OS ATORES NEGROS NO CINEMA AMERICANO

Os primeiros atores “negros” no Cinema americano não eram negros mas brancos com o rosto pintado de preto, prática oriunda do teatro, onde vinha sendo tradicionalmente mantida desde os tempos da escravatura. Durante grande parte do período silencioso, sempre que surgia num filme certo personagem negro mais destacado no enredo, contratava-se um ator branco para interpretá-lo, escurecendo-se sua face com cortiça queimada. Os negros eram apresentados como seres física e mentalmente inferiores, estúpidos, preguiçosos ou como selvagens bestiais, tal como ocorreu, por exemplo, em O Nascimento de Uma Nação/The Birth of a Nation/1916, de David W. Griffith, no qual o branco Walter Long assumiu os traços do mulato renegado Gus, que tentava violentar a jovem Cameron com conseqüências trágicas.

0 primeiro ator negro de verdade a aparecer nas telas foi Sam Lucas, na quarta versão de A CABANA DO PAI TOMÁS (Uncle Tom’s Cabin), dirigida por William Robert Daly, em 1914. Mais tarde, em 1927, quando a Universal refilmou o romance de Harriet-Beecher Stowe, outro escuro autêntico, James B. Lowe, recebeu o encargo de viver o papel-título e personificou tão bem o Pai Tomás que o estúdio enviou-o à Inglaterra para promover a fita. Antes de Lowe, porém, surgiram alguns artistas negros infantis, como Sunshine Sammy, que se revelou nas comédiass de Harold Lloyd e tinha a incrível capacidade de arregalar os olhos, até ficarem do tamanho de uma bola de pingue-pongue. Entusiasmado com o garotinho, o produtor Hal Roach aproveitou-o, e depois substituiu-o sucessivamente por outros escurinhos — Farina, Stymie Beard, Buckwheat e Cotton na série Os Peraltas/Our Gang, produzida de 1922 a 1944 e reprisada em parte na televisão como Os Batutinhas/The Little Rascals.

William Dyer, Margarita Fischer, Carla Laemmle, George Siegmann, e Mildred Washington em Uncle Tom’s Cabin (1927).

Nos meados dos anos 20, alarmada com os protestos de organizações de direitos civis, Hollywood passou a inserir cada vez mais atores negros genuínos nos elencos de seus filmes, e Carolynne Snowden e Noble Johnson estavam entre os que obtiveram pequenos papéis em Os Dez Mandamentos/The Ten Commandments/1923, O Ladrão de Bagdad/The Thief of Bagdad/1924, Pequeno Robinson Crusoe/Little Robinson Crusoe/1924, Marinheiro por Descuido/The Navigator/1924, O Primeiro Ano/The First Year/1926, O Rei dos Reis/King of Kings/1927, Gratidão de Filho/In Old Kentucky/1927 e Topsy e Eva/Topsy and Eva/1927. Neste último, Johnson revivia a figura do Pai Tomás, mas quem fazia a pretinha Topsy era uma atriz branca, Rosetta Duncan, enquanto a irmã desta, Vivian, aparecia como a heroína de pele clara, Eva.

Somente com o advento do som começou a morrer a “tradição do ator de rosto pintado”, embora, por ironia, o filme que lançou os taikies, O Cantor de Jazz/The jazz Singer/1927, mostrasse Al Jolson cantando com as feições lambuzadas de graxa.

