GARY COOPER, O Maior Astro do Cinema

Durante 35 anos, Gary Cooper foi o maior astro do Cinema, dono de um estilo de interpretação inigualável que se sustentava apenas na sua impressionante fotogenia e naturalidade. Seu rosto era o do homem comum, e em qualquer papel que o colocassem assumia perfeitamente a identidade do personagem, quase sempre um inocente sedutor com integridade de caráter. De formação exclusivamente cinematográfica, ninguém estrelou maior número de clássicos do que ele, conservando a popularidade em toda a longa trajetória artística.

FRANK JAMES COOPER nasceu no dia 7 de maio de 1901, em Helena, Montana, USA, filho de Charles Henry Cooper, imigrantes ingleses oriundos de Bedfordshire. Cinco anos depois, o pai comprou um rancho – o Seven-Bar-Nine – situado fora da cidade, mas continuou com casa em Helena, onde advogava, tornando-se mais tarde juiz da Suprema Corte do Estado.

Cooper vestido de cowboy em 1903.

Pouco antes da Primeira Guerra Mundial, a família passou uns tempos na Inglaterra e lá, Frank e seu irmão mais velho, Arthur, cursaram a escola pública de Dunstable; mas, assim que eclodiu o conflito, voltou para a América. Frank completou seus estudos na Gallatin County High School e depois no Grinnel College, em Iowa, demonstrando interesse pelo desenho. Chegou a colaborar no jornalzinho do colégio e, depois, no Helena Independent, mas decepcionou-se quando não obteve o cargo de caricaturista político, num periódico de Los Angeles, local de residência dos Cooper por volta de 1924.

Gary Cooper na extrema direita, no gramado com os alunos da Gallatin High School em 1921.

Passou, então, a exercer ocupações diversas, e, finalmente, a de stuntman e figurante em faroestes de dois rolos ou fitas de outros gêneros, tais como The Vanishing American/1925 (Alma Cabocla), The Eagle/1925 (O Águia), The Enchanted Hill/1926 (A Montanha Encantada), etc.

Enquanto atuava no filme de Tom Mix, The Lucky Horseshoe/1925 (Don Juan de Sevilla), o jovem comparou o salário de 50 dólares semanais que recebia com os 17.500 de Mix, e achou que também podia se tornar ator como ele. Aconselhado por sua agente, Nan Collins, mudou o nome para Gary (Gary era a cidade natal dela, em Indiana) e, depois de alguns esforços publicitários, ganhou um papel de maior destaque em Lightnin’ Wins/1926, produção independente de Hans Tiesler.

Gary Cooper em The Winning of Barbara Worth/1926 (O Beijo Ardente)

Depois, Nan conseguiu-lhe um lugar como extra, no estúdio de Samuel Goldwyn, onde Henry King se preparava para filmar The Winning of Barbara Worth/1926 (O Beijo Ardente), drama romântico de faroeste, derivado do romance de Harold Bell Wright, com Ronald Colman e Vilma Banky. King aguardava a liberação do ator Harold Goodwin, da Warner, para viver o papel do engenheiro Abe Lee. Atendendo à sugestão da roteirista Frances Marion, que notara o magnetismo de Cooper, consentiu em testá-lo como Abe. Na cena mais dramática, fotografada por George Barnes e seu assistente Greg Tolland, ele chegava extenuado à casa de Colman, trazendo a notícia do rompimento da represa, e caía duro em seus braços. Ao ver os rushes (as primeiras cópias de uma tomada), Goldwyn exclamou, virando-se para King: – Por que você não me disse que esse rapaz era um grande ator?- Por que ele não é – respondeu King. – É apenas um cowboy de Montana.

Após a estréia, Cooper recebeu alguns elogios, e Goldwyn ofereceu-lhe 65 dólares semanais; mas Nan arranjou uma entrevista com B.P. Schulberg, chefe de produção da Paramount, que o contratou por 150 dólares semanais, com a intenção de preencher a vaga deixada por William S. Hart.

Clara Bow e Gary Cooper, em “Children of Divorce” (1927), dirigido por Frank Lloyd e com Josef von Sternberg não creditado.

O trabalho na Paramount começou com um pequeno papel de repórter, no primeiro filme de Clara Bow como estrela, It/1927 (O Não-Sei-Quê das Mulheres), adaptado do romance de Elinor Glynn e dirigido por Clarence Badger (e por Josef von Sternberg, não creditado). Cooper e Clarinha “Boa” iniciaram um romance e, graças a ela, o rapaz entrou, a seu lado e no de Esther Ralston, no elenco do melodrama Children of Divorce/1927 (Filhos do Divórcio), baseado no romance de Owen McMahon Johnson, dando muito trabalho ao diretor Frank Lloyd. Este o despediu após a primeira cena por incapacidade (Lloyd teve de filmá-lo 23 vezes); mas logo o chamou de volta, ante a insistência de Clara. Convocado para “salvar” o filme, Josef von Sternberg refilmou um terço da metragem em três dias. O cineasta alemão intimidou Cooper de tal forma, que este se recusava a olhar para ele, ao receber instruções; e de tanto fitar os refletores para não encará-lo apanhou forte irritação na vista.

Depois, colocaram-no em três faroestes ligeiros: Arizona Bound/1927 (Bandoleiro Romântico), dirigido por John Waters, The Last Outlaw/1927 (A Última Prisioneira), de Arthur Rosson, ambos com Betty Jewell (e o cavalo Flash), e Nevada/1927 (O Amor Comanda), baseado em Zane Grey, também sob a direção de Waters. Neste, ele salvava a mocinha (Thelma Todd) do vilão, mas nas cenas românticas os críticos acharam-no um pouco desajeitado.

Gary Cooper, Richard Arlen e Charles ‘Buddy’ Rogers em Wings (1927).

Usando ainda o prestígio de sua protetora, ele apareceu em Wings/1927 (Asas), drama de guerra e aviação escrito por John Monk Saunders, marcando sua presença novamente numa cena de morte heróica, filmada com apenas um take pelo diretor William Wellman. A fita arrebatou o Oscar de 1927.

A Paramount descobriu então que tinha sobrado muitas tomadas de deserto não utilizadas na versão muda de Beau Geste, com Ronald Colman, e resolveu fazer Beau Sabreur/1927 (Beau Sabreur), dirigido por John Waters e também baseado em romance de P.C. Wren, unindo Gary Cooper e Evelyn Brent. Durante as filmagens, os dois astros tiveram um caso amoroso muito comentado nas revistas de fãs.

O estúdio aproveitou também o aerial footage remanescente de Asas numa imitação, The Legion of the Condamned/1928 (A Legião dos Condenados), escrita e dirigida respectivamente pelos mesmos Monk Saunders e Wellmann e, para competir com os concorrentes, formou o par Gary Cooper-Fay Wray, anunciando-os como “Paramount’s Glorious Young Lovers”. No mesmo ano Cooper fez Doomsday (Escrava por Amor), com Florence Vidor, e The First Kiss (O Primeiro Beijo), com Fay Wray, ambos dirigidos por Rowland V. Lee, e Half a Bride (Casamento a Prazo Fixo), cuja história, bem conduzida por Gregory La Cava, tinha algo a ver com Macho e Fêmea, de Cecil B. De Mille. Sobre Cooper, neste último filme, assim se expressou Octávio Mendes, em Cinearte: “Espigado. Um tanto ou quanto rude. Mas tem it que dói nos olhos e beija com um ímpeto…” Quem recebia os beijos era Esther Ralston.

Quando Colleen Moore e seu marido John McCormick, chefe de produção da First National, resolveram filmar Lilac Time/1928 (O Amor Nunca Morre), escolheram o espigado para leading man de Mrs. Moore, pedindo-o emprestado à Paramount; ela confidenciaria mais tarde que o diretor George Fitzmaurice teve de suar para arrancar do ator alguma coisa parecida com uma interpretação.

O último filme de Cooper em 1928 foi The Shopworn Angel (Anjo Pecador), dirigido por Richard Wallace, fota parcialmente falada, que seria refilmada em 1938 com James Stewart e Margaret Sullavan. Na versão de 1928, Nancy Carroll cantava “A Precious Little Thing Called Love” e Cooper só tinha chance de dizer “Eu quero” na cena do casamento interrompido.

Wolf Song/1929 (A Canção do Lobo / foto abaixo), seu filme seguinte, também não era inteiramente falado: Lupe Velez entoava dois números musicais (“Mi Amado” e “Yo Te Amo means I Love You”), enquanto o diretor Fleming explorava com sabedoria o potencial erótico do ator. Fora das telas, Gary e Lupe viviam um tempestuoso love affair. Quando se conheceram, ela era namorada de Tom Mix e, ao terminar a filmagem, Gary se mudou da casa dos pais para morar com ela, escandalizando os velhos.

No seu derradeiro filme silencioso, Betrayal/1929 (Perfídia), também semifalado e com uma canção, “Under the Wheater”, Cooper fazia o papel de um artista vienense que voltava a cobiçar a jovem por ele abandonada (Esther Ralstou) e que se casara com um velho (Emil Jannings). Atrás das câmaras, Lewis Milestone assistia à disparidade de estilos interpretativos entre Cooper e Herr Jannings e deve ter dito para si mesmo: “O que é que eu posso fazer?”.

No all-talkie The Virginian/1929 (Agora ou Nunca), terceira versão cinematográfica do conhecido romance de Owen Wister, Victor Fleming usou o som de maneira brilhante, mas a fita tinha pouca ação em se tratando de um faroeste. A história pressagiava Matar ou Morrer com respeito à solidão do herói que, no dia do casamento (com Mary Bryan), tinha de enfrentar o bandido Trampas (Walter Houston) num shoot-out decisivo, e o fazia corajosamente, tal como o Xerife Will Kane vinte e cinco anos depois. The Virginian foi refilmado em 1946 com Joel McCrea, e se tornaria série de tevê com James Drury.

Cooper e Mary Brian em The Virginian (1929).

Sucedeu-lhe um drama sobre a Guerra Civil americana, Only the Brave/1930 (inédito no Brasil), reunindo mais uma vez Gary Cooper e Mary Bryan, dirigidos por Frank Turtle. Logo após, os dois estavam em Paramount on Parade/1930 (Paramount em Grande Gala), revista musical com elenco all-star da “Marca das Estrelas”. O enquete no qual apareceriam, intitulado “Dream Girl”, foi fotografado em Technicolor (sistema bicolor) e quando as fãs viram na tela os olhos azuis do galã sua correspondência cresceu enormemente.

O dramalhão Seven Days Leave/1930 (Sete Dias de Licença), baseado em J. M. Barrie, dirigido por Richard Wallace e estrelado por Cooper e Beryl Mercer, havia sido realizado antes de The Texan/1930 (O Adorado Impostor), adaptação de uma história de O. Henry, com Cooper na pele de Llano Kid, sob as ordens de John Cromwell, porém foi lançado depois. O Adorado Impostor teve como estrela Fay Wray e seria refilmado em 1939, com Tito Guizar.

A Man from Wyoming/1930 (A Prova do Amor / foto abaixo) trouxe Cooper de novo ao ambiente da Primeira Guerra, orientado por Rowland V. Lee e tendo ao seu lado June Collyer.

Nenhuma destas três fitas chegou perto de The Spoilers/1930 (Inferno Dourado), uma das cinco versões do clássico romance de Rex Beach, dirigida por Edwin Carewe. As anteriores de 1914 (Pulso de Ferro) e 1923 (Os Espoliadores) tinham respectivamente William Farnum/Tom Santschi e Milton Sills/Noah Beery nos papéis principais e as posteriores, de 1942 (A Indomável) e 1955 (Rastros da Corrupção), pela ordem, John Wayne/Randolph Scott e Rory Calhoun/Jeff Chandler. A cena mais famosa, sempre muito lembrada, era a da sensacional briga de saloon entre os rivais Roy Glenister e Alec McNamara e, a cada refilmagem, os atores se esforçavam para ultrapassar em realismo e violência os seus predecessores. Na fita de Cooper, a luta travou-se com William “Stage” Boyd e, para orientá-la, foram contratados os veteranos Farnum e Santschi como conselheiros técnicos. Key Johnson e Betty Compson defendiam os papéis femininos.

Muitos consideram Morocco/1930 (Marrocos) o primeiro grande filme de Gary Cooper, embora a fita não fosse propriamente dele, mas de Josef von Sternberg e Marlece Dietrich. Durante as filmagens, Sternberg não deu bola para Cooper, deixando-o num canto, escutando sonolentamente as instruções dadas em alemão à Marlene. A cena, ousadíssima para a época, em que Marlene vestida de homem, dá um beijo na boca de uma mulher em pleno show; aquela na qual se parte o colar e ela ouve os tambores dos legionários que se aproximam e a do desenlace, quando tira os sapatos, e segue atrás de seu amante pelo deserto, foram momentos inspirados do cineasta germânico, mestre do erotismo e do refinamento estético. Marrocos salvou a Paramount da falência e mudou um pouco o tipo de Cooper no écran.

Desgostoso com isso, ele recusou trabalhar com Sternberg e Marlene em Desonrada. O estúdio pensou em incluí-lo na refilmagem de Rose of the Rancho, sob a direção de Cecil B. De Mille e como Sidney Carlton em A Tale of Two Cities, mas esqueceu o assunto e Gary Cooper voltou ao faroeste de Zane Grey em Fighting Caravans/1931 (Os Civilizadores), ao lado de Lily Damita, dirigido por Otto Brower e David Burton.

Como o público estava gostando de ver filmes de gângsters, a fita seguinte foi City Streets/1931 (Ruas da Cidade). Aproveitando a sinopse e o primeiro tratamento de Dashiell Hammett, o diretor Rouben Mamoulian exercitou seu estilo, usando pioneiristicamente o som para transmitir o monólogo interior da protagonista (Silvia Sidney, substituindo Clara Bow) e os movimentos de câmera e os cortes, para criar instantes de puro cinema. Ruas da Cidade foi quase todo filmado de noite, porque Cooper estava trabalhando de dia em outra produção; cansado, certa vez adormeceu em plena cena de amor com Silvia.

Lili Damita e Cooper em Fighting Caravans, 1931.

A fita “diurna” era I Take This Woman/1931 (A Mulher Que Deus me Deu), com Carole Lombard e direção de Marius Gering; quando terminou, Cooper sofreu um colapso causado por anemia e icterícia. O estúdio concedeu uma licença a ele; partiu, então, para a Europa e de lá voltou de braços dados com a Condessa di Frasso, née Dorothy Taylor, rica herdeira americana muito bem relacionada nas altas rodas. A Condessa era alguns anos mais velha do que o rapagão de Montana e acabou de desencabulá-lo.

Os executivos da Paramount leram as colunas de mexericos e convocaram o ator para atuar no enfadonho His Woman/1931 (Sua Esposa Perante Deus), dirigido por Edward Sloman e co-estrelado por Claudette Colbert. Durante as filmagens, Cooper adoeceu de novo, e, assim que elas se encerraram, partiu para um safári na África em companhia da Condessa.

Condessa Dorothy di Frasso e Gary Cooper.

O estúdio achou que era hora de prestigiar Cary Grant, entregando-lhe os papéis reservados para Cooper, mas voltou atrás em seus planos de intimidação. Cooper teve aumento de salário para 2.500 dólares semanais, com direito de aprovar os scripts.

Quando perguntaram a Tallulah Bankhead por que ela aceitara uma proposta de Hollywood, a ambígua star respondeu: – Eles me ofereceram muito dinheiro e eu achei que tinha de fazr amor com aquele divino Gary Cooper. Tallulah, Cooper, Cary Grant e Charles Laughton foram reunidos em Devil and the Deep/1932 (Entre Duas Águas), cuja maior atração era a cena de loucura do sádico comandante Sturm (Laughton), encenada com propriedade pelo diretor Marion Gering;

Gary Cooper e Tallulah Bankhead em Devil and the Deep, dirigido por Marion Gering em 1932.

Cooper e Tallulah apareceram também juntos como convidados em Make Me a Star/1932 (Quero Ser Estrela), de William Beaudine, baseado peça de Moss Hart, Merton of the Movies, ao lado de outros astros. Gary Cooper participou ainda de outra all-star picture – If I Had a Million/1932 (Se eu Tivesse um Milhão) -, tendo seu esquete sido dirigido por Norman McLeod.

Só então teve a oportunidade de fazer com Helen Hayes, A Farewell to Arms/1932 (Adeus às Armas), adaptação do romance de Ernst Hemingway, que se tornaria seu amigo pessoal. Os personagens na fita eram mais do diretor Frank Borzage do que de Hemingway. Borzage imprimiu seu sentimentalismo à narrativa e providenciou dois finais – um trágico, outro menos deprimente – para os exibidores escolherem. O filme foi indicado para o Oscar e fez muito sucesso. NO futuro, haveria uma refilmagem, em 1957, com Rock Hudson e Jennifer Jones.

Helen Hayes diria numa entrevista que estava apaixonada por Cooper na ocasião e, se ele lhe tivesse pedido, ela teria abandonado o marido (o roteirista Charles Mac Arthur) e o filho.

Terminado Adeus às Armas, Cooper fez três filmes curtos: The Slippery Perls (também conhecido como Stolen Jools), produzido pelo Masquers Club com fins beneficentes, ao lado de William Haines, Charles “Buddy” Rogers e Eugene Pallete, todos nos papéis de repórteres que procuram o ladrão das jóias de Norma Shearer; The Voice of Hollywood em cujo cast estavam John Wayne e o escurinho Farina; e um episódio da Paramount, Hollywood on Parade. Neste último, ele aparecia lendo um jornal e comentando para uma companheira fora de cena: – Louella Parsons deu um mexerico sobre nós. A câmera fazia uma panorâmica para a companheira… uma chimpanzé.

Em 1933, Cooper viu-se emprestado à MGM para atuar com George Raft em Fly On, mas o projeto foi arquivado, e rejeitou fazer Pickup e The Glass Key, depois realizados com Raft. Afinal aceitou Today We Live/1933 (Vivamos Hoje / foto abaixo), baseado em história de William Faukner e dirigido por Howard Hawks. O filme, na sua forma original, era um drama de guerra, sem mulheres na trama, concentrando-se na camaradagem masculina que sempre foi o forte do cineasta; porém a MGM teimou de encaixar Joan Crawford no elenco, e o roteiro teve de ser mudado. Fazendo uma ponta no filme, em cenas depois cortadas, estava Sandra Shaw, nome artístico de Verônica Balfe, jovem da sociedade, de 20 anos, que tentava o estrelato sob a proteção do tio, Cedric Gibbons, renomado art-director da MGM. Cooper encontrou-se com Verônica (cujo apelido era Rocky) numa festa, e começou a cortejá-la com intenção de casamento, apesar da oposição da família dela.

Enquanto isso, sucediam-se os compromissos profissionais: One Sunday Afternoon/1933 (A Mulher Preferida), com Fay Wray e direção de Stephen Roberts, ficou muito aquém da refilmagem de Raoul Walsh em 1941 (Uma Loura com Açúcar, com James Cagney, Olivia de Havilland e Rita Hayworth), mas Design for Living/1933 (Sócios no Amor), dirigido por Ernst Lubitsch com roteiro de Ben Hecht (modificando quase todo o texto original de Noel Coward) e seu picante ménage à trois, teve grandes momentos. Cooper entrou no lugar de Douglas Fairbanks Jr. (cogitado para o papel depois de Robert Montgomery) e deu conta dos diálogos sofisticados tão bem quanto os experimentados Fredric March e Miriam Hopkins.

Lubitsch proclamou Cooper o mais fotogênico dos atores e diria mais tarde, gracejando, que ele e Greta Garbo nunca fizeram um filme juntos, porque eram a mesma pessoa: – Eles são criaturas essencialmente fotográficas. Suaves, quase inertes, exceto quando a câmera está apontando para eles.

Nesta altura, o salário de Cooper atingira a cifra de 6.000 dólares semanais e ele integrou o elenco de Alice in Wonderland/1933 (Alice no País das Maravilhas), dirigido por Norman McLeod, com roteiro de William Cameron Menzies e Josph L. Mankiewicz em cima do livro de Lewis Carroll, fazendo o papel mais insólito de sua carreira: o do Cavaleiro Branco, vestido de armadura, com nariz e careca postiços e um comprido bigode.

Cedido à Cosmopolitan-MGM para filmar Operator 13/1933 (Espiã nº 13), com Marion Davies e sob direção de Richard Boleslavski, Cooper ficou amigo dos Hearst, freqüentando a célebre mansão de San Simeon. Nesta ocasião, casou-se com Rocky.

Henry Hathaway já havia funcionado como assistente de direção de vários filmes de Cooper, e finalmente pôde dirigi-lo no lacrimogêneo Now and Forever/1934 (Agora e Sempre), ao lado de Shirley Temple e, entrando no lugar de Claudette Colbert, Carole Lombard. Curiosa a observação da desinibida Carole a respeito de Cooper: ela o achava “marcadamente afeminado nos seus maneirismos, pessoa muito diferente dos personagens fortes que interpreta nos filmes”.

Shirley Temple e Cooper, em Agora e Sempre (Now and Forever), película de 1934, dirigido pela primeira vez por Henry Hathaway.

Seguiu-se (após Cooper ter refutado o Script de Dr. Socrates) The Wedding Night/1935 (Noite Nupcial), produzido por Samuel Goldwyn e dirigido por King Vidor. Nele, Goldwyn fazia mais uma tentativa para promover a atriz russa Anna Sten como uma outra Garbo. Depois do fracasso da fita, ainda insistiu, colocando Cooper e Sten em Barbary Coast, mas após quatro semanas de produção os dois foram substituídos por Joel McCrea e Miriam Hopkins.

Durante o resto do ano de 1934 Cooper havia recusado várias propostas entre elas, Fifty-Two Weeks for Fleurette, com Claudette Colbert; Carmen, de Lubitsch; The Grandduchess and the Waiter, com Miriam Hopkins, e The Last Outpost, com Getrude Michael.

No ano seguinte, prosseguiu sua vida artística aceitando novo filme com Hatthaway, The Lives of a Bengal Lancer (Lanceiros da Índia), grande êxito no gênero aventura que deu ao cineasta a sua única indicação para o Oscar. Aproveitando cenas locais que filmara para uma produção de Ernest B. Shoedssack não concretizada, o diretor soube reunir ação, romance e fantasia na justa medida e arrebatar a platéia. No cast: Franchot Tone e Kathleen Burke.

Hathaway continuou dirigindo Cooper, ao lado de Ann Harding, no ultra-romântico e místico Peter Ibbetson/1935 (Amor sem Fim), baseado no romance de George Du Maurier. André Breton classificou a fita de “prodigioso triunfo do pensamento surrealista” e ela se tornou um cult movie jamais esquecido pelos saudosistas. Neste ponto de seu itinerário fílmico, Cooper era mais do que nunca solicitado.

Ainda em 1935, ele apareceu no short da MGM, Star Night at the Cocoanut Grove, filmado em Colourtone e, no ano seguinte, seria visto no technicolorido La Fiesta de Santa Barbara, em ambos ao lado de outras personalidades do mundo do cinema.

A seguir, Lubitsch incluiu-o com Marlene Dietrich em Desire/1936 (Desejo), que ele mesmo supervisionou, deixando pouca coisa a fazer para o diretor creditado, Frank Borzage, Marlene andava namorando John Gilbert, porém sentindo que ele ainda amava Garbo, entregou-se nos braços de Cooper. Havia também um papel para Gilbert no filme, mas, pouco ates de começar a filmagem, ele morreu, vitimado por um ataque cardíaco, sendo substituído por John Halliday.

Terminado o filme, Cooper não quis atuar com Carole Lombard em The Case Agains Mrs. Ames e se mandou para a Columbia, escolhido por Frank Capra como astro de Mr. Deeds Goes to Town/1936 (O Galante Mr. Deeds).

UM NOVO IMPULSO NA CARREIRA
A primeira das fantasias populistas de Capra, vivendo o ingênuo tocador de tuba de Mandrake Falls, ao lado da minúscula Jean Arthur. Cooper emergiu como verdadeiro mito do Cinema, passando a personificar o homem do povo, “o americano médio do meio dos Estados Unidos”, com o qual o público se identificava. Por Mr. Deeds, ele foi indicado para o Oscar (perdendo para Paul Muni em A História de Louis Pasteur), tendo Capra conquistado a estatueta de melhor diretor.

Gary Cooper e Frank Capra no set de filmagens de “Mr. Deeds Goes to Town” (1936).

Em seguida, queriam que Cooper fizesse The Texas Rangers ou Swing High Swing Low, mas, talvez sentindo a possibilidade de ser Reth Butler em …e o Vento Levou, desistiu, e foi substituído por Fred MacMurray. Todavia seu próximo compromisso não teve nada a ver com a superprodução de Selzinick: ele surgiu numa ponta na fita classe “B”, Hollywood Boulevard/1936 (Boulevard de Hollywood) para ajudar o ator principal, seu amigo John Halliday.

Na condição de anti-herói, Cooper mergulhou novamente no escapismo (com pretensões frustradas de mensagem social) em The General Died at Dawn/1936 (O General Morreu ao Amanhecer), filme dirigido por Lewis Millestone com roteiro de Clifford Odets. A estrela era a inglesa Madeleine Carroll, que entrou no lugar antes designado para a conterrânea, Merle Oberon. O ambiente parecia com o de O Expresso de Xangai, de Sternberg.

Cooper voltou ao faroeste como Wild Bill Hickock (papel cobiçado por John Wayne) em The Plainsman/1936 (Jornadas Heróicas), talvez o melhor filme de Cecil B. De Mille. Como Calamity Jane, Jean Arthur aguentava a misoginia do mocinho e encantava os espectadores com sua vozinha esganiçada; como Buffalo Bill, James Ellison não tinha graça.

Assim que Cooper terminou de filmar sua participação no short beneficente Lest We Forget, Henry Hathaway foi buscá-lo para ser um abolicionista em Souls at Sea/1937 (Almas ao Mar), ao lado de Frances Dee e George Raft, e teve esperança de ganhar o Oscar de Melhor Filme, porém a fita deixou a desejar. Para consolo de Cooper, nasceu Maria Veronica, a filha querida que sempre amaria acima de todas as coisas.

Não se sabe como a Paramount perdeu o prazo para a renovação do contrato de Cooper, e eles te comprometeu com Samuel Goldwyn para fazer The Adventures of Marco Polo/1938 (As Aventuras de Marco Polo), com a pseudo dinamarquesa Sigrid Curie (Sigrid era uma americana do Brooklyn que Goldwyn fazia passar por escandinava). O produtor pensara antes em unir Cooper com Joel McCrea, Merle Oberon e Miriam Hopkins em Maximiliam of Mexico, mas o filme não saiu. o argumento de As Aventuras de Marco Polo, escrito por Robert E. Sherwood, havia sido oferecido a René Clair e William Wyler, mas os dois não mostraram interesse. John Cromwell assumiu a direção e deixou-a no quinto dia de filmagem; Archie Mayo substituiu-o. A fita tinha suntuosidade e um esplêndido vilão (Basil Rathbone), mas o roteiro era uma barafunda dos diabos. Stuart Heisler, chamado às pressas como “farmacêutico”, nada pôde fazer.

Por decisão judicial, Cooper ficou dois anos entre a Paramount e Goldwyn. Tendo desprezado o papel principal em The Light that Failed, retornou à Paramount para contracenar com Claudette Colbert em Bluebeard’s Eight Wife/1938 (A Oitava Esposa do Barba Azul / foto abaixo), gostosa screwball comedy providenciada pela dupla Charles Brackett-Billy Wilder para Lubitsch dar aquele famoso toque.

Em seguida, Goldwyn quis formar o trio Cooper-Sigrid Curie-Merle Oberon em Graustark, mas o projet não vingou. Em seu lugar surgiu The Cowboy and the Lady/1938 (O Cowboy e a Grã-fina), somente com Merle Oberon, e história original de Leo McCarey que, convidado para dirigir, não aceitou, dizendo francamente: – Eu jamais tocaria nesse lixo. William Wyler fingiu-se de doente para não assumir e H.C. Potter acabou topando a parada (Stuart Heisler fez uns “consertos” depois).

Enquanto isso, despontaram ideias para filmes com Cooper: Infidelity, escrito por F. Scott Fitzgerald, com Mirna Loy e A Countess from Hong Kong, com Paulette Goddard (sim, era a mesma história que Chaplin levaria à tela com Marlon Brando e Sophia Loren). Cooper preferiu Beau Geste/1939 (Beau Geste) clássico de aventura de William Wellmann, com Ray Milland e Robert Preston como os outros irmãos Geste. O Saara foi reconstituído numa região desértica de Yuma, Arizona, contruindo-se uma verdadeira cidade de tendas para abrigar os mil membros da equipe. Wellman levou apenas 25 dias para filmá-lo.

A pedido de Cooper, Goldwyn contratou Hathaway para dirigir The Real Glory/1939 (Legião Suicida ou A Verdadeira Glória) e o cineasta fez o que pôde para movimentar as peripécias vividas nas Filipinas pela trinca Cooper-David Niven-Broderick Crawford. A estrela era Andrea Leeds.

Goldwyn teve então ideia de filmar Hans Christian Andersen com Cooper, mas este queria fazer filmes mais importantes. Entretanto, quando o produtor propôs The Westerner/1940 (O Galante Aventureiro), sob as ordens de William Wyler, ele sentiu que ia ficar em segundo plano, pois o papel central era o do Juiz Roy Bean, reservado para Walter Brennan. Contudo Wyler veio com aquela conversa de que “não existem pequenos papéis, apenas pequenos atores”, e Cooper foi na onda. Brennan ficou com o Oscar e Gregg Toland deu mais uma vez provas de seu virtuosismo com a câmera. No papel feminino, Wyler tentou colocar sua esposa, Margaret Tallichet (que fora testada para Scarlett O’Hara), mas foi obrigado a trabalhar com outra novata, Doris Davenport.

Para ajudar seu amigo Joel McCrea, Cooper consentiu em substituí-lo no elenco de North West Mounted Police/1940 (Legião de Heróis), para que ele pudesse fazer o filme que queria – Correspondente Estrangeiro, de Hitchcock. As cenas exteriores foram visivelmente rodadas em interiores para garantir a qualidade cromática do primeiro technicolor de Cecil B. De Mille. Paulette Goddard e Robert Preston “roubaram” o filme dos astros Gary Cooper e Madeleine Carrol.

Frank Capra chamou de novo Cooper para Meet John Doe/1941 (Adorável Vagabundo / foto abaixo) e, sem saber como terminar o enredo, apelou para Jules Furthman. Furthman chocou Capra e seu roteirista Robert Riskin, quando lhe disse à queima-roupa que não havia conclusão possível para história, porque, antes de tudo, eles não tinham sequer uma história. Atônito, Capra preparou quatro finais, e apresentou o filme em pré-estréias, até que um dia recebeu carta de um espectador, sugerindo-lhe um quinto final nestes termos: “A única coisa que pode impedir John Doe de se suicidar é…os próprios John Does pedirem a ele”. Cooper recebeu uma segunda indicação para o Oscar, perdendo para James Stewart em Núpcias de Escândalo.

Goldwyn então emprestou-o à Warner para fazer com Joan Leslie e sob a direção de Howard Hawks, Seargent York/1941 (Sargento York), em troca de Bette Davis, que ele queria para interpretar Regina Hubbard Giddens em Pérfida. Cooper a princípio não gostou da manobra, mas foi persuadido a viver o grande herói da Primeira Guerra, ao saber que o próprio Alvin C. York só teria permitido a filmagem de sua vida, se ele o encarnasse. O ator dedicaria a York o Oscar conquistado por sua magnífica atuação, concorrendo com Orson Welles (Cidadão Kane), Cary Grant (Serenata Prateada), Robert Montgomery (Que Espere o Céu) e Walter Huston (O Homem que Vendeu a Alma). Muito tempo depois, recordando-se do desempenho de Cooper nesse filme, Hawks resumiu o segredo de sua naturalidade: – A câmera gostava dele.

Gary Cooper em Sargento York (1941).

Hawks e Cooper continuaram juntos no divertido Ball of Fire/1941 (Bola de Fogo), escrito pela dupla Brackett-Wilder, que o mesmo diretor refilmaria em 1948 com Danny Kaye. Na fita, ele era um tímido filólogo, pesquisando sobre gíria, que se apaixonava por uma “especialista”, a dançarina do teatro burlesco, Sugarpuss O’Shea (Barbara Stanwick). Goldwyn queria Ginger Rogers no papel, mas esta não aceitou, e Barbara substituiu-a, obtendo uma indicação para o Oscar.

Pride of the Yankee/1942 (Ídolo, Amante e Herói) mostrou Cooper como Lou Gehrig, o popular craque de basebol falecido prematuramente. Orientado por Sam Wood, Gary brindou o público com outra excelente interpretação. O filme teve 8 indicações para o Oscar, inclusive a 4ª de Cooper (perdendo para James Cagney em A Canção da Vitória). O discurso final no estádio tornou-se uma cena memorável.

Cooper gostou do trabalho com Wood, e fez de tudo para que ele dirigisse For Whom the Bell Tolls/1943 (Por Quem os Sinos Dobram), baseado na obra de Hemingway. No papel de Maria, o produtor pensara em Paulette Goddard e em Vera Zorina (que chegou a filmar algumas cenas), mas afinal percebeu que seria melhor Ingrid Bergman. No filme, falado em excesso, a Guerra Civil Espanhola servia apenas de pano de fundo para um grande romance entre Robert Jordan e Maria, perdendo-se o conteúdo elucubrado pelo escritor. O filme recebeu 7 indicações para o Oscar, entre elas a 5ª indicação de Cooper (perdeu para Paul Lukas em Horas de Tormenta), mas Hemingway detestou a fita e ficou com ódio a Sam Wood.

Interpretando Robert Jordan, em Por Quem os Sinos Dobram (1943).

Cecil B. De Mille – que havia sido contratado como diretor de Por Quem os Sinos Dobram, e logo saiu da produção – dirigiria o próximo filme de Cooper, The Story of Dr. Wassell/1944 (Pelo Vale das Sombras), totalmente sem inspiração.

A Internation Pictures ofereceu então a Cooper muito dinheiro para fazer Casanova Brown/1944 (Casanova Júnior), ainda com Sam Wood e Teresa Wryght (sua partner em Ídolo, Amante e Herói), resultando uma comédia somente razoável. Nesse tempo, Cooper e Rocky passaram a viver cada qual a sua vida, sem contudo se separarem, por causa da filha. Um short da RKO de 1944, Memo for Joe mostrou Cooper divertindo os pracinhas juntamente com John Wayne, Frances Langford, Joe E. Brown, Ray Bolger e, é claro, Bob Hope.

Em Along Came Jones/1945 (Tudo por uma Mulher), Cooper foi o próprio produtor e, com o diretor Stuart Heisler, tentou fazer um western cômico. A estrela era Loretta Young. Em 1943, Cooper unira-se de novo a Sam Wood em Saratoga Trunk (Mulher Exótica) em durante as filmagens, namorara Miss Bergman. Para evitar escândalo, a Warner retardou propositadamente o lançamento para 1945.

Cloak and Dagger/1946 (O Grande Segredo), melodrama de espionagem com Lili Palmer, dirigido por Fritz Lang num estilo desbotado, e Unconquered/1947 (Os Inconquistáveis), com Paulette Goddard, dirigido por De Mille, tiveram poucos bons momentos.

Em Variety Girl/1947 (Miragem Dourada), Cooper fez ponta, acompanhando outros astros contratados da Paramount. E, pouco após, Leo McCarey trouxe-o de volta à comédia ao lado de Ann Sheridan Good Sam/1948 (A Felicidade Bateu à Porta), copiando o tom de Capra.

Mas foi The Fountainhead/1948 (Vontade Indômita) seu melhor filme dessa fase. Ode ao individualismo, escrita por uma russa, Ayn Rand, e com impecável direção de King Vidor, a fita apresentava cenas sensuais de atração-repulsão entre Cooper e Patrícia Neal (foto acima), acentuadas pela música vibrante de Max Steiner. Vidor havia convidado Greta Garbo para o papel de Patrícia Neal. Esta e Cooper, fora dos refletores, apaixonaram-se um pelo outro e, durante dois anos, viveram amargurados. Rocky, católica fervorosa, não admitia o divórcio e Cooper, embora louco de amor, não desejava magoar a filha adolescente.

Antes de Vontade Indômita, Cooper havia sido cogitado para State of the Union e Westward the Women, projetos depois concretizados com Spencer Tracy e Robert Taylor.

Seguiram-se outra ponta em all-star picture, It’s a Great Feeling/1941 (Mademoiselle Fifi), dirigida por David Butler e mais três fitas corriqueiras, todas do mesmo nível, isto é, razoáveis: Task Force/1949 (Horizontes em Chamas / poster abaixo), de Delmer Daves, com Jane Wyatt; Bright Leaf/1950 (Cinzas ao Vento), de Michael Curtiz, com Patricia Neal, e Dallas/1950 (Vingador Impiedoso), de Stuart Heisler, com Ruth Roman.

Já You’re in the Navy Now/1950 (Agora Estamos na Marinha), de Henry Hathaway, com Jane Greer (e Charles Bronson estreando no cinema) era pior, sendo preferível ver o ator nas rápidas intervenções em It’s a Big Country/1951 (No Palco da Vida), no qual Clarence Brown dirigiu o esquete de Cooper, e Starlift/1951 (Estrelas em Desfile), de Roy Del Ruth, onde ele dançava e cantava ‘Lookout Strange I’m a Texas Ranger”, com Frank Lovejoy, Phil Harris e Virginia Mayo.

Snow Carnival foi apenas um short de 1949, narrado por Cooper, e Distant Drums/1951 (Tambores Distantes) o melhor desta séries de fitas do ator, graças à competência artesanal de Raoul Walsh providenciando um excitante duelo à faca no desfecho entre o herói e o chefe Seminole, cujo resultado era aguardado com ansiedade pela mocinha, Mari Aldon.

OS DERRADEIROS MOMENTOS DE GLÓRIA
A esta altura, alguns atores (como James Stewart em Winchester ’73) começavam a negociar uma participação nos lucros dos filmes, e Stanley Kramer ofereceu um trato destes a Gregory Peck, para filmar High Noon/1951 (Matar ou Morrer); mas o ator achou que o papel muito parecido com o que fizera em O Matador e rejeitou a proposta.

Aconselhado a seguir o exemplo de James Stewart, Gary Cooper acertou com Kramer, concordando em receber um salário fixo mais baixo em troca de uma percentagem na renda. Isto permitiu ao produtor orçar a fita em 750.000 dólares (se Cooper exigisse apenas o seu salário normal, este custo dobraria). Dirigido por Fred Zinnemann e com roteiro de Carl Foreman, a fotografia de Floyd Crosby, a música de Dimitri Tiomkin e a montagem de Elm Williams criando permanente tensão, o filme se tornou um clássico inigualável, votado sempre como um dos melhores westerns de todos os tempos.

Como Will Kane, em Matar ou Morrer (1951).

Nessa ocasião, Cooper e Patricia Neal se separaram definitivamente, e ele confessou aos jornalistas que Grace Kelly, sua leading lady em Matar ou Morrer era muito sedutora; mas as colunistas de fofocas noticiaram que ele estava saindo à noite com Kay Williams, a futura mãe do filho póstumo de Clark Gable. Como Will Kane, Cooper ganhou seu segundo Oscar, e declarou aos repórteres: – A interpretação de meu personagem pedia tudo o que eu tinha, e eu dei tudo o que tinha. Seus concorrentes tinham sido: Marlon Brando (Viva Zapata), Kirk Douglas (Assim Estava Escrito), Jose Ferrer (Moulin Rouge) e Alec Guiness (O Mistério da Torre).

Gary Cooper, Fred Zinnemann e Grace Kelly no set de HIGH NOON (1952).

A partir deste sucesso, Cooper passou a faturar sempre uma percentagem nos lucros dos filmes, além do salário fixo mínimo de 500.000 dólares. Filmes de rotina, de qualidade mais ou menos, sucederam-se à obra-prima de Zinnemann: Springfield Rifle/1952 (Renegado Heróico), de Andre de Toth, com Phyllis Thaxter; Return to Paradise/1953 (A Volta ao Paraíso), de Mark Robson, com Roberta Haynes, inspirado no romance de James Michener; Blowing Wild/1953 (Sangue da Terra), de Hugo Fregonese, com Barbara Stanwick, Ruth Roman e uma balada de Tiomkin, imitando a de Matar ou Morrer; e, estreando em CinemaScope, Garden of Evil/1954 (Jardim do Pecado), de Henry Hathaway, com Susan Haward.

Posteriormente, Robert Aldrich reuniu-o a Burt Lancaster, envolvendo-os como mercenários americanos na Revolução Mexicana, e a Sarita Montiel e Denise Darcel no trepidante faroeste Vera Cruz/1954 (Vera Cruz).

Cooper estava com 53 anos e os jornais publicaram notícias sobre seus amores com a atriz Gisele Pascal, mas na verdade, o ator sentia-se cansado, doente, e queria descanso. Maria, a filha, sugeriu-lhe uma audiência com o Papa e esse foi o primeiro passo para a reconciliação com Rocky. Cooper, protestante, converteu-se ao catolicismo, fé da esposa e da filha. Cooper adquirira os direitos de The Girl in the Via Flaminia (que pretendia filmar com Ingrid Bergman) e The Way West, mas não chegou a realizar seus planos.

The Court Martial of Billy Mitchell/1955 (Seu Último Comando), cinebiografia dirigida por Otto Preminger, tinha ritmo muito lento e foi muito menos feliz do que The Friendly Persuasion/1956 (Sublime Tentação), belíssimo afresco da vida quacre no tempo da Guerra da Secessão, baseado no livro de Jessamyn West e dirigido pelo classicista William Wyler. A fita ganhou a Palma de Ouro em Cannes e 6 indicações para o Oscar. No papel de Jess Birdwell (Dorothy McGuire era a esposa), interpretado por Cooper, três atores haviam sido cogitados: Spencer Tracy, James Stewart e Bing Crosby. Sucedeu uma aparição no curta Hollywood Mothers, episódio da série Screen Snapshots, no qual se viam artistas com suas mães.

Gary Cooper com Veronica Balfe, mais conhecida como “Rocky”, sua esposa.

Em 1957, Billy Wilder colocou o quase sexagenário Cooper (mas antes queria Cary Grant) com a jovem Audrey Hepburn e Maurice Chevalier em Love in the Afternoon (Amor na Tarde), e dedicou o filme ao mestre Lubitsch. Para esconder as marcas da idade no rosto de Cooper, Wilder usou filtros, gazes, iluminação apropriada, e nas cenas de amor teve o cuidado de colocar a câmera atrás dos ombros do ator, mas o público percebeu que ele estava muito velho para o papel. Audrey Hepburn fez uma piadinha, sussurrada nas horas de folga: – Cooper e Maurice Chevalier deviam ter trocado os papéis. E o espirituoso Wilder, referindo-se à falta de jeito de Cooper para dançar, apelidou-o de “Hopalong Nijinsky”.

O romance de John O’Hara que serviu de base para Ten North Frederick/1958 (A Casa das Amarguras) havia sido comprado pela Fox para Spencer Tracy. Quando este resolveu não fazer o papel, Cooper concordou em interpretá-lo, sob a direção de Philip Dunne, e contracenou novamente com uma atriz bem mais jovem, a bela modelo Susan Parker.

Depois disso, trabalhou com Julie London em Man of the West/1958 (O Homem do Oeste / foto abaixo), western freudiano e atípico do expert Anthony Mann.

E – logo após ter feito sua última aparição num short, The Glamorous Hollywood – com Maria Schell em outro faroeste, The Hanging Tree/1959 (A Árvore dos Enforcados), para a própria companhia, a Baroda Productions, sob a direção de Delmer Daves, igualmente bem sucedido no gênero. Durante as filmagens, Cooper sentia-se enfraquecido, e o próprio diretor teve problemas de saúde, sendo substituído por Karl Malden durante uma semana. Cooper prometeu aos médicos que iria descansar.

Mas, ao ler o roteiro de They Came to Cordura/1959 (Heróis de Barro), quis fazer o filme com Rita Hayworth e direção de Robert Rossen, além de participar no mesmo ano de Alias Jesse James (Valente é Apelido), de Norman McLeod, numa breve aparição não creditada. Terminada a fita, teve de se internar, e fez duas operações, sem saber que o câncer já estava se espalhando pelo seu organismo. Voltou ainda para frente das câmeras ao lado de Charlton Heston, em The Wreck of the Mary Deare/1959 (O Navio Condenado), dirigido por Michael Anderson, com script de Eric Ambler.

Rita Hayworth e Gary Cooper, em Heróis de Barro, filme de 1959, com direção de Robert Rossen.

Robert Mitchum substituiu-o em Peregrino da Esperança, de Fred Zinnemann, quando ficou positivado que não tinha condições para enfrentar os rigores das locações na Austrália, e recusou também fazer um filme na Rússia, com Grigori Alexandrov, por motivos ideológicos.

Assim, partiu para Londres, onde rodou The Naked Edge/1961 (A Tortura da Suspeita), de novo com Michael Anderson e ao lado de Deborah Kerr, muito semelhante a Suspeita, de Hitchcock. Pouco depois ficou sabendo que estava com câncer, e se preparou estoicamente para a morte.

Gary Cooper chega a Nova York acompanhado por sua esposa e filha Maria, a caminho de Londres, onde fará “THE NAKED EDGE” com Deborah Kerr.

Em fevereiro de 1961, voou até Nova York, para narrar o documentário de tevê, The Real West. A 20 de abril, a Academia lhe conferiu um Oscar honorário que James Stewart recebeu em seu nome. A 14 de maio, dias após seu 60º aniversário, Cooper faleceu. Alguns meses antes, num banquete em sua homenagem, no discurso de agradecimento, repetiu as palavras que, como Lou Gehrig em Ídolo, Amante e Herói, se despedira dos fãs no estádio:

– Hoje eu me considero o homem mais feliz do mundo.

A TORTURA DA SUSPEITA (The Naked Edge, 1961 – USA, UK)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 28 de junho de 1961

SINOPSE: Durante um julgamento em Londres o depoimento de George Radcliffe (Gary Cooper), a principal testemunha da acusação, condena Donald Heath (Ray McAnally) à prisão perpétua por assassinato e roubo de 60 mil libras. Após um ano, George investe um grande soma em um lucrativo negócio e gradativamente Martha (Deborah Kerr), sua mulher, começa a suspeitar que talvez ele seja o assassino.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Realizado pelo cineasta Michael Anderson, a partir de um roteiro escrito por Joseph Stefano, “A Tortura da Suspeita” é uma co-produção anglo-americana produzida em 1961. Embora não chegue ao nível de uma obra de Hitchcock, sua trama é marcada por uma boa dose de mistério e suspense.

Baseado no romance “First Train to Babylon”, de Max Ehrlich, Anderson consegue manter um bom ritmo ao longo de toda a projeção. A fotografia em preto e branco, assinada por Erwin Hillier, é de boa qualidade. No elenco, o maior destaque é Deborah Kerr, seguida pelas boas atuações de Gary Cooper, Eric Portman, Diane Cilento e Hermione Gingold.

“A Tortura da Suspeita” marcou o último filme de Gary Cooper, que veio a falecer no dia 13 de maio de 1961, antes do lançamento do filme no mercado norte-americano, ocorrido um mês e meio depois de sua morte.

DIREÇÃO: Michael Anderson
ROTEIRO: Joseph Stefano (screenplay), Max Ehrlich (novel: “First Train to Babylon”)
GÊNERO: Crime, Mistério Thriller
ORIGEM: USA, UK
DURAÇÃO: 1h 37min
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ELENCO PRINCIPAL:
Gary Cooper … George Radcliffe
Deborah Kerr … Martha Radcliffe
Eric Portman … Jeremy Clay
Diane Cilento … Mrs. Heath
Hermione Gingold … Lilly Harris
Peter Cushing … Mr. Evan Wrack
Michael Wilding … Morris Brooke
Ronald Howard … Mr. Claridge
Ray McAnally … Donald Heath
Sandor Elès … Manfridi St John
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, 75 Anos de Cinema.


O NAVIO CONDENADO (The Wreck of the Mary Deare, 1959 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 6 de novembro de 1959

SINOPSE: Em uma noite tempestuosa no Canal da Mancha, John Sands (Charlton Heston), o capitão de um pequeno navio de salvamento, quase o choca com o cargueiro Mary Deare, que aparentemente estava abandonado. Sands sobe a bordo do Mary Deare, esperando achar alguma carga que seria, segundo leis internacionais, de quem pegar primeiro. Porém nada acha e, para sua surpresa, se depara com o 1º oficial Gideon Patch (Gary Cooper), que há 4 dias assumira o comando do navio em razão da morte do capitão Taggart. Em razão da tormenta Sands não voltou para seu navio, assim ele e Patch navegam até o Mary Deare encalhar. Em Londres eles não dizem que o navio encalhou, pois Patch suspeita que aconteceu algo errado e quer que o Mary Deare seja vistoriado por um órgão imparcial.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Realizado pelo cineasta Michael Anderson, a partir de um roteiro escrito por Eric Ambler, “O Navio Condenado” é uma co-produção anglo-americana produzida pela empresa Blaustein-Baroda em 1959. Sua trama, baseada num romance do escritor britânico Hammond Innes, protagoniza Gary Cooper no papel principal do 1º Oficial Gideon Patch, ao lado de Charlton Heston, como John Sands, capitão de um navio de salvamento.

Na direção, Anderson realiza um bom trabalho, principalmente pelo ritmo por ele imposto à narrativa, marcada por uma boa dose de suspense e ação. Por outro lado, a fotografia em CinemaScope, assinada por Joseph Ruttenberg, é de muito boa qualidade, assim como, os efeitos especiais quando da tempestade noturna.

No elenco, Charlton Heston e Gary Cooper são os grandes destaques, seguidos pelas boas atuações de Michael Redgrave, Alexander Knox, Emlyn Williams e Cecil Parker.

DIREÇÃO: Michael Anderson
ROTEIRO: Eric Ambler (screenplay), Hammond Innes (novel)
GÊNERO: Aventura, Crime, Drama
ORIGEM: USA, UK
DURAÇÃO: 1h 45min
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ELENCO PRINCIPAL:
Gary Cooper … Gideon Patch
Charlton Heston … John Sands
Michael Redgrave … Mr. Nyland
Emlyn Williams … Sir Wilfred Falcett
Cecil Parker … The Chairman
Alexander Knox … Petrie
Virginia McKenna … Janet Taggart
Richard Harris … Lieutenant Higgins
Ben Wright … Mike
Peter Illing … Gunderson
Terence de Marney … Frank
Ashley Cowan … Burrows
Charles Davis … Yules – Quartermaster on Mary Deare
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, 75 Anos de Cinema.


VERA CRUZ (Vera Cruz, 1954 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 25 December 1954 (USA)

SINOPSE:
Dois mercenários viajam ao México em busca de dinheiro e aventura durante a Guerra Civil Mexicana de 1866. Eles são contratados para escoltar uma carruagem que levava uma nobre. No meio do caminho, descobrem que a carruagem está cheia de ouro e resolvem mudar os planos.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
Muito parecido com os filmes atuais de ação, em sua alteração contínua da trama original, em favor das reviravoltas pretensamente engraçadas. A dupla de protagonistas é magistral e Sarita Montiel nos encanta a cada aparição, mas, em sua condução leve (o correto seria dizer “pequena forma”, para utilizar uma expressão deleuzeana em voga), a direção de Robert Aldrich confunde-se com a sua própria despretensão existencial e moral, rendendo apenas um exemplar muito eficiente do gênero faroeste. Mas sem os méritos dos demais trabalhos deste ótimo diretor!

DIREÇÃO: Robert Aldrich
ROTEIRO: Roland Kibbee and James R. Webb (screenplay), Borden Chase (story)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 34min
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ELENCO PRINCIPAL:
Gary Cooper … Benjamin Trane
Burt Lancaster … Joe Erin
Denise Darcel … Condessa Marie Duvarre
Cesar Romero … Marquês Henri de Labordere
Sara Montiel … Nina
George Macready … Imperador Maximillian
Jack Elam … Tex
Ernest Borgnine … Donnegan
Morris Ankrum … General Ramirez
Charles Bronson … Pittsburgh
Henry Brandon … Capitão Danette
Jack Lambert … Charlie
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


JARDIM DO PECADO (Garden of Evil, 1954 – USA) (Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 9 de julho de 1954

SINOPSE: O astro Gary Cooper lidera o trio de americanos que deve entrar na região montanhosa do México, infestada de índios selvagens, para salvar um homem preso dentro de uma rica mina de ouro. Enquanto rumam para o loca, sonhando com a recompensa de dois mil dólares pelo salvamento, questionam se a vida deles vale o risco de salvar alguém que pode até já estar morto.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Baseado numa história escrita por Fred Freiberger e William Tunberg, “Jardim do Pecado” é um bom faroeste.  Realizado pelo famoso cineasta Henry Hathaway, o filme foi rodado nos desertos vulcânicos do México e procura se concentrar nos relacionamentos entre os diversos personagens, alguns movidos pela influência do ouro.

O trabalho de Hathaway é consistentemente bom, assim como a trilha sonora do premiado Bernard Herrmann, um dos compositores preferidos de Hitchcock.  Um dos pontos altos do filme é exatamente o suspense que ele provoca quando as emoções tornam-se tensas entre alguns dos principais personagens.

No elenco, os três maiores destaques são as ótimas atuações de Gary Cooper, Susan Hayward e Richard Widmark.  Este é o segundo filme de Hayward ao lado de Cooper e o terceiro em que ela é dirigida por Hathaway.  Num pequeno papel, a porto-riquenha Rita Moreno aparece cantando parte de duas canções.

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DIREÇÃO: Henry Hathaway
ROTEIRO: Frank Fenton (screenplay), Fred Freiberger and William Tunberg (story)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:

Gary Cooper … Hooker
Susan Hayward … Leah Fuller
Richard Widmark … Fiske
Hugh Marlowe … John Fuller
Cameron Mitchell … Luke Daly
Rita Moreno … Cantina Singer
Víctor Manuel Mendoza … Vicente Madariaga

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, 75 Anos de Cinema.


MATAR OU MORRER (High Noon, 1952 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 24 de Julho de 1952

SINOPSE:
Will Kane (Gary Cooper) é um xerife que fica sabendo na hora de seu casamento que ao meio-dia chegará um trem trazendo Frank Miller (Ian MacDonald), um criminoso que mandou para a cadeia e planeja se vingar. Apesar de Amy (Grace Kelly), sua noiva quaker, argumentar que devem ir embora, ele acha que fugirá para sempre se não enfrentar a situação. A população (com raras exceções) se refugia sem ajudá-lo, apesar dele pedir aos cidadãos para enfrentarem o pistoleiro e seus cúmplices.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
Da Grécia antiga até a Hollywood moderna, o mito do herói sempre fascinou a humanidade. Existe algo elementar e poderoso na noção da jornada de uma figura solitária que vence um enorme problema ou dificuldade, e que se arrisca para melhorar ou salvar o nosso mundo, o das pessoas normais. O mito do herói sem dúvida foi apropriado pela sociedade capitalista, pois o esforço individual é algo intrínseco a ela, e o cinema, como meio de expressão artística situado dentro desta sociedade, serviu para perpetuá-lo. Não à toa, Hollywood foi construída com histórias de façanhas heróicas dentro de diversos gêneros, incluindo o western.

Matar ou Morrer, filme de 1952 dirigido por Fred Zinnemann, é considerado um dos maiores clássicos do western e traz um dos grandes heróis do gênero, o delegado Will Kane interpretado por Gary Cooper. Porém, curiosamente, é um filme que, ao mesmo tempo em que estabelece a figura do herói, também estabelece que a existência dessa figura decorre da imensa dificuldade do seres humanos de se unirem em prol de algo. O esforço e a jornada individual são relativizados pela ênfase do roteiro na comunidade em que o protagonista está envolvido. Kane é herói porque é forçado a ser. De uma forma subversiva, Zinnemann e seu roteirista Carl Foreman nos mostram como o mito do herói individual implica na falência do coletivo.

No entanto, há outras razões pelas quais Matar ou Morrer é considerado um dos maiores westerns de todos os tempos. A abertura, por si só, é antológica: Vemos três cowboys se reunindo numa clareira, sem diálogos, enquanto os créditos aparecem. Não ouvimos os barulhos dos cascos dos cavalos ou nenhum outro som, apenas a balada “Do Not Forsake Me, Oh, My Darling” interpretada pela voz grave de Tex Ritter, canção-tema do filme e que serve como base para a trilha orquestrada de Dimitri Tiomkim.

Esses homens são bandidos e se reúnem para ir à estação de trem. Na cidade, está acontecendo o casamento do delegado Kane com a religiosa Amy Fowler (Grace Kelly, no seu primeiro grande papel no cinema). Quando está quase partindo para a lua-de-mel, Kane recebe a notícia via telegrama: Frank Miller (Ian MacDonald), o temido fora-da-lei que o delegado prendeu anos antes, foi libertado e vai chegar à cidade no trem das 11 horas, dali à uma hora. E seus três comparsas, os homens da abertura, estão a postos para encontrá-lo.

Kane e sua esposa Amy (vivida pela futura estrela Grace Kelly).

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DIREÇÃO: Fred Zinnemann
ROTEIRO: Carl Foreman
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 25min
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ELENCO PRINCIPAL:
Gary Cooper … Marshal Will Kane
Thomas Mitchell … Mayor Jonas Henderson
Lloyd Bridges … Deputy Marshal Harvey Pell
Katy Jurado … Helen Ramírez
Grace Kelly … Amy Fowler Kane
Otto Kruger … Judge Percy Mettrick
Lon Chaney Jr. … Martin Howe
Harry Morgan … Sam Fuller
Ian MacDonald … Frank Miller
Eve McVeagh … Mildred Fuller
Morgan Farley … Dr. Mahin – Minister
Harry Shannon … Cooper
Lee Van Cleef … Jack Colby
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players, Plano Crítico.


BEAU GESTE (Beau Geste, 1939 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 2 de agosto de 1939

SINOPSE: Michael “Beau” Geste deixa a Inglaterra depois de acontecimentos que o deixaram frustrado, e se junta a infame Legião Estrangeira Francesa. Lá, ele se reúne com seus dois irmãos no norte da África, onde enfrentam mais perigo com seu comandante sádico do que com os árabes rebeldes.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: “Beau Geste” é um excelente filme de aventura e ação, cuja trama envolve três irmãos que fogem da Inglaterra para evitar um escândalo e se tornam membros da Legião Estrangeira Francesa.   O roteiro, de Robert Carson, foi baseado no livro homônimo de Percival Christopher Wren, e inclui lealdade entre irmãos, honra patriótica, auto-sacrifício e traição.

Além do excelente roteiro, o filme apresenta a direção segura de William A. Wellman, um ótimo trabalho de edição, bem como, de direção de arte, e um elenco de primeira linha.

Gary Cooper está magnífico no papel de Beau Geste.  Ray Milland e Robert Preston também estão ótimos como seus irmãos mais novos.  J. Carrol Naish está igualmente memorável como o legionário ladrão, Rasinoff.  O grande destaque, entretanto, fica por conta de Brian Donlevy, que rouba todas as cenas como o sádico sargento Markoff.  A bela Susan Hayward, em seus 21 anos de idade, tem um papel pequeno como a doce Isobel Rivers.

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DIREÇÃO: William A. Wellman
ROTEIRO: Robert Carson (screen play), Percival Christopher Wren (novel)
GÊNERO: Ação, Aventura, Drama
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 52min
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ELENCO PRINCIPAL:
Gary Cooper … Beau Geste
Ray Milland … John Geste
Robert Preston … Digby Geste
Brian Donlevy … Sergeant Markoff
Susan Hayward … Isobel Rivers
J. Carrol Naish … Rasinoff
Albert Dekker … Schwartz
Broderick Crawford … Hank Miller
Charles Barton … Buddy McMonigal
James Stephenson … Major Henri de Beaujolais


UM BEIJO ARDENTE (The Winning of Barbara Worth, 1926)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 27 de setembro de 1925

SINOPSE: Ao construir um sistema de irrigação para uma comunidade do deserto do sudoeste, um engenheiro disputa com um caubói local pelas afeições da filha de um fazendeiro.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Henry King já apresenta aqui um dos temas básicos de de boa parte do faroeste: uma comunidade provinciana e de valores autenticamente americanos sofre os reveses e avanços que chegam com a modernidade. Ao conrário do habitual no realizador, não se pode pensar numa polaridade maniqueísta irrestrita aqui, antes no casamento entre os melhores valores dessa América Profunda, no caso Barbara, com os não menos valorosos porta-vozes da face “honesta” dessa modernização, Willard, para que se suceda a transformação final do deserto em jardim. Evocativo de tratamento semelhante em Amor e Ódio na Floresta (1936), de Henry Hathaway. As seqüências finais irão  contrapor a um passado inglório de morte e escassez uma verdadeira “terra da fartura”, jardim do édem, repleto de vinheiras, laranjais e cidades emergentes. King prefere amenizar o castigo contra o empresário corrupto e interessado apenas nos próprios lucros, sendo dada uma segunda chance ao mesmo. Depois de se imaginar que o empresário foi uma das primeiras vítimas de sua ganância, levado pela enxurrada ele acaba sendo “redimido” ao final pelas mãos da própria Barbara, que retira toda a lama literal e simbólica e o transforma em aliado de um progresso menos egoísta e mais solidário.  Destaque para as belas cenas e ângulos dos personagens recortados na imensidão do deserto do Nevada no prólogo, filmadas em locação, algo que se encontraria ausente da maior parte da produção cinematográfica americana após o advento do cinema sonoro. A fotografia é do célebre Toland, posteriormente colaborador de realizadores como William Wyler (O Morro dos Ventos Uivantes) e Orson Welles (Cidadão Kane).

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Henry King
ROTEIRO: Lenore J. Coffee (uncredited), Rupert Hughes (titles, ) Frances Marion (adaptation)
GÊNERO: Drama, Romance, Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 29min
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ELENCO PRINCIPAL:
Ronald Colman … Willard Holmes
Vilma Bánky … Barbara Worth
Gary Cooper … Abe Lee
Charles Lane … Jefferson Worth
Paul McAllister … The Seer


Fonte de Pesquisa/Texto: Revistas Cinemin e A. C. Gomes de Mattos.

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