Da Terra Nascem os Homens (1958)

SINOPSE: Duas famílias de fazendeiros texanos, lutam durante anos pela posse de um sítio pequeno, de onde vem água necessária a seus rebanhos e plantações. A personagem principal é a Terra e, como pano de fundo os grandes latifúndios do Texas, motivo pelo qual este primoroso filme foi fotografado em tela larga, pelo processo Technirama. Faroeste de alto nível, dirigido pela mão segura de Wyler, com elenco vigoroso, trilha sonora e música excepcional de Jerome Moross. Oscar de coadjuvante para Burl Ives.

SOBRE O FILME: 

Da Terra Nascem os Homens foi o último e melhor western que William Wyler dirigiu. Até esse momento de sua carreira, ele tinha apenas dois importantes filmes do gênero no currículo, O Galante Aventureiro (1940) e Sublime Tentação (1956), que, embora não fossem seus únicos westerns, eram os mais maduros; o primeiro, vencedor de um Oscar e indicado para outras duas categorias; e o segundo, nomeado para seis Oscars e vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 1957.

Lançado em outubro de 1958, Da Terra Nascem os Homens teve uma conturbada produção. A película foi produzida por Gregory Peck e William Wyler, que também acumulavam o cargo de ator protagonista e diretor do filme, papéis que se confundiram e culminaram em uma briga entre os dois artistas. O resultado? Bem, eles ficaram sem se falar até o final das filmagens.

Wyler se vale de grandes planos abertos gravados no Red Rock Canyon State Park que casam à perfeição com à trilha sonora de Jerome Moross, sem exagero algum, uma das melhores do gênero em toda sua história. Ela confere tons épicos à uma história que versa sobre a ocupação de espaços, e aproveita para colocar o homem (Peck, Heston ou qualquer dos personagens) como seres pequenos em comparação ao objeto de disputa (justamente o “grande território” do título original), ao mesmo tempo que traz a habitual importância da questão familiar ligada ao território, um tema muito semelhante ao que George Stevens já demonstrara poucos anos antes em “Assim Caminha a Humanidade” (são filmes, de certa maneira, semelhantes em vários aspectos). Dentro desse contexto, a sensação de que certos blocos narrativos parecem mal distribuídos se esvai quando o olhar se distancia para tudo o que o filme representa. No fim, permanece a lembrança dos grandes rebanhos e dos imensos espaços em que se desenvolve a mais clássica das disputas do gênero: a posse da terra.

Com a maravilhosa partitura de Jerome Moross (que brinca com a ideia de ‘tema e variações’ mas insere uma série de outras peças interessantes no decorrer do filme) e a direção segura de William Wyler, Da Terra Nascem os Homens consegue segurar o espectador na cadeira e em constante estado de atenção do início ao fim do filme. As várias nuances dramáticas trabalhadas na composição das personagens, as notáveis atuações e a forma como o roteiro evita os clichês do western – trazendo até longos períodos de silêncio para a história e evitando a verborragia –, fazem deste longa uma grande experiência, um filme que questiona e problematiza valores clássicos em um ambiente em transformação, uma escolha que nos mostra também a correta colocação histórica da fita na linha do tempo do faroeste. Em um período de variações, transformações e cansaço do gênero, William Wyler trouxe ao mundo uma verdadeira obra-prima capaz de dar alento de dignidade a mais esse final de fase do western. Um alento que muito provavelmente ganhará colocação bastante alta nas listas pessoais de melhores westerns de todos os tempos.

O director William Wyler com o elenco de THE BIG COUNTRY: Alfonso Bedoya, Charles Bickford, Jean Simmons, Charlton Heston, Carroll Baker, Gregory Peck, Burl Ives e Chuck Connors.

ELENCO: Gregory Peck, Jean Simmons, Carroll Baker, Charlton Heston, Burl Ives, Charles Bickford, Alfonso Bedoya, Chuck Connors, Chuck Hayward, Buff Brady, Jim Burk, Dorothy Adams
DIREÇÃO: William Wyler
DURAÇÃO: 165 minutos
Áudio: Inglês
Legenda: Português


Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Plano Crítico/Luiz Santiago, Revista Moviement/Fábio Luis Rockenbach.

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