FRANÇOIS TRUFFAUT (1932-1984) | Os Diretores

Quando, ao final de Os Incompreendidos/Les 400 Coups/1959, Antoine, fugitivo, corria para o mar e sua imagem ficava paralisada na tela, o Cinema ganhava um novo autor de filmes e a França o mais internacional dos realizadores de sua geração.

A paixão de Truffaut pelo cinema começara na sua juventude. O cineasta, nascido a 6 de fevereiro de 1932, em Paris, encontrou na Sétima Arte uma forma de escape da sua infância problemática. Seu pai era arquiteto-desenhista; sua mãe, ilustradora. Aos 14 anos, fugiu de casa, abandonou os estudos e trabalhou numa fábrica como soldador elétrico.

Ávido espetador, faltava às aulas para frequentar clubes e salas de cinema, onde entrava sorrateiramente por não ter dinheiro para o bilhete. Apaixonado pela 7.ª Arte, colecionava artigos de jornais e revistas sobre os seus realizadores preferidos. Fundou, em 1948, o cineclube Cercle Cinémane, mas o projeto não teve sucesso.

François Truffaut foi o fã de Cinema que virou cineasta, um grande cineasta, em cuja carreira, interrompida precocemente em outubro de 1984, se incluem obras impregnadas de sensibilidade, lirismo, elegância artesanal e arguto estudo de caracteres, geralmente voltadas para o amor, a condição humana e a poesia.

François Truffaut aos 10 anos.

O crítico André Bazin o tirou de um reformatório e conseguiu empregá-lo na seção de Cinema de Travail et Culture e ele participou, também, da redação de La Gazetta du Cinéma, dirigida por Eric Rohmer. Convocado para o serviço militar em 1951, negou-se a lutar na Indochina, e Bazin teve de intervir para livrá-lo da prisão em Coblence, onde fora recolhido como desertor. Em 1953, seu protetor arranjou-lhe uma colocação no setor cinematográfico do Ministério da Agricultura, mas o rapaz veio a ser despedido poucos meses depois. Bazin, então, introduziu-o na revista Cahiers du Cinéma e no jornal Arts.

François Truffaut e Jean-Luc Godard quando jovens.

A influência de Truffaut na equipe do Cahiers foi fundamental. Com a publicação de seu artigo “Une Certaine Tendence du Cinéma Français” (nº 31, janeiro de 1954), inaugura-se uma nova etapa na revista, a qual adquire repentinamente grande combatividade. Com um texto virulento e agressivo, o jovem crítico ataca frontalmente diretores e argumentistas da chamada “Tradição de Qualidade” francesa, sempre premiados em festivais e orgulho da indústria, entre eles os consagrados Claude Autant-Lara, René Clement, Jean Delannoy, Jean Aurenche e Pierre Bost. Logo depois, começa a defender um Cinema de autor (Jean Renoir, Robert Bresson, Fritz Lang, Roberto Rossellini, Kenji Mizoguchi, Max Ophuls, Jacques Becker, Jacques Tati, Jean Cocteau, Abel Gance, Roger Leenhardt) e a exaltar as virtudes artísticas de cineastas anglo-americanos até então considerados meros entertainers (Alfred Hitchcock, , Howard Hawks, Raoul Walsh), ao mesmo tempo em que chama atenção para o trabalho de Robert Aldrich, Nicholas Ray, Anthony Mann e Samuel Fuller, egressos da produção classe B, e outros que nunca ascenderam a uma categoria superior, como Edgard G. Ulmer ou Joseph H. Lewis. Para Truffaut, pouco importava o filme analisado; o que interessava era o criador nele oculto.

Não existiam bons ou maus filmes, apenas bons ou maus diretores. Segundo o polêmico conceito da Política de Autores, o melhor de Jean Delannoy jamais se igualaria ao pior de Jean Renoir. Seus ídolos muito o ensinaram: “Com Hitchcock aprendi a contar uma história; com Renoir, a falar de sentimentos”. Ao diretor inglês ele dedicaria um livro histórico, Le Cinéma Selon Hitchcock/1966, depois de entrevistá-lo oito horas por dia durante uma semana.

(1966)

Juntamente com vários colegas de Cahiers (Jean-Luc Godard, Claude Chabrol, Eric Rohmer, Jacques Rivette, Jacques Doniol-Valcroze, Pierre Kast), Truffaut passou à realização, integrando a denominada Nouvelle Vague. A estréia se deu com o curta-metragem Une Visite/1955, seguidos de dois outros, Les Mistons/1957 e Une Histoire d’Eau/1958 (foto abaixo), após ter colaborado dois anos com Rosselini em três produções não concluídas.

Em 1959, o primeiro longa, Os Incompreendidos/Les quatre cents coups (foto abaixo) evoca aspectos de sua infância e dá vida a um personagem que, sempre intepretado por Jean-Pierre Léaud, reapareceria em outras quatro fitas, em fases diversas da sua existência, numa relação única ator-papel.

Dois anos depois, estreou Jules et Jim (foto abaixo), aclamado como um dos clássicos do cinema francês, confirmando o seu talento e marcando o início de uma carreira profícua.

Entre essas obras mais ou menos autobiográficas surgem outras 17, abordando temas variados, onde são visíveis as reiteradas preferências por crianças e mulheres, o desengajamento político e a aversão à violência.

A CONSAGRAÇÃO NA SÉTIMA ARTE

A sua produção cinematográfica diminuiu de ritmo em meados dos anos 60, enquanto se debatia com a produção de Farenheit 451 (1966) e trabalhava no seu livro sobre Alfred Hitchcock, um dos seus ídolos.

No final da década e no início dos anos 70, lançou vários títulos de sucesso, nomeadamente Baisers volés (1968) e Les deux anglaises et le continent (1971). Le Dernier Metro (1980) tornou-se um dos seus filmes mais aclamados, conquistando 10 Prémios César.

Em 1974, o trabalho de Truffaut foi reconhecido em Hollywood. La nuit américaine (1973) venceu o Óscar de melhor filme estrangeiro.

Truffaut apareceu, enquanto ator, em vários dos seus filmes, com destaque para L’enfant sauvage (1970). O cineasta participou, também como ator, em Close Encounters of the Third Kind (1977), de Steven Spielberg.

Pouco tempo depois de terminar o seu último filme, Vivement dimanche! (1983), Truffaut foi diagnosticado com um cancro cerebral. O cineasta morreu a 21 de outubro de 1984, em Neuilly-sur-Seine, em França.

Todos os seus filmes trazem uma postura individualista e sincera, a marca de um estilo (nota-se a contribuição do grande Nestor Almendros) e a consecução dos objetivos do cineasta: “Faço filmes para realizar meus sonhos de adolescente, para me sentir bem e, se possível, fazer bem aos outros.”

