ALFRED HITCHCOCK: O Mestre do Suspense!

Alfred Hitchcock é, possivelmente, o mais conhecido dos cineastas; o único cujo nome, por si só, resume um gênero cinematográfico. Todos identificam a figura gorducha que aparece bruscamente em suas fitas, o homem que deteve uma fórmula de provocar emoção jamais igualada. Possuidor de um estilo próprio, que combina admiravelmente poder criador e apurado domínio de narrativa, Hitchcock conduzia suas histórias com maestria, inovando sempre, sem dar sinais de cansaço ou falta de imaginação. Permanentemente insatisfeito, costumava retomar antigos temas da sua filmografia – a obsessão, a troca de identidade, o inocente perseguido – e revesti-los de forma nova, demonstrando, assim, sua ânsia de perfeição. Na verdade, talvez fosse mais correto dizer que sua temática é a própria técnica, que utilizava com impressionante virtuosismo e intuição fílmica.

Certos críticos encontram significados profundos em sua obra, enquanto outros o acusam de superficialidade e combatem sua procura deliberadamente falso, mas o diretor não se preocupava com tais opiniões (“Olho no espelho diariamente e jamais vi traços de metafísica no meu rosto”). Fez filmes para satisfazer a si e ao público, especializando-se no gênero que mais se adaptava ao seu temperamento. Fabricando thrillers ou divertissementos despretensiosos, elevou-se à categoria de grande artista, gerando altas formas de expressão na sua maneira superior de fazer Cinema.

Alfred Joseph Hitchcock nasceu em Londres, a 13 de agosto de 1899, filho de William Hitchcock e Emma Whelan. Educado num colégio de jesuítas, o St. Ignace College, decidiu etudar engenharia e seus pais o matricularam na School of Engineering and Navigation. Aos 19 anos, para ganhar a vida, ingressou na Hanley Telegraph Company, como técnico em cabos elétricos. Quando seus superiores souberam que acompanhava cursos de arte na Universidade de Londres, promoveram-no ao Departamento de Publicidade, como desenhista. Ao ler num jornal que a Famous Players-Lasky estava abrindo uma filial em Islington, na capital inglesa, ofereceu-se como ilustrador de letreiros de filmes mudos, logo passando também a redigi-los.

Um jovem Alfred Hitchcock no set de sua estréia na direção, ‘The Pleasure Garden’ (1925).

Quando a Famous Players encerrou suas atividades em Londres, Hitchcock e uma pequena equipe permaneceu sob contrato com o estúdio de Islington, sendo aproveitado por Michael Balcon como roteirista, montador, cenógrafo, assistente de direção e co-diretor, até assinar um filme completo, THE PLEASURE GARDEN, produção anglo-germânica, rodada em Munique. Entretanto, o primeiro filme genuinamente hitchcockiano foi THE LODGER, abordando o drama de um homem confundido com Jack, o Estripador. No mesmo ano deste, 1926, casou-se com Alma Reville, ex-montadora e script-girl da Famous Players, sua colaboradora e companheira de toda a vida.

Com Michael Balcon (Gainsborough Pictures), ficou de 1922 a 1927, dirigindo ao todo cinco fitas. Em 1927, transferiu-se para British International Pictures, onde realizou THE RING e mais 10 fitas até 1932 (entre elas a estreia no sonoro, BLACKMAIL/1929). No ano seguinte, voltou a trabalhar com Balcon, então responsável pela Gaumont British Pictures, quando consolidou seu estilo inconfundível e alcançou fama internacional com thrillers do porte de O HOMEM QUE SABIA DEMAIS/1934, OS TRINTA E NOVE DEGRAUS/1935 e A MULHER OCULTA/1938.

Donald Calthrop, John Longden, e Anny Ondra em Blackmail (1929).

Depois de rejeitar várias ofertas de Hollywood, aceitou a proposta de David O. Selznick para fazer quatro filmes por 800 mil dólares. O primeiro deles, REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL/1940, resultou num grande sucesso de bilheteria, consagrado com o Oscar de melhor filme. Com Selznick, ficou até 1947, entre empréstimos para outros estúdios. É a época de CORRESPONDENTE ESTRANGEIRO/1940, A SOMBRA DE UMA DÚVIDA/1943 (seu trabalho predileto), QUANDO FALA O CORAÇÃO/1945 e INTERLÚDIO/1946.

Graças ao êxito comercial, Hitchcock pôde formar sua própria empresa, a Transatlantic Pictures, que patrocinou FESTIM DIABÓLICO/1948 e SOB O SIGNO DE CAPRICÓRNIO/1949. Depois, como produtor independente, associou-se à Warner (1948-53), Paramount (1954-60, com excessão de O HOMEM ERRADO/1957 e INTRIGA INTERNACIONAL/1959) e Universal (1963-76). O decênio 1954-14964, traz Hitchcock no auge da forma. Auxiliado por um grupo de favoritos (os atores James Stewart, Cary Grant e Grace Kelly, o fotógrafo Robert Burks, o compositor Bernard Herrmann, o roteirista John Michael Hayes, o montador George Tomasini), desenvolveu uma sucessão de obras-primas, de espírito genuinamente americano, que sintetizam suas mais bem-sucedidas experiências no terreno da linguagem cinematográfica.

Alfred Hitchcock e Ingrid Bergman nos bastidores do filme “Sob o Signo de Capricórnio”/Under Capricorn, 1949.

Também sua popularidade atingiu o máximo, favorecida pela “redescoberta” da crítica (detonada pelos redatores de Cahiers du Cinema) e as constantes aparições nas tevês do mundo todo. Em 1955, iniciara uma série de shows de meia hora, “Alfred Hitchcock Presents”, apresentando-a e dirigindo alguns títulos. Animado, formou uma companhia, a Shamley, e produziu outras duas séries, “Suspición”/1957 e uma para “Ford Star Time”/1960, ambas com uma hora de duração, mesma metragem que o seu programa (rebatizado como “The Alfred Hitchcock Hour”) teria de 1962 a 1965. Ele empregaria genialmente as técnicas do vídeo em Psicose/1960.

Os últimos anos de sua carreira assinalam apenas quatro fitas concluídas (entre elas, um impecável retorno à Londres natal, Frenesi/1972) e vários outros projetos. Quando morreu, em abril de 1980, estava prestes a iniciar The Short Night, que Sean Connery e Liv Ullmann estrelariam. Sua ausência, assim como a de outros companheiros de geração, priva o espectador de satisfações cada vez mais raras nas telas. Com mum invulgar conhecimento do gosto do público, Alfred Hitchcock devotava toda a sua imensa capacidade a servi-lo. Iremos destacar a seguir, cinco filmes de importante relevância em sua grandiosa filmografia.

APARIÇÕES

Um dos motivos da celebridade alcançada por Alfred Hitchcock eram as curtíssimas aparições que fazia em seus filmes. Tudo começou quando, durante as filmagens de The Lodger/1926, uma falta de extras o forçou a um trabalho adicional. A necessidade transformou-se em prazer e os espectadores passaram a aguardar com ansiedade pela figura gorducha do metteur-en-scéne. A tal ponto que, tempos depois, ele se viu obrigado a surgir no começo dos filmes, para não desviar a atenção da trama. Estas são as suas performances:

Jane Wyman, Alfred Hitchcock – Stage Fright (1950).

Blackmail: lendo um jornal no metrô; Murder (exibido na tevê brasileira como Assassinato) andando na rua; Os 39 Degraus: passando por uma rua; Young and Innocent: como um fotógrafo postado do lado de fora da corte de justiça; A Dama Oculta: na estação de trem de Londres; Rebecca, a Mulher Inesquecível: atrás da cabine telefônica onde está George Sanders; Correspondente Estrangeiro: cruzando com Joel McCrea numa rua; Um Casal do Barulho: passando por Robert Montgomery numa rua; Sabotador: numa banca de jornais; A Sombra de uma Dúvida: jogando cartas no trem; Um Barco e Nove Destinos: num anúncio de jornal; Quando Fala o Coração: tomando um elevador no hotel; Interlúdio: bebendo champanhe numa festa; Agonia de Amor: carregando um violoncelo; Festim Diabólico: passando por uma rua; Sob o Signo de Capricórnio: numa festa e nas escadas da casa do governador; Pavor nos Bastidores: olhando para Jane Wyman numa rua; Pacto Sinistro: entrando num trem com um contrabaixo; A Tortura do Silêncio: atravessando o topo de uma escada;

Alfred Hitchcock em “Young and Innocent” (1937).

Disque M para Matar: numa foto na parede; Janela Indiscreta: mexendo num relógio; Ladrão de Casaca: passageiro num ônibus; O Terceiro Tiro: visto em flashback numa exposição; O Homem que Sabia Demais: no mercado de Marrocos; O Homem Errado: narrando o prólogo; Um Corpo que Cai: cruzando uma rua; Intriga Internacional: tentando entrar num ônibus cuja porta se fecha; Psicose: visto pela janela do escritório, com chapéu de cowboy; Os Pássaros: saindo de uma loja de animais com cachorros; Marnie, Confissões de uma Ladra: saindo de um quarto de hotel; Cortina Rasgada: no lobby do hotel, com um bebê no colo; Topázio: numa cadeira de rodas, no aeroporto; Frenesi: perdido na multidão que assiste a uma manifestação ecológica; Trama Macabra: sua inconfundível silhueta relfetida no vidro de uma porta. Isto sem falar nos trailers que ele próprio apresentava.

FILMES QUE DESTACAMOS:

FESTIM DIABÓLICO
Ao adaptar a peça de Patrick Hamilton (claramente inspirada no famoso caso Leopold/Loeb), Hitchcock lançou-se a uma experiência técnica sem precedente. Tal como ocorria nos palcos, o tempo de duração corresponde ao tempo exato dos acontecimentos. Para realçar ainda mais o efeito, o cineasta optou pela própria negação da linguagem cinematográfica, construindo a fita como um longo plano-seqüência.

