful Dodges), Kay Walsh (Nancy) e Francis L. Sullivan (Mr. Bumble), deu autenticidade à galeria de retratos dickensianos.

O filme seguinte de Lean, HISTÓRIA DE UMA MULHER/The Passionate Friends/1948, baseado num romance de H. G. Wells, com roteiro de Eric Ambler, focaliza, por meio de flashbacks embutidos uns nos outros, um tema parecido com o de Desencanto, ou seja, as dificuldades afetivas de um triângulo amoroso. “Gosto de fazer filmes sobre mulheres. Gosto de contar histórias de amor. Acho-as fascinantes… A história é sobre tentação e não segue inteiramente a obra original, mas o espírito desta foi mantido”.

A mulher (Ann Todd) de um banqueiro milionario (Claude Rains) encontra um dia o antigo namorado (Trevor Howard) e um romance clandestino se inicia. Ao ter de optar por um dos dois, ela permanece com o marido, por conveniência. Tempos depois: reencontra adidentalmente o namorado, mas já casado e com filhos. O marido descobre, pede o divórcio e quase leva a esposa ao suicídio.

Ann Todd e Trevor Howard em The Passionate Friends/1948.

Rodada em parte na Suíça, a fita tem uma bela fotografia (Guy Green, assessorado pelo operador de câmara Oswald Morris) e comprova mais uma vez a segurança narrativa do diretor. Hugo Barcelos comentou na época: “Sua linguagem, originalíssima, criando em torno das personagens atmosfera de realismo a um só tempo forte e delicado, porque expressivo e também sutil, dá ao filme um poder artístico invulgar, comunicando-se com a platéia de maneira imediata. Suas criaturas vivem perigosamente, porque assim as concebe a câmara que, por uma parte, é impregnada de bom Cinema, já pela riqueza em detalhes dinâmicos, já pela focalização expressionista, já ainda pelo sentido econômico das frases que se desenrolam sem convencionalismos, sem lugares-comuns, sem vacilações.”

Ann Todd manteve-se com Lean, protagonizando O GRITO DA CARNE/Madeleine/1949, que relata o caso verÍdico, ocorrido no sÉculo passado, coM a filha de uma família rica e respeitada de Glasgow. Madeleine Smith foi levada ao tribunal sob a acusação de ter envenenado o amante, um francês chamado Emile L’Angelier (Ivan Desny). Embora fossem contra ela as circunstâncias, os jurados absolveram-na por falta de provas. Após a sentenca, a ré se nega, com um olhar ambíguo, a responder ao eventual narrador: culpada ou inocente?

O ponto alto do filme é o emprego da montagem, salientando-se a cena em que Madeleine e Emile, assistindo às danças escocesas, sentem o perturbador ritmo da festa. Quando Madeleine cai, cresce sobre ela o corpo do amante e há o corte para um par de dançarinos excitados, fugindo para um local conveniente à satisfação de seus desejos. O virtuosismo prossegue no julgamento, apresentado de modo original, com inspiradas angulações de câmara e habilidoso uso do flashback.

Décio Vieira Ottoni sintetizou, na ocasião: “Sem ser um grande filme porque Lean não teve em mãos um argumento à altura de seu excepcional talento, O Grito da Carne é, contudo, a história maravilhosamente narrada de um mistério famoso”. Em seguida, Lean preparou o roteiro de The Gay Gaillard, de Margaret Irwin, e pretendia filmá-lo com Ann Todd como Maria Stuart, mas o projeto foi arquivado.

Lean só voltaria aos estúdios no final de 1951, quando, a convite de Alexander Korda, se reuniu com Ann, Ralph Richardson e Nigel Patrick em Shepperton, para iniciarem SEM BARREIRA NO CÉU/The Sound Barrier/1952. Fascinado pelo tema, Lean passou três meses conversando com o pessoal das fábricas de aviões e pediu ao dramaturgo Terence Rattigan um script original. Este entregou-lhe a história de um magnata visionário Ridgefield (Ralph Richardson), em conflito com a filha, Susan (Ann Todd), e o marido desta, Tony (Nigel Patrick), um de seus pilotos de provas, na obsessão de construir um engenho capaz de quebrar a barreira do som. Tony morre num teste. Susan acusa o pai de sacrificar vidas humanas inutilmente — inclusive a do outro filho e se afasta dele, compreendendo depois sua tarefa de pioneiro.

David Lean, John Justin, e Nigel Patrick em The Sound Barrier (1952).

O argumento (e roteiro) de Rattigan ganhou uma indicação para o Oscar, mas todos concordam em que a verdadeira força do filme está nas cenas aéreas (memorável a de abertura), soberbamente fotografadas por Jack Hildyard, cam ajuda da equipe de 2ª unidade, e na montagem sonora, laureada com a estatueta da Academia. As imagens dos jatos supersônicos cortando os céus deixam rastros de beleza na tela e confirmam que os filmes de Lean, tal como os de Antonioni, “florescem no espaço”.

A fita foi considerada a melhor do ano pela British Film Academy e, por ironia, seu consultor técnico, John Derry, vitimou-se na catástrofe da base area de Farnbrough, quando o avião que pilotava caiu sobre numerosos espectadores. Lean voltou à Inglaterra antiga, precisamente a Salford, Lancashire, em 1890, vertendo para a tela a pçea de Harold Brighouse em PAPAI É DO CONTRA/Hobson’s Choice/1953, seu Último filme em Preto e Branco, com a costumeira capacidade para captar a época. Ruas de pedras arredondadas, lojas austeras, salas de estar afetadas, tavernas cheias de fumaça, troles, anquinhas, peitilhos de cartolina, leitos de quatro colunas e o ar poluído da pequena cidade industrial compõem a atmosfera ao mesmo tempo lúgubre e truculenta que as lentes de Jack Hildyard apanham com inspiração.

Por meio de insolentes movimentos a câmara descobre detalhes pitorescos que Malcolm Arnold sublinha com irônico comentário musical, reforçando a excelente pintura de costumes. Charles Laughton, como o dono de uma loja de calçados, tirânico e beberrão, forja uma caricatura ruidosa, é notável a cena de seu delírio alcoólico, contrabalanceando o jogo cênico quieto e delicado de Brenda de Banzie como a filha mais velha que tem a coragem de desafiá-lo, casando-se com seu tímido e iletrado empregado, Willie Mossop (John Mills, substituindo Robert Donat), e lhe fazendo concorrência comercial. Com estes três intérpretes experimentados, Lean produziu enfim uma comédia cheia de espírito, sátira e sentimento, de humor tipicamente britânico, votada pela British Film Academy como o Melhor Filme do Ano.

QUANDO O CORAÇÃO FLORESCE/Summer Madness/1955, intitulado nos Estados Unidos e mais conhecido como Summertime, rodado em Veneza, inaugurou a carreira internacional de Lean. Ultrapassando o filme turístico, ele exprimiu, através das vistas fotogênicas da cidade, a evolução de uma personagem feminina que descobre o amor.

Baseado na peça The Time of the Cuckoo, de Arthur Laurents, com roteiro de Lean e H. E. Bates, a fita continua de certa forma o ensaio de Desencanto, mostrando com extrema discrição toda a melancolia e a amargura que acompanham a descoberta de um amor impossível. É uma análise psicológica das emoções de uma solteirona, June Hudson (Katharine Hepburn), solitária e romântica, que, na sua primeira viagem à Europa, vem a conhecer um comerciante de antiguidades, Renato Di Rossi (Rossano Brazzi). Os dois se apaixonam, vivem dias idílicos, até que ela descobre que ele é casado e se separam.