François Truffaut e a Nouvelle Vague francesa revolucionaram o cinema da época e deixaram o seu nome na história da cultura. O seu contributo ficou imortalizado nas suas metragens e a sua influência ainda hoje se faz sentir mundo da 7.ª Arte.

DE REPENTE, NUM DOMINGO ( Vivement Dimanche!, 1983 – França )
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 10 de agosto de 1983

SINOPSE: Em Paris, Julien Vercel (Jean-Louis Trintignant) trabalha como agente imobiliário. Apesar de ser enfadonho e não lhe acontecer problemas, sua vida sofre uma mudança brusca quando Claude Massoulier é assassinado com um tiro de espingarda. Acontece que a vítima era amante de Marie-Christine Vercel (Caroline Sihol), a mulher de Julien, e quando ela é também morta ele se torna o principal suspeito de ambas as mortes. Ironicamente Barbara Becker (Fanny Ardant), que era sua secretária e tinha sido despedida, passa a ser a única pessoa que realmente crê na inocência de Julien. Enquanto o mantém escondido, ela investiga o caso por conta própria e acaba se deparando com situações bem surpreendentes.

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SOBRE O FILME: Quem se fiar nas aparências, verá em “De Repente, num Domingo”, de François Truffaut, apenas um filme acadêmico, que repete fórmulas.
Lá estão a idéia de filme noir, transposto para a França, o uso do preto-e-branco, uma narrativa perfeitamente conforme os cânones tradicionais.
Quem pensar assim terá um fundo de razão. Mas não mais do que isso. Com efeito, François Truffaut era, dos cineastas da nouvelle vague, o mais apegado ao passado.

Seus filmes, não raro, pareciam feitos para manter vivo o cinema, ou antes, uma idéia específica de cinema: o da era clássica. A sensação de nostalgia que transmite esse filme vem menos do fato de ele ter sido feito em 1983 do que por estar impregnado por um espírito preservacionista.

Agora, quem não se fiar nas aparências terá oportunidade de ver que essa é apenas a capa sob a qual se esconde a modernidade profunda de Truffaut, o que já começa na intriga: Vercel (Jean-Louis Trintignant), corretor imobiliário, se vê, de um momento para o outro, acusado pelo assassinato do amante de sua mulher e, logo a seguir, da própria. Todas as aparências conspiram contra ele. A seu lado, apenas Barbara (Fanny Ardant), a secretária (e atriz amadora) que ele havia despedido nos primeiros cinco minutos de filme.

A postulação clássica, evidente, começa pela maneira de dispor essa intriga: uma polícia que só persegue evidências, um suspeito com todos os motivos para eliminar suas vítimas etc. E, em seguida, uma mulher que coloca uma capa sobre a roupa de atriz e passa a desempenhar o papel de detetive particular sem nem mesmo gritar: “Shazan”.

No entanto do acadêmico ao clássico vai uma distância. Em 1983, Truffaut faz um filme que, ao longo dos últimos 17 anos, não fez senão se tornar mais atual, justamente porque seu centro são as aparências do mundo.
Ou antes: muito pós-modernamente, pois é a um mundo de aparências que somos confrontados. Se num filme de Hitchcock, por exemplo, a polícia já se dedicava, exatamente como aqui, a buscar falsos culpados, podia-se pensar que, sob o engano, existia uma verdade que era a essência desse mundo.

Quem é Marie-Christine, a mulher assassinada logo no início do filme? Uma dona-de-casa, uma esteticista, uma prostituta? O que é um cinema? Uma casa de espetáculos ou a fachada de um negócio ilegal?

É nesse território instável que Truffaut instala seu filme. Pode-se dizer que, bem classicamente, ele não leva a idéia de simulacro às últimas consequências. Mas é nessa teia de aparências que vamos mergulhar durante quase duas horas, acompanhando a questão que o cineasta se coloca: o que há de verdade numa imagem e como distinguir, neste mundo, o falso do verdadeiro.
A resposta não está propriamente na intriga policial que acompanhamos, mas nas suas bordas. A resposta está na mulher. Ela pode ser vítima (Marie-Christine) ou heroína (Barbara). O falso culpado ou o culpado de fato não se movem senão em razão dela.

Talvez por isso “De Repente, num Domingo” seja um filme exemplar e vivo. Primeiro, porque mobiliza plenamente a paixão de Truffaut pelas mulheres. Segundo, porque entroniza a mulher como a mais bela das aparências do mundo. E a única capaz -em especial “a mulher certa”- de dar sentido às coisas, de redimir o homem de sua errância, bastando que o olhe, além da aparência, e saiba suscitar a verdade que existe nele. A isso também se costuma chamar amor.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: Charles Williams (novel “The Long Saturday Night”), François Truffaut (adaptation), Suzanne Schiffman (adaptation)
GÊNERO: Comédia, Crime, Mistério
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 1h 50min
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ELENCO PRINCIPAL:

Fanny Ardant … Barbara Becker
Jean-Louis Trintignant … Julien Vercel
Jean-Pierre Kalfon … Massoulier
Philippe Laudenbach … Maitre Clement
Philippe Morier-Genoud … Supt. Santelli
Xavier Saint-Macary … Bertrand Fabre
Jean-Louis Richard … Louison
Caroline Silhol … Marie-Christine Vercel
Anik Belaubre … Paule Delbecq


O ÚLTIMO METRÔ ( Le Dernier Metro, 1980 – França )
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 17 de setembro de 1980

SINOPSE: Em 1942, durante a ocupação nazista da França, os parisienses tinham que correr para não perder o último Metrô. Isso prejudicava as encenações teatrais, em particular num teatro onde o diretor judeu teve que fugir do país.

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SOBRE O FILME: Mais uma vez, ele presta uma homenagem as artes, nesse caso o teatro nesse drama social e romântico sobre resistência. Os primeiros 30 minutos, eu achei o filme sem muito ritmo, mas depois, a história avança, a narrativa envolve o espectador pela sua magnitude.

Truffaut filma o cotidiano muito bem, mesmo com os cortes meio bruscos no inicio, retrata o dia a dia da montagem de uma peça e todos os pormenores incluídos nisso, o teatro, a censura, e a falência da felicidade conjugal, com uma paixão que se instala, meio que a contragosto entre a Marion e o Bernard. Basta observar a forma como ela o observa, o desejando em segredo, ao mesmo tempo que tenta repelir os sentimentos que teimam em nascer.

Diálogos muito bem escritos, poéticos e com um senso de humor na medida, Acho que até hoje, eu que já vi todos os filmes do Truffaut, todos os personagens masculinos são galanteadores. Truffaut era mesmo fascinado pelas mulheres.