Set de filmagem do filme FESTIM DIABÓLICO.

Assim, a ação se dá quase inteiramente numa única tomada de câmara. os 80 minutos de projeção foram divididos em 8 planos de 10 minutos, o máximo que uma câmara podia comportar. Cada um deles se encerrava em algum detalhe do cenário ou nas costas de um personagem e retomado no mesmo lugar, dando a impressão da ausência de cortes. O experimento demandou um meticuloso planejamento, pois a pesada câmara devia percorrer constantemente o cenário.

Um autêntico divisor de águas na carreira do cineasta, Festim Diabólico/Rope/1948 traz Hitchcock pela primeira vez como produtor independente e usando dois fatores novos: o technicolor e James Stewart. No argumento, os amigos Shaw (John Dall) e Philip (Farley Granger) matam um colega, aplicando os conceitos de superioridade emitidos pelo Professor Rupert Cadell (James Stewart). Escondendo o corpo num móvel, eles promovem um jantar, o festim do título brasileiro, para o qual convidam, além de Cadell, o pai (Sir Cedric Hardwicke) e a namorada (Joan Chandler) da vítima. Ao contrário dos outros quatro filmes aqui descritos, este permaneceu ausente dos cinemas não porque Hitchcock detivesse os direitos, mas por ter sido alvo de uma intensa briga judicial, depois que a Metro adquiriu a propriedade e não a explorou.


A JANELA INDISCRETA
Em A Janela Indiscreta/Rear Window/1954, Hitchcock retoma o desafio técnico que enfrentara em Um Barco e Nove Destinos/1944, Festim Diabólico/1948 e Disque M Para Matar/1953, confinando todos os acontecimentos num mesmo cenário. Além disso, arquiteta um de seus mais cintilantes exercícios de cumplicidade com a platéia (talvez só rivalizado pelo genial Psicose/1960), pois o espectador compartilha integralmente do voyeurismo do protagonista. Tudo é visto a partir da janela do apartamento do repórter fotográfico L. B. Jeffries (James Stewart), que, ferido num acidente, passa o tempo contemplando os vizinhos. Entre eles, o caixeiro viajante Lars Thornwald (Raymond Burr), que Jeff suspeita ter assassinado a esposa. Ajudado pela namorada Lisa Fremont (Grace Kelly), e a enfermeira Stella (Thelma Ritter), tenta provar o crime.

Hitchcock, senhor absoluto da narrativa, utiliza, de modo sublime,, recursos puramente cinematográficos. “Tem-se um homem parado num cômodo, olhando para fora. Você faz um close dele e mostra o que ele vê. E então volta ao seu rosto e ele reage ao que viu. Dessa forma ele acaba descobrindo um assassinato. Isto não poderia ser feito em nenhum outro meio. Certamente não no teatro; talvez em livro, mas seria um processo muito mais longo e sem a economia da imagem. Exemplificando o poder desse tipo de tratamento, imagine o mesmo close de Stewart. Ele olha e você corta para o que ele vê e aparece uma mulher com um bebê ao colo. Você corta novamente e ele sorri. Então, mantenha o close inicial e, ao invés de cortar para a mulher com o bebê, mostra uma garota num biquini provocante. Agora use o mesmo sorriso e o terá transformado de um cavalheiro benevolente em pervertido, mudando apenas uma peça de filme. Este é o poder da montagem.

Alfred Hitchcock, Grace Kelly, e James Stewart in Rear Window (1954).

Nesta genuína joia da arte hitchcockiana, o autor não apenas desenvolve uma obra-mestra do suspense (temperado de humor sardônico), como enriquece com incisivas observações sobre a curiosidade incontrolável e a solidão nos grandes centros.


O TERCEIRO TIRO
Quando O Terceiro Tiro/The Trouble With Harry/1956 foi lançado, a publicidade da Paramount o anunciou como “O inesperado de Hitchcock”. De fato esta comédia macabra, de orçamento modesto, com deliciosas observações satíricas do comportamento humano, foge aos padrões do espetáculo tradicional do cineasta, embora evidencie em grau acentuado em grau acentuado uma de suas principais características, o humor.

Alfred Hitchcock, Edmund Gwenn, Mildred Natwick, e Dorothy Yutzi em The Trouble with Harry (1955).

Harry é um cadáver “ambulante” que aparece em Vermont numa manhã. Algumas pessoas do lugar, entre elas a ex-mulher do morto, Jennifer (Shirley MacLaine, estreando em Cinema), um pintor, Sam Marlowe (John Forsythe), um Capitão aposentado, Albert Wiles (Edmund Gwenn), e uma solteirona, Sra. Gravely (Mildred Natwick), acreditam serem responsáveis pelo acidente. Mesmo assim, todos adotam uma desconcertante atitude de indiferença para com Harry.

Um dos projetos mais pessoais e queridos do diretor, O Terceiro Tiro nunca obteve receptividade à altura. Desenrolando a trama à luz do sol, Hitchcock destila um humor intelectual, malicioso, levemente insinuado sob a paisagem outonal dos bosques de Vermont, focalizados em tonalidades policromáticas de primeira ordem.


O HOMEM QUE SABIA DEMAIS
Após realizar Waltzer From Vienna/1933, um filme que desprezava particularmente, Hitchcock ganhou de Michael Balcon a oportunidade de mudar os rumos de uma carreira então em franco declínio. Com carta branca do produtor, o cineasta recuperou a mão em O Homem Que Sabia Demais/The Man Who Knew Too Much/1934, um sucesso consagrador. Vinte e dois anos depois, ele decidiu refilmar a história de Charles Bennett e D. B. Wyndham-Lewis. Nas suas palavras, a diferença básica entre as duas versões é que a “a primeira foi o trabalho de um amador talentoso e a segunda, de um profissional”.

Na versão de 1934, a ação se inicia na Suíça; na de 1956 , no Marrocos. Lá, um casal americano, Ben (James Stewart) e Jo McKenna (Doris Day), acompanhado do seu filho, Hank (Christopher Olsen), se envolve numa intriga internacional, quando um homem (Daniel Gelin), ao morrer, confia um segredo ao marido. O menino é sequestrado para evitar que McKenna fale. Rumando para Londres, eles procuram resgatar Hank, enquanto descobrem a possibilidade de um assassinato político. Este deve ocorrer no Albert Hall, clímax de excepcional construção de suspense, uma das obra-primas de Hitchcock.

Alfred Hitchcock e Jimmy Stewart durante a produção de The Man Who Knew Too Much.

Durante 12 minutos, ao som de Storm Cloud Cantata, de Arthur Benjamin e Wyndham-Lewis (também usada na fita anterior), regida por Bernard Herrmann (única aparição do compositor nas telas), o diretor alterna o desespero de Jo, os esforços de Ben, os preparativos do assassino, a impassividade do alvo e os movimentos da orquestra e coro com uma grande quantidade de planos, arrumados com inexcedível maestria. O Homem Que Sabia Demais deu a Jay Livingston e Ray Evans o Oscar de melhor canção (“Que Sera, Sera”).


UM CORPO QUE CAI
“Scottie” Ferguson (James Stewart), um policial de São Francisco, pede demissão depois que seu pavor de alturas provoca a morte de um companheiro de serviço. Em seguida, é contratado por um antigo conhecido, Gavin Elster (Tom Helmore), para investigar sua esposa, Madeleine (Kim Novak), que supõe estar possuída pelo espírito de uma ancestral e com tendência ao suicídio. O mistério logo se converte numa fixação para “Scottie”, que se apaixona por Madeleine. Um acontecimento inesperado faz mudar os rumos da trama.

Boileu e Narcejac escreveram a novela original supostamente visando seu aproveitamento na tela por Hitchcock. A Paramount adquiriu os direitor e o cineasta realizou uma obra estupenda, elastecendo o tema da obsessão, frequente em sua filmografia. Ele deu a este drama de paixão necrofílica e trágica um tratamento cinematográfico fascinante, expondo a crise emocional do herói num clima de pesadelo que deve muito à fotografia de Robert Burks (auxiliado pelos efeitos especiais) e ao score musical de Bernard Herrmann. Parte da intriga é explicada no meio da projeção, mas o suspense continua sem quebra de ritmo e sem prejuízo para a história, em cujo desenrolar despontam cenas antológicas, como a metamorfose de Judy e a panorâmica circular no quarto de hotel, denotando especial cuidado no uso da cor como sugestão psicológica.

Alfred Hitchcock, James Stewart, e Kim Novak em Vertigo (1958).

Vera Miles, então contratada pessoal de Hitchcock, chegou a fazer testes para o principal papel feminino mas ficou grávida e Kim Novak substituiu-a marcando sua presença sensual ao lado de um James Stewart vertiginosamente alucinado (o ator recebeu o prêmio no Festival de San Sebastian, onde o filme ganhou ainda a Concha de Prata). De quebra, os créditos de abertura de Saul Bass (com Hitchcock também em Intriga Internacional/1959 e Psicose/1960).

TRAMA MACABRA (Family Plot, 1976 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 9 de abril de 1976

SINOPSE: Falsa medium e seu amante, um taxista psicopata, planejam roubar uma grande quantia em dinheiro de uma idosa, alegando ter encontrado seu sobrinho há anos desaparecido. Sem saber, os trambiqueiros encontram o rapaz, agora como um esperto ourives, e que está envolvido com um sequestro.