A fotografia de Jack Hildyard, dos canais, becos, pontes e palácios tradicionais, e da não menos tradicional Praça de São Marcos, com a igreja e os pombos, enche os olhos. Lean, porém, soube evitar que tais esplendores desviassem a atenção da história. O diretor e o produtor, Ilya Lopert, passaram dois meses no período de preparação do filme escolhendo locações, e tiveram de contornar alguns problemas, como: acomodar as câmaras em ruelas estreitas ou sob as pontes e dar comida aos pombos no centro, e não no canto sudoeste de São Marcos, quebrando uma praxe antiga.

David Lean filmando na famosa Piazza San Marco, em Veneza.

Katharine Hepburn, em comovente desempenho, refletindo toda a luta interior entre o desejo e o medo de uma mulher de meia-idade frustrada, domina completamente o filme num papel sob medida para seu temperamento. Ela foi candidata ao Oscar de Melhor Atriz, tendo Lean também sido indicado como Melhor Diretor.

A PONTE DO RIO KWAI/The Bridge on the River Kwai/1957 marcou a entrada triunfal de Lean no superespetáaculo em CinemaScope, e tornou-o um diretor privilegiado, que pode impor condições de trabalho. O autor do romance, Pierre Boulle, havia sido procurado em primeiro lugar pelo cineasta francês, Henri-Georges Clouzot (que, apreensivo com os custos, desistiu de adaptar a obra para o Cinema), e depois por Alexander Korda; Sam Spiegel, porém, foi quem acertou definitivamente com ele, investindo três milhões e meio de dólares na produção.

Com locações no Ceilão, o filme levou três anos em preparo. Só a enorme ponte, onde se dá o climax da narrativa, levou oito meses para ser construída, tendo sido usado também um trem de verdade. O roteiro, assinado por Boulle mas, na realidade, escrito por Carl Foreman e Michael Wilson, então na Lista Negra de Hollywood traz uma mensagem pacifista, atacando não só a guerra como também o espírito militar exacerbado, mostrando a relatividade de valores como a honra e a coragem.

A ação, em ritmo de aventura e inspirada num fato verídico da Segunda Guerra Mundial, ttranscorre na Malásia, onde japoneses forçam prisioneiros ingleses a trabalhar nas obras da estrada de ferro de Banquecoque a Rangum. O Coronel britânico, Nicholson (Alec Guinness), após ganhar uma batalha ética do Comandante nipônico, Sato (Sessue Hayakawa), concorda em ajudá-lo a erigir uma ponte sobre o rio Kwai.

David Lean, Alec Guinness e Sessue Hayakawa, descontraídos durante intervalo das filmagens.

A narrativa, a princípio, é linear, mas, com a fuga do americano Shears (William Holden), logo se bifurca em ações paralelas. De um lado, os prisioneiros esforçando-se na construção da ponte que serviria às manobras do inimigo, e do outro, um grupo de comandos empenhados em sua destruição. No final, quando a montagem alternada se funde num episódio de intensa emoção e suspense, cheio de ironia, o médico do campo (James Donald), observador imparcial dos acontecimentos, denuncia toda a loucura reinante.

O talento artístico e o sólido profissionalismo do diretor foram finalmente reconhecidos com o Oscar, o prêmio dos Críticos de Cinema de Nova lorque e da British Film Academy, cabendo também um Oscar para Boulle (Melhor Roteiro) e Alec Guinness (Melhor Ator) e o de Melhor Filme.

Animados com o êxito da última realização, Lean e Spiegel continuaram juntos, e discutiram a possibilidade de um filme sobre a vida de Gandhi, mas, por vários motivos, voltaram sua atenção para a pessoa do legendário T. E. Lawrence, o jovem inglês do serviço secreto britânico que, durante a Primeira Guerra, conseguiu unir as tribos árabes contra os turcos, aliados dos alemães.

Tal como A Ponte do Rio Kwai, a fita LAWRENCE DA ARÁBIA/Lawrence of Arabia/1962 é uma superprodução espetacular e ao mesmo tempo o retrato de um homem; só que, desta vez, uma figura histórica complexa e ambígua. Agente secreto, líder militar, agitador, nevrosado, exibicionista, sádico, homossexual, Lawrence foi sem dúvida tudo isso, e Peter O’Toole (então com 28 anos) tornou-se uma vedete, reconstituindo admiravelmente todas as nuances, as hesitações e o entusiasmo dessa tumultuosa personalidade.

Embora inspirando-se em The Seven Pillars of Wisdom, de Lawrence, Robert Bolt usou a sua própria concepção sobre o biografado e, procedendo a uma economia dramática, criou um roteiro de grande senso visual que, em tom de epopéia, narra na realidade um drama intimista. “Emoções humanas, e não circos, é que fazem um grande filme. Em todos os filmes épicos, o conflito humano deve ficar em primeiro plano”.

Antes de O’Toole, foi anunciado Marlon Brando e testado Albert Finney para o papel de Lawrence, foi lembrado também Alec Guinness por ter vivido o personagem na peça Ross, de Terence Rattigan. Os nomes de Cary Grant, Kirk Douglas e Horst Bucholz chegaram a ser cogitados para outros papéis. Spiegel gastou 12 milhões de dólares rodando a fita na Jordânia (cenas do deserto), Espanha (interiores, não de estúdio, mas de autênticos prédios mouriscos de Sevilha, passando por Cairo, Damasco e Jerusalém e cenas dos ataques as ferrovias) e Marrocos (cenas da batalha na qual o regimento turco é dizimado). Entre os momentos mais marcantes, valem a pena ser citados aquele close-up de um fósforo aceso que se transforma subitamente nas escaldantes imagens do deserto e o raid sobre a ferrovia de Hejaz, com Lawrence correndo por cima dos vagões.

A fita conquistou sete Oscars, Melhor Filme, Direção, Fotografia e Direção de Arte a Cores, Montagem, Música e Som, assinalando o início da frutuosa colaboração de Lean com Bolt. John Box, Maurice Jarre e, principalmente, o excelente cinegrafista Freddie A. Young (ganhador do Oscar também por Doutor Jivago e A Filha de Ryan).

Questionado sobre seu enquadramento como “diretor de superespetáculos”, Lean respondeu: “Não aceito a popular idéia de que um filme barato nao pode ser bom. Depende do assunto. Se você quiser fazer Lawrence da Arábia direito, nao poderá fazê-lo barato. Custa uma fortuna levar uma equipe enorme, gruas, refletores e milhares de extras, para o deserto. Ao contrário, seria tolice gastar muito dinheiro em algo como Desencanto. Ele custou pouco, e eu o fiz em dez semanas. Trabalhei três anos em Lawrence. Se amanhã encontrar um assunto que possa filmar sem dispender muito dinheiro e em dez dias, ficarei absolutamente encantado”. O próximo assunto a interessar Lean, “por sua boa história de amor” Foi Doctor Zhivago, o volumoso romance de Boris Pasternak, laureado com o Prêmio Nobel.

O produtor Carlo Ponti, que havia adquirido os direitos em 1962, induziu a MGM a investir no projeto de 11 milhões de dólares e, na fase de pré-filmagem, o diretor visitou a Iugoslávia, Canadá, Itália e a Escandinávia à procura de exteriores semelhantes à paisagem russa, escolhendo finalmenate a Espanha (imitando Moscou) e a Finlândia (fazendo as vezes da Sibéria).