Catherine Deneuve faz com perfeição esses papeis de mulheres que tem uma sensualidade na forma fria de se comportar. Como bem observou Roger Vadim, ex marido dela no seu livro, Catherine tem um traço de personalidade fria. Traço esse que ela emprestou muito bem as personagens que interpretou nos filmes do Truffaut, as mulheres frias que provocam fascínio, mas são mitos quase que inalcançáveis.

Gérard Depardieu, faz o contraponto perfeito a personagem da Deneuve. Bernard é, como grande parte dos personagens masculinos do Truffaut, um homem movido á paixões, mais quente, em contraponto a frieza da Marion. Pra ele, as mulheres e o teatro lhe encantam, o hipnotizam.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut, Suzanne Schiffman (scenario), Jean-Claude Grumberg (dialogue)
GÊNERO: Drama, Romance, Guerra
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 2h 11min
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ELENCO PRINCIPAL:
Catherine Deneuve … Marion Steiner
Gérard Depardieu … Bernard Granger
Jean Poiret … Jean-Loup Cottins
Andréa Ferréol … Arlette Guillaume
Paulette Dubost … Germaine Fabre
Jean-Louis Richard … Daxiat
Sabine Haudepin … Nadine Marsac
Maurice Risch … Raymond Boursier
Heinz Bennent … Lucas Steiner
Christian Baltauss … Lucien Ballard


O AMOR EM FUGA ( L’amour en Fuite, 1979 – França )
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 24 de janeiro de 1979

SINOPSE: Aos trinta e cinco anos, o personagem mais famoso de diretor francês François Truffaut, Antoine Doinel (Jean-Pierre Léaud) continua o mesmo adolescente de sempre. Recém-divorciado de sua mulher, Christine, ele começa a lembrar as pessoas que marcaram sua vida. Inclusive, Colette, seu primeiro amor, que se tornou uma advogada muito conhecida, e Lucien, o ex-amante de sua mãe, que se transformou num senhor de idade respeitado por todos. Prisioneiro de seu passado, ele conhece Sabine, uma jovem vendedora de discos, por quem se apaixona ao ver sua foto. ”Amor em Fuga” registra a última aparição de Antoine nos filmes de Truffaut.

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SOBRE O FILME: Acho que essa onda negativa sobre os flashbacks é porque o pessoal está analisando muito pela ótica atual, quando o fluxo de informações é cada vez maior e esses filmes são tão fáceis de achar (seja por meios oficiais ou não). Vi toda a saga de Antoine Doinel em um espaço de três semanas e, à primeira vista, também achei apelativo o uso de cenas dos filmes anteriores. Porém, na época a realidade não era assim e dificilmente quando esse filme lançou 9 anos depois de “Domicílio Conjugal” (o maior intervalo entre os lançamentos dessa franquia), os ansiosos conseguiam revisitar os longas anteriores. Acho sim que Truffaut poderia ter sido menos prolixo e ter usado a edição para aparar alguns segundos de algumas cenas revisitadas, ou até mesmo ter sido mais ousado em fazer alterações para ressaltar as mentiras do livro de Antoine (o que só ocorre uma ou duas vezes).

Mas discordo em gênero, número e grau com quem achou esse filme vazio ou raso. Acho inclusive que ele só cresce, especialmente pela excelente presença de Colette. Sim, é o mais fraco dos cinco, mas toda a forma como o diretor amarra a jornada de amadurecimento de seu protagonista e alter-ego chega a ser belíssima, principalmente fazendo uso de um contraponto tão firme de Antoine quanto a figura de Colette que, particularmente, considero uma co-protagonista da obra. Colette era a ferramenta necessária para fazer Antoine se olhar no espelho e se livrar de sua egolatria. O diálogo no trem e a conversa extremamente sincera entre Colette e Christine perto do fim são símbolos da importância desse amor não-correspondido da adolescência. E aqueles créditos finais que trazem de volta o momento mais belo de “Os Incompreendidos” é simplesmente impecável. É o mais fraco, mas ainda cheio de personalidade.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut, Marie-France Pisier, Jean Aurel (scenario)
GÊNERO: Comédia, Drama, Romance
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 1h 34min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jean-Pierre Léaud … Antoine Doinel
Marie-France Pisier … Colette Tazzi
Claude Jade … Christine Doinel
Dani … Liliane
Dorothée … Sabine Barnerias
Daniel Mesguich … Xavier Barnerias
Julien Bertheau … Monsieur Lucien
Jean-Pierre Ducos … L’avocat de Christine
Marie Henriau … La juge du divorce
Rosy Varte … La mère de Colette


NA IDADE DA INOCÊNCIA (L’Argent de Poche, 1976)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 17 de março de 1976

SINOPSE: O filme acompanha os eventos de diversas crianças durante o verão de 1976 na França e suas frustrações, problemas e às vezes a apressada passagem para a adolescência.

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SOBRE O FILME: Retrato delicado e singelo do cotidiano, crônica mais do que verdadeira sobre o ato de amadurecer, neste misto entre inocência e libertinagem que a mim, ao menos me trouxe vários momentos nostálgicos de minha infância, puberdade e adolescência. Só não sei se o retrato da juventude de Truffaut exprime o ato de crescer atual, creio que não, infelizmente.

Durante todo filme o enredo gira em torno do elenco infantil onde cada personagem é muito bem interpretado, destaque maior para os pricipais, que são Patrick e Julien. Existem vários eventos isolados que envolvem as outras crianças do elenco, um mais legal que o outro, fazendo que o filme fique gostoso de assistir pois são situações bem inusitadas e algumas com um certo humor.
Um ponto que gostei muito foi quase no final, um discurso que o professor faz para as crianças na sala de aula, abordando os direitos e deveres da criança relacionados com política, onde a mesma não dar valor devido as crianças não votarem, vale a pena refletir sobre o que ele disse.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut, Suzanne Schiffman
GÊNERO: Comédia, Drama
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 115min
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ELENCO PRINCIPAL:
Nicole Félix … Grégory’s mother
Chantal Mercier … Chantal Petit, the Schoolteacher
Jean-François Stévenin … Jean-François Richet, the Schoolteacher
Virginie Thévenet … Lydie Richet
Tania Torrens … Nadine Riffle, hairdresser
René Barnerias … Monsieur Desmouceaux, Patrick’s father
Katy Carayon … Sylvie’s Mother
Jean-Marie Carayon … Police inspector, Sylvie’s father
Annie Chevaldonne … Nurse
Francis Devlaeminck … Monsieur Riffle, hairdresser, Laurent’s father


A NOITE AMERICANA (La nuit américaine, 1973)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 24 Maio 1973


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SINOPSE: Um dos filmes que melhor representa as loucuras que se passam em um set de filmagem. Um ator que fica deprimido porque sua noiva sai com um dublê, uma atriz que se entregou às bebidas e não consegue lembrar de suas falas e muitas outras confusões, que o diretor deve fazer de tudo para contornar, até gravarem uma das cenas mais importantes do filme: a que o dia deve ser transformado em noite artificialmente.