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SOBRE O FILME: Se Frenesi tivesse sido o último filme de Alfred Hitchcock, sua carreira teria acabado em um de seus mais baixos pontos. Mas, felizmente, o Mestre do Suspense teve fôlego, apesar de sua saúde claudicante, para fazer mais um, seu derradeiro filme: Trama Macabra. E o resultado, apesar de não chegar perto de suas grandes obras, pelo menos não desaponta completamente e até nos traz algumas gratas surpresas.

A primeira delas é uma parceria inusitada entre Hitchcock e ninguém menos do que John Williams, um dos maiores compositores vivos de trilhas sonoras. Saindo fresquinho de sua sétima indicação ao Oscar e segunda vitória (de suas até agora cinco vitórias e impressionantes 49 indicações), pela magnífica trilha de Tubarão e caminhando para compor talvez sua mais inesquecível obra, a trilha de Star Wars, Williams trabalhou em toda a música de Trama Macabra, resultando em material que, apesar de longe de ser marcante, conseguiu muito bem encapsular a oscilação do filme do diretor entre thriller e comédia de humor negro, com diversas notas remetendo diretamente à composição máxima de Bernard Herrmann, em Psicose.

A outra surpresa é o elenco, que reúne um jovem e dentuço Bruce Dern de um lado, com um sinistro William Devane e um enganosamente simpático Ed Lauter de outro, os três ainda na flor da idade. O elenco feminino, porém, composto por Karen Black e Barbara Harris, é menos inspirado, deixando muito a dever às suas contrapartes masculinas.

E, finamente, é interessante ver Hitchcock, no crepúsculo de sua carreira, fazendo uma amálgama bastante eficiente do melhor do conjunto de sua obra – o suspense e o humor negro – em uma fita que, se por alguns momentos equivocados chega a descambar para o “quase pastelão”, consegue manter-se equilibrada e engajante na maioria do tempo. De toda forma, o resultado é um filme menor do diretor, mas um que provavelmente divertirá o espectador.

A história se divide, inicialmente, em dois casais de vigaristas. O primeiro deles, formado por Blanche Tyler (Harris) e George Lumley (Dern) e o outro por Fran (Black) e Arthur Adamson (Devane). Hithcock nos apresenta às duplas separadamente. Blanche finge ser uma vidente e espírita, vivendo de pequenos golpes até, na sequência de abertura, acertar a sorte grande com a idosa milionária (Cathleen Nesbitt) querendo que ela, usando seus poderes, encontre seu único herdeiro e prometendo muito dinheiro. Lumley é um motorista de táxi que namora Blanche e participa dos golpes, convertendo-se em detetive particular para procurar o herdeiro perdido.

Do outro lado, temos dois vigaristas mais sofisticados – Arthur (Devane) e Fran (Black) – que vivem de sequestrar pessoas de influência para trocá-las por resgastes compreendidos por pedras preciosas. Apesar da complexidade do esquema de Arthur e Fran, Hitchcock não pausa para explicar os detalhes, nem para abordar as consequências desses atos para fora do âmbito da dupla. O enfoque é intimista e também simplista.

No entanto – e isso não é spoiler de forma alguma – o caminho dos dois casais começa a se cruzar quando a investigação de Blanche e Lumley os leva a deduzir que Arthur é o tal herdeiro. Acontece que um problema de comunicação e a desconfiança de Arthur, por ter culpa no cartório, óbvio, impede uma resolução tranquila para o caso, o que acaba envolvendo a história antiga de Arthur, sua amizade com Joe Maloney (Lauter) e tentativas de assassinato. Por mais absurdas que todas as coincidências possam parecer, especialmente os sequestros perpetrados por Arthur e Fran, no final das contas tudo funciona como uma aventura com leves pitadas de suspense.

Hitchcock trabalha com uma fotografia básica, sem arroubos de criatividade, com exceção da descida desenfreada de Blanche e Lumley de carro por uma região montanhosa (toda filmada em estúdio, na Universal, que, à época, tinha gigantescas glebas de terra para esse fim), em que o diretor filma em primeira pessoa em vários momentos, com resultados incertos e exagerados. Os atores, especialmente Dern, Devane e Lauter, estão bem à vontade em seus papeis substancialmente caricatos, mas divertidos. Vale especial destaque a inocência passada por Dern e o maquiavelismo de botequim de Devane, que estabelecem ótimo contraste de personalidades.

O título, que é intraduzível para o português, faz uma brincadeira com a palavra plot, que pode significar tanto “trama” quanto um terreno (plot of land) que, no caso, seria o terreno comprado por famílias para enterrar seus entes queridos, algo integral à narrativa. Uma jogada inteligente que se converte em um filme sem surpresas narrativas, mas bastante agradável, ainda que ele tivesse se beneficiado de um passo mais veloz, com montagem mais econômica.

De toda maneira, é um alívio ver que Hitchcock  conseguiu encerrar talvez uma das mais brilhantes carreiras da Sétima Arte com um filme competente o suficiente para ser algo com sua marca, com suas características. Um grande feito para um senhor de 77 anos à época.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Ernest Lehman (screenplay), Victor Canning (novel “The Rainbird Pattern”)
GÊNERO: Comédia, Crime, Drama
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h
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ELENCO PRINCIPAL:
Karen Black … Fran
Bruce Dern … George Lumley
Barbara Harris … Blanche Tyler
William Devane … Arthur Adamson
Ed Lauter … Maloney
Cathleen Nesbitt … Julia Rainbird
Katherine Helmond … Mrs. Maloney
Warren J. Kemmerling … Grandison
Edith Atwater … Mrs. Clay
William Prince … Bishop
Nicholas Colasanto … Constantine
Marge Redmond … Vera Hannagan
John Lehne … Andy Bush
Charles Tyner … Wheeler
Alexander Lockwood … Parson
Martin West … Sanger


FRENESI (Frenzy, 1972 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 21 de junho de 1972 

SINOPSE: Londres está sendo aterrorizada por um assassino em série que estupra as suas vítimas e as mata estranguladas com uma gravata. Devido a uma série de mal-entendidos, o veterano de guerra Richard Blaney, alcoólatra, divorciado e recentemente desempregado, acaba se tornando o suspeito número um dos crimes quando sua ex-esposa é assassinada com o mesmo modus operandi.

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SOBRE O FILME: Frenesi marca a volta de Alfred Hitchcock à Inglaterra depois de 20 anos fora de seu país natal. A produção, completamente britânica, com atores britânicos, se passa em Londres e lida com a investigação de assassinatos cometidos por um serial killer, ou seja, algo perfeitamente dentro da especialidade do diretor. Mas, diferente de Psicose, o cineasta dá um tratamento bem mais gráfico ao filme, logo fazendo com que o corpo nu de uma mulher seja encontrado às margens do Tâmisa. Ela fora enforcada com um gravata e os transeuntes, todos participantes de um comício político, logo identificam que é mais uma vítima do “assassino da gravata”, uma espécie de atualização dos famosos casos de Jack, o Estripador e do Caso Christie que são, aliás, mencionados na narrativa.

Com essa abertura, que claramente dá a entender que os assassinatos vêm acontecendo há algum tempo, somos apresentados a Richard Blaney (Jon Finch), ex-piloto da RAF e hoje um barman que não consegue se afastar da bebida. Ele é demitido e encontra-se com seu amigo Robert Rusk (Barry Foster) apenas para que nós da audiência tenhamos oportunidade de também conhecê-lo, já que a sequência é completamente descartável e, em seguida, ele vai chorar as mágoas para sua ex-esposa, Brenda (Barbara Leigh-Hunt), com quem tem uma briga leve na empresa de “matrimônios e encontros” dela, que é entreouvida pela secretária. Tudo isso arma o cenário para o que acontece logo em seguida: Rusk reaparece como cliente já antigo de Brenda querendo que ela consiga uma mulher para ele. Mas Brenda já havia negado trabalhar para Rusk, por seus gostos sadomasoquistas, o que acaba culminando com a morte de Brenda e a revelação de que Rusk é o “assassino da gravata”.

A sequência do assassinato é forte e pesada, pois inclui o estupro seguido do estrangulamento da moça e Hitchcock nada esconde, sendo essa a primeira vez em sua carreira em que a nudez é mostrada. A repulsa que sentimos em relação a Rusk é palpável e nisso o diretor consegue ser muito eficiente. No entanto, o roteiro de Anthony Shaffer, baseado em romance de Arthur La Bern (que mais tarde diria que não ficou satisfeito com o resultado), é amador e cheio de problemas inconciliáveis.

O primeiro deles diz respeito ao próprio assassino. Ele passa a matar as pessoas envolvidas, de uma forma ou de outra, com seu amigo Blaney, de maneira que ele seja culpado pelos crimes. Mas, se Rusk é um psicopata, como o inspetor-chefe Oxford, da Scotland Yard (Alec McCowen) repete várias vezes, então ele é alguém que não consegue parar de cometer seus crimes. E isso já havia mesmo sido estabelecido no começo, com o corpo no Tâmisa. Se é assim, como a condenação de Blaney resolveria as coisas para Rusk? Afinal, se ele matasse novamente, o caso provavelmente seria reaberto de toda forma. Apenas com isso, a estrutura do roteiro desaba sob o peso de muito texto expositivo, muitos aspectos procedimentais e pouco estofo lógico para a cadência de acontecimentos.

Mas os problemas vão mais além ainda no quesito roteiro. Rusk parece ser um assassino que vem matando há algum tempo, mas seus descuidos são absolutamente patéticos. Mata Brenda na empresa dela, no horário de almoço da secretária, como se ela não pudesse voltar de repente. Comete depois outro assassinato em seu próprio apartamento, carregando o corpo para fora dentro de um saco de batatas (com batatas, diga-se de passagem). Como é que ele consegue entrar em seu apartamento carregando um saco de batatas desse tamanho mesmo? Ah, ele é comerciante de frutas e verduras e teria acesso à um saco desses. Claro, mas uma coisa é ter acesso, outra coisa é conseguir transportar algo desse tamanho e peso por escadas em um prédio cheio de vizinhos.