DOUTOR JIVAGO/Dr. Zhivago/1965 traça a trajetória de Yuri Jivago (Omar Sharif), médico e poeta, na Rússia do começo do século XX. Ele contrai matrimônio com Tânia (Geraldine Chaplin), companheira de infância, e mais tarde conhece Lara (Julie Christie), protegida do negociante Komarowski (Rod Steiger) e amiga do jovem revolucionário Parel Antipov (Tom Courtenay), com quem acaba se casando. A Primeira Guerra separa os dois casais e põe Jivago de novo diante de Lara, que se tornara enfermeira voluntaria, a fim de localizar o marido, dado como desaparecido na linha de frente. Fugindo de Moscou para livrar a familia da epidemia, da revolução e da fome, Jivago tenta viver em paz numa casa solitária, num vilarejo dos montes Urais; mas aprisionado e forçado a servir os partisans.

Omar Sharif, como Doutor Yuri Jivago, e a atriz Julie Christie como Lara Antipova.

Quando consegue voltar, a mulher e os filhos haviam partido para a capital, e ele encontra mais uma vez Lara, com quem passa alguns dias de amor, antes dela ser levada, “como folha morta”, por Komarowski. Esta intriga é acionada com a austeridade e a fluência peculiares do cineasta, irrompendo a cada instante imagens suntuosas e de grande força cinematográfica como as da carga dos cossacos contra a passeata socialista (em estilo eisens-teiniano), o castelo de Varykino no meio de uma planície imensa toda florida ou o trem blindado cruzando as estepes, que garantiram vários Oscars: Melhor Roteiro Adaptado (Robert Bolt), Fotografia a Cores (Freddie A. Young), Música (Maurice Jarre), Cenografia (John Box, T. Marsh) e Vestuário a Cores (Phyllis Dalton).

Omar Sharif e David Lean no set de filmagem.

Somente cinco anos depois da realização de Doutor Jivago (desde Quando o Coração Floresce, o intervalo mínimo entre seus times é de pelo menos dois anos), Lean voltou à atividade, desta vez usando um argumento original de Robert Bolt sobre o amadurecimento de uma jovem em remota aldeia irlandesa, durante a Primeira Guerra. Bolt descreveu o relato como a história da “universal tendência da juventude de querer obter algo à custa de nada… e a compreensão de que tudo tem seu preço”.

Rose Ryan (Sarah Miles) casa-se com o maduro professor Charles Shaughnessy (Robert Mitchum), mas a união se frustra, pois ele não a desperta sexualmente, e é sustentada apenas pelos conselhos do Padre Collins (Trevor Howard). Um incidente na taberna de Tom Ryan (Leo McKern), pai de Rose, aproxima-a do Major Doryan (Christopher Jones), o novo Comandante das forças inglesas na região, mutilado e neurótico de guerra. Tornam-se amantes e as suas relações são divulgadas involuntariamente por Michael (John Mills), um idiota. Quando, avisado a tempo, o Major aprisiona um líder revolucionário local, O’Leary (Barry Foster), que, com o apoio do povo, descarregara armas na Praia, as suspeitas recaem sobre Rose, e nao sobre seu pai, o verdadeiro traidor. A população invade a escola, corta os cabelos de Rose, e Charles, embora já, ciente de sua infidelidade, ampara-a. O Major,que soubera da decisão de Rose de abandoná-lo, suicida-se. Rose e Charles deixam a aldeia.

Drama intimista, à maneira de uma tragédia pastoral de Thomas Hardy, emoldurado por amplos e belíssimos espaços de câmaras de Freddie Young fotografaram criativamente A FILHA DE RYAN/Ryan’s Daughter/1970 inclui-se na grande tradição romântica do Cinema. A meticulosidade (três anos de preparação, 14 meses de filmagem, um ano de montagem) e a gentileza de espírito do cineasta geraram cenas como a do fracasso na noite nupcial em alternância com a festa do casamento, a do desembarque da carga sob a tempestade, a do quase linchaamento de Rose, a do primeiro encontro desta com o Major na taberna e a lírica entrega amorosa na floresta, que empolgam pelo esmero estético. Obra-prima irretorquível, a fita ocasionou dois Oscars: Melhor Ator Coadjuvante (John Mills) e Melhor Fotografia (Freddie A. Young).

Sarah Miles e David Lean no set de filmagens de RYAN’S DAUGHTER (1970).

Lean já tinha preparado, com Robert Bolt, os roteiros para dois longas-metragens que, sucessivamente, narrariam, de maneira mais completa, a saga do “Bounty” (o primeiro terminaria com a fantástica viagem do Capitão Bligh num barco, através do Pacífico até a Austrália: o segundo contaria a perseguição de Fletcher Christian e seus companheiros pelo Capitão Edwards) e escolhido locações no Taiti, quando Dino de Laurentiis comunicou-lhe que a produção nao poderia ir adiante por falta de recursos.

O diretor ficou praticamente inativo 14 anos desde A Filha de Ryan, e finalmente escolheu como assunto do novo filme um clássico da literatura inglesa, PASSAGEM PARA A ÍNDIA/A Passage to India, de E. M. Forster. Ele havia visto a encenaçãogao teatral feita pelo indiano Santha Rama Rau, em 1958, e tencionou levar a a história para a tela logo após Lawrence da Arábia; mas isto no foi possível. A oportunidade surgiu em 1983, com a aquisição dos direitos pelos produtores John Brabourne e Richard Goodwin, responsáveis por adaptações de romances de Agatha Christhie, Assassinato no Expresso Oriente/Murder on the Orient Express/1972, Morte Sobre o Nilo/Death on the Nile/1978, A Maldição do Espelho/The Mirror Cracked/1980, Assassinato Num Dia de Sol/Evil under the Sun/1982.

“Será um filme curioso e provocante, porque o livro é assim. Existem muitas coisas confusas, tal como ocorre na vida real. Você conhece pessoas, compreende certos aspectos delas, mas outros permanecem ocultos, e você tem que adivinhar quais são.. Quero dirigir filmes nos quais os espectadores saiam do cinema discutindo os personagens que acabaram de ver…”

No relato, passado nos anos 20, Mrs. Moore (Peggy Ashcroft) chega a Bombaim, na companhia da jovem Adela Quested (Judy Davis), para visitar o filho magistrado, Ronny Heaslop (Nigel Havers), com quem Adela está comprometida. As duas tem idéias avançadas e se incomodam com o tratamento dispensado pelos ingleses aos indianos. Fascinadas pelo país, depois de travarem conhecimento com o sensivel Professor Fielding (James Fox), um brâmane fatalista, Dr. Goldbole (Alec Guinness), e um jovem médico indiano, Dr. Aziz (Victor Banerjee), partem, na companhia deste último, numa excursão às famosas grutas de Marabar, onde ocorre um incidente enigmático que levará Aziz a julgamento.

Judy Davis e Nigel Havers em A Passage to India (1984).

Com sua límpida maneira de narrar, Lean nos mostra um drama psicológico entrelaçado com os fatos da difícil convivência entre colonizadores e colonizados, vistos através do comportamento dos personagens, alguns (Mrs. Moore, Goldbole) simbólicos e cercados de misticismo deixando no final uma esperança de concórdia. O diretor, autor também do roteiro, fez questão ainda de assinar a montagem (“No fundo continuo sendo montador. Não consigo manter minhas mãos afastadas da tesoura”) e, auxiliado por Ernest Day, operador de câmara em Lawrence da Arábia, Doutor Jivago e A Filha de Ryan, agora elevado a fotógrafo, forjou cenas magníficas, destacando-se a do passeio de bicicleta de Adela pelas ruínas eróticas, imaginada por Lean, como momento de Cinema puro e a do tribunal.

Alec Guinness e David Lean, em Passagem para a Índia (1984).

