OS HERÓIS FANTASIADOS | Os Grandes Seriados do Cinema

Para quem teve a sorte de ser criança nas décadas de 30 e 40 do século passado, acontecia uma coisa mágica nas sessões dos sábados e domingos dos cinemas poeiras dos bairros: OS SERIADOS.

Os heróis fantasiados sempre desfrutram de muito prestígio nos quadrinhos e nas telas e talvez os mais populares, apesar (ou…por causa?) da maldade que inventaram a respeito deles, tenham sido Batman e Robin, criados por Bob Kane e Bill Finger, em 1939. Quatro anos depois, Batman e seu companheiro chegaram ao Cinema através de um seriado da Columbia, O Morcego (Batman), dirigido por Lambert Hillyer, com Lewis Wilson e Douglas Crift nos papéis centrais; mas quem “roubava” as cenas era J. Carrel Naish como o Dr. Daka (foto acima), sinistro espião japonês que se deliciava em alimentar seus crocodilos com carne humana. Embora fosse apenas razoável, o seriado teve boa receptividade.

A mesma companhia realizou uma continuação em 1949, A Volta do Homem-Morcego (Batman and Robin), dirigida por Spencer Bennet, com Robert Lowery e John Duncan (foto acima). Somente neste novo seriado apareceu o personagem do comissário Gordon (Lyle Talbot), ficando porém de fora desta vez o fiel mordomo Alfred que, no anterior, era interpretado por William Austin. Eles seriam vividos pelos veteranos Neil Hamilton e Alan Napier, na série de TV de 1966, com Adam West e Burt Ward – a melhor versão das aventuras de Batman e Robin, por seu espírito de brincadeira, estilização, técnica moderna e o charme dos excêntricos bandidos.

Entretanto, além dos citados, existiram vários outros seriados com heróis que, na realidade, eram apenas homens comuns vestindo uma fantasia para lutarem contra as forças do mal.

O Fantasma Voador/1943 (The Phantom / Foto Acima), por exemplo, produzido também pela Columbia, tinha um bom diretor, B. Reeves Eason, e Tom Tyler na pele do misteriorso vingador das selvas africanas imaginado por Lee Falk. Na intriga, o professor Davidson (Frank Shannon, o Dr. Zarkov de Flash Gordon) e sua filha Diana (Jeanne Bates) procuravam a cidade perdida de Zoloz, onde deveria estar escondido um fabuloso tesouro, cobiçado por dois grupos de escroques. Com o auxílio de seu fiel cão Devil (que nos quadrinhos atendia pelo nome de Capeto) e sua considerável influência sobre os nativos, o Fantasma escapava de armadilhas, feras selvagens, piras flamejantes e explosões, liquidando ambas as facções de criminosos no último capítulo.

Mais tarde, aproveitando as tomadas de arquivo deste seriado, o estúdio realizou uma continuação disfarçada, Capitão África, o Vencedor/1955 (The Adventures of Capitain Africa), dirigida por Spencer Bennet, com John Hart, que, no futuro, seria o Lone Ranger na televisão durante certo tempo, enquanto Clayton Moore estava de greve.

A Columbia fez, com Bennet ainda atrás da câmeras, outro seriado, desta vez com um herói fantasiado “original”, isto é, que não tinha sido quadrinhos: O Código Secreto/1942 (The Secret Code / Foto abaixo), cujo personagem principal, interpretado por Paul Kelly, ficou conhecido como Comando Negro.

Mas nenhum dos mencionados serials conseguiu sobrepujar os da Republic no mesmo gênero. Nesta outra companhia foram feitos O Terror dos Espiões/1942 (The Spy Smasher) e Capitão América, o Vencedor/1944 (Capitain America), que muitos apontam como as duas melhores fitas-em-série de todos os tempos.

O enredo de O Terror dos Espiões girava em torno de Alan Armstrong e de seu irmão gêmeo, Jack (ambos personificados por Kane Richmond), os quais se viam às voltas com a Gestapo e seu chefe, alcunhado The Mask (Hans Schnn). Os demais personagens da história em quadrinhos, Almirante Corby (Sam Flint) e sua filha Eve (Marguerite Chapman), uma das belas modelos trazidas para Hollywood por Howard Hughes), foram mantidos no seriado, dirigido com muito acerto por William Witney com a ajuda de um roteiro consistentemente lógico e bem-construído, das miniaturas do expert em efeitos especiais, Howard Lydecker, e das acrobacias do dublê David Sharpe.

O ator Kane Richmond trazia uma experiência em filmes de ação. Ele havia trabalhado na série de boxe, Os Valentões da Arena/1930-31 (The Leather Pushers), em três fitas da Monogram, de 1940, fazendo O Sombra (The Shadow), como coadjuvante nos seriados: Aventuras de Rex e Rinty/1935 (Adventures of Rex and Rinty), com o cavalo Rex e o cão Rin-Tin-Tin, A Cidade Infernal/1935 (The Lost City) e Flash Gordon no Planeta Marte/1938 (Flash Gordon’s Trip to Mars) e, após The Spy Smasher, seria o mocinho em O Porto Fantasma/1944 (Haunted Harbor), Brenda Starr, Repórter/1945 (Brenda Starr, Reporter), Bandidos das Selvas/1945 (Jungle Raiders) e Brick Bradford/1947 (Brick Bradford).

Já o Capitão América escondia a verdadeira identidade de promotor público sob o uniforme patriótico e enfrentava o temível Escaravelho, disfarce do Dr. Maldor (Lionel Atwill), o curador do Museu Drummond, que, sentindo-se injustiçado por não ter tido a sua parte na riqueza e na glória de uma expedição arqueológica da qual fora o chefe, recorria à vingança. Usando uma arma diabólica, o Vibrador Dinâmico, ia eliminando um a um os membros da expedição, apoderando-se de suas descobertas – entre elas, a metade do mapa encontrado num vaso de cerâmica maia que indicaria o lugar de um valiosíssimo tesouro. Maldor possuia a outra metade no museu e, com a ajuda de seu assecla Matson (George J. Lewis), obrigava o Professor Hillman (John Hamilton) a decifrar o documento, tentando matá-lo depois; mas este era salvo pelo Capitão América. No desenlace, o Escaravelho mandava Matson colocar Gail (a mocinha, vivida por Lorna Gray) numa caixa de vidro, enchendo-a de um gás que a transformaria em múmia e é claro que o herói chegava novamente a tempo de libertá-la e prender os bandidos.

O mocinho surgia sob os traços de Dick Purcell, veterano ator de filmes classe “B”, nas cenas arriscadas, era substituído pelo stuntman Dale Van Sickel, cujas proezas faziam a garotada acreditar que estava vendo o próprio Capitão América, embora no Cinema o personagem estivesse arbitrariamente diferente daquele desenhado por Joe Simon e Jack Kirby. No entanto, mesmo perdendo o seu companheiro Bucky e as asinhas da máscara, trocando o escudo por um revólver, e sendo na vida real o promotor público Grant Gardner ao invés do soldado Steve Rogers, o Capitão América emocionou bastante pela direção precisa de John English e Elmer Clifton e, sobretudo, pela habilidade de uma equipe de dublês de primeira ordem, entre os quais, além de Van Sickel, estavam Joe Yrogoyen, Fred Graham, Ken Terrel, Duke Green e Tom Steele, cujos golpes e sopapos não tinham nada a ver com a violência e realismo mas sim com excitação e fantasia.

CAPITÃO AMÉRICA (Captain America)
(Seriado Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 05 de fevereiro de 1944

SINOPSE: Uma onda de suicídios suspeitos entre cientistas e empresários, todos encontrados segurando um pequeno escaravelho, chama a atenção do prefeito Randolph. Ele exige que o comissário de polícia e o promotor Dryden Grant Gardner resolvam o caso, enquanto espera que o Capitão América, um homem mascarado que ajudou a derrotar o crime no passado, ajude a resolver o mistério.

Todos os suicidas eram membros de uma expedição a algumas ruínas da civilização maia. Um dos poucos sobreviventes, o professor Lyman, pede apoio ao Dr. Maldor, mas ele revela ser o homem responsável pelas mortes. Na verdade, ele quer vingança, pois planejou e organizou a expedição, mas todos alegaram a fama e a fortuna. No entanto, Lyman desenvolveu o “Dynamic Vibrator” – um dispositivo destinado a operações de mineração, mas que pode ser ampliada e ser transformado em uma arma devastadora. Usando a sua “Purple Death”, um produto químico hipnótico responsável pelos suicídios, o Dr. Maldor força Lyman a divulgar a localização de seus planos.

O Capitão América intervém nos planos de Escaravelho e tentar roubar seus planos e isso leva a uma sequência de tentativas deste para adquirir uma versão de trabalho, bem como outros dispositivos, ao tentar eliminar o Capitão América e interferir antes que ele consiga descobrir a verdadeira identidade do Dr Maldor e derrotá-lo.

Assista o seriado no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O SERIADO: Após uma longa parceria entre William Witney & John English, em que co-dirigiram 17 seriados para a Republic, esse foi o segundo seriado da Republic que English dirigiu sem Witney (o primeiro foi Daredevils of the West, em 1943). Captain America foi orçado em $182,623, apesar de ter alcançado um custo de $222,906. Foi, portanto, o mais caro seriado da Republic Pictures.

Foi filmado entre 12 de outubro e 24 de novembro de 1943, e recebeu a numeração 1297. O roteiro de Captain America foi feito por sete dos maiores roteiristas de seriados, sendo inclusive o único trabalho de Harry Fraser para a Republic.

O traje do Capitão América era, na verdade, cinza, azul escuro e branco, fotografado em preto e branco. O traje perdeu, também, as asas; as botas de pirata foram substituídas por sapatos altos, assim como a cota de malha se tornou pano normal. Bandeiras em miniatura foram adicionadas às luvas e o cinto se tornou um pequeno escudo.

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DIREÇÃO: Elmer Clifton, John English
ROTEIRO: Royal K. Cole, Ronald Davidson, Basil Dickey (original screenplay)
GÊNERO: Action, Adventure
ORIGEM: Estados Unidos
DURAÇÃO: 244min
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ELENCO PRINCIPAL:
Dick Purcell … Captain America / Grant Gardner
Lorna Gray … Gail Richards
Lionel Atwill … Cyrus Maldor
Charles Trowbridge … Dryden
Russell Hicks … Randolph
George J. Lewis … Bart Matson
John Davidson … Gruber
Norman Nesbitt … Newscaster
Frank Reicher … Lyman
Hugh Sothern … Eldon Dodge
Tom Chatterton … J.C. Henley
Robert Frazer … Clinton Lyman
John Hamilton … G.F. Hillman
Crane Whitley … Dirk
Edward Keane … Agent 33
John Bagni … Monk
Jay Novello … Simms


Fonte de Pesquisa/Texto: Revista Cinemin/A.C. Gomes de Mattos.

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