E o pior é que toda a história do “saco de batatas” é alongada ao extremo, com uma inadvertidamente engraçadíssima sequência em que Rusk, desesperado, tem que entrar no caminhão onde colocou o corpo – e que está cheio de outros vários sacos de batata – para resgatar seu broche do punho cerrado de sua vítima. É um dos momentos cinematográficos mais constrangedores que testemunhei e não seria se estivéssemos falando de uma comédia, mesmo que fosse de humor negro.

No entanto, Frenesi, por mais boa vontade que alguém possa ter, não é uma comédia. Novamente faço referência à sequência do estupro e estrangulamento de Brenda. Hitchcock trabalha de maneira a nos mostrar uma cena terrível, nojenta, de enorme eficiência cinematográfica que deveria tonalizar toda sua obra dali em diante. Mas o “pastelão” representado pela sequência do caminhão com Rusk causa estranhamento e confusão e isso sem contar com as duas sequências de Oxford jantando os pratos esquisitos de sua esposa em casa, que são genuinamente engraçadas, mas completamente deslocadas.

É bem verdade que Alma Reville, esposa por toda a vida de Hitchcock e peça fundamental para seu sucesso, teve um derrame e ele voltou aos EUA para ficar com ela, deixando muitas cenas para serem filmadas por assistentes. Mas isso não é desculpa suficiente para o resultado final, ainda que, claro, o irremediável roteiro de Shaffer tenha grande parte da culpa.

Michael Caine, Vanessa Redgrave, David Hemmings e Helen Mirren eram as escolhas de Hitchcock para Rusk, Brenda, Blaney e Babs (namorada de Blaney) respectivamente, mas os quatro, por razões diferentes, não puderam/quiseram atuar. Se um ou mais deles estivesse no elenco, talvez e só talvez, o resultado final tivesse sido mais aceitável em vista da potencial excelência de suas atuações. Mas os atores que efetivamente compuseram o elenco têm performances limitadas e caricatas, sem alma alguma.

E outra substituição ajudou para complicar Frenesi. Henry Mancini havia sido contratado para compor a trilha sonora, mas Hitchcock não gostou do que ouviu, pois achou tudo muito parecido com o trabalho de seu ex-parceiro Bernard Herrmann, com quem brigara mortalmente durante a produção de Cortina Rasgada. O resultado foi a demissão do sensacional Mancini e a contratação de Ron Goodwin, que fez um trabalho pouco inspirado, por vezes dramático, por vezes leve e cômico, ajudando a distrair os espectadores com a inserção de motifs fracos em momentos errados da fita.

Talvez tenha sido a conjunção de fatores, talvez tenha sido o cansaço de Hitchcock já no finalzinho de sua prolífica carreira, mas o fato é que Frenesi é uma obra quase irreconhecível como sendo do Mestre do Suspense. Uma mancha em sua carreira, sem dúvida, mas não foi nem de longe a única e certamente não tem força de sequer chegar perto de apagar o que ele legou à Sétima Arte.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Arthur La Bern (based on the novel “Goodbye Piccadilly, Farewell Leicester Square” by), Anthony Shaffer (screenplay by)
GÊNERO: Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 56min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jon Finch … Richard Blaney
Barry Foster … Robert Rusk
Barbara Leigh-Hunt … Brenda Blaney
Anna Massey … Babs Milligan
Alec McCowen … Chief Inspector Tim Oxford
Vivien Merchant … Mrs. Oxford
Billie Whitelaw … Hetty Porter
Clive Swift … Johnny Porter
Bernard Cribbins … Felix Forsythe
Michael Bates … Sergeant Spearman


TOPÁZIO (Topaz, 1969 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 19 de dezembro de 1969

SINOPSE: André Devereaux (Frederick Stafford) é um homem contratado para checar rumores de mísseis russos em Cuba durante a Guerra Fria. Além disso, ele deve descobrir tudo sobre um espião da Otan chamado Topázio, o que nos leva à mortes, traições e um suspense para sabermos se ele irá conseguir ou não expôr o agente.

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SOBRE O FILME: Antepenúltimo filme da fantástica carreira cinematográfica de Alfred Hitchcock, Topázio é, provavelmente, um dos menos conhecidos. Isso desconsiderando, claro, algumas de suas primeiras obras, ainda na fase britânica. No entanto, Topázio é, exatamente como a pedra, uma preciosidade esquecida do Mestre do Suspense, mas não uma pedra preciosa como os diamantes que pontilham em profusão a carreira do diretor, mas uma pedra semipreciosa mesmo. Bonita, agradável, bem talhada, mas não no mesmo nível de seus melhores trabalhos. Mas, em se tratando de Hitchcock, mesmo obras menos que perfeitas merecem a atenção de qualquer cinéfilo, não é mesmo?

Em sua essência, Topázio é um filme de espionagem, mas um que surpreenderá o espectador pela sua verossimilhança. Baseado em romance de Leon Uris que, por sua vez, foi baseado no caso verdadeiro de espionagem conhecido como Caso Safira, Hitchcock nos apresenta, primeiro, ao sisudo Boris Kusenov (Per-Axel Arosenius) e sua família em 1962, em Copenhague. Ele é um agente do alto escalão da KGB que deseja desertar para os Estados Unidos e, para isso, conta com o agente Michael Nordstrom (John Forsythe) da CIA. Depois de uma tensa sequência de fuga – mas sem pirotecnias – ele é levado para os EUA, mais especificamente Washington D.C. onde, relutantemente, começa a revelar segredos aterradores sobre a presença soviética em Cuba, presença essa que deflagraria a chamada Crise dos Mísseis de Cuba naquele mesmo ano.

Apesar de todos os espectadores saberem o final da Crise dos Mísseis, o filme não fica desinteressante. Nordstrom, por diversas razões, é obrigado a pedir ajuda de Andre Deveraux (Frederick Stafford), espião francês residente em Washington que realmente gosta dos americanos. É Deveraux que toma os holofotes a partir desse ponto, tentando obter cópias de documentos sensíveis da delegação cubana em Nova York para um evento. Esse momento, que conta com a fundamental ajuda do simpático e eficiente espião “florista” Philippe Dubois (Roscoe Lee Browne) é, literalmente, a única sequência de ação de todo o filme.

Por todo o resto, que conta ainda com Deveraux viajando para Cuba para espionar a presença soviética por lá com ajuda da bela Juanita de Cordoba (Karin Dor), inspirada na sensata Juanita Castro, irmã de Fidel que fugiu para os EUA depois da chamada Revolução Cubana, além de um clímax esticado em Paris com Deveraux tentando desbaratar a rede “Topázio”, Hitchcock nos apresenta a uma fita que faz das tripas coração para parecer verdadeira e nos convencer que a vida dos espiões é assim, desse jeito, e não como a de James Bond. Com isso, a ação é substituída por diálogos e, especialmente, por um ar procedimental, que explica para os espectadores os detalhes de operações de espionagem. Deveraux, bonitão e charmoso, até reflete aquilo que aprendemos a esperar de James Bond, mas, ao contrário do agente britânico, ele raramente está à frente da ação, se é que podemos chamar as sequências tensas de Topázio de sequências de ação propriamente ditas.

A cadência do filme é lenta, esticada e detalhada. Esse é um dos raros exemplos hitchcockianos de uma produção filmada substancialmente em locação, sem muito uso de cenários de estúdio. Mesmo assim, o cuidado com a direção de arte, figurino e montagem é característico do Mestre do Suspense e, se o espectador estiver preparado para o que verá, certamente sairá satisfeito da experiência, notadamente uma sequência magnífica em que vemos, em plongée, um dos mais “lindos” assassinatos do Cinema.

Mas Topázio sofreu na bilheteria justamente por ser considerado “chato” e “longo demais”. Sem dúvida alguma que a duração de 143 minutos, pouco comum na filmografia de Hitchcock, poderia ter se beneficiado de cortes mais econômicos, com menos detalhes procedimentais. Além disso, a narrativa tem uma estrutura episódica, com personagens específicos para cada parte. Acaba funcionando, mas esse aspecto retira um pouco da fluidez de Topázio, especialmente ao nos depararmos com o clímax mais anti-clímax que já vi em um filme. Sim, o final da obra é, se pensarmos bem, o mais crível dentro da proposta da narrativa, mas deixará aqueles que precisam de uma boa dose de ação ou de algum tipo de surpresa coçando a cabeça. Tanto é assim que o final original continha um duelo entre Deveraux e Topázio, mas ele foi filmado por Herbert Coleman, pois Hitchcock, diante de uma emergência familiar, teve que voltar aos EUA. Quando o diretor viu o resultado, não gostou e, sob pressão da Universal, filmou um final mais apressado que é justamente esse que mencionei (sem revelar segredos para não estragar a experiência de ninguém). Acontece que esse final confundiu a audiência e a Universal o pressionou novamente, levando o diretor a montar um novo final – com ação – usando trechos já filmados de Topázio, é que é bem inferior ao final anti-climático.

Topázio, provavelmente, permanecerá sendo considerada uma obra menor de Hitchcock e, provavelmente por muitos, uma obra ruim mesmo. No entanto, é possível que uma visão mais calma e menos ansiosa sobre o que costuma ser um filme do Mestre do Suspense leve o espectador a apreciar esse esforço do diretor no crepúsculo de sua sensacional carreira.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Leon Uris (from the novel by), Samuel A. Taylor (screenplay)
GÊNERO: Drama, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 23min
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ELENCO PRINCIPAL:
Frederick Stafford … Andre Devereaux
Dany Robin … Nicole Devereaux
John Vernon … Rico Parra
Karin Dor … Juanita de Cordoba
Michel Piccoli … Jacques Granville
Philippe Noiret … Henri Jarre
Claude Jade … Michele Picard
Michel Subor … Francois Picard
Per-Axel Arosenius … Boris Kusenov
Roscoe Lee Browne … Philippe Dubois


UM CORPO QUE CAI (Vertigo, 1958 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 09 de Maio de 1958

SINOPSE:
Scottie (James Stewart), um ex-detetive de polícia de São Francisco, se aposenta após um acidente derivado de sua vertigem, durante uma perseguição. Depois de anos afastado, Scott é contratado por Gavin Elster (Tom Helmore) para vigiar sua mulher Madeleine (Kim Novak), que possui tendências suicidas e estranhos episódios de esquecimento. Só que tudo se complica quando a situação se mostra infinitamente mais complexa do que parecia ser à primeira vista.

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SOBRE O FILME:
Começaremos a falar de Um Corpo que Cai, fazendo referência a alguns números interessantes. O filme é o 46º longa-metragem de Alfred Hitchcock, que tinha 58 anos quando o realizou. Um Corpo que Cai é a quarta e última parceria de Hitchcock com James Stewart, que contava com 50 anos quando interpretou Scottie Ferguson e era 26 anos mais velho que Kim Novak, seu par romântico no filme. Novak foi a segunda opção do diretor para o papel principal. A primeira escolha de Hitchcock era a atriz Vera Miles, que teve que declinar do convite em função de uma gravidez. O filme foi lançado em 1958, dois anos após a aposentadoria de Grace Kelly do cinema. A atriz era a loira favorita de Hitchcock, que a dirigiu em três filmes. Um Corpo que Cai foi filmado em menos de três meses, custou aproximadamente 2,5 milhões de dólares e arrecadou no fim de semana de estreia pouco mais de 10 mil dólares. Na época de seu lançamento, o filme teve uma bilheteria abaixo da esperada e obteve críticas mistas. Hitchcock não lidou muito bem com a recepção de sua obra e culpou Stewart pelo fracasso do filme nas bilheterias, afirmando que o ator era muito velho para o papel, não atraindo o público e não convencendo como o interesse amoroso de Novak. O tempo, no entanto, opera mágicas e hoje o filme forma, ao lado de Janela Indiscreta (1954) e Psicose (1960), a tríade das maiores obras-primas do cineasta. A atuação de Stewart no clássico é uma das mais icônicas de sua carreira.
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Abrimos nosso texto sobre Um Corpo que Cai, falando em números. Nada mais natural do que terminá-lo fazendo referência a outros. O filme concorreu a apenas dois Oscars (Melhor Direção de Arte e Melhor Som), não sendo premiado em nenhuma das duas categorias. É possível encontrar o título do longa em praticamente todas as listas de “melhores filmes de todos os tempos”, produzidas pelos mais diferentes veículos de comunicação e associações. Em suas respectivas listas, a revista Entertainment Weekly o classificou em 19º lugar, a Total Film em 2º, a francesa Positif também em 2º e o American Film Institute em 9º. Um Corpo que Cai também foi eleito o maior filme de mistério de todos os tempos na votação realizada pelo American Film Institute. A inesquecível obra-prima de Hitchcock é uma história de amor com ares de pesadelo. Nela, paixão e morte são duas faces da mesma moeda.

DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Alec Coppel, Samuel A. Taylor
GÊNERO: Mystery, Romance, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 8min
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ELENCO PRINCIPAL:
James Stewart … John ‘Scottie’ Ferguson
Lee Patrick … Dona do carro
Kim Novak … Madeleine Elster, Judy Barton
Barbara Bel Geddes … Midge
Tom Helmore … Gavin Elster
Henry Jones … Coroner
Raymond Bailey … Doutor de Scottie
Ellen Corby … Gerente do Hotel
Konstantin Shayne … Pop Leibel
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


JANELA INDISCRETA (Rear Window, 1954, USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 04 de Agosto de 1954

SINOPSE:
Em Greenwich Village, Nova York, L.B. Jeffries (James Stewart), um fotógrafo profissional, está confinado em seu apartamento por ter quebrado a perna enquanto trabalhava. Como não tem muitas opções de lazer, vasculha a vida dos seus vizinhos com um binóculo, quando vê alguns acontecimentos que o fazem suspeitar que um assassinato foi cometido.

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SOBRE O FILME:
Janela Indiscreta, talvez o mais sensacional filme de Alfred Hitchcock, é voyeurismo puro. O diretor deixa às escâncaras nossa posição de observadores silenciosos ao nos colocar sobre os ombros de outro observador passivo, o fotógrafo trotamundos L.B. ‘Jeff’ Jefferies (James Stewart), preso a uma cadeira em razão de um acidente de profissão que vitimou sua perna, deixando-a temporariamente imobilizada. Inquieto, Jeff está desesperado para sair de sua prisão e passa os dias observando seus vizinhos, ávido por notícias, momentos únicos que ele é tão acostumado a captar com suas lentes.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: John Michael Hayes
GÊNERO: Mistério, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 52min
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ELENCO PRINCIPAL:
James Stewart … L.B. ‘Jeff’ Jefferies
Grace Kelly … Lisa Carol Fremont
Wendell Corey … Det. Lt. Thomas J. Doyle
Thelma Ritter … Stella
Raymond Burr … Lars Thorwald
Judith Evelyn … Miss Lonelyhearts
Ross Bagdasarian … Songwriter
Georgine Darcy … Miss Torso
Sara Berner … Woman on Fire Escape
Frank Cady … Man on Fire Escape


PACTO SINISTRO (Strangers on a Train, 1951 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 30 de Junho de 1951

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SINOPSE:
Guy Haines (Farley Granger), um tenista profissional, tem a oportunidade de conhecer Bruno Antony (Robert Walker), um rico perdulário, em um trem. Tendo lido tudo sobre Guy, Bruno está sabendo que o jogador de tênis tem um casamento infeliz com Miriam e foi visto na companhia de Anne Morton, a filha de um senador. Inoportunamente, Bruno revela para Guy que sempre odiou seu pai. Guy escuta Bruno discursar sobre a teoria da “troca de assassinatos”. Supondo que Bruno matasse Miriam e Guy, em troca, assassinasse o pai de Bruno, não haveria conexão entre os assassinos e suas vítimas e no momento das mortes os interessados teriam álibis que os deixariam livres de qualquer suspeita. Ao chegar no seu destino Guy se despede de Bruno, sem pensar mais na teoria homicida dele, que considerou uma piada. Mas Bruno em sua loucura entendeu que havia um pacto entre eles. Em pouco tempo Miriam é estrangulada e agora Bruno quer que Guy mate seu pai e cumpra sua parte no acordo.

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SOBRE O FILME:
Se há um adjetivo que classifica com perfeição a história desse filme é “sinistro”. A tradução para o português do enganador título em inglês Strangers on a Train não é terrivelmente original, mas não se pode dizer que é impreciso. Afinal de contas, tendo como premissa o encontro casual entre dois homens gerando uma conversa sobre como cometer o crime perfeito pelas lentes hábeis de Alfred Hitchcock, a fita não poderia ser diferente, especialmente se levarmos em consideração a cuidadosa construção da atmosfera tenebrosa que o filme carrega do começo ao fim.
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No lado da produção, Pacto Sinistro foi uma dificuldade para sair e tudo começou com Hitchcock literalmente enganando a autora Patricia Highsmith. Para adquirir a obra base de maneira, digamos, mais econômica, Hitchcock fez a compra por intermédio de terceiros, sem jamais revelar quem ele era. Higsmith só veio a descobrir depois, já com o filme em plena produção. Além disso, apesar de ter conseguido um segundo “tratamento” (o trabalho que antecede o roteiro) satisfatório de Whitfield Cook, o diretor teve enormes dificuldades de encontrar alguém para efetivamente escrever o roteiro. Vários autores negaram pelas mais diversas razões. Raymond Chandler, romancista e roteirista americano, pegou o trabalho, mas já deixando claro que havia achado a obra original bem rasteira. E a coisa só azedou a partir daí, com Chandler e Hitchcock brigando feio. A única coisa com que concordaram é que o nome de Chandler não deveria constar dos créditos depois que tudo foi reescrito pela desconhecida Czenzi Ormonde, mas quem discordou desta vez foi a Warner, que exigiu um “nome chamariz” nos créditos. Foi uma epopeia que só foi efetivamente a cabo – ainda bem! – pois Hitchcock demonstrou um entusiasmo quase sobrenatural com esse filme.
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Mesmo com as dificuldades, o resultado é um eficiente thriller hitchcockiano que deveria ter recebido muito mais atenção que recebeu. No mínimo, o espectador que der chance a essa obra razoavelmente desconhecida do Mestre do Suspense ficará grudado no sofá para descobrir o destino de Guy e de Bruno e, se tudo der certo – ou errado, depende do lado da moeda em que estiver – imaginará que outros pactos dessa natureza poderiam ser celebrados. Sinistro, não?

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Raymond Chandler, Czenzi Ormonde
GÊNERO: Crime, Film-Noir, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 41min
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ELENCO PRINCIPAL:
Farley Granger … Guy Haines
Robert Walker … Bruno Anthony
Ruth Roman … Anne Morton
Patricia Hitchcock … Barbara Morton
Leo G. Carroll … Senador Morton
Kasey Rogers … Miriam Joyce Haines
Marion Lorne … Sra. Anthony
Jonathan Hale … Sr. Anthony
Howard St. John … Capitão Turley
Robert Gist … Detetive Leslie Hennessey
John Doucette … Detetive Hammond
John Brown … Professor Collins
Murray Alper … Barqueiro
Norma Varden … Sra. Cunningham
Edna Holland … Sra. Joyce
Charles Meredith … Juiz Donahue
Tommy Farrell … Namorado de Miriam
Edward Clark … Chefe de Miriam
Harry Hines …Homem que entra debaixo do carrossel
Alfred Hitchcock … Passageiro entrando no trem
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


FESTIM DIABÓLICO (Rope, 1948)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 26 de Agosto de 1948

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SINOPSE:
Dois amigos (Farley Granger e John Dall) caçadores de aventura estrangulam seu colega de classe e organizam uma festa para a família e amigos da vítima, servindo refeições em uma mesa que na verdade é um baú que guarda o cadáver dele. Quando a conversa do jantar gira em torno do assassinato perfeito, o ex-professor (James Stewart) fica cada vez mais desconfiado que seus alunos converteram suas teorias intelectuais em uma realidade brutal.

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SOBRE O FILME:
Um plano sequência maravilhosamente executado num cenário pequeno, com o trabalho de bastidores para gravarem o filme e para ficar imperceptível o corte, usou de técnicas simples, mas que funcionaram muito bem. Ainda tem aquele suspense e tensão, diálogos sobre vida e conceito de ser superior (teoria de Nietzsche, Übermensch), usado também por Hitler, 3 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial. Além do teor e subtexto homossexual dos dois protagonistas. 80 minutos que valem a pena assistir! Este filme tem que ser mais conhecido. Uma obra de arte do Mestre do Suspense!

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Arthur Laurents
GÊNERO: Crime, Drama, Mistério
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 20min
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ELENCO PRINCIPAL:
Dick Hogan … David Kentley
John Dall … Brandon
Farley Granger … Phillip
Edith Evanson … Mrs. Wilson
Douglas Dick … Kenneth
Joan Chandler … Janet
Cedric Hardwicke … Mr. Kentley
Constance Collier … Mrs. Atwater
James Stewart … Rupert Cadell


REBECCA, A MULHER INESQUECÍVEL (Rebecca, 1940 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 21 de Junho de 1940

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SINOPSE:
Uma jovem de origem humilde (Joan Fontaine) se casa com um riquíssimo nobre inglês (Laurence Olivier), que ainda vive atormentado por lembranças de sua falecida esposa. Após o casamento e já morando na mansão do marido, ela vai gradativamente descobrindo surpreendentes segredos sobre o passado dele.

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SOBRE O FILME:
Esse grande clássico do cinema foi dirigido pelo mestre do suspense Alfred Hitchcock, aqui com seu primeiro trabalho que levou o Oscar de melhor filme, tudo o que o consagrou como um dos maiores diretores de todos os tempos esta aqui: grandiosas ambientações, planos longos impecáveis, perfeita construção de tensão, excelente uso dos efeitos limitados para a época. Jogo de câmera de outro mundo chega a ser incrível ver o que o diretor fez nos anos 40, que é muito usando ainda hoje e em muitas das vezes, ninguém faz tão bem quando Hitchcock.
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O roteiro é uma adaptação da obra de Daphné Du Maurier para os cinemas e o resultado não poderia ser melhor. Mesmo depois de 76 anos continua se mantendo uma trama muito atual sobre superação do passado e aceitação do futuro. Grandes personagens, diálogos maravilhosos e aquele suspense que prende o público até o momento final. E não podemos esquecer-nos das grandes reviravoltas, muito bem estruturadas e convincentes. Um grande estudo sobre o amor verdadeiro e tudo que se faz para mantê-lo até o final.
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No maravilhoso elenco, começando pelo feminino temos a grande Joan Fontaine em um trabalho excepcional como uma mulher frágil e com medo da situação, com seus olhos expressivos leva o publico a loucura. Judith Anderson em uma das personagens mais misteriosas e detestáveis da história do cinema escreve seu nome na eternidade pelo seu trabalho aqui como uma das maiores. Florence Bates mesmo aparecendo apenas no inicio deixa sua marca, um grande trabalho e uma personagem desagradável. O grande Laurence Olivier aqui mais uma vez excelente como sempre, um grande ator, um grande trabalho e um maravilhoso desempenho. George Sanders também entrega um trabalho ótimo, com um personagem invejoso e detestável.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Robert E. Sherwood, Joan Harrison
GÊNERO: Drama, Mistério, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 10min
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ELENCO PRINCIPAL:
Laurence Olivier … ‘Maxim’ de Winter
Joan Fontaine … Mrs. de Winter
George Sanders … Jack Favell
Judith Anderson … Mrs. Danvers
Nigel Bruce … Major Giles Lacy
Reginald Denny … Frank Crawley
C. Aubrey Smith … Colonel Julyan
Gladys Cooper … Beatrice Lacy
Florence Bates … Mrs. Van Hopper
Melville Cooper … Coroner


A ESTALAGEM MALDITA (Jamaica Inn, 1939 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 16 de Outubro de 1939

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SINOPSE:
Mary (Maureen O’Hara) é uma jovem que muda-se para a estalagem dos tios, e descobre que lá vive uma gangue de piratas. A partir desse momento ela passa a temer pela sua própria vida.

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SOBRE O FILME:
A Estalagem Maldita foi o último filme de Alfred Hitchcock no Reino Unido, de onde partiria para morar e trabalhar nos Estados Unidos, a convite de David O. Selznick, já no ano seguinte.
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O diretor britânico recebeu o convite quando ainda filmava A Dama Oculta, e chegou a fazer uma “visita de reconhecimento” à terra do Tio Sam em agosto de 1938, onde acertou com Selznick a proposta de filmar Titanic, acordo que foi modificado posteriormente. Em vez da famosa tragédia do transatlântico, o cineasta ficou encarregado de filmar Rebecca, A Mulher Inesquecível (1940), sua estreia em Hollywood que seria a sensação do Oscar, vencendo nas categorias de Melhor Filme e Melhor Fotografia em Preto e Branco, além de receber outras 9 indicações, incluindo a de Melhor Diretor.
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A Estalagem Maldita fecha de forma mediana a fase britânica de Hitchcock. Talvez se Charles Laughton, que também era um dos produtores da obra, aquietasse mais o seu ego e não exigisse diálogos adicionais para seu personagem, Hitchcock conseguisse criar um outro tipo de tensão e fazer desse filme algo mais próximo de uma característica bem sua. De qualquer forma, este não é um filme ruim e certamente deve ser visto por ser um marco importante na carreira de Hitchcock. A partir desse ponto, na fase americana do Mestre, os espectadores poderiam ver de forma mais intensa tudo aquilo que ele acreditava ser cinema e entretenimento, aplicando e aprimorando suas ideias estéticas e narrativas estruturadas em sua terra natal. A Estalagem Maldita é apenas o último capítulo antes desse novo momento e, mesmo que não conste entre os melhores já realizados pelo diretor, tem um quê de especial que só quem o viu saberá definir bem.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Sidney Gilliat, Joan Harrison
GÊNERO: Adventure, Crime
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 48min
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ELENCO PRINCIPAL:
Charles Laughton … Sir Humphrey Pengallan
Leslie Banks … Joss Merlyn
Emlyn Williams … Harry the Pedlar
Robert Newton … Jem Trehearne,gangue de Humphrey
Marie Ney … Tia Patience Merlyn
Maureen O’Hara … Mary
O.B. Clarence … Passageiro da diligência
John Longden … Capitão Johnson
Aubrey Mather … Cocheiro
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


A DAMA OCULTA (The Lady Vanishes, 1938, UK)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 11 de Outubro de 1935

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SINOPSE:
Em um pequeno recanto da Europa os passageiros de um trem ficam retidos em virtude de uma nevasca e são obrigados a pernoitar em uma pequena estalagem. Lá uma rica jovem conhece uma velha governanta e ambas combinam de se encontrarem no dia seguinte no trem. Entretanto, logo após o início da viagem a governanta desaparece e ninguém, por motivos diversos, afirma ter visto a pessoa desaparecida. Ela persiste em suas investigações e acaba convencendo um musicólogo, com quem ela tinha se desentendido na véspera.

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SOBRE O FILME:
Hitchcock já era um nome conhecido e popular na Inglaterra, quando foi lançado este A Dama Oculta, após uma sequência de três filmes do diretor não muito bem sucedidos. A volta por cima com o sucesso deste filme em particular foi tão grande, especialmente na Inglaterra – onde foi a maior bilheteria do ano em 1938 – que selou definitivamente a ida do diretor para os Estados Unidos, sendo o penúltimo filme da sua chamada fase britânica.
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A Dama Oculta foi refilmado em 1979, com direção de Anthony Page, e com Elliot Gould e Cybil Sheppard nos papeis principais. A recepção crítica não pode evitar de compará-lo ao clássico de Hitchcock, no que o filme saiu perdendo. Mais uma refilmagem desnecessária, que é melhor esquecer. O original, com seus típicos elementos do gênero suspense, que praticamente nasceu pelas mãos de Hitchcock, é incomparavelmente superior.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
GÊNERO: Comédia, Romance, Suspense
ORIGEM: Reino Unido
DURAÇÃO: 96 minutos
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ELENCO PRINCIPAL:
Margaret Lockwood: Iris Henderson
Michael Redgrave: Gilbert
Paul Lukas: Dr. Hartz
Dame May Whitty: Miss Froy
Cecil Parker: Sr. Todhunter
Linden Travers: Sra. Todhunter
Naunton Wayne: Caldicott
Basil Radford: Charters
Mary Clare: Baronesa
Josephine Wilson: Madame Kummer
Alfred Hitchcock: Homem na estação
Googie Withers: Blanche


SABOTAGEM (Sabotage, 1936 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 02 de Dezembro de 1936

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SINOPSE:
O sr. Verloc (Oskar Homolka) é um sinistro agente de uma misteriosa potência estrangeira que executa atos de sabotagem nas pessoas, e para manter um disfarce, ele é dono de um pequeno cinema ao lado da esposa. A sr. Verloc (Sylvia Sidney) passa a desconfiar do “trabalho” ilegal do marido, e suas suspeitas aumentam quando seu irmão Stevie (Desmond Tester) é vítima de uma armação na qual ele carrega sem querer uma bomba pelas ruas de Londres.

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SOBRE O FILME:
Hitchcock pode não ter conseguido o tal “grande filme” a que muitos críticos e espectadores intitulam Sabotagem, mas certamente conseguiu uma obra interessante e um bom resultado na esfera técnica. Já foi citado aqui o uso dramático e metafórico de elementos do espaço geográfico (a rua, a cidade) que o diretor explorou no início, algo que pode ser visto em todo o restante do filme e provar a nossa visão de apuro na composição de imagem feita pelo Mestre.

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Não se trata, todavia, de uma obra ruim. Há muitos elementos tipicamente hitchcockianos na fita que lhe dão um charme e uma atmosfera toda especial, contando até com uma contrastante cena do desenho A Flecha do Amor (1935), de David Hand, produzido pelos estúdios Walt Disney. Essa cena, apesar de aparentemente alegre, dá um significado ainda mais pesado à morte de Stevie e deixa claro o estado de choque em que a Sra. Verloc se encontrava após receber da notícia. Num primeiro momento, ela tenta “fugir” ou esquecer a situação através do cinema, mas o que está na tela remete não só ao personagem mas também o público à tragédia que acabara de acontecer… Sabotagem é uma daquelas produções em que temos as melhores características de um diretor em um filme cuja história se auto-boicota.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Charles Bennett
GÊNERO: Crime, Thriller
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 16min
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ELENCO PRINCIPAL:
Sylvia Sidney … Sra. Winnie Verloc
Oskar Homolka … Karl Anton Verloc
John Loder … Ted Spencer
Desmond Tester … Steve
Joyce Barbour … Renee
Matthew Boulton … Superintendente Talbot
S.J. Warmington … Hollingshead
William Dewhurst … O professor
Torin Thatcher … Yunct,o conspirador
Austin Trevor … Vladimir
Martita Hunt … Srta. Chatham
Peter Bull … Michaelis
Aubrey Mather … Verdureiro da W. Brown & Sons
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


AGENTE SECRETO (Secret Agent, 1936 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 15 de Maio de 1936

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SINOPSE:
Durante a Segunda Guerra, soldado britânico descobre que uma agência do governo forjou sua morte e trocou seu nome. Agora ele será enviado para uma operação especial: viajar para a Suíça e matar um agente alemão. Para levar a cabo a missão, ele é ajudado por uma agente novata e um assassino profissional.

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SOBRE O FILME:
Em um resumo de leitura simples: Agente Secreto (1936) é um filme vago de motivação dramática e absurdamente insistente em situações que não ajudam a desenvolver a história, apenas desviam o espectador para coisas que o vão chateando cada vez mais, resultando em um produto final que tem momentos isolados de brilhantismo técnico de Alfred Hitchcock na direção e muita coisa que deveria ter sido cortada durante a edição.
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A história que vemos na tela é adaptada de duas fontes literárias; a primeira, dos romances muito populares escritos por W. Somerset Maugham, tendo o personagem Ashenden como protagonista. A segunda, da peça escrita por Campbell Dixon, de onde saiu o ponto romântico da película. A junção entre literatura, teatro e cinema não poderia passar incólume a estranhezas narrativas, e este é o ponto que temos de sobra em Agente Secreto.
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Agente Secreto não é uma obra memorável de Hitchcock, apesar de já trazer características muito próprias de sua fase maestra dos anos posteriores. Trata-se de uma obra menor, mediana, mas que num momento ou outro garante uma animada erguida de sobrancelha para closes e cenas realmente muito boas, os únicos momentos que irão garantir a validade da sessão.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Charles Bennett
GÊNERO: Mystery, Thriller
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 26min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Gielgud … Ashenden
Peter Lorre … O General
Madeleine Carroll … Elsa
Robert Young … Robert Marvin
Percy Marmont … Caypor
Florence Kahn … Sra. Caypor
Howard Marion-Crawford … Karl – noivo de Lilli
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


CHAMPAGNE (Champagne, 1928, UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 20 de Agosto de 1928

SINOPSE: Betty é uma garota rica e mimada que tem uma vida de luxo devido aos lucros da indústria de champanhe de seu pai. Para colocar um fim no comportamento da moça, ele fala que sua empresa faliu. Betty agora tem que conseguir dinheiro e, para isso, começa a trabalhar.

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SOBRE O FILME: 

Champagne é um dos mais interessantes filmes da fase silenciosa de Alfred Hitchcock, mesmo que não seja um suspense ou tenha assassinato em pauta, como era de se esperar de um ‘típico’ filme seu. O obra é, na verdade, um drama romântico que tem a difícil relação entre um pai rico e uma filha espalhafatosa como plano de fundo, trazendo novamente temáticas trabalhadas anteriormente pelo diretor mas em contextos distintos, como o caso da pobreza e decadência do filho em Downhill e a questão do valor da mulher dançarina ou funcionária de um cabaré em The Pleasure Garden.

A história não cai em nenhum dos dois extremos anteriores, mas mostra uma situação financeira para a protagonista que faz com que ela repense suas atitudes anteriores e entenda o que é gastar dinheiro de maneira sensata, ou mesmo quanto vale o dinheiro. Nesse caso, o fato de o pai ter resolvido aplicar-lhe uma lição, fingindo estar falido, dá à obra uma aparência fabular, com lição de moral + entendimento do erro e reconciliação no desfecho da história. Por mais que pareça clichê, Champagne se sustenta como drama romântico e até com suas bem-vindas cenas cômicas, tudo isso cimentado por maravilhosas brincadeiras estéticas de Hitchcock, já bastante cioso do que era possível fazer com montagem, sobreposição de fotogramas e truques de câmera.

Gordon Harker é o ator que faz o pai da protagonista e ele já tinha trabalhado com Hitchcock em dois filmes anteriores, A Mulher do Fazendeiro e O Ringue. Seu personagem aqui tem bem mais destaque que os anteriores, alguém cuja importância para a trama é realmente notável, mesmo que ele não apareça muito em cena. Além disso, sua veia cômica está dentro de um patamar aceitável, não caindo em forçosas situações, como as que encarnou em A Mulher do Fazendeiro. O ator vive um aristocrata cuja filha só lhe dá dor de cabeça, mas ele está disposto a fazê-la aprender uma boa lição. Hoje isso pode ser bastante batido no cinema, mas para 1928 não eram todos os dramas — ou romances adaptados, como é o caso — que conseguiam um bom resultado final com uma trama desse tipo.

O intrigante aqui é a distração implantada pelo diretor, ou seja, o detetive/amigo contratado pelo pai para ficar de olho na filha  se passa por um pretendente interesseiro. Ele é o motivo “X” para que se dê lugar a acontecimentos maiores em toda a história, movendo tanto a garota quanto o seu noivo, que acha estar perdendo o amor da sua vida para um estranho qualquer. Em linguagem hitchcockiana, poderíamos até chamar essa distração de McGuffin, embora o termo não se aplique aqui de maneira totalmente correta. Fora essas intricadas e muito inteligentes confusões do roteiro, temos a direção de Hitchcock que, além de guiar com competência o elenco e a narrativa fílmica, realiza um grande número de metáforas visuais, sugerindo muito mais do que falando, o que abre algumas questões expostas no filme para a interpretação do público, mesmo que haja um sentido geral da obra a ser considerado.

Durante o todo o tempo, o diretor buscou ligar sequências e cenas dramáticas com outros espaços, na maioria das vezes contrastantes, como se estivesse conduzindo um conflito de duas faces, pensamento que fica mais forte ainda na cena final, quando não temos tanta certeza quanto às verdadeiras intenções do tal detetive. Objetos vindo em direção à câmera, ligação de fotografias com cenas reais, sequência de ângulos peculiares pensada para dar a ideia de determinados estados de espírito do personagem em destaque… essas e outras características podem ser observadas no decorrer da fita, que não peca por excessos de experimentação ou uso inadequado delas.

Champagne foi uma grande surpresa para mim. Li a sinopse antes de assistir ao filme e achei que seria tão ruim quanto A Mulher do Fazendeiro, mas estava enganado. Com uma trama sem meandros, ótima concepção estética e pequenos mistérios que mais parecem um brincadeira do Mestre com o seu público, a obra é divertida e muito bem dirigida, com um elenco bom na maior parte da fita, apenas vez ou outra mostrando os vários cacoetes incômodos do cinema silencioso. Mesmo assim, Champagne consegue a aprovação do espectador e se logra como uma das grandes surpresas de Hitchcock já no final de sua primeira década como diretor.

DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Alfred Hitchcock, Walter C. Mycroft (story by), Eliot Stannard (scenario)
GÊNERO: Comédia
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 26min
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ELENCO PRINCIPAL:

Betty Balfour … The Girl
Jean Bradin … The Boy
Ferdinand von Alten … The Man
Gordon Harker … The Father

Fontes de Pesquisa/Texto: Filmow, IMDb, Plano Crítico/Luiz Santiago.


A MULHER DO FAZENDEIRO (The Farmer’s Wife, 1928, UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 2 de Março de 1928

SINOPSE: Baseado numa peça de mesmo nome, A Mulher do Fazendeiro conta a história de um velho e solitário viúvo que resolve se casar de novo. Sua empregada, Aramintha, tem por ele uma paixão secreta e o ajuda a procurar uma esposa entre as mulheres locais. Mas todas o rejeitam, até ele perceber que a perfeita esposa para o fazendeiro vive sob seu próprio teto.

Assista o filme clicando no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: 

É quase impossível acreditar que um filme como A Mulher do Fazendeiro tenha a assinatura de Alfred Hitchcock como diretor. Quem conhece a fase silenciosa do Mestre, sabe que ele não teve um começo de carreira tão louvável quanto sua “fase sonora” no Reino Unido ou nos Estados Unidos. Também é sabido que o cineasta tinha grande dificuldade em finalizar seus filmes, um problema que foi se dissipando a cada novo projeto, sendo corrigido, enfim, a partir de Chantagem e Confissão (1929). Mas em alguns momentos desse início de jornada cinematográfica ele errou feio a mão na condução de um filme e A Mulher do Fazendeiro é um exemplo gritante disso.

Nessa fase de experimentos cinematográficos, Hitchcock não só tentou explorar ao máximo os recursos técnicos de sua época como também aceitou dirigir um grande número de roteiros, independente do gênero dos filmes; assim, podemos identificar obras do diretor em ambientes dramáticos bem diferentes daqueles que lhe deram fama. A Mulher do Fazendeiro, por exemplo, é uma comédia romântica.

O filme conta a história do Sr. Sweetland, um fazendeiro um tanto orgulhoso que, ao se ver viúvo, acredita que conseguirá logo uma outra esposa, pois pensa que todas as mulheres solteiras da região estão loucas por ele. Por se tratar de um filme britânico do final dos anos 20, não é de se espantar esse tipo de argumento angular em torno do personagem masculino e dessa sua visão inicial a respeito das mulheres (aos poucos corrigida). É até difícil apontar o que exatamente torna a obra tão ruim como conjunto, uma vez que seus elementos isolados podem até funcionar razoavelmente bem.

De início, o ritmo parece uma admirável sequência de eventos marcados pela ação de um personagem “X”, que ainda não sabemos se protagonista ou coadjuvante. Esse ponto de partida é bem fácil de ser identificado, mesmo que não haja intertítulos explicativos, como era comum no cinema silencioso e algo que Hitchcock odiava, por isso evitava ao máximo usar as cartelas de legenda. A viuvez de Sweetland é imediatamente vista em paralelo às ações do carrancudo e reclamão Churdles Ash, que serve de ponto cômico fixo para o filme, mas funciona apenas em um momento isolado, sendo, na maior parte das vezes, um personagem de atitudes forçadas e até inconvenientes.

Ao enviuvar, o Sr. Sweetland sente o peso da solidão, principalmente após o casamento da filha. O roteiro então compartilha com o público as ações do fazendeiro viúvo, o cotidiano na casa da fazenda (inclusive os cachorros, um dos poucos momentos preciosos do filme) e a braveza de Churdles Ash, fazendo caras e bocas, jogando chá e água fora, ou passando o conteúdo da xícara para o pires e então bebendo dali (qual a necessidade disso?).

Expostas essas questões, notamos que um dos problemas do filme está no trato com os personagens e o modo como o roteiro se esforça desnecessariamente para encaixar as inúteis idiossincrasias de cada uma deles. Essas investidas tendem a piorar quando as mulheres entram em cena com algum destaque – inclusive Araminta, a empregada. Mesmo que visualmente e em concepções particulares o filme alcance bons resultados estéticos e rítmicos (as festas, alguns momentos das visitas do Sr. Sweetland às pretendentes, o relacionamento dos empregados e certos planos abertos em torno da propriedade), o desencontro e incoerências de outros personagens e suas ações põem tudo a perder. A obra chateia tanto o espectador com a postura de Churdles Ash ou a via crucis bobinha do fazendeiro para encontrar seu grande amor (que estava, como não podia deixar de ser, debaixo de seu nariz), que não resta muita coisa para elogiar.

A sessão de A Mulher do Fazendeiro foi uma das mais penosas que eu já tive. O filme parece não ter fim (apesar de não ser muito longo) e quanto mais divergentes as coisas parecem na tela, com momentos muito bons e momentos muito, muito ruins, a paciência do espectador se esgota e sobra apenas o cansaço. Fico até em dúvida se elejo este como o pior filme de Hitchcock ou se o coloco ao lado das duas aberrações propagandísticas que ele dirigiu em 1944: Bon Voyage e Aventure Malgache. Pelo menos a gente sabe que o diretor faria uma grande comédia de tom romântico alguns anos depois, o divertido e inteligente Casal do Barulho (1941). Nada como a experiência para trazer bons resultados artísticos.

DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Leslie Arliss, Alfred Hitchcock e J.E. Hunter (uncredited)
GÊNERO: Comédia, Drama, Romance
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:

Jameson Thomas … Farmer Sweetland
Lillian Hall-Davis … Araminta Dench – Sweetland’s Housekeeper
Gordon Harker … Churdles Ash – Sweetland’s His Handyman
Gibb McLaughlin … Henry Coaker
Maud Gill … Thirza Tapper
Louie Pounds … Widow Windeatt
Olga Slade … Mary Hearn – Postmistress
Ruth Maitland … Mercy Bassett
Antonia Brough … Susan
Haward Watts … Dick Coaker
Diana Napier … Sibley Sweetland

Fontes de Pesquisa/Texto: Filmow, IMDb, Plano Crítico/Luiz Santiago.


DECADÊNCIA (Downhill, 1927, UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 24 de Outubro de 1927 (UK)

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SINOPSE:
O estudante Roddy Berwick é expulso da escola pública quando assume a culpa por um roubo ocorrido a um amigo. Expulso de casa pelos pais, o rapaz foge para Paris, e sua vida desmorona em uma série de desventuras.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
Downhill foi um dos últimos dois filmes que Alfred Hitchcock dirigiu para a Gainsborough Pictures. Ele marca a volta de Ivor Novello para um trabalho em parceria com o diretor, depois do sucesso obtido com O Inquilino (1926). O roteiro do longa é baseado em uma peça do próprio Novello e de Constance Collier, contando a história de um jovem estudante que é falsamente acusado por uma garota (falaremos da acusação um pouco mais adiante) e expulso do Colégio onde estuda. A partir desse momento, dá-se início ao declínio financeiro e psicológico do personagem, uma jornada bastante pessimista na qual se centra todo o desenvolvimento da obra.
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Downhill não foi muito bem recebido pela crítica e nem pelo público. Talvez quisessem algo na linha de O Inquilino ou talvez este não fosse o tipo de filme que esperavam ver assinado por Hitchcock, algo que o diretor teve de se acostumar ao longo dos anos e, em dado momento de sua carreira, constatar a figura que faziam dele e de sua obra: “Sou um diretor estereotipado. Se eu fizesse Cinderella, o público estaria imediatamente procurando por um corpo na carruagem. “.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Eliot Stannard, Constance Collier, Ivor Novello
GÊNERO: Adventure, Drama, Thriller
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 20min
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ELENCO PRINCIPAL:
Ivor Novello … Roddy Berwick
Ben Webster … Dr. Dawson
Norman McKinnel … Sir Thomas Berwick
Robin Irvine … Tim Wakeley
Jerrold Robertshaw … The Rev. Henry Wakeley
Sybil Rhoda … Sybil Wakeley
Annette Benson … Mabel
Lilian Braithwaite … Lady Berwick
Isabel Jeans … Julia
Ian Hunter … Archie


O PENSIONISTA (The Lodger: A Story of the London Fog, 1927 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 14 de Fevereiro de 1927

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SINOPSE:
Um serial killer inicia uma série de assassinatos em Londres, tendo como elemento comum o fato de suas vítimas serem todas mulheres loiras. Um novo hóspede, Jonathan Drew (Ivor Novello) chega ao hotel do casal Bounting (Marie Ault e Arthur Chesney), em Bloomsbury e aluga um quarto. O homem tem estranhos hábitos, como o de sair em noites nevoentas. A filha dos Bounting, Daisy (June), também loira, está noiva de Joe Chandler (Malcolm Keen), um detetive. Quando Joe encontra Jonathan, logo fica enciumado deste flertar com Daisy e o prende, acusando-o de ser o temível Jack, o Estripador.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
“O Pensionista” é o prenúncio da genialidade de Alfred Hitchcock. Lançado em 1927, foi o primeiro suspense do cineasta. Baseado em um livro homônimo, que teve como inspiração o mais famoso assassino de todos os tempos, Jack, O Estripador, o filme gira em torno de um serial killer de mulheres louras.
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Hitchcock trata o suspense com ironia, seja brincando com as sombras da janela que aprisionam o suspeito, ou durante o jogo de xadrez, em que Drew diz à Daisy após perder uma jogada “Tenha cuidado, eu ainda te pego!” O misterioso inquilino e a filha do casal Bounting acabam por desenvolver um romance. Embora o mestre do suspense quisesse um final mais intrigante e macabro, o estúdio exigiu que o personagem de Jonathan Drew, interpretado por Ivor Novello, fosse inocentado, dando ao casal um final feliz.

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DIREÇÃO: Alfred Hitchcock
ROTEIRO: Eliot Stannard
GÊNERO: Crime, Drama, Mistério
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 8min
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ELENCO PRINCIPAL:
Marie Ault … The Landlady
Arthur Chesney … Her Husband
June Tripp … Daisy – A Mannequin
Malcolm Keen … Joe – A Police Detective
Ivor Novello … The Lodger


Fontes de Pesquisa/Texto: Filmow, IMDb, Revista Cinemin e The Movie Database.CULT COLLECTORS | Ser Cult É Ser Colecionador!!!

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