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SOBRE O FILME: A Noite Americana é a história de uma filmagem. Sem priorizar o desenvolvimento técnico do processo, Truffaut nos faz acompanhar com grande desenvoltura (sob a bela montagem de Martine Barraqué e Yann Dedet) a lenta produção e os vários tropeços pelos quais passa um filme, e junto a esse elemento metalinguístico, as histórias individuais dos profissionais do cinema são desnudadas, criticadas e até ridicularizadas. Num tom irônico, especialmente em relação ao amor e ao compromisso de fidelidade, o diretor consegue criar duas histórias sobre cinema, ambas guiadas com igual importância. O amor pelo arte é latente, e isso vemos tanto no modo com que Truffaut realiza o filme, quanto nos eventos que compõem a filmagem de Je Vous Presente Pamela, o filme dentro do filme.
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A Noite Americana é um filme que diz muito sobre o seu realizador. O próprio título – efeito cenográfico de transformar uma tomada diurna em noturna, usando filtro de imagem – é parte da visão que Truffaut tinha do cinema americano: uma interessante falsidade. Ao lado do sempre ótimo (e aqui tremendamente inexpressivo) Jean-Pierre Léaud, o diretor francês nos presenteia com uma homenagem ao cinema, e como ele mesmo dedica nos créditos iniciais, às irmãs Dorothy e Lillian Gish. Com um elenco talentoso e um inesquecível roteiro (com falas como “nós vamos fazer uma pausa, enquanto isso vê se me arruma um gato que saiba atuar”), A Noite Americana é um dos mais humanos e interessantes filmes já realizados sobre o cinema. Um filme para ver rever.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut, Jean-Louis Richard, Suzanne Schiffman
GÊNERO: Comédia, Drama
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 115min
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ELENCO PRINCIPAL:

François Truffaut … Diretor Ferrand
Jacqueline Bisset … Julie
Jean-Pierre Léaud … Alphonse
Valentina Cortese … Severine
Dani … Liliane
Alexandra Stewart … Stacey
Jean-Pierre Aumont … Alexandre
Jean Champion … Bertrand
Jean-François Stévenin … Jean-François,diretor-assistente


UMA JOVEM TÃ BELA COMO EU (Une belle fille comme moi, 1972)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 12 de setembro de 1972

SINOPSE: Stanislas Prévine é um jovem sociólogo que prepara uma tese de doutorado intitulada “As Mulheres Criminosas”. Para isso, vai à prisão entrevistar Camille Bliss, que se encontra presa acusada de ter assassinado o amante Arthur, mas esta afirma com veemência sua inocência. Camille conta-lhe então toda a sua vida desde a infância; os maus tratos do pai, a fuga da casa de correção, os amantes que teve… A jovem convence o seu entrevistador de que Arthur se suicidou. Stanislas acredita na inocência de Camille e promete encontrar as provas que a livrarão da acusação. Será o final, uma grande surpresa para Stanislas?

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SOBRE O FILME: Produção francesa baseada no romance de 1967 “Such a gorgeous kid like me”, do escritor americano Henry Farrell (1920-2006), o mesmo autor e roteirista de O que terá acontecido a Baby Jane? (62), Com a maldade na alma (64), Rapto da testemunha (67) e Obsessão sinistra (71), sempre com grandes atrizes no elenco, como Bette Davis, Joan Crawford, Olivia de Havilland, Debbie Reynolds e Shelley Winters.

Uma tentativa de Truffaut de fazer uma comédia de humor negro mesclada com drama e policial, uma farsa sarcástica de manipulação sexual e o olhar masculino, com uma performance central sedutora de Bernadette Lafont (1938-2013), que é, ao mesmo tempo, encantadora e pessimista. Nada mal, e o ritmo é típico de Truffaut. No entanto, o personagem principal não parece – pelo menos para mim – tão complexo quanto deveria. O resultado final é um bom filme que não atrai o interesse do espectador, exceto no final – por causa de sua reviravolta. No contexto cômico, boa parte do sabor é perdida simplesmente porque essa femme fatale aparece muito menos fatal do que poderia ter sido planejado.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: Henry Farrell (novel “Such a Gorgeous Kid Like Me”), François Truffaut (adaptation and dialogue), Jean-Loup Dabadie (adaptation and dialogue)
GÊNERO: Comédia/Crime/Drama
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 1h:38min
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ELENCO PRINCIPAL:
Bernadette Lafont … Camille Bliss
Claude Brasseur … Maître Murene
Charles Denner … Arthur
Guy Marchand … Roger, aka Sam Golden
André Dussollier … Stanislas Prévine
Anne Kreis … Hélène
Philippe Léotard … Clovis Bliss
Gilberte Géniat … Isobel Bliss
Michel Delahaye … Marchal
Danièle Girard … Florence Golden


A SEREIA DO MISSISSIPI (La Sirène du Mississipi, 1969)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 18 de junho de 1969

SINOPSE: Louis Mahe (Jean-Paul Belmondo) é um empresário bem-sucedido, residente na Ilha de Reunião, próximo a Madagascar, África. Após um longo período trocando cartas com uma pretendente a esposa, ele está prestes a buscá-la nas docas, onde acaba de chegar em seu navio, o transatlântico Mississipi. Eles terminam se casando, mas somente depois Louis percebe o golpe o qual estava sendo vítima: a mulher com quem se casou não era a mesma com a qual trocava cartas, e estava em busca apenas de seu dinheiro.

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SOBRE O FILME: Em sua segunda adaptação de uma obra de Cornell Woolrich, no ano seguinte ao lançamento de A Noiva Estava de Preto (1968), François Truffaut caiu em uma armadilha que podemos chamar de “a megalomania dos gêneros e estilos”.

Dedicando o filme a Jean Renoir – e claro, apresentando elementos do cinema deste cineasta –; voltando ao cenário e atmosferas típicas de Alfred Hitchcock e colocando muito de si mesmo na construção da história, o diretor faz em A Sereia do Mississípi um longa desencontrado, que funciona bem no início mas se torna vergonhosamente clichê e injustificável da metade para o final, ao problematizar desnecessariamente os percalços mais banais e fatais do amor após um instigante prelúdio renoirista-hitchcockiano.

As referências estão todas lá. A música de Antoine Duhamel brinca de maneira deliciosa com as icônicas partituras de Bernard Herrmann para Hitchcock (especialmente O Homem ErradoUm Corpo Que Cai e Intriga Internacional); os cenários dialogam com os de Renoir, destacando-se a enorme diferença entre a vida, o comportamento e o desenho de produção para o espaço urbano e o espaço campestre/periférico; a fotografia é mesclada com a beleza e exuberância de um e outro cineasta e, para completar, temos uma boa referência temática a Johnny Guitar (1954), cuja história marca fortemente a atmosfera da segunda parte do filme.

Com tanta base técnica e uma execução claramente autorial, não é de se espantar que o filme tropece grandiosamente e não consiga atender a todos os requisitos para o suspense –- quebrado quando o conteúdo do baú de Julie/Marion nos é revelado –- e nem para o romance, independente do caráter romântico a que estamos nos referindo. Há uma grande disparidade entre as duas abordagens e, tentando mostrar os aspectos centrais de cada uma delas, o diretor se perde e só toca a superfície de cada uma, deixando o público vidrado na tela durante os 40 minutos iniciais e dispersando-o minuto a minuto daí para frente.

O roteiro cai ainda mais quando Louis, após a via crucis emocional e financeira que o levou da ilha de Reunião para a França, reencontra-se com a mulher que lhe dera o enorme golpe, descobre a ‘verdade’ sobre o ocorrido e reata o relacionamento com ela, uma união marcada por um estranho amor de ambos os lados (com dependência e ingenuidade da parte dele) e forte caráter destrutivo. Repare que a proposta é interessante, mas ela vai se adocicando quanto mais nos aproximamos do final, a ponto de o personagem do excelente Jean-Paul Belmondo fazer declarações de amor dignas de um pequeno e chinfrim romance hollywoodiano para a personagem de Catherine Deneuve, também em excelente atuação, mas com uma personagem que simplesmente dá nos nervos do espectador, muito embora seu texto seja menos chavão que o de Belmondo.

Em termos técnicos, o único elemento realmente fraco de A Sereia do Mississípi é a montagem, mas isso em comparação à solidez dos outros componentes, dentre os quais destacamos a trilha sonora, a fotografia, a direção de arte e os belos figurinos de Yves Saint-Laurent para Catherine Deneuve.

Fracasso de público e crítica, A Sereia do Mississípi é a prova de que só de boas intenções um filme não pode ser bem feito. A ideia aqui tem sua graça e a execução formal de Truffaut funciona em partes no longa, ou melhor, funciona em uma parte do longa, mas o roteiro simplesmente coloca por água abaixo o que deveria ser um thriller inesquecível, transformando A Sereia do Mississípi em um filme do diretor que ficaríamos gratos em esquecer.

DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: Cornell Woolrich (based on the novel by), François Truffaut (adaptation and dialogue)
GÊNERO: Crime, Drama, Romance
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 2h 3min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jean-Paul Belmondo … Louis Mahé
Catherine Deneuve … Julie Roussel / Marion Vergano
Nelly Borgeaud … Berthe
Martine Ferrière … Landlady
Marcel Berbert … Jardine
Yves Drouhet … Detective
Michel Bouquet … Comolli
Roland Thénot … Richard


BEIJOS PROIBIDOS ( Baisers Volés, 1968 – França )
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 14 de agosto de 1968

SINOPSE: Expulso do exército, Antoine Donel (Jean-Pierre Léaud) está em busca de emprego. Ele consegue uma vaga como balconista de hotel, mas é demitido após permitir que um detetive, Henri (Harry-Max), entre em um quarto ocupado alegando se tratar de um caso urgente. Henri na verdade queria dar o flagra na esposa de seu cliente, que estava hospedada com outro homem. Ele acaba levando Antoine para a agência de detetives em que trabalha, onde ele consegue um novo emprego. Só que, ao trabalhar em um caso, Antoine acaba se apaixonando por Fabienne (Delphine Seyrig), a mulher de seu cliente.

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SOBRE O FILME: O ser humano é um próprio moto contínuo. Sempre em buscando energia e, para isso, usa do movimento. A vontade de potência que Nietzsche descreve em suas obras, nada mais é do que um exercício de entender a necessidade do homem de viver em busca de energia; é, basicamente, a incansável busca do homo sapiens por alguma coisa que faça sentido em sua existência. É por meio de conceitos como esses que Beijos Proibidos torna-se uma obra que captura seu zeitgeist de maneira leve e, de certo modo, cômica – diferente do que faziam outros realizadores da época.

O final dos anos 1960 representaram um período de mudanças e protestos no mundo todo, mas com maior destaque para os movimentos da França. Protestos estudantis contra o governo de Charles de Gaulle deram a tônica de alguns meses da vida dos franceses. Ali, uma juventude insatisfeita se voltou contra o conservadorismo presente tanto na sociedade quanto nas instituições de ensino. Inspirados por esse levante, cineastas da nouvelle vague foram responsáveis por realizar obras de forte cunho político, demonstrando apoio aos protestos. Desde A Chinesa, de Jean-Luc Godard, até filmes mais recentes, como Amantes Constantes, de Philippe Garrel, cineastas buscam remeter a esse período de efervescência política através de um exercício brechtiano de conquista política das massas.

Em Beijos Roubados acompanhamos o icônico Antoine Doinel, personagem de Os IncompreendidosDomicílio Conjugal, depois de sua dispensa do exército por mau comportamento. O jovem Doinel está perdidamente apaixonado por Christine, com quem mantém uma amizade instável. Além disso, se vê perdido na vida adulta, transitando entre três empregos distintos: guarda noturno de hotel, investigador particular e atendente em uma loja de sapatos. Com um tom cômico e, a seu modo, inocente, Truffaut explora o espírito da juventude com menos rupturas que os filmes de seu companheiro Godard.

Antoine Doinel, desde o primeiro filme de Truffaut, sempre foi posto como um alter ego do autor, dando um caráter autobiográfico à parte da filmografia do diretor. Aqui, além de posto como esse espelho, Doinel é, também, uma representação da inquieta juventude francesa que por meio da desobediência civil (como mostrado na abertura da película) marcou seu lugar na história. Ao debochar escrachadamente das células militares da sociedade, Beijos Proibidos mostra ao público seu caráter subversivo, estabelecendo um conflito com camadas conservadoras.

Uma característica curiosa do filme é a maneira como o movimento e a própria vontade de potência do protagonista são construídos. Sempre movimentando-se em quadro, Doinel não dá descanso à câmera, que acompanha fielmente o personagem até o final de sua jornada. Seja a partir de uma montagem fragmentada ou por rápidos movimentos de câmera, o movimento no filme é constante. É fundamental estabelecer essa relação para entender como Truffaut enxergava a juventude da época. Por mais que maio de 68 tenha ruído aos poucos, o espírito incansável e rebelde de parte dos jovens é de extrema importância para a constituição de uma sociedade que luta a todo instante contra o conservadorismo pequeno burguês.

Esse mesmo movimento, esse moto contínuo, é o elemento que justifica a questão da busca por algo que motive sua existência. A dificuldade do protagonista de se ver encaixado em um emprego comum e em um relacionamento ortodoxo e estável são uma representação da jornada de Doinel em encontrar um lugar onde sinta-se pertencente. Desde uma montagem mais aparente, que desconforta o espectador, até próprios bruscos movimentos de câmera e enquadramentos pouco comuns, constroem a ideia de um local inóspito para o personagem. Sua relação opaca com o espaço que o rodeia, geralmente expostos sem ideia de profundidade de campo, criam um sentimento sufocante para Antoine Doinel, que se vê na necessidade de fugir dessa realidade a fim de encontrar seu próprio lugar na sociedade.

Também neste momento ímpar da história da França foram intensificados os conflitos entre gerações: o novo e o velho. Lutando contra métodos de ensinos arcaicos, o jovens estavam, ainda, se impondo contra antiquados valores que pregava a sociedade. Truffaut, de maneira sutil, conduz uma relação de distanciamento entre as duas distintas gerações. Enquanto, por exemplo, Doinel conduz a câmera a partir de sua frenética movimentação, seus chefes são marcados pela relação estática que desenvolvem com a mise en scène. Ainda, com Antoine Doinel em cena, a montagem aparenta maior liberdade, fragmentando as cenas, enquanto com personagens da outra geração, percebe-se maior cautela nos cortes, interferindo com maior parcimônia nas ações do filme.

O uso desse mecanismo de contraste entre o velho e novo está presente não só na filmografia de Truffaut, mas na nouvelle vague francesa em si. Os Jovens Turcos, Truffaut, Godard e outros, quando críticos da Cahiers du Cinéma, realizavam extensas declarações e críticas acerca do cinema padrão realizado na França. A geração que antecede o modernismo cinematográfico na França era marcada justamente por relações indiferentes com a linguagem cinematográfica, enquanto a nova onda de cineastas propunha maior inventividade no trato com o mecanismo do cinema – esse breve apanhado de ideias ficou conhecido como política dos autores. Se ao tratar da velha guarda Truffaut estabelece uma padronização clássica de sua mise en scène, ao ter os jovens em cena o diretor dá mais inventividade ao seu filme, criando um importante elemento de Beijos Proibidos.

Usando uma montagem mais ousada ao tratar dos jovens, Truffaut dá maior dinâmica à encenação, podendo, inclusive, criar uma ilusão de maior movimento dentro do quadro. Aliado a isso, o fato de Doinel estar em constante movimentação na cena (e em sua vida), o diretor desenvolve dá à juventude um caráter instável, mas também inquieto, sempre em busca de algo que os motive. Em contraponto, a inércia de gerações anteriores explora o conservadorismo e comodismo, buscando a continuidade da ordem vigente da sociedade da época. 

Referenciar o cinema hollywoodiano foi uma tônica da nouvelle vague francesa, seja em maneira de homenagem, como o protagonista de Acossado ao imitar constantemente Humphrey Bogart, ou de modo satírico, como faz Truffaut em Beijos Proibidos. Em uma sequência de espionagem protagonizada pelo próprio Doinel o diretor faz questão de estabelecer um tom cômico, através de uma corporalidade exageradas do ator e de uma trilha satírica. Ainda, o final da cena, acaba de maneira avessa aos filmes de espionagem: o herói, Antoine Doinel, é denunciado para um guarda de trânsito e, de modo vexatório, foge pelas ruas de Paris.

Chegando ao final do filme, vemos Doinel finalmente ganhar descanso. Enquanto sempre esteve em quadro, o protagonista apresentava um comportamento agitado, sempre em movimento. Ao final, uma câmera estática mostra Doinel e sua amada Christine caminhando calmamente entre árvores. Livre dos olhares da audiência, o protagonista some em direção ao nada, ao desconhecido. Cabe ao espectador interpretar Doinel e pensar: seguirá em busca de algo ou a juventude, como boa parte dos protestantes de maio de 68, irá se acomodar?

DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut, Claude de Givray, Bernard Revon (scenario and dialogue)
GÊNERO: Comédia, Drama, Romance
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 1h 31min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jean-Pierre Léaud … Antoine Doinel
Delphine Seyrig … Fabienne Tabard
Claude Jade … Christine Darbon
Michael Lonsdale … Georges Tabard
Harry-Max … Monsieur Henri
André Falcon … Monsieur Blady
Daniel Ceccaldi … Lucien Darbon
Claire Duhamel … Madame Darbon
Catherine Lutz … Catherine


ANTOINE E COLETTE (Antoine et Colette, 1962)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 22 de junho de 1962

SINOPSE: Antoine Doinel já está crescido, mora sozinho e trabalha em uma gravadora. Sua paixão pela música o apresenta à jovem Colette, por quem de imediato se vê apaixonado. Antoine e Colette é o segundo filme – um curta – da série de François Truffaut sobre Antoine Doinel, o personagem que ele segue desde a infância até a idade adulta através de cinco filmes.

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SOBRE O FILME: Antoine e Colette é o segundo filme – um curta – da série de François Truffaut sobre Antoine Doinel, o personagem que ele segue desde a infância até a idade adulta através de cinco filmes. O filme foi feito para a coleção antológica de 1962, O Amor Aos Vinte Anos, que contou com curtas dos diretores renomados Shintaro Ishihara, Marcel Ophüls, Renzo Rossellini e Andrzej Wajda, assim como Truffaut.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut
GÊNERO: Curta/Comédia/Drama
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 32min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jean-Pierre Léaud … Antoine Doinel
Marie-France Pisier … Colette
Patrick Auffay … René – best friend
Jean-François Adam … Albert Tazzi
François Darbon … Colette’s Stepfather
Pierre Schaeffer … Self
Rosy Varte … Colette’s Mother


JULES E JIM, UMA MULHER PARA DOIS (Jules et Jim, 1962)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 23 de janeiro de 1962

SINOPSE: Na virada para o século XX, Jules e Jim são dois amigos que se apaixonam pela mesma mulher, Catherine, que acaba casando com Jules. Depois da Primeira Guerra Mundial, quando eles se reencontram na Alemanha, Catherine começa a amar Jim.

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SOBRE O FILME: Jules e Jim – Uma Mulher para Dois é um daqueles filmes obrigatórios na lista de cinéfilos ou estudiosos do cinema. Marco da Nouvelle Vague e da carreira de François Truffaut, é sempre referenciado em manuais de cinema e em retrospectivas históricas, seja pela sua relevância estética ou importância no que tange aos aspectos culturais e sociais que demarcaram o mundo nos idos dos anos 1960.