Em 1929, a Fox e a MGM realizaram dois espetáculos com elenco todo de negros: Heart in Dixie e Aleluia/Hallelujah. HEARTS IN DIXIE (foto abaixo), foi o segundo filme com all-black cast (o primeiro havia sido Darktown Jubilee/1914), mas pouco contribuiu para mudar as imagens estereotipadas do negro na tela. Nele, Stepin Fetchit era a própria encarnação do negro irresponsável que sabia o seu lugar, adorava o seu amo e arreganhava os lábios alegremente quando recebia um pontapé no traseiro como recompensa por sua indolência. Alto, magro, quase sempre de cabeça raspada, ele forçava um gaguejar debilóide e um jeito de andar arrastando os pés que durante anos fizeram muita gente pensar que realmente seria meio apalermado e incapaz de correr. Acusado pelos jornalistas negros de ter traído sua raça, popularizando o tipo do “bom negro”, submisso e idiota, Fetchit respondeu: “Eu só estou tentando ganhar a vida”. Contracenando com ele: em Heart in Dixie, estava Clarence Muse, outro ator negro que conseguiu bastante cartaz com o protótipo do criado negro dócil, porém de temperamento mais sério e acanhado. Dizem que Muse tentou fazer alguma coisa para modificar o tratamento dado aos personagens negros nos scripts, mas seus esforços foram em vão.

ALELUIA (foto do topo), um clássico do Cinema, dirigido por King Vidor, apesar de seu valor pictórico e expressivo uso do som, deu-nos um retrato idealizado da vida dos negros, conservando os clichês usuais. Entretanto, nele desponteu uma jovem e eletrizante atriz “cor de canela” de 17 anos: Nina Mae McKinney, Como Chick, a dançarina de cabaré causadora da degradação do ingênuo plantador de algodão, Zake (Daniel L. Haines ), ela foi aclamada a primeira “black love goddess” do Cinema e a sua maneira arrogante de botar as mãos na cintura e gingar o corpo sensualmente teria muitas imitadoras no futuro.

A década de 30, em quase todos os filmes, desde comédias leves como Aconteceu Naquela Noite/It Happened one Night/1934 ou Suprema Conquista/ /Twentieth Century/1934 a superproduções como …E o Vento Levou/Gone with the Wind/1939, um coadjuvante negro irrompia invariavelmente como mordomo, ascensorista, chefe de trem, engraxate ou qualquer espécie de lacaio. Além de Stepin Fetchit (Apostando no Amor/David Harum/1934, Judge Priest/1934, Steamboat Round the Bend/1935, etc.), e Clarence Muse (Mocidade Feliz/Huckleberry Finn/1931, A Vitória Será Tua/Broadway Bill/ 1934, Magnolia/Show Boat/1936, Terra Abençoada/Way Down South/1939, etc.), outros nomes importantes merecem citação, como Louise Beavers, Gertrude Howard e Libby Taylor, que, em diversos filmes de Mae West, usando vestidos feitos de retalhos e lenços vistosos amarrados na cabeça, escutavam as confidências da irreverente patroa e cumpriam fielmente suas excêntricas ordens, tal como aquela famosa: “Beulah, peel me a grape” (Beulah, descasque-me uma uva). Beulah era Gertrude Howard em Santa Não Sou/I’m no Angel/1933.

Destas três, Louise Beavers atingiu maior fama, principalmente graças ao seu desempenho como tia Delilah no filme IMITAÇÃO DA VIDA (Imitation of Life, 1934 / Assistam ao filme online abaixo), o conhecido dramalhão de Fanny Hurst, transformado em imagens por um mestre no gênero, John M. Stahl. Robusta, com uma pele marrom-choco-late, lisa como veludo, e olhos bem grandes, esta típica cozinheira negra da tela, na vida real não chegava nem perto do fogão, e o estúdio teve que contratar alguém para fazer aquelas panquecas para Claudette Colbert. Em cena, Louise só fingia que cozinhava.

Shirley Temple também tinha sempre um amigo ou amiga negro trabalhando em sua casa, nos filmes. A bonequinha de cabelos encaracolados relacionou-se muito bem com Bill “Bojangles” Robinson e quando os dois dançaram juntos o tap dance em A Mascote do Regimento/The Little Colonel/1935, o público delirou. Fred Astaire considerava Robinson o melhor dançarino de todos os tempos, e chegou a homenageá-lo no antológico número musical, “Bojangles of Harlem” em Ritmo Louco/Swing time/1936, de George Stevens. Outro companheiro negro de Shirley, Willie Best, repetia o tipo de Fetchit, e arrancava muitas risadas da platéia com seu semblante aterrorizado ou sonambúlico. Robinson e Best funcionaram juntos, apoiando Shirley, em PEQUENA REBELDE (The Littlest Rebel, 1935), um dos maiores êxitos da pequenina estrela.