O filme obteve 11 indicações para o Oscar (Lean concorreu ele próprio em três categorias), e conquistou os prêmios para Melhor Atriz Coadjuvante (Peggy Ashcroft) e Melhor Música (Maurice Jarre). Outra obra-prima na carreira de um realizador para quem o Cinema é, essencialmente, fonte de prazer (o prazer da narrativa) e expressão de beleza, e que está sempre atento às pulsações da vida.

Fonte pesquisa/Textos: Revista Cinemin e A. C. Gomes de Mattos.

PASSAGEM PARA A ÍNDIA (A Passage to India, 1984 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 18 March 1985 (London)

SINOPSE: No final dos anos 20, Adela Quested (Judy Davis), uma rica inglesa de idéias liberais, viaja para fora do país pela primeira vez, ao seguir para a Índia para encontrar seu noivo e tentar se adaptar ao país. Mas o choque cultural acontece e quando tudo parecia facilitar a integração ao conhecer Dr. Aziz (Victor Banerjee), um indiano que a leva para visitar as cavernas de Marabar, lá Adela alega que Aziz tentou violentá-la.

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SOBRE O FILME: Filme que inicialmente começa como uma tímida história de choque cultural em uma viagem, entre nação oprimida e nação opressora, enceta uma reviravolta kafkiana lá pelas tantas. David Lean brinca elegantemente com o clima de tensão entre as culturas, a sugerir descriminações raciais e étnicas, intolerância e conflitos históricos latentes. O único ponto questionável é a sensação de certa atenuação do lado britânico enquanto dominadores, quase como se o filme implicitamente quisesse redimi-los (por exemplo, as acusações impostas vieram dos britânicos, mas não de todos, e muitos outros indianos a sustentaram, fora a real subserviência do Dr. Aziz, que arremata estranhamente em uma inversão de papeis no ato final).

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: David Lean (roteiro), E.M. Forster (baseado no romance), Santha Rama Rau (baseado na peça)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: USA, UK
DURAÇÃO: 163 minutos
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ELENCO PRINCIPAL:
Alec Guinness … Godbole
James Fox … Fielding
Peggy Ashcroft … Sra. Moore
Judy Davis … Adela
Victor Banerjee … Aziz
Nigel Havers … Ronny
Richard Wilson … Turton
Antonia Pemberton … Sra. Turton
Roshan Seth … Amritrao
Michael Culver … McBryde
Art Malik … Ali
Saeed Jaffrey … Hamidullah
Clive Swift … Major Callendar
Ann Firbank … Sra. Callendar
Rashid Karapiet … Das
Dina Pathak … Begum Hamidullah
Adam Blackwood … Sr. Hadley

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Freitas, Cine Players.


A FILHA DE RYAN (Ryan’s Daughter, 1970 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 10 December 1970 (UK)

SINOPSE: Irlanda, Primeira Guerra Mundial, Thomas Ryan (Leo McKern), cria sua filha Rose fazendo todas as suas vontades. Rose (Sarah Miles) cisma que tem que casar com seu antigo professor, um homem bem mais velho e viúvo. A chegada de um Major veterano de guerra muda a vida de todos os habitantes da ilha.

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SOBRE O FILME: Grandioso, e talvez nisso resida suas fragilidades. Belamente fotografado, com uma trilha tocante, temos uma história sobre adultério, simples em aparência, com a elaboração e o cuidado que o diretor David Lean tem com a suas produções, a exemplo de clássicos como Doutor Jivago. O problema é que por vezes, as duas coisas, o plot do drama romântico e as sequências ligadas à guerra, correm em paralelo e parecem ser independentes, quase como duas histórias desprendidas uma da outra.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Robert Bolt (autor)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 195 minutos
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ELENCO PRINCIPAL:
Sarah Miles … Rosy Ryan
Christopher Jones … Major Randolph Doryan
John Mills … Michael
Robert Mitchum … Charles Shaughnessy
Trevor Howard … Padre Hugh Collins
Leo McKern … Thomas Ryan
Barry Foster … Tim O’Leary
Marie Kean … Sra. McCardle
Gerald Sim … Capitão
Des Keogh … Soldado magrelo

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Freitas, Cine Players.


DOUTOR JIVAGO (Doctor Zhivago, 1965 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 26 April 1966 (UK)

SINOPSE: Ambientado antes e durante a Revolução Bolchevique na Rússia, conheça a história do doutor Yury Zhivago (Omar Sharif), que em plena guerra se viu apaixonado pela bela Lara Antipova (Julie Christie), o amor impossível que move toda a história. Baseado na obra de Boris Pasternak, vencedor de 5 Oscar, incluindo Fotografia e Roteiro Adaptado.

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SOBRE O FILME: Filme de qualidade técnica impecável, a fotografia e montagem são excelentes e te transportam para a Russia no início do século XX. Umas das melhores adaptações de romances para o cinema, O roteiro é muito bom, porém o material fonte também é muito bom, assim acertar seria uma obrigação e errar um desserviço. As cenas fortes são suavizadas seguindo a tendencia da época, mas a direção se vira muito bem, e o impacto não é de todo perdido. O filme é bom, o ritmo é agradável, as atuações estão boas com destaque para Omar Shariff. A estrutura narrativa segue o romance, começando pela cena final e voltando à ela para encerrar a história. creio que as reflexões e críticas estejam alinhadas ao romance e não são demais apelativas. Alguns reacionários de mente pequena podem reduzir o filme em : Socialismo é ruim, porém o filme não é sobre isso, mas sim sobre o olhar de um artista de classe alta, que acompanha a escalada da revolução junto a perda de liberdades individuais. O que abre margem para muitas interpretações.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Boris Pasternak (romance), Robert Bolt (roteiro)
GÊNERO: Drama, Romance, Guerra
ORIGEM: USA
DURAÇÃO:  3h 17min
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ELENCO PRINCIPAL:
Alec Guinness … Gen. Yevgraf Zhivago
Julie Christie … Lara Antipova
Geraldine Chaplin … Tonya Gromeko
Rod Steiger … Viktor Komarovsky
Omar Sharif … Dr. Yuri Zhivago
Tom Courtenay … Pasha
Siobhan McKenna … Anna
Ralph Richardson … Alexander Gromeko
Gérard Tichy … Liberius
Geoffrey Keen … Médico-professor
Virgilio Teixeira … Capitão
Jack MacGowran … Petya
Bernard Kay … O Bolchevique

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Heber, Cine Players.


LAWRENCE DA ARÁBIA (Lawrence of Arabia, 1962 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 10 December 1962 (UK)

SINOPSE: Em 1916, em plena I Guerra Mundial, o jovem tenente do exército britânico estacionado no Cairo pede transferência para a península arábica, onde vem a ser oficial de ligação entre os rebeldes árabes e o exercito britânico, aliados contra os turcos, que desejavam anexar ao seu Império Otomano a península arábica. Lawrence, admirador confesso do deserto e do estilo de vida beduíno, oferece-se para ajudar os árabes a se libertarem dos turcos.