Filme estuário da história do cinema mundial, este clássico de Truffaut encontra-se presente em outros filmes que buscam, de alguma maneira, perpetuá-lo como um filme necessário, clássico, em suma, de referência. Para isso, basta lembrar-se do drama nacional Cidade Baixa, de Sérgio Machado, ou O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, adorável fábula dirigida por Jean-Pierre Jeunet, quando a personagem-título assiste ao filme e encontra um inseto numa cena de beijo.

Ao longo dos 105 minutos, o filme narra a história de Jules (Oskar Werner) e Jim (Henri Serre). O primeiro é um alemão tímido e o segundo um francês extrovertido. Em um certo dia conhece a instável Catherine (Jeanne Moreau), quando retornam de uma viagem à Grécia. Da linha tênue entre o amor e a amizade, nasce uma relação entre o trio. Eles vivem, durante a narrativa, algo parecido com o conceito de carpem diem proposto pelos poetas árcades: aproveitar a vida ao máximo, sem limitações e com direito aos excessos que as relações de alteridade nos permitem. Como paisagem histórica, François Truffaut delineia um mundo à beira da Primeira Grande Guerra Mundial.

Como o estouro da guerra, ambos separam-se, reencontrando-se, apenas, algum tempo depois. Nessa relação em trio, onde amizade, amor e sexo encontram-se em profusão, Jules apaixona-se por Catherine, logo em seguida, Jim. As coisas tornam-se conflituosas ao longo da narrativa, tamanha a instabilidade da moça, uma espécie de metáfora plástica para as reviravoltas nos costumes durante aquele momento histórico: além da crise dos valores tradicionais, o mundo vivia o que podemos chamar de auge da libertação sexual e uma crise geral repleta de vazio existencial. Era a Europa no período pós-guerra, marcada profundamente pelas cicatrizes do conflito que mudou o cenário geopolítico do continente.

Jules e Jim – Uma Mulher para Dois foi o terceiro longa da filmografia de Truffaut, indicado ao BAFTA de Melhor filme e atriz, para Jeanne Moreau. Com roteiro assinado por Jean Gruault, em parceria o diretor, adaptado da obra literária homônima, a narrativa é louvada por críticos e amantes do cinema, alçando o filme ao status de montanha-russa de emoções e ode audiovisual ao amor. Uma narrativa que vai além da sexualidade. Repleto de lirismo e afetividade, principalmente no que diz respeito ao relacionamento entre Jules e Jim como “amigos”, o filme parece o prenúncio da efervescência cultural na França, que culminaria no tão relembrado Maio de 1968. Os enquadramentos inusitados e as montagens paralelas demonstram o cuidado com a forma, em narrativas mais conhecidas pela profundidade dos roteiros e das questões sociológicas apresentadas.

Jules e Jim – Uma Mulher para Dois é uma moldura da proposta da Nouvelle Vague: apresentar a importância do homem na narrativa, longe, por exemplo, de muitas narrativas contemporâneas que prezam pelos efeitos especiais, em detrimento do individuo ou da sua coletividade. Os personagens, representados como um feixe de complexidades e ambiguidades (Catherine, talvez, seja a maior representante deste aspecto), são os carros-chefes do filme, tão importantes, ou até mais, que o espaço cênico e a trilha sonora.

O processo de metalinguagem em relação ao filme Jules e Jim é extenso e caberia melhor em uma reportagem ou uma daquelas listas de melhores “nisso” e “naquilo”, fugindo da nossa proposta de especial sobre o diretor François Truffaut. Temos os já citados Cidade Baixa e Amélie Poulain, e em Uma Mulher é Uma Mulher, de Jean-Luc Godard, a atriz Jeane Moreau interpreta a si. Em uma determinada cena, um personagem a encontra num restaurante e pergunta: “como vai Jules e Jim?”. É o cinema refletindo o próprio cinema, num jogo de espelhos onde a ideia é justamente inovar, principalmente nos aspectos estéticos e de recepção.

À guisa de curiosidade, cabe ressaltar a refilmagem Willie e Phil – Uma Cama Para Três, lançada em 1980, obsoleta e de acesso complicado para análise e devida referência. Fica aqui apenas como curiosidade. Entre as fofocas de bastidores, conta-se que na cena onde Jeanne Moreau teve de pular no rio, a atriz filmou sem dublê, pois a sua substituta havia aparecido para a filmagem completamente bêbada. Coisas que faríamos pelo amor à sétima arte, assim como o diretor François Truffaut e toda a sua equipe sempre fez, mesmo nas tramas menos inspiradas e mais insignificantes ao longo da sua brilhante carreira.

Sendo assim, Jules e Jim – Uma Mulher para Dois, é fruto de uma geração que se formou em cineclubes e cinematecas, através do exercício da crítica e da permanente reflexão no âmbito da produção cinematográfica. Particularmente, o filme possui importância como radiografia da paisagem histórica, cultural e sociológica da França naquele período e serve como guia obrigatório para os interessados em conhecer a história do cinema e a carreira do diretor François Truffaut.

Não considero a produção a obra-prima do diretor, talvez pelo ritmo e pela cadência dos fatos, pela falta de dinamicidade na narrativa, o que não diminui a importância do filme, principalmente pelo fato desta produção ter soprado como um vento forte, que ecoou em outros movimentos de reflexão cinematográfica ao redor do mundo, como o nosso Cinema Novo, o Cinema Novo na Alemanha, o Free Cinema na Inglaterra, dentre outras manifestações artísticas.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: Henri-Pierre Roché (novel), François Truffaut, Jean Gruault (adaptation and dialogue)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 45min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jeanne Moreau … Catherine
Oskar Werner … Jules
Henri Serre … Jim
Vanna Urbino … Gilberte
Serge Rezvani … Albert
Anny Nelsen … Lucie
Sabine Haudepin … Sabine, la petite
Marie Dubois … Thérèse
Michel Subor … Récitant / Narrator


ATIREM NO PIANISTA (Tirez sur le pianiste, 1960)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 25 November 1960

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SINOPSE:
Após perder a esposa, o célebre pianista Edouard Saroyan abandona a carreira e passa a tocar em um bar, onde acaba reencontrando um de seus irmãos, que está envolvido com a máfia.