Em 1936, estreou outro espetáculo só com atores negros, MAIS PRÓXIMO DO CÉU (The Green Pastures), dirigido por Marc Conelly, autor da peça original, e William Keighley. O filme caricaturizava a Bíblia e o Paraíso, sob a ótica dos pregadores negros e, além de seu pitoresco exotismo e saborosos diálogos, serviu para lançar Rex Ingram, que se tornaria inesquecível como os gigantescos gênios de O Ladrão de Bagdad/The Thief of Bagdad/1940 e Aladin e a Lâmpada Maravilhosa/A Thousand and One Nights/1948, duas memoráveis fantasias cinematográficas.

Oscar Polk em The Green Pastures (1936).

Ingram é freqüentemente comparado a Paul Robeson, porém este possuía maior talento artístico. Após formar-se em Direito e se distinguir como craque de futebol americano e barítono, Robeson brilhou nos palcos como ator, mas, quando se associou ao Partido Comunista, as portas se fecharam e ele teve que filmar na Inglaterra produções como Bozambo/Sanders of the River/1935, na qual atuou ao lado de Nina Mae McKinney . Todavia, fez nos Estados Unidos sua melhor fita, O Imperador Jones/The Emperor Jones/1933, baseado na obra de Eugene O’Neill, que pretendia, lidando com o conceito do inconsciente coletivo de Jung, captar a essência das atribulações cotidianas dos negros. Em MAGNÓLIA (Show Boat, 1936), ele obteve também ótima receptividade do público e da crítica, interpretando maravilhosamente “Ol’ Man River” e “Ah Still Suits Me”, sendo acompanhado nesta última canção por Hattie McDaniel.

Irene Dunne, Hattie McDaniel, Helen Morgan, e Paul Robeson em Show Boat (1936).

Hattie, a celebérrima mãe preta de …E o Vento Levou, dizia coisas que nenhuma outra “criada do cinema” ousava dizer. Com sua voz estrondosa, proporcional ao seu físico maciço, despejava insolências e grunhidos monossilábicos sem a menor temeridade e, com este novo estilo, conseguia roubar todas as cenas nas quais intervinha, como aconteceu no filme de Selznick, em A Mulher Que Soube Amar/Alice Adams/1935, Saratoga/Saratoga/1937, Magnolia/Show Boat/1936, Quando Elas Temiam/The Mad Miss Manton/1938, etc. Quando recebeu o Oscar como melhor coadjuvante em 1939, Hattie disse aos repórteres : “Nós não temos escolha: ou somos empregadas ganhando 7 dólares por semana ou fazemos o papel delas por 700 mil”.

Hattie McDaniel recebe Oscar de melhor atriz coadjuvante por “…E o Vento Levou”.

Outros artistas coloreds de certo prestígio nos anos 30: Manton Moreland (mais conhecido na série Charlie Chan), Eddie “Rochester” Anderson (habitual partner de Jack Benny), Fredi Washington (a Peola em Imitação da Vida), Butterfly McQueen (a Prissy em …E o Vento Levou), Clinton Rosemund, Lillian Yarbo, Everett Brown, Frank Wilson, Theresa Harris, Jennie Le Gon, Oscar Polk, Lionel Hampton, Lorenzo Tucker, Bee Freman, Slick Chester, Ethel Moses, Herb Jeffries, Ralph Cooper e Louis Armstrong, um dos negros entertainers que já vinham sendo aproveitados por Hollywood e que, na década de 40, iriam predominar na tela.