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SOBRE O FILME: Um dos filmes com uma das fotografias mais bonitas que eu já vi, o deserto, com seus oásis, areia movediça, tempestades de areia e etc. A cena dos cavalos correndo pela cidade, com o visual do forte e a praia é lindo demais, Lawrence (Peter O’Toole) parece que será só mais um herói que salva um povo, mas a história vai sendo contada e percebemos a evolução do personagem, chega a ficar a beira da loucura e fica distante daquele homem do inicio da jornada, o elenco ainda tem Omar Sharif e Anthony Quinn, todos com excelentes atuações, incluindo Peter, a trilha sonora do filme é espetacular e eu só não curti mais pela duração, não que seja um problema, eu gosto de dezenas de filmes com durações enormes, só que depois que Lawrence retorna ao exército pra informar a vitória e pedir suprimentos, eu fiquei um pouco disperso e achei que o filme deu uma caída no ritmo, é um clássico e gosto do filme, mas não entra na minha galeria de favoritos.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Robert Bolt (roteiro), Michael Wilson (roteiro), T.E. Lawrence (escritos)
GÊNERO: Aventura, Drama, Guerra
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  3h 48min
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ELENCO PRINCIPAL:
Peter O’Toole … T.E. Lawrence
Omar Sharif … Sherif Ali ibn el Kharish
Alec Guinness … Príncipe Faisal
Anthony Quinn … Auda Abu Tayi
Anthony Quayle … Coronel Harry Brighton
Jack Hawkins … General Edmund Allenby
Donald Wolfit … General Archibald Murray
Claude Rains … Sr. Dryden
Arthur Kennedy … Jackson Bentley
José Ferrer … Governador do Império-Otomano
Zia Mohyeddin … Tafas
I.S. Johar … Gasim
Gamil Ratib … Majid
Michel Ray … Farraj
John Dimech … Daud
Howard Marion-Crawford … Oficial médico
Hugh Miller … Coronel do corpo médico
Clive Morton … General instrutor
Norman Rossington … Cabo Jenkins
Jack Gwillim … Secretário do clube

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/André Luiz, Cine Players.


A PONTE DO RIO KWAI (The Bridge on the River Kwai, 1957 – UK, USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 2 October 1957 (UK)

SINOPSE: Na 2ª Guerra Mundial vários soldados ingleses se tornam prisioneiros em um campo de concentração japonês. Este grupo é escolhido pelo chefe do campo para construir uma ponte sobre o rio Kwai. O coronel Nicholson (Alec Guinness), um oficial inglês, planeja a construção para demonstrar a superioridade britânica, mas Shears (William Holden), um americano que é prisioneiro do mesmo campo, planeja a destruição da ponte.

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SOBRE O FILME: Uma aula de narrativa do mestre Lean, que aqui usa um cenário de Aventura de Guerra para criar uma interessante trama sobre Honra, Persistência e Disciplina, optando até pela ambiguidade (às vezes o “covarde” pode dizer algumas verdades e o “honrado” pode falar e fazer bobagens motivado pela própria mentalidade). Na primeira metade o filme é dominado pelo confronto Nicholson x Saito e na segunda o foco é a missão do “comandante” Shear. Cada um dos protagonistas tem um arco interessante, sempre com um trabalho impecável por parte do diretor e apesar da longa duração o filme prende o espectador. Imperdível!

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Pierre Boulle (roteiro), Michael Wilson, Carl Foreman
GÊNERO: Aventura, Drama, Guerra
ORIGEM: USA, UK
DURAÇÃO:  2h 41min
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ELENCO PRINCIPAL:
Alec Guinness … Coronel Nicholson
Jack Hawkins … Major Warden
William Holden … Comandante Shears
Sessue Hayakawa … Coronel Saito
James Donald … Major Clipton
Geoffrey Horne … Tenente Joyce
André Morell … Coronel Green
Peter Williams … Capitão Reeves
Percy Herbert … Grogan

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Jobson, Cine Players.


QUANDO O CORAÇÃO FLORESCE (Summertime, 1955 – UK, USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  7 November 1955 (UK)

SINOPSE: Jane Hudson é uma mulher solteira que trabalha como secretária em Ohio. Com suas economias, faz uma viagem a Veneza, onde sonha viver um grande romance. Lá conhece Renato Di Rossi (Rossano Brazzi) e se apaixona. Toda sua alegria é abalada quando descobre que ele é casado e pai de família, mas ela decide se reerguer, levar o romance adiante e encarar as conseqüências.

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SOBRE O FILME: Produção anglo-americana indicada a 2 prêmios no Oscar: melhor diretor e melhor atriz, Katharine Hepburn (1907-2003); no BAFTA, foi nomeado a melhor filme e melhor atriz estrangeira. O diretor David Lean (1908-1991) tem nesse o seu filme preferido. Quando a atriz Katharine Hepburn gravou a cena em que cai no canal, um de seus olhos ficou infeccionado. Essa infecção se manteve pelo resto de sua vida. É um filme agradável e gostoso de se ver, bem simples, que tem mais cenas externas do que internas, mostrando, como nunca, a bela cidade de Veneza, tendo a ótima fotografia como um dos destaques. Vale destacar também, a música “Summertime in Venice”, tocada pela orquestra de Mantovani, que fez grande sucesso no mundo todo.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: H.E. Bates (roteiro), David Lean (roteiro), Donald Ogden Stewart (roteiro – não creditado), Arthur Laurents (peça de teatro)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: USA, UK
DURAÇÃO:  1h 42min
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ELENCO PRINCIPAL:
Katharine Hepburn … Jane Hudson
Rossano Brazzi … Renato de Rossi
Isa Miranda … Signora Fiorini
Darren McGavin … Eddie Yaeger
Mari Aldon … Phyl Yaeger
Gaetano Autiero … Mauro
MacDonald Parke … Sr. McIlhenny
Jane Rose … Sra. McIlhenny
Virginia Simeon … Giovanna
Jeremy Spenser … Vito de Rossi
André Morell … Inglês

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Edu M. G., Cine Players.


PAPAI É DO CONTRA (Hobson’s Choice, 1954 – UK, USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  26 February 1954 (UK)

SINOPSE: Um viúvo, Henry Horatio Hobson (Charles Laughton), é dono de uma sapataria, que produz modelos exclusivos e tem uma boa clientela. Há duas razões para o negócio se manter: a primeira é Willie Mossop (John Mills), que apesar de ser analfabetoé um gênio nato para trabalhar com o couro, e a segunda é Maggie Hobson (Brenda De Banzie), a mais velha das filhas de Hobson, que tem um jeito especial para negócios e vende os sapatos ruins que os outros artesãos fabricam. Acontece que Mossop ganha muito pouco e Maggie literalmente não recebe uma libra, apesar de dedicar seus melhores anos ao negócio do seu pai. Henry decide que suas duas filhas mais novas, Alice (Daphne Anderson) e Vicky Hobson (Prunella Scales) precisam casar, mas não pensa o mesmo para Maggie, pois quer ela trabalhando para ele. Além disto a considera “passada”, pois já fez trinta anos. Então Maggie toma uma decisão bem ousada, ao pedir Willie em casamento e propôr que ambos deixem a loja de Horatio e abram um negócio próprio, pois ela tem tino para negócios e ele faz sapatos como ninguém.

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SOBRE O FILME: David Lean era um diretor com temas e personagens à frente de seu tempo. Hobson’s Choice é mais um filme que confirma isso, aqui o patriarca de uma família de três mulheres é o algoz e a caricatura que será o bode expiatório para o deboche cômico e a personagem mais inteligente e forte é uma mulher. O filme funciona principalmente pelo trio de protagonistas, composto por três personagens marcantes e bem interpretados. É uma pena que o longa perca sua força ainda antes do ato final e se torne redundante.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: David Lean (roteiro), Norman Spencer (roteiro), Wynyard Browne (roteiro), Harold Brighouse (peça)
GÊNERO: Comédia, Drama, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 48min
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ELENCO PRINCIPAL:
Charles Laughton … Henry Horatio Hobson
John Mills … Will Mossop
Brenda De Banzie … Maggie
Daphne Anderson … Alice
Prunella Scales … Vicky
Richard Wattis … Albert Prosser
Helen Haye … Sra. Hepworth
Joseph Tomelty … Jim Heeler
Julien Mitchell … Sam Minns
Gibb McLaughlin … Tudsbury
John Laurie … Dr. McFarlane
Philip Stainton … Denton

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Leonardo Vasconcelos, Cine Players.


