AS DIVAS – Pequenas Notáveis do Cinema Mudo

LILLIAN GISH, a Pioneira da Emoção
Griffith inventou o close para melhor registrar sua força dramática

A inventora da performance dramática no cinema nasceu em Springfield, Ohio, em 1896. E, logo cedo, percebeu: representar não se resumia a fazer caras e bocas diante da câmera. Era preciso acrescentar emoção.

Estreou nos palcos em 1912. Foi quando aceitou o convite de Gladys Smith (mais tarde, Mary Pickford) para ir a Nova York. A amiga levou-a para conhecer os estúdios da Biograph (onde atuava) e apresentou Lillian Gish a David W. Griffith. Era o pontapé inicial num dos mais notáveis casamentos intelectuais do cinema.

Lillian Gish e Mary Pickford (Gladys Louise Smith).

A partir de então, Lillian e David fizeram uma dobradinha perfeita. E vieram An Unseen Enemy (1912), O Nascimento de uma Nação/The Birth of a Nation (1915), Hearts of the World (1918), Broken Blossoms (1919, nesse filme o cineasta teria inventado o close, para melhor registrar a emoção de sua atriz), Way Down East (1920) e Orphans of the Storm (1922).

Lillian Gish em Orphans of the Storm (1921).

Em 1925, a Metro-Goldwyn-Mayer, percebendo o talento dramático da atriz, contratou-a para estrelar adaptações de obras literárias. Vieram La Boheme (1926, de King Vidor) e A LETRA ESCARLATE (The Scarlet Letter, 1926, de Victor Seastrom) ASSISTA AO FILME COMPLETO, CLICANDO ABAIXO:

No final dos anos 20, 0s chefões dos estúdios começaram a achar que o público queria divas mais vamps e Lillian Gish diminuiu o número de aparições na tela. Nas décadas seguintes, atuou em poucos filmes: Duelo ao Sol/Duel In The Sun (1946, quando foi indicada para o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante), O Mensageiro do Diabo/The Night of the Hunter (1955), A Cerimônia de Casamento/A Wedding, de Robert Altman (1978), e As Baleias de Agosto/The Whales of August (1987).

Lillian Gish merreu, aos 97 anos, em 27 de fevereiro de 1993.

Lillian Gish em Duel in the Sun (1946).

CLARA BOW, A DEUSA DA VOLÚPIA

Clara Bow foi tão famosa nos anos 20 que, ao protagonizar It, em 1927 (foto abaixo), a história de uma garota cheia de charme, introduziu no vocabulário a palavra it, o mesmo que sex appeal. A estrela, no entanto, começou a vida por baixo. Filha de pai garçom e mãe instável, teve uma infância pobre. Aos 16 anos, venceu um concurso de beleza promovido por uma revista no cinema.

A grande chance veio em 1925, quando o chefão do pequeno estúdio onde atuava passou a trabalhar na Paramount, e ela foi junto. Foi quando Mrs. Bow começou a se transformar na mais completa tradução da mulher voluptuosa e estrelou filmes como Wings (1927, de William Welmann | Foto abaixo), o primeiro vencedor do Oscar de Melhor Filme.

Entre 1922 (quando estreou, em Beyond The Rainbow) até 1933 (quando fez Hoopla), Clara Bow estrelou 58 filmes. Mas ficou pouco tempo no auge da fama. Com o surgimento do cinema falado, uma vida recheada de pequenos escândalos e uma saúde mental não exatamente equilibrada, a diva dos anos 20 mergulhou rapidamente no ostracismo, onde permaneceu até 1965, quando morreu.

AS CARAS E BOCAS DE THEDA BARA

Pergunte a uma drag queen mais bem informada, claro, quem foi Theda Bara, terá uma resposta na ponta da língua: “a nossa santa padroeira!”. Com um jeito exagerado de se vestir e maquiar, foi a primeira grande diva do cinema, a rainha do ‘over’, do exagero, do estar disposta a tudo para chamar a atenção dos homens.

Nascida Theodosia Goldman em Cincinatti, Ohio, em 1890, tinha tudo para despontar para o anonimato, mas preferiu a luz dos refletores. Mudou-se, ainda adolescente, para Hollywood, onde passou a fazer figurações. Aos poucos, foi se fazendo notada, graças à sua capacidade de fazer caras e bocas.

Em 1916, ganhou o primeiro grande papel: a heroína cheia de amor para dar criada por Merimée. A explosão da diva vamp aconteceu em A FOOL THERE WAS, ainda em 1915 (foto abaixo). Nessa época, lendas começaram a circular sobre sua origem. Segundo os pioneiros do marketing cinematográfico, Theda Bara, um anagrama da expressão Arab Death (morte árabe), nascera no deserto do Saara, filha de um artista francês e de uma misteriosa egípcia.

A rainha do ‘over’ caprichava nos ‘happenings’. Cercava-se por símbolos de morte, circulava numa limusine branca e recebia a imprensa, acariciando uma enorme serpente.

Entre 1914 e 1919, apareceu em mais de 40 filmes, sempre dando vida a papéis cheios de glamour como Madame DuBarry, Salomé e Cleópatra.

Aos poucos, no entanto, o que era glória virou escárnio. O público começou a achar ridículo todo aquele excesso de trejeitos. Em 1919, já captando a reação desfavorável do público, trocou Hollywood pelos palcos da Broadway. Só voltaria ao cinema seis anos depois para protagonizar seus últimos filmes: The Unchastened Woman (1925) e Madame Mistery (1926). A seguir, mergulhou em profundo esquecimento, até morrer em 1955, de câncer.

MARION, A QUERIDINHA DO CIDADÃO KANE

A garota nascida Marion Cecilia Douras, em 1897, no Brooklyn, em Nova York, foi uma das mais talentosas rainhas da tela dos anos 20.

Marion estreou na linha de coro da Broadway em 1913 e, três anos depois, ganhava papel no musical Ziegfeld Follies. No ano seguinte, estreava nas telas em Runaway Romany. Foi quando William Randolph Hearst, magnata da imprensa americana imortalizado no filme Cidadão Kane, de Orson Welles, ficou fascinado pelo seu par de pernas e decidiu transformá-la na maior atriz da América.

William Randolph Hearst e Marion Davies.

Criou a Cosmopolitan Pictures, com a intenção de financiar todos os filmes da mulher amada. Colocou toda a sua rede de comunicação a serviço de sua causa: bombardear aos quatro cantos que Marion Davies era uma deusa das telas.

Fracassou espetacularmente: apesar da enorme publicidade, Hearst, que insistia em realizar milionárias superproduções, perdeu de 7 a 8 milhões de dólares entre 1919 e 1923.

Mas teve um consolo: embora um fracasso de bilheteria, transformou-a numa das mais conhecidas atrizes americanas dos anos 20.

Em 1924, a Cosmopolitan foi incorporada pela Metro. O esperto Louis B. Mayer não dava ponto sem nó. Percebera que faria um ótimo negócio: financiaria os filmes de Mrs. Davies e, em troca, teria o império de comunicações de Hearst a seu serviço. Caprichou nas mordomias oferecidas: além de um salário de 10.000 dólares semanais, construiu um bangalô de catorze cômodos, onde a estrela poderia descansar nos intervalos das filmagens.

Marion no auge da carreira, nos anos da MGM.

A carreira de Davies começou a declinar com o advento do cinema falado. Além do mais, em 1934, Hearst rompeu o contrato com a MGM, indignado com o fato de os grandes papéis do estúdio estarem indo para a atriz Norma Shearer.

Em 1937, com a série de problemas financeiros que o império Hearst passou a enfrentar, Marion Davies saía de cena. Transformou-se em bem-sucedida empresária, até morrer em 1961.

Fontes de Pesquisa: O Mundo do Cinema/Caras, IMDb.

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