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SOBRE O FILME:
Uma das grandes injustiças feitas à carreira de François Truffaut é o desprezo bastante engajado que uma parte do público reserva ao seu segundo longa, Atirem no Pianista. Há quem defenda que as homenagens feitas pelo cineasta ao cinema clássico nesta obra não honram o passo à frente dado por ele em Os Incompreendidos, e assim, Atirem no Pianista acaba sendo normalmente classificado como um “filme menor”. Mas esta não é exatamente a verdade. Pensemos um pouco a respeito.
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As perseguições, a música, a citação a Fúria no Alaska, um western com John Wayne, e tomadas que nos trazem lembranças de Samuel Fuller, Jean Renoir, Alfred Hitchcock e Max Ophüls tornam Atirem no Pianista um filme sob medida para cinéfilos, além de ser divertido e altamente recomendável para o grande público, especialmente por ser uma gema cômica quase perfeita (o epílogo após o tiroteio na neve e algumas atuações incomodam um pouco) incrustada na valiosa filmografia de François Truffaut.

Charles Aznavour e Marie Dubois em Tirez sur le pianiste (1960).

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: David Goodis (novel), François Truffaut (adaptation) and Marcel Moussy
GÊNERO: Crime, Drama, Thriller
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 1h 21min
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ELENCO PRINCIPAL:
Charles Aznavour … Charlie Kohler / Edouard Saroyan
Marie Dubois … Léna
Nicole Berger … Thérèse Saroyan
Michèle Mercier … Clarisse
Serge Davri … Plyne
Claude Mansard … Momo
Richard Kanayan … Fido Saroyan
Albert Rémy … Chico Saroyan
Jean-Jacques Aslanian … Richard Saroyan
Daniel Boulanger … Ernest


OS INCOMPREENDIDOS (Les quatre cents coups, 1959)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 03 de Junho de 1959

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SINOPSE:
O filme narra a história do jovem parisiense Antoine Doinel, um garoto de 14 anos que se rebela contra o autoritarismo na escola e o desprezo dos pais Gilberte e Julien Doinel. Rejeitado, Doinel passa a faltar as aulas para freqüentar cinemas ou brincar com os amigos, principalmente René. Com o passar do tempo, as censuras o direcionarão, vivenciará descobertas e cometerá delitos em busca de atenção.

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SOBRE O FILME:
Os Incompreendidos (1959), longa de estreia de Fançois Truffaut, é tido por muitos como o primeiro passo da Nouvelle Vague, movimento de liberdade técnica e narrativa que marcou o cinema francês – e muitos outros cinemas nacionais nele inspirados – de meados dos anos 50 até meados dos anos 70. Mesmo não sendo, de fato, o “ponto de partida da Nouvelle Vague” *, o filme teve um impacto imediato e colossal na sétima arte, popularizando o movimento vanguardista que fervilhava na França e inspirando realizadores e espectadores pelo mundo todo.
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Truffaut dedica o filme à memória de André Bazin, é um filme sobre a breve felicidade e o sofrimento. Sobre a solidão; o quão importante é o papel da família para um filho e, principalmente, sobre quão complexo pode ser o mundo daqueles que estão começando a vida, por assim dizer. Ao relembrarmos a icônica cena de Doinel com a psicóloga, vemos não só o denso projeto de um inesquecível personagem do cinema, mas a gênese de um grande ator e uma das formas mais interessantes de se colocar na tela a história de vida de um cineasta, coisas que só uma obra-prima poderia fazer com excelência, exatamente como faz Truffaut, em Os Incompreendidos.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: François Truffaut, Marcel Moussy
GÊNERO: Drama
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 1h 39min
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ELENCO PRINCIPAL:
Jean-Pierre Léaud … Antoine Doinel
Claire Maurier … Gilberte Doinel – la mère d’Antoine
Albert Rémy … Julien Doinel
Guy Decomble … ‘Petite Feuille’, the French teacher
Georges Flamant … Mr. Bigey
Patrick Auffay … René
Daniel Couturier … Betrand Mauricet
François Nocher … Un enfant / Child
Richard Kanayan … Un enfant / Child
Renaud Fontanarosa … Un enfant / Child


OS PIVETES (Les Mistons, 1957 – França)
(Filme Completo / Ativar Legenda em Português)
Data de Lançamento: 06 de Novembro de 1958

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SINOPSE:
Cinco meninos na pré-puberdade são coletivamente atraídos por uma bela e jovem Bernadette Jouve. Ela desperta neles, uma sensualidade que não existia, e como eles são jovens demais para amá-la, eles decidem odiá-la e atormentá-la. Onde quer que Bernadette e seu namorado Gerard apareçam, os cinco meninos estão lá, perturbando-os. Eles também começam a desenhar corações perfurados por flechas com os nomes dos dois amantes em todos os lugares, mas Gerard e Bernadette mal percebem. As falhas dos meninos os tornam mais agressivos. Um dia em agosto, Gerard se despede de Bernadette. Ele ficará ausente por três meses. Quando ele voltar, espera que os sinos do casamento toquem para eles. Quando as férias dos cinco meninos estão chegando ao fim, eles recorrem a um método muito pobre. Eles compram um cartão postal mostrando dois amantes mal vestidos esparramados em uma cama. No cartão, escrevem palavrões sobre Gerard e Bernadette e assinam como The Brats, antes de enviá-lo para Bernadette. Alguns dias depois, eles leem no jornal …

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SOBRE O FILME:
Os primeiros passos de Truffaut no cinema foram em direção à adolescência e sua resposta ao mundo. “Les Mistons” não é um filme agradável, provavelmente porque o jovem diretor captura lindamente o sentimento de inocência e crueldade. É um filme remanescente, mantendo os espectadores interessados não apenas porque os lembra de sua juventude, mas também por causa do ritmo: ele é construído como lembranças desbotadas e a passagem do tempo acaba sendo uma surpresa. A cena de abertura, com um garoto de bicicleta, é uma das cenas mais bonitas já filmadas, pois instantaneamente capturamos a essência deste filme verdadeiramente inesquecível.
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Um dos melhores momentos do curta é quando Truffaut homenageia o curta L’arroseur Arrose de Lumiere, envolvendo um dos “mistons” pisando na mangueira de um jardineiro, fazendo com que ele seja esguichado na cara. Truffaut está reconhecendo a herança cinematográfica francesa que ele terá que respeitar e continuar, e ele parece ter se saído muito bem.

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DIREÇÃO: François Truffaut
ROTEIRO: Maurice Pons
GÊNERO: Curta, Comédia
ORIGEM: França
DURAÇÃO: 0h 18min
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ELENCO PRINCIPAL:
Gérard Blain … Gérard
Bernadette Lafont … Bernadette Jouve
Michel François … Récitant / Narrator
Alain Baldy … Kid (uncredited)
Robert Bulle … Kid (uncredited)
Henri Demaegdt … Kid (uncredited)
Daniel Ricaulx … Kid (uncredited)


Fontes: IMDb e Revista Cinemin/Sergio Leemann

Fonte de Pesquisa/Texto: Revista Cinemin (A. C. Gomes de Mattos e Sérgio Leemann), News Museum/Lisboa, IMDb.

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