SEM BARREIRA NO CÉU (The Sound Barrier, 1952 – UK, USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  22 July 1952 (UK)

SINOPSE: Tony é um bem-sucedido piloto durante a Segunda Guerra Mundial que se casa com a herdeira de um magnata da aviação. O sogro de Tony está obcecado em romper a barreira do som com seu novo modelo a jato. As convenientes habilidades do rapaz facilitam a sua aceitação na família da esposa, sendo que ela passa a temer ficar viúva a qualquer momento.

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SOBRE O FILME: Produção inglesa indicada a 2 estatuetas no Oscar: melhor roteiro original e vencendo o de melhor mixagem de som; no BAFTA, mais 5 nomeações: melhor ator britânico, Nigel Patrick (1912-1981), e melhor atriz britânica, Ann Todd (1909-1993), vencendo os de melhor filme britânico, melhor filme de qualquer fonte e melhor ator britânico, Ralph Richardson (1902-1983). Foi o 3° e último filme de David Lean (1908-1991) com sua esposa, Ann Todd. O filme é um melodrama que vale mais pelas boas sequências aéreas.

Este filme foi um sucesso de bilheteria no primeiro lançamento, mas se tornou um dos filmes menos conhecidos do diretor David Lean. Na sequência de Nosso barco, nossa alma (42), o filme é outro dos empreendimentos do cineasta em um gênero de produção cinematográfica onde foram criadas impressões de documentários.

História ficcional de engenheiros aeroespaciais britânicos resolvendo o problema do vôo supersônico. É sobre as tentativas de projetistas de aeronaves e pilotos de teste para quebrar a barreira do som. Nesse tipo de manobras arriscadas e perigosas, dois acidentes fatais acontecem e Susan Garthwaite, após a morte de seu marido piloto, Tony Garthwaite, e de seu irmão, começa a repensar sobre sua vida. Essa situação desesperadora faz com que ela se desentenda com seu pai, John Ridgefield, o maior culpado por insistir nestes testes com seus pilotos, além dela ter de cuidar do filho recém-nascido.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Terence Rattigan
GÊNERO: Guerra, Drama, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 58min
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ELENCO PRINCIPAL:
Ralph Richardson … John Ridgefield
Nigel Patrick … Tony Garthwaite
Ann Todd … Susan Garthwaite
John Justin … Philip Peel
Denholm Elliott … Christopher Ridgefield
Jack Allen … Windy Williams
Ralph Michael … Fletcher
Vincent Holman … Factor

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Edu M.G., Cine Players.


AS CARTAS DE MADELEINE (Madeleine, 1950 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  16 February 1950 (UK)

SINOPSE: Século XIX, os Smith, uma poderosa e rica família de Glasgow, mudam-se para uma casa nova. Uma das filhas, Madeleine, é a menina dos olhos do pai. Ele deseja que sua filha se case com cavalheiro de notável posição, porém o coração de Madeleine pertence a um jovem humilde.

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SOBRE O FILME: Esse filme é baseado numa história real que deve ter causado muita polêmica na época. Cinematograficamente falando, a história acabou descambando para um filme de julgamento, que ficou um tanto enfadonho, a não ser pela excelente interpretação do artista que fez o advogado de defesa de Madeleine, André Morell. Outro ator que esteve muito bem foi Leslie Banks, que fez um duro e tradicional pai. A película também mostrou um excelente início, onde os encontros secretos de Madeleine e Emile eram permeados por um lindo claro/escuro provocado por uma iluminação muito bem pensada. No mais, o filme não tem detalhes mais dignos de atenção, exceto pelo fator de despertar atenção por ser uma curiosidade e uma raridade, já que não temos acesso a essa película tão facilmente. Podemos ainda dizer que o filme faz uma espécie de testemunho da condição da mulher na Escócia do século XIX, pois Madeleine era tratada de forma muito severa pelo pai e por Emile, sendo respeitada apenas por Minnoch, que ficou visto como o trouxa da história. O filme também faz uma crítica nada velada do sistema judicial escocês. 

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Nicholas Phipps (roteiro e diálogos), Stanley Haynes (roteiro)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  114 minutos
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ELENCO PRINCIPAL:

Ann Todd … Madeleine Smith
Norman Wooland … William Minnoch
Ivan Desny … Emile L’Anglier
Leslie Banks … James Smith
Barbara Everest … Srs. Smith
Susan Stranks … Janet Smith
Patricia Raine … Bessie Smith
Elizabeth Sellars … Christina Hackett
John Laurie … Scots Divine
Irene Browne … Sra. Grant
Ivor Barnard … Sr. Murdoch
Eva Bartok … Garota

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Edu M.G., Cine Players.


A HISTÓRIA DE UMA MULHER (The Passionate Friends, 1949 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  26 January 1949 (UK)

SINOPSE: Casal jovem está apaixonado, mas a moça casa-se com um homem mais velho.

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SOBRE O FILME: A História de uma Mulher (1949) remete diretamente a Desencanto (1945), clássico romântico de David Lean produzido poucos anos antes. Além de Trevor Howard interpretar um papel que é praticamente o mesmo – um homem gentil e apaixonado, detentor de uma ingenuidade sempre comovente – a premissa amorosa do filme é muito semelhante ao seu antecessor.

Enquanto que em Desencanto acompanhamos um encontro apaixonado que é condenado a se desenrolar em apenas algumas semanas, A História de uma Mulher relata a paixão de toda uma vida sentenciada a breves interlúdios durante vários anos. Steven e Mary são apaixonados desde a juventude, mas, após o casamento dela, os dois vivem de alguns encontros e desencontros que o filme narra.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: H.G. Wells (novel), Eric Ambler (screenplay), David Lean & Stanley Haynes (adaptation)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 35min
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ELENCO PRINCIPAL:

Ann Todd … Mary Justin
Claude Rains … Howard Justin
Trevor Howard … Professor Steven Stratton
Betty Ann Davies … Miss Joan Layton
Isabel Dean … Pat Stratton
Arthur Howard … Smith – the Butler
Guido Lorraine … Hotel Manager
Marcel Poncin … Hall Porter

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players, Arthur Tuoto.


OLIVER TWIST (Oliver Twist, 1948 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  25 October 1948 (UK)

SINOPSE: Oliver Twist (John Howard Davies) nasceu em um orfanato, sendo que logo após o parto sua mãe morreu. Foi ali que Oliver passou os primeiros anos da sua vida, até que um dia pediu mais comida e por esta razão foi cedido para o Sr. Sowerberry (Gibb McLaughlin), o dono de uma funerária, que também recebeu cinco libras para ficar com o garoto. Na funerária Oliver fica trabalhando como seguidor de féretro em enterros de crianças. Repentinamente chega na funerária uma mulher agonizante, que estava presente quando a mãe de Oliver morreu. Esta mulher ficou de posse de um pertence da falecida e diz que Oliver teria sido melhor tratado se soubessem quem ele era. Logo depois a mulher morre e pouco tempo depois Oliver briga com Noah Claypole (Michael Dear), que trabalhava na funerária e sempre o humilhava. Desta vez Noah falou mal da mãe de Oliver, que acabou levando uma surra injustamente. Oliver foge para Londres, onde acaba se unindo a uma grupo de jovens delinqüentes liderados por Fagin (Alec Guinness), um vigarista que usa as crianças para cometer pequenos roubos. Mas algo acontecerá que mudará sua vida.

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SOBRE O FILME: Nesta versão de 1948 do diretor David Lean (Lawrence of Arabia), que é a segunda adaptação do diretor para os cinemas baseado nas obras de Dickens que inclui em seu elenco nomes como: John Howard Davies (Monty Python’s Flying Circus), Francis L. Sullivan (Joan of Arc) e Henry Stephenson (Marie Antoinette) é considerado pelo British Film Institute (BFI) o 46º na lista dos maiores filmes do país. 

A beleza de todo filme está presente na fotografia, mesmo que a película seja toda transposta em preto e branco, as cenas ficam mais vistosas e é um dos elementos que fortifica mais ainda o enaltecer da tonalidade das emoções transpostas em cada cena. Entre elas podemos citar a cena da cortina em um movimento oscilante provocado pela ventania,que nós manifesta um momento turbulento nos pensamentos do personagem, e também a cena nos momentos finais, onde a multidão cerca a casa e tem apenas um objetivo, salvar o jovem Twist (John Howard Davies), que transpassa as emoções de justiça e um resgate pleno satisfatório.

Em síntese, essa versão de Oliver Twist é de fato um clássico do cinema, e além de ser uma adaptação literária bem produzida. Apenas acrescento que em relação a duração do filme, que no caso é de uma hora e cinquenta e cinco minutos, aparenta uma aceleração por parte de Lean em contar a história, temos cenas muito rápidas, que são compostas de um conteúdo no ato da cena que mereciam ser prolongadas a alguns minutos a mais.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: David Lean (roteiro), Stanley Haynes (roteiro), Charles Dickens (romance)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 56min
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ELENCO PRINCIPAL:

John Howard Davies … Oliver Twist
Alec Guinness … Fagin
Robert Newton … Bill Sikes
Kay Walsh … Nancy
Henry Stephenson … Sr. Brownlow
Francis L. Sullivan … Sr. Bumble
Mary Clare … Sra. Corney
Anthony Newley … Artful Dodger
Ralph Truman … Monks
Kathleen Harrison … Sra. Sowerberry
Gibb McLaughlin … Sr. Sowerberry
Michael Dear … Noah Claypole
Diana Dors … Charlotte
Amy Veness … Sra. Bedwin
Josephine Stuart … Mãe de Oliver
Deidre Doyle … Sra. Thingummy
Frederick Lloyd … Sr. Grimwig
Ivor Barnard … Presidente do Conselho de Correção
Henry Edwards … Policial
W.G. Fay … Vendedor de livros

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players, Reserva Cinéfila/Gabriel Valeriano


GRANDES ESPERANÇAS (Great Expectations, 1946 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  16 December 1946 (UK)

SINOPSE: Uma criança de família humilde do interior passa a conviver com uma senhora amargurada pela perda do amor. Quando cresce, recebe de um patrocinador misterioso uma chance para viver na agitada Londres.

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SOBRE O FILME: Modernização do clássico de Charles Dickens, sobre um jovem artista órfão que se apaixona por uma linda mulher.

Ainda antes de fazer uma das adaptações mais famosas de ‘Oliver Twist’, David Lean transpunha para as telas outra obra clássica do escritor Charles Dickens – ‘Grandes Esperanças’. Esta versão de Lean tem seus pontos fortes na direção costumeiramente impecável do cineasta, no seu bom uso de ângulos, sombras e profundidade, mas principalmente no design de produção que cria a Mansão de Miss Havisham como um cenário digno de filme de terror. Dito isso, devo ressaltar que a trama – deveras recheada de outras subtramas, um problema que vem do livro, não do filme – não engata, e o romance principal (o que deveria ser o elemento-chave do filme) é trabalhado parcamente, não conquistando a empatia do espectador. Apesar de reconhecer a superioridade estética dessa versão de Lean, em termos de dinamismo e imersão prefiro a adaptação/releitura feita por Cuarón em 1998 – apesar de também achá-la apenas mediana.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: David Lean (roteiro), Anthony Havelock-Allan (roteiro), Cecil McGivern (roteiro), Ronald Neame (roteiro), Kay Walsh (roteiro), Charles Dickens (romance)
GÊNERO: Aventura, Drama
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 58min
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ELENCO PRINCIPAL:

John Mills … Pip (adulto)
Tony Wager … Pip (garoto)
Valerie Hobson … Estella (adulta) / Molly
Jean Simmons … Estella (garota)
Alec Guinness … Herbert Pocket
Finlay Currie … Abel Magwitch
Martita Hunt … Srta. Havisham
Francis L. Sullivan … Sr. Jaggers
Bernard Miles … Joe Gargery
Freda Jackson … Sra. Joe
Eileen Erskine … Biddy
George Hayes … O outro condenado
Torin Thatcher … Bentley Drummle
Ivor Barnard … Sr. Wemmick
O.B. Clarence … Pai de Wemmick
Hay Petrie … Tio Pumblechook
John Forrest … Herbert Pocket (garoto)
Everley Gregg … Sarah Pockett
John Burch … Sr. Wopsle
Grace Denbigh Russell … Sra. Wopsle

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Thiago Vianna, Cine Players.


DESENCANTO (Brief Encounter, 1945 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  26 November 1945 (UK)

SINOPSE: Laura (Celia Johnson) e Alec (Trevor Howard) se conhecem por acaso em uma estação de trem, quando ele remove um cisco do olho dela. Ele é um médico, ela é uma dona de casa. Ambos são de classe média, têm meia-idade e são razoavelmente felizes em seus casamentos. Em pouco tempo passam a se encontrar todas as quintas-feiras, mas apenas como bons amigos. Gradativamente surge uma paixão mútua e eles continuam a se encontrar regularmente, apesar de saberem que este amor é impossível.

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SOBRE O FILME: Foi inevitável comparar Desencanto com o outro grande filme de romance dos anos 40: Casablanca. E apesar da qualidade da obra britânica, prefiro a americana por nos apresentar o casal de protagonista após terem vivido o ápice de seus sentimentos, deixando a imaginação de cada um como este momento seria.No filme de David Lean ao apresentar o desenrolar do relacionamento do início ao fim ele tenta o quase impossível, competir com a imaginação humana. Mesmo assim, é um grande filme, que também não fica a altura do mais famoso trabalho de Lean, Lawrence da Arábia.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: David Lean (roteiro), Anthony Havelock-Allan (roteiro), Ronald Neame (roteiro), Noel Coward (peça teatral)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 26min
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ELENCO PRINCIPAL:

Celia Johnson … Laura Jesson
Trevor Howard … Dr. Alec Harvey
Cyril Raymond … Fred Jesson
Joyce Carey … Myrtle Bagot
Stanley Holloway … Albert Godby
Everley Gregg … Dolly Messiter
Marjorie Mars … Mary Norton
Nuna Davey … Herminie Rolandson
Valentine Dyall … Stephen Lynn
Margaret Barton … Beryl Walters

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Pedro Orcino, Cine Players.


UMA MULHER DO OUTRO MUNDO (Blithe Spirit, 1945 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  14 May 1945 (UK)

SINOPSE: Depois de uma sessão de espiritismo com a estranha Madame Arcati, o escritor Charles Condomine (Rex Harrison) é atormentado pela visão de sua ex-mulher Elvira (Kay Hammond). No entanto, sua atual esposa, Ruth (Constance Cummings) se recusa a acreditar nele.

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SOBRE O FILME: É inevitável a comparação com “The Ghost and Mrs. Muir”, de 1947, com o mesmo Rex Harrison. Neste filme do David Lean, a comédia é mais presente e toda a abordagem é mais leve, criando-se momentos muito divertidos. E, no critério diversão, os destaque aqui é a Margaret Rutherford, ela rouba todas as cenas em que aparece. No fim das contas, o filme do Mankiewicz é superior porque dosa melhor a comédia com momentos de relevante drama, o que dá maior densidade à narrativa (estou simplificando, obviamente).

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: David Lean (adaptação), Ronald Neame (adaptação), Anthony Havelock-Allan (adaptação), Noel Coward (roteiro)
GÊNERO: Comédia, Drama, Fantasia, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 36min
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ELENCO PRINCIPAL:

Rex Harrison … Charles Condomine
Constance Cummings … Ruth Condomine
Kay Hammond … Elvira Condomine
Margaret Rutherford … Madame Arcati
Hugh Wakefield … Dr. George Bradman
Joyce Carey … Violet Brandman
Noel Coward … Narrador (voz)

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow/Daniel Ferreira, Cine Players.


ESTE POVO ALEGRE (This Happy Breed , 1944 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  7 August 1944 (UK)

SINOPSE: Após a Primeira Guerra Mundial, uma família da classe operária se muda para uma nova casa em Clapham, no subúrbio. Ao lado deles mora Bob Mitchell (Stanley Holloway), que, juntamente com o pai da família, Frank Gibbons (Robert Newton), serviu ao exército no combate. Até a emergência da Segunda Guerra, o cotidiano dos Gibbons compõe uma variação de sucessos e infelicidades.

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SOBRE O FILME: O cineasta britânico David Lean é mais lembrado hoje pelos épicos que dirigiu. Filmes como A Ponte do Rio KwaiLawrence da Arábia e Doutor Jivago, para citar apenas três, são realmente grandiosos e inesquecíveis. No entanto, até mesmo quando dirigiu filmes menores e mais intimistas, Lean já era grande. É o caso de Este Povo Alegre, seu segundo longa realizado em 1944. O roteiro, adaptado pelo próprio diretor, junto com o fotógrafo Ronald Neame e Anthony Havelock-Allan, tem por base a peça do dramaturgo Noël Coward. A ação se passa ao longo de 20 anos, entre o final da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. Acompanhamos a rotina da família Gibbons e de outras pessoas que orbitam ao redor dela. Alegrias e tristezas; sucessos e fracassos; vitórias e derrotas; satisfações e frustrações. Ou seja, a vida! Pulsante e cheia de coisas boas e ruins; de altos e baixos. Tudo filtrado pelo olhar sensível e humanista de Lean, que aliado à força do texto de Coward, resulta em um dos mais belos melodramas de guerra de toda a História do Cinema. Para ver, rever e rever e se emocionar. Sempre.

DIREÇÃO: David Lean
ROTEIRO: Noel Coward, David Lean, Ronald Neame, Anthony Havelock-Allan
GÊNERO: Comédia, Drama
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 55min
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ELENCO PRINCIPAL:

Robert Newton … Frank Gibbons
Celia Johnson … Ethel Gibbons
Alison Leggatt … Tia Sylvia
Stanley Holloway … Bob Mitchell
John Mills … Billy Mitchell
Kay Walsh … Queenie Gibbons
John Blythe … Reg Gibbons
Eileen Erskine … Vi

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players, Cinemarden/Marden Machado.


NOSSO BARCO, NOSSA ALMA (In Which We Serve , 1942 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento:  17 September 1942 (UK)

SINOPSE: Análise psicológica dos sentimentos e reações de um grupo de náufragos enquanto esperam pelo resgate que talvez não chegue a tempo.

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SOBRE O FILME: Este foi o segundo filme de David Lean (1908-91) como realizador, mas o primeiro creditado, depois de uma longa e importante carreira como montador (ele havia assinado “Major Barbara” junto com Harold French e o produtor Gabriel Pascal).

Noël Coward era amigo do Lorde Louis Mountbatten, que foi o capitão do Destroyer HMS Kelly, do começo da Segunda Guerra até quando naufragou em ação, em maio de 1941. Coward escreveu o roteiro baseando-se nas experiências do amigo.

Mas o projeto também tomou forma porque era muito amigo do Primeiro Ministro Winston Churchill, e queria também ajudar no esforço de guerra (a Inglaterra lutaria sozinha contra os nazistas). E as comédias leves que escreviam estavam ficando fora de moda.

Noël Coward estava nervoso diante da possibilidade de dirigir e pediu ao seu amigo Mills que recomendasse quem o poderia ajudar e esse indicou Lean, que era o melhor montador do país. Mills teve o seu papel especialmente escrito para ele e colocou a filha de um ano, Juliet como o bebê que nasce durante o ataque aéreo.

Antes do meio da filmagem, Coward percebeu que Lean era mais competente do que ele e não se incomodava com o trabalho e as horas tardias e praticamente deixou tudo na mão do parceiro. Mas houve tragédias no set, como uma explosão fora de hora que matou o eletricista chefe. Marinheiros de verdade foram usados como figurantes.

Estréia de Celia Johnson (que tem uma cena de brinde feita em um único take e que depois estrelaria “Desencanto” para Lean). Estruturado em flashbacks, mostrando as lembranças dos tripulantes de um navio de guerra afundado, à deriva em um bote em alto-mar, é uma sucessão de episódios breves e simples, sempre sensíveis e humanos, mostrando os acontecimentos da vida civil deles.

Namoros, casamentos, nascimentos de filhos, festas de Natal, os entes queridos em casa temendo pelas vidas deles (mas também sendo mortos nos bombardeios alemães). No Brasil, é conhecido também como “Nosso Barco, Nossa Vida”. A censura americana criou problemas eliminando a palavra bastard mas teve que engolir God, hell e damn.

DIREÇÃO: David Lean, Noel Coward
ROTEIRO: Noel Coward
GÊNERO: Drama, Guerra
ORIGEM: UK
DURAÇÃO:  1h 55min
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ELENCO PRINCIPAL:

Noel Coward … Capitão E. V. Kinross R.N.
John Mills … Marinheiro Shorty Blake
Bernard Miles … Oficial Walter Hardy
Celia Johnson … Sra. Alix Kinross
Daniel Massey … Bobby Kinross
Ann Stephens … Lavinia Kinross
Joyce Carey … Sra. Kath Hardy
Kay Walsh … Freda Lewis
Kathleen Harrison … Sra. Blake
George Carney … Sr. Blake

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players, CinemaUOL/Rubens E. Filho.


CULT COLLECTORS | Ser Cult É Ser Colecionador!!!

2 comentários

  1. Agradeço a extrema generosidade da postagem da filmografia completa com excelente qualidade de imagem, de legendas e de comentários. Na minha memória, eu equivocadamente relacionava David Lean apenas aos filmes épicos contados sob a perspectiva masculina e, consequentemente, tinha perdido a amplitude do imenso talento do diretor que inclui também comédias, a sua parceria com Noel Coward e filmes mais intimistas com o ponto de vista feminino. A sua postagem possibilita um ótimo aproveitamento do livro que estou lendo: “Beyond the Epic: The Life and Films of David Lean do Gene Phillips.

    Sei que este tipo de postagem é muito trabalhosa, mas, se houver material e oportunidade no futuro, sugiro algo semelhante com o Preston Sturges que tem filmografia pequena e com o Lubitsch (os filmes sonoros raros no Brasil como Angel, One Hour With You, That Uncertain Feeling e The Merry Widow).

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