Em 1942/43, dois importantes musicais, UMA CABANA NO CÉU (Cabin in the Sky / Assistam ao filme online abaixo ) e TEMPESTADE DE RITMOS (Stormy Weather / Assistam ao filme online abaixo) reuniram elencos só de negros, entre os quais vários entertainers — Lena Horne, apelidada de “a Hedy Lamarr café-com-leite”, sem dúvida uma das mais belas mulatas do cinema; Duke Ellington, Ethel Waters, Fats Waller, Cab Calloway, Dooley Wilson (o Sam do piano em Casablanca) e os sensacionais Nicholas Brothers, enquanto, noutros filmes, Hazel Scott, Count Basie, Lester Young, The Mills Brothers, Ben Carter, Marie Bryant, Avon Long, June Richmond e a inimitável Billie Holiday mostravam a competência.

Além desses artistas de musicais, podem ser lembrados outros intérpretes negros que receberam bons papéis em fitas variadas: Leigh Wipper em Consciências Mortas/The Ox-Bow Incident/1944, Ernest Anderson em Nascida Para o Mal/In This Our Life/1942, Kenneth Spencer em Patrulha de Bataan/Bataan/1943, Kenny Washington em Débil é a Carne/Foxes of Harrow/1947, Donald Thompson em The Quiet One/1948, James Baskette em Canção do Sul/Song of the South/1946 e o esplêndido Canada Lee em Um Barco e Nove Destinos/Lifeboat/1943 e Corpo e Alma /Body and Soul/1947.

Após a Segunda Guerra Mundial, o público queria ver filmes que abordassem os problemas sociais e políticos com realismo, particularmente a questão racial, e os atores e atrizes negros adquiriram uma nova dignidade, interpretando seres humanos com os quais os espectadores brancos também podiam se identificar. Entre os artistas que alcançaram maior proeminência nesta fase estavam James Edwards, Juano Hernandez e Ethel Waters, distinguindo-se respectivamente nos papéis do soldado Peter Moss em Clamor Humano/Home of the Brave/1949, do velho Beauchamp em o Mundo Não Perdoa/Intruder in the Dust/1949 e da lavadeira Granny em O Que a Carne Herda/Pinky/1949. Ethel continuaria a ocupar lugar de primeiro plano, nos anos 50, por seu notável trabalho em CRUEL DESENGANO (Member of the Wedding, 1952), porém os grandes astros foram Dorothy Dandridge, Harry Belafonte e Sidney Poitier.

The Member of the Wedding (1952) dirigido por Fred Zinnemann. Vemos na foto: Brandon De Wilde, James Edwards, Ethel Waters, Harry Bolden.

Bela como Lena Horne e sensual como Nina Mae McKinney, Dorothy Dandridge compôs a mulata trágica definitiva, notadamente em CARMEN JONES (Carmen Jones, 1954 / Assistam ao filme online abaixo), num brilhante desempenho que lhe valeu uma indicação para o Oscar. Em Ilha nos Trópicos/Island in the Sun/1957 causou escândalo seu amor miscigenético com John Justin e, fora das telas, sua vida pessoal atribulada levou-a ao alcoolismo e às drogas, falecendo aos 41 anos de idade. Harry Belafonte, considerado um dos mais belos homens negros do Cinema, também namorou uma branca (Joan Fontaine) na fita de Robert Rossen e foi o par de Dorothy Dandridge em Carmen Jones, mas seu melhor desempenho deu-se em Homens em Fúria/Odds Against Tontorrow/1959, excitante policial com mensagem antiracista.

Sidney Poitier indubitavelmente sobressaiu mais do que Dandridge e Belafonte, e atravessou a década trabalhando com regularidade em O Ódio é Cego/No Way Out/1950, Sementes de Violência/The Blackboard Jungle/1955, Sangue Sobre a Terra/Something of Value/1957, Acorrentados/The Defiant Ones/1958, Porgy e Bess/Porgy and Bess/1959, tornando-se um verdadeiro superstar. Ele encarnava o herói integracionista por excelência. Em todos os seus filmes, fazia personagens inteligentes e refinados que nunca agiam impulsivamente nem constituíam uma ameaça para o Sistema. Em suma, o negro ideal para ser recebido para jantar na casa de um liberal branco. Por outro lado, era o modelo dos valores e virtudes da classe média negra e assim agradava tanto aos espectadores brancos como aos de sua raça. Nos anos 60 consolidaria sua fama com o Oscar por Uma Voz nas Sombras/Lillies of the Fields/1963 e pela atuação marcante em NO CALOR DA NOITE (In the Heat of the Night, 1967 / Assista online abaixo), atingindo, em 1968, o primeiro lugar na lista das maiores atrações de bilheteria.

