GRETA GARBO, A DIVINA | Galeria de Estrelas

Afastou-se das telas em 1941, e mesmo assim Greta Garbo continuou sendo uma das maiores estrelas cinematográfica de todos os tempos. De espírito complexo e excêntrica, essa verdadeira deusa do século vinte alijou-se da companhia dos mortais, fechando-se na solidão e no mistério, e se transformou em mito, transcendendo a própria arte que a imortalizou.

GRETA Lovisa Gustafsson nasceu no dia 18 de setembro de 1905, em Estocolmo, Suécia, na Rua Blekingegaten, 32, no 3º andar de um prédio de apartamentos, filha do operário Karl Gustafsson e sua esposa Anne. Com a morte do pai em 1919, aos quatorze anos foi trabalhar numa barbearia, onde ensaboava o rosto dos fregueses; um ano depois, arranjou emprego na PUB, a maior loja de departamentos de Estocolmo, atendendo na seção de chapéus. Nessa ocasião, ela e a irmã, Alva, foram figurantes no filme En Likoriddare. O catálogo da PUB de 1921 mostrava Greta como manequim, e o anúncio de página inteira chamou a atenção do Capitão Ragmar Ring que a contratou para fazer dois filmes publicitários. No primeiro, para ilustrar o título (em tradução literal) Como Não se Vestir, usava comicamente um traje abominável; no segundo (também em tradução literal), Nosso Pão Cotidiano, rechonchuda, saboreava biscoitos e uma bomba de creme num restaurante. Em 1922, deixou a PUB para atuar numa comédia, Luffar_Petter, realizada por Erik Petscheler, o “Mack Sennett sueco”. Nela, um pomposo bombeiro levava as três filhas do prefeito (entre elas, Greta) à praia, e, enquanto brincava com as garotas, um ladrão roubava-lhe o uniforme.

Greta com cerca de 15 anos (fonte: odenochaventyr.se)

Mas o sonho da jovem aprendiz de comediante era tornar-se atriz dramática, e assim, entrou para a Academia Real de Teatro onde acabou “descoberta” por Mauritz Stiller, pioneiro do cinema sueco (O Tesouro de Arne, Erotikon), então com grande prestígio, Stiller estava preparando Gosta Berlings Saga/1924, baseado no romance de Selma Lagerloff, e procurava uma intérprete novata para o papel de Elizabeth Dohnam cujo amor salvava um ex-pastor da degradação. O diretor da Academia, Gustaf Molander, recomendou-lhe Greta, e ele a aceitou, mudando-he o nome para Greta Garbo (após ter pensado em “Mona Gabor”) e obrigando-a a perder dez quilos de peso. Nas mãos do diretor de 40 anos, a mocinha de 17 era como se fosse uma boneca de cera que ele moldou, exercendo-lhe completo controle sobre a personalidade. Terminado o filme, os dois viajaram para a Turquia, onde iriam rodar uma fita sobre uma escrava branca vendida para um harem durante a Guerra da Crimeia; mas a companhia faliu e eles foram para Berlim.

Greta em Gosta Berlings Saga.

Lá, por intermédio de Asta Nielsen, a renomada atriz dinamarquesa, Greta conseguiu aparecer com certo destaque em Die Freudlose Gasse/1925 (Rua das Lágrimas), de G. w. Pabst, sombrio retrato da Viena do pós-guerra, vivendo uma moça ingênua, salva da prostituição por um tenente americano. Entrementes, Louis B. Mayer, o chefão da M.G.M., viajara para Roma, a fim de inspecionar a tumultuada filmagem de Ben-Hur. Num passeio a Berlim, assistiu Gosta Berlings Saga, e quis logo contratar Stiller. Marcada a entrevista, o diretor convenceu-o a levar também para os Estados Unidos sua protegida, Greta, que estava ali presente. Ao se retirar, Mayer disse para Stiller: – Diga a ela que na América os homens não gostam de mulheres gordas.

Os dois artistas escandinavos chegaram em Nova York, a 6 de julho de 1925, no navio “Drottningholm”, mas Stiller recusou-se a ir para Hollywood até que a M.G.M. elevasse o salário de Greta de 350 para 600 dólares semanais. O estúdio estava a ponto de se descartar da jovem atriz, porém uma belíssima foto de Greta, estampada na revista Vanity Fair, fez com que os executivos mudassem de ideia. A M.G.M. começou a promovê-la como “a Norma Shearer da Suécia”, arrumou-lhe um penteado mais estilizado, mandou encarpar-lhe os dentes, disfarçou-lhes os largos quadris com vestidos apropriados e finalmente colocou-a em The Torrent/1926 (Laranjais em Flor), ao lado de Ricardo Cortez. O filme, proveniente do romance de Vicente Blasco-Ibañez, apresentava Garbo como Leonora Moreno, campesina espanhola que, obrigada a separar-se do namorado de infância, ia para Paris, onde se tornava uma célebre cantora de ópera, e foi fotografada por William Daniels, doravante o predileto da atriz, trabalhando com ela em 20 filmes. Desolada por não ter sido dirigida por Stiller (e sim por Monta Bell) e irritada com a arrogância de Cortez, Garbo detestou sua primeira intervenção no estúdio americano, mas o jornal Variety aclamou-a como “a descoberta do ano”.

Stiller e Garbo chegando em Nova York.

Satisfeita com o sucesso, a M.G.M. reuniu-a com Stiller em outra adaptação de Blasco-Ibañez, The Temptress/1926 (Terra de Todos), na qual ela encarna Elena Torreblanca, a marquesa adúltera que destruía vários amantes e terminava seus dias na sarjeta. Nos sets, Stiller hostilizava o galã Antonio Moreno, obrigando-o a usar sapatos mais largos para que os pés de Garbo parecessem mais delicados, dava instruções pitorescas à equipe, sendo alvo de pilhérias e, quando a estrela recebeu a notícia do falecimento de sua irmã Alva, vítima de tuberculose, Stiller interrompeu as filmagens diante disso, foi humilhantemente substituído por Fred Niblo. O filme teve êxito, mas, preocupada com a sorte do amigo e um tanto assustada com o novo ambiente, Garbo pensou em voltar para sua terra natal.

“YACKY E FLECKA”
Foi aí que conheceu John Gilbert, astro romântico então em grande evidência (A Viúva Alegre, O Grande Desfile) e os dois se apaixonaram instantaneamente, iniciando um romance que se tornaria lendário. No dia 8 de setembro de 1926, todas as personalidades marcantes de Hollywood afluíram à mansão de Marion Davies para assistir ao Casamento de King Vidor com Eleanor Boardman. Gilbert não cabia em si de contentamento, pois persuadira Garbo a casar-se com ele, naquele mesmo dia, de surpresa, numa cerimônia dupla. Garbo, porém, não apareceu – e o pobre Gilbert, num lance melodramático, atirou-se em prantos no chão de mármore da fabulosa residência dos Hearst. Apesar disso, a paixão continuava intensa, e as cenas de amor entre Garbo e Gilbert em The Flesh and the Devil/1927 (A Carne e o Diabo), conduzidas pelo refinado Clarence Brow, causaram sensação pelo realismo. Personificando Felicitas von Kletzingk, a mulher que perturbava os corações de dois amigos de infância e encontrava a morte num rio gelado. Garbo consagrou-se como a maior estrela da M.G.M. Após a estreia do filme, Gilbert, ainda obcecado com a intenção de matrimônio, convenceu-a a partir com ele para Santa Ana, onde se casariam, mas, na última hora, ela se refugiou do noivo num lavatório feminino. Consentiu, porém, em se mudar para a casa de Gilbert, em cuja piscina costumava se banhar inteiramente nua para deleite do jardineiro japonês.

Greta Garbo e John Gilbert.

Aconselhada a não aceitar mais papéis de mulheres fatais, Garbo recusou o de Women Love Diamonds. Furioso, Mayer aplicou-lhe uma pena de suspensão; depois, arrependido, convocou-a ao seu escritório e lhe propôs aumento de salário de 600 para 2.500 dólares semanais. A resposta de Garbo foi: – Acho que vou para casa agora.

A M.G.M. capitulou, ao descobrir que ela era menor quando assinara contrato e, de acordo com a lei, os outros estúdios estavam livres (e certamente ansiosos) para obter seu concurso, pagando o que ela quisesse. Passado sete meses, a atriz acabou assinando novo contrato com os estúdios do Leão pelo qual receberia 5.000 dólares por semana e, como bônus especial, a promessa de que não se sujeitaria à publicidade.

Assim, a dupla Garbo-Gilbert voltou em Love/1927 (Anna Karenina), baseado no romance de Tolstoi e dirigido por Edmund Goulding, chamado para substituir Smitri Buchowetzki que se exasperara com o mau humor e as brigas constantes entre o casal de astros. Houve dois finais para o filme: o do suicídio, sob os trilhos do trem, de acordo com o livro, e o “feliz” com o encontro dos amantes, anos mais tarde, após a morte do marido. O público preferiu o primeiro, e lotou os cinemas.

Fora das telas, a relação entre “Yacky” e “Flecka” (os nomes carinhosos pelos quais se chamavam) tornava-se mais tempestuosa, enquanto Mauritz Stiller, depois de ter feito dois filmes com Pola Negri para a Paramount, Hotel Imperial e A Ré Amorosa, vagava indolentemente em Santa Monica. Quando a M.G.M. anunciou que a próxima atração de Garbo seria The Divine Woman/1928 (Mulher Divina), inspirado na vida de Sarah Bernhardt (foto abaixo), desejou ardentemente que o estúdio o convidasse para dirigi-la e que a fita reacendesse a adoração da estrela por ele; mas o escolhido foi seu conterrâneo Victor Sjostrom.

Diante deste golpe final, Stiller resolveu voltar para a Suécia, e na véspera da partida, quando pediu a Garbo que fosse se despedir dele, Gilbert tomou um pileque, seguiu-a armado de um revólver, e foi preso no caminho por dirigir embriagado. O filme deu a Garbo o apelido famoso de “La Divina” e nele interpretava Marianne, jovem criada no campo que ia para Paris, ingressava no teatro, mas no desfecho renunciava à fama e à riqueza pelo amor de um soldado desertor (Lars Hanson).

Na fita seguinte, The Mysterious Lady/1928 (A Dama Misteriosa), dirigida por Fred Niblo, Garbo era Tania, exótica espiã russa que se enamorava de um capitão austríaco (Conrad Nagel) e em A Woman of Affairs/1929 (Mulher de Brio), com Clarence Brown de novo atrás das câmaras, assumia os traços de Diana Merrick que, impedida de casar com um aristocrata (John Gilbert), suicidava-se, dirigindo o carro de encontro à árvore debaixo da qual haviam jurado amor pela primeira vez.

Durante a filmagem da produção subseqüente, Wild Orchids/1929 (Orquídeas Silvestres) na qual surgia como Lili Sterling, mulher indecisa entre o amor pelo marido (Lewis Stone) e a paixão por um príncipe javanês (Nils Asther), Garbo soube da morte de Stiller, aos 45 anos, em Estocolmo. Ao ouvir a notícia, a estrela caminhou até o estúdio de som, encostou as mãos na parede, ficou imóvel por algum tempo de depois retirou-se para o camarim, informando ao diretor Sidney Franklin: – Voltarei dentro de vinte minutos.

Ao terminar o filme, pediu a Mayer para ir à Suécia, onde passou longas horas diante do túmulo de Stiller. Ela diria depois a um amigo íntimo: – Se eu tivesse que amar alguém seria Mauritz Stiller.

De volta a Hollywood, filmou The Single Standard/1929 (Mulher Singular), dirigido por John S. Robertson, no qual vivia a personagem Arden Stuart, defensora convicta da igualdade de princípios morais para ambos os sexos e que, para provar sua tese, seduzia o chofer (Lane Chandler), cruzava os mares com um artista (Nils Asther), quase levava o marido (Johnny Mac Brown) ao suicídio e…vestia calças de homem. Quando estava em locação na ilha de Catalina, um repórter se aproximou dela e lhe contou que John Gilbert havia desposado a atriz Ina Claire. Garbo replicou secamente: – Obrigado, espero que Mr. Gilbert seja muito feliz.

A uma pessoa de sua intimidade, ela confidenciaria pouco depois: – Desde que “Moshe” (verdadeiro nome de Stiller, descendente de judeus russos) se foi, não tenho ninguém para tomar conta de mim. Sinto-me só e abandonada.

GARBO TALKS
A essa altura dos acontecimentos, já irrompera o Cinema Falado e o último filme mudo da M.G.M. fora The Kiss/1929 (O Beijo), no transcorrer do qual Garbo arrebatava os fãs como Irene Guarry, a esposa que matava o marido (Anders Randolf) para salvar seu jovem admirados (Lew Ayres) e era defendida no tribunal pelo ex-amante (Conrad Nagel). Enfim, nas marquises luminosas os letreiros anunciaram “Garbo talks” (Garbo fala) – e, no interior dos cinemas, o público em suspenso ouviu a voz de contralto, um pouco rouca, com sotaque sueco, da “Divina”, arrepiando-se de emoção. O filme intitulava-se Anna Christie/1930 (Anna Christie), baseado na peça (do mesmo nome) de Eugene O’Neill, e, apesar dos esforços do diretor Clarence Brown, traía a sua origem teatral. A versão alemã, confiada ao cineasta belga Jacques Feyder que dirigira The Kiss, teve melhor aprovação. Nele, substituindo Marie Dressler, estava a atriz Salka Viertel que se tornaria co-roteirista de cinco filmes de Garbo e uma das suas grandes amigas íntimas, juntamente com a poetisa Mercedes de Acosta. Esta última escreveu, em 1960, um livro de memórias, Here Lies the Heart (Aqui Jaz o Coração), no qual revelava nas entrelinhas segredos muito bem guardados da estrela e, por causa disso, rompeu-se a relação entre as duas.

Garbo em foto promocional para o filme ANNA CHRISTIE.

Os dois filmes que se sucederam na carreira de Garbo, Romance/1930 (Romance) e Inspiration/1931 (Inspiração), ambos dirigidos por Clarence Brown, mostraram-na respectivamente na pele da soprano italiana Rita Cavallini e da modelo francesa Yvonne, e só serviram para comprovar que, na maioria de suas fitas, era somente a presença dela que valia o espetáculo. Por sua atuação em Anna Christie e Romance, Greta Garbo foi indicada para o Oscar de Melhor Atriz em 1929-30, competindo com Nancy Chatterton (A Volta do Deserdado), Glória Swanson (Tudo pelo Amor) e Norma Shearer (A Divorciada e Ébrios de Amor). A vencedora foi Norma Shearer, esposa de Irving Thalberg.

Em Susan Lenox: Her Fall and Rise/1931 (Susan Lenox), os fãs tiveram o prazer de ver Garbo como Hilda Vaughn, amando loucamente Clark Gable, engenheiro em atividade nas selvas sulamericanas; para sobreviver, Hilda dormia também com outros, e Robert Z. Leonard teve que suar para tornar o melodrama convincente. Posteriormente, a estrela representou a célebre espiã em Mata Hari/1932 (Mara Hari), dirigido por George Fitz-Maurice, tendo como partner Ramon Novarro, e embora o filme fosse bem fraco, ninguém conseguiu esquecer a cena em que ela dançava semi-despida diante de um horrendo ídolo oriental. Comentando as opiniões elogiosas ao seu desempenho como Mata Hari, Greta afirmou: – As vamps do cinema me fazem rir muito. E o fato de eu ser considerada uma delas me faz rir ainda mais.

“I WANT TO BE ALONE”
No mesmo ano, em Grand Hotel (Grande Hotel), adaptação do romance de Vicki Baum, sob as ordens de Edmund Goulding, Garbo integrou um elenco all star, do qual faziam parte John Barrymore, Joan Crawford, Jean Harlow, Lionel Barrymore, Wallace Beery, Lewis Stone, Marie Dressler e Jean Hersholt, todos impecáveis, mas quem sobressaía mais era ela mesmo, vivendo a bailarina Grusinskaya, com luminosa expressividade. Em certo trecho, Garbo pronunciava a legendária frase: “I want to be alone” (Quero ficar sozinha), com tal sinceridade trágica, que arrancou efusivos cumprimentos da romancista Vicky Baum, autora do texto original. O filme arrebatou o Oscar de 1931-32. Garbo foi menos feliz como Zara, artista desmemoriada de um cabaré de Budapeste em As You Desire Me/1932 (Como Me Queres), dirigido por George Fitzmaurice, embora a fita fosse oriunda da obra de Luigi Pirandello e ela tivesse a seu lado o monstro sagrado Erich von Stroheim. Stroheim ficou enfermo durante as filmagens e Garbo, que o considerava um gênio, para evitar-lhe aborrecimentos por causa das faltas, sempre que ele lhe telefonava avisando que não estava se sentindo bem, fazia-se ela de doente e comunicava ao estúdio que não poderia comparecer naquele dia.

Nesse ponto, expirara seu contrato com a M.G.M., e Garbo partiu para a Suécia, declarando que não voltaria mais a fazer Cinema. Somente o talento de sua amiga Salka Viertel foi capaz de trazê-la de volta com o script de Queen Christina/1933 (Rainha Christina / foto abaixo). Fascinada pela biografia romanceada da soberana da Suécia no século dezessete, Garbo assinou novo contrato, segundo o qual comprometia-se a fazer dois filmes anualmente por 250 mil dólares cada um, tendo o direito de aprovar o roteiro, diretor, fotógrafo e elenco, e o estúdio nomeou Rouben Mamoulian para dirigí-la. A estrela aceitou a escolha de Mamoulian, mas impôs John Gilbert como galã, recusando terminantemente Laurence Olivier que havia sido contratado, depois de terem sido cogitados Leslie Howardm Franchot Tone, Nils Asther, Bruce Cabot e John Barrymore. Gilbert se divorciara de Ina Claire, estava casado agora com Virginia Bruce, bebia muito, humilhado com o seu fracasso nos filmes sonoros, e desejava uma chance de recuperar seu prestígio; mas, quando tentou exibir sua antiga paixão na primeira cena de amor, Garbo fez sinal para Mamoