BERNARD HERRMANN | Os Colaboradores de Hitchcock

Cada filme, como fruto de um esforço coletivo, precisa que todos os seus setores funcionem em perfeita sintonia. Ao diretor cabe harmonizar os diferentes compartimentos, conferindo-lhes unidade. O Cinema registra inúmeras colaborações vitais entre cineastas e técnicos, quase sempre decisivas ao amadurecimento do estilo dos primeiros. Alfred Hitchcock não é exceção. A partir da década de 50, ele contou com três inspirados auxiliares, que conjugaram esforços em vários trabalhos do mestre até 1964, cobrindo um período de realizações exponenciais, eis o primeiro deles.

Entre os muito débitos do Cinema para com Orson Welles, figura o fato dele ter convidado Bernard Herrmann para musicar o histórico Cidadão Kane/Citizen Kane (1941), o que redundou num score formidável e na estreia no meio de um compositor excepcionalmente dotado. Nascido em Nova York em 29 de junho de 1911, Herrmann interessou-se por música muito cedo, estudando composição e regência na DeWitt Clinton High School, na New York University e na Julliard School of Music. Nessa época, formou um grupo de câmara, a New Chamber Orchestra, e escreveu um número de balé para o musical da Broadway Americana/1932. Em 1933, entrou para a CBS (rádio), onde, entre outros, dirigiu os programas sinfônicos Invitation to Music e Exploring Music. Três anos depois, o primeiro encontro com Welles, nas transmissões do Mercury Playhouse Theater, que duraram até a transferência do gênio wellesiano para as telas.

Ainda em 1941, Herrmann assinou O Homem Que Vendeu a Alma, pelo qual mereceu seu único Oscar (Kane também havia sido indicado). Com Jane Eyre/1944, inicia uma muito proveitosa associação com a 20th Century-Fox, desfrutando da admiração do diretor do departamento musical, o grande Alfred Newman, e do respeito do chefe de produção do estúdio, Darryl Zanuck. O resultado está espelhados nas partituras de Concerto Macabro/1945, O Fantasma Apaixonado/1947 (a predileta do autor), As Neves do Kilimanjaro/1952, Rochedos da Morte/1953 e O Egípcio/1954 (que, por falta de tempo, dividiu com Newman), todas elas terrivelmente mutiladas nas cópias em exibição na tevê brasileira.

Bernard Herrmann e atriz Mary Astor com seu Oscar da 14ª cerimônia do Oscar. Herrmann ganhou seu primeiro e único Oscar por ALL THAT MONEY CAN BUY (1941).

Depois, vinculou-se a Hitchcock em oito filmes e vários episódios da sua série, compondo as inolvidáveis trilhas de Um Corpo Que Cai/1958, Intriga Internacional/1959, Psicose/1960 e Marnie, Confissões de uma Ladra/1964, esta última fechando o ciclo. Por certo, o diretor se arrependeu de seguir o conselho dos executivos da MCA-Universal de substituir Herrmann, cuja música consideravam de venda difícil, em meio à sonorização de Cortina Rasgada/1966. O rigor da sua orquestração perdeu lugar em meio à desarticulada filmúsica da década de 60 e, como não se sentisse bem em Hollywood, Herrmann passou a morar na Inglaterra.

Alfred Hitchcock e Bernard Herrmann, nos bastidores de O HOMEM QUE SABIA DEMAIS, 1956.

Nos últimos anos de vida, alguns jovens cineastas revalorizaram-no e o compositor (assim como o amigo Miklós Rózsa) se viu apreciado por uma nova geração ao juntar-se a François Truffaut (Fahrenheit 451/1966, A Noiva Estava de Preto/1967), Brian de Palma (Irmãs Diabólicas/1973, Trágica Obsessão/1976) e Martin Scorsese (Táxi Driver/1976).

Bernard Herrmann morreu na noite de Natal de 1975, deixando, além das partituras para Cinema e tevê (The Great Adventure, Twilight Zone, Kraft Suspense Theatre, The Virginian), a música de balé Body Beautiful/1934, Sinfonietta for Strings/1935, a cantata Moby Dick/1938, a berceuse For the Fallen/1943, a ópera Wuthering Heights (com libreto de sua primeira esposa, Lucille Fletcher)/1950, uma versão musical de A Christmas Carol (com Maxwell Anderson, para a tevê)1955, String Quartel/1966, Clarinet Quintet/1967, o balé Ante Room/1971 e uma respeitável discografia.

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Fontes de Pesquisa/Textos: Revista Cinemin, IMDb, 2001 Indica, Filmow.

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