Embora o trio Dandridge-Belafonte-Poitier tivesse estrelado os filmes mais importantes, outros atores (e não-atores) apareceram em produções de níveis diversos, como William Marshall, Coley Wallace, Juanita Moore, o escritor Richard Wright, os cantores Nat King Cole, Pearl Bailey, Eartha Kitt, Ella Fitzgerald e os atletas Jackie Robinson, Jersey “Joe” Walcott, Althea Gibson e Woody Strode. Strode se firmaria como um dos melhores em Audazes e Malditos/Sergeant Rutledge/1960, Spartacus/Spartacus/1960, o Homem Que Matou o Facínora/The Man Who Shot Liberty Valance/1962 e OS PROFISSIONAIS (The Professionals, 1966 / Assistam online abaixo).

Os turbulentos anos 60 e 70, quando o ódio e a violência tomaram conta das ruas e das telas, foram uma época de grandes mudanças para os negros. Em 1960, eles estavam reivindicando os seus direitos pacificamente, mas, a partir do final da década, passaram a exigi-los através de seus militantes, e o black-power emergiu furiosamente, espantando a sociedade americana. Os filmes refletiram ,essa realidade, apresentando um mundo até então ignorado de opressão, de desespero e de raiva e, aos poucos, começaram também a aparecer produtores, roteiristas e diretores negros que, visando explorar o amplo mercado composto pela população negra, providenciaram enredos e personagens mais consistentes e relacionados com suas próprias experiências étnicas.

Em filmes de brancos ou em autênticas black-pictures, foram vistos, nesse período, além de Sidney Poitier, sempre em evidência: Jim Brown, ex-jogador de futebol americano (na cama, com Raquel Welch em 100 Rifles/100 Rifles/1969 e, mais tarde, em Slaughter, o Homem Inesquecível/1972; Richard Roudtree no policial SHAFT (Shaft, 1971 / Assistam online abaixo), que teve várias continuações; Brock Peters e Ruby Dee, ameaçados por delinquentes no metrô, em O Incidente/The Incident/1967; Ossie Davis como o escravo atrevido de Burt Lancaster em Revanche Selvagem/The Scalphunters/1968; Raymond St. Jacques, ativo no Haiti, em Os Farsantes/The Comedians/1968 e depois em O Poder Negro/Upfight/1969 e Caminho do Patíbulo/If He Hollers, Let Him Go/1968; Sammy Davis Jr., no musical de Bob Fosse Charity, Meu Amor/Sweet Charity/1969 e com Sinatra e seu clã em Doze Homens e um Segredo/Ocean’s Eleven/1960; Lola Falana e Roscoe Lee Browne, vítimas do racismo em A Libertação de Lord Byron Jones/The Liberation of L.B.Jones/1969.

Cecily Tyson e Paul Winfield, ambos candidatos ao Oscar por suas magníficas atuações em LÁGRIMAS DE ESPERANÇA (Sounder, 1972 / Assistam ao filme online abaixo), drama sentimental sobre as desiluções e esperanças de uma família negra no sul dos Estados Unidos, durante a depressão; Yaphet Kotto, ao lado de Anthony Quinn, em A Máfia Não Perdoa/Across 110th Street/1972; Diana Ross, indicada para a estatueta da Academia por reviver com perfeição a cantora Billie Holiday, em O Ocaso de uma Estrela/Lady Sings the Blues/1972; Fred Williamson no western A Lenda do Negro Charley/The Legend of Nigger Charley/1972; Tamara Dobson em Cleopatra Jones/Cleopatra Jones/1975 e Jim Kelly em Jones, o Faixa-Preta/Black Belt Jones/1973, como agentes secretos distribuindo golpes de caratê; Ben Vereen impulsionando a dança em Funny Lady/Funny Lady/1975 e O Show Deve Continuar/All That Jazz/1979; Cleaver Little na paródia de Mel Brooks, Banzé no Oeste/Blazing Saddles/1973; Godfrey Cambridge nas comédias satíricas Rififi no Harlem/Cotton Comes do Harlem/1970 e A Noite em Que o Sol Brilhou/Watermelon Man/1970; James Earl Jones, apontado para o Oscar por seu desempenho como o primeiro campeão mundial de boxe negro, em A Grande Esperança Branca/Th Great White Hope/1970.

Bea Richards, incluída nas Oscars nominations por seu trabalho em ADIVINHE QUEM VEM PARA JANTAR (Guess Who’s Coming to Dinner, 1967); Robert Hooks em O Incerto Amanhã/Hurry Sundown/1967 e O Terrível Mr. T/Trouble Man/1972; Al Freeman Jr. em Com os Minutos Contados/The Lost Man/1969; Thalmus Rasulala em Os Perigosos/Hickey and Boggs/1973; Ken Norton em Mandingo/Mandingo/1975 e, ainda, Billy Dee Williams, Redd Fox, Calvin Lockhart, Melvin Van Peebles, Georg Stanford Brown, O. J. Simpson, Vonetta McGee, Abbey Lincoln, Ivan Dixon, Antonio Fargas, Lawrence Cook, Johnny Nash, LeVar Burton, Brenda Sykes, John Amos, Bernie Hamilton, Rafer Johnson, Scatman Crothers, Gloria Foster, Rosalind Cash, etc., o que basta para dar uma ideia da força do talento negro das telas.

Sidney Poitier, Roy Glenn, Katharine Houghton, e Beah Richards em Guess Who’s Coming to Dinner (1967).

Finalmente, nos anos 80, quatro atores vêm representando sua raça com desenvoltura e atingindo enorme êxito: Richard Pryor, Louis Gosset Jr., Eddie Murphy e Howard E. Rollins Jr. Pryor fez muita gente rir recentemente como Gus Gosman, o lavador de pratos que dá origem às complicaçõs em Superman III/Superman III/1983, e como Jack Brown, o jornalista comprado por um milionário para servir de brinquedo para seu arrogante filho de onze anos em O BRINQUEDO (The Toy, 1982).

Gosset depois de ter ganho o prêmio Emmy como Fiddler na minissérie Raízes/Roots/1976, levou o Oscar de melhor coadjuvante como o duríssimo sargento Emil Foley em A FORÇA DO DESTINO (An Officer and a Gentleman, 1983). Murphy brilhou como Reggie Hammond, o ladrão negro que auxilia o policial branco a capturar dois assassinos em 48 Horas/48 Hours/1982 e como Valentine, o crioulo pobre que troca de lugar com um ricaço em Trocando as Bolas/Trading Places/1983.

Louis Gossett Jr. em An Officer and a Gentleman (1982).

Rollins Jr. despontou em No Tempo do Ragtime/Ragtime/1981, como o pianista “explosivo” Coalhouse Walker e como o advogado militar, Capitão Richard Davenport, às voltas com um crime misterioso, ocorrido num quartel da Louisiana, durante a Segunda Guerra Mundial, em A HISTÓRIA DE UM SOLDADO (A Soldier’s Story, 1984 / Assistam ao filme online abaixo), a primeira sensação cinematográfica daquele ano.


CULT COLLECTORS | Ser Cult É Ser Colecionador!!!

Esse artigo, foi transcrito das páginas da antiga e saudosa revista Cinemin, de número 13, publicada em 1984, com texto do mestre A. C. Gomes de Mattos, esperamos que tenham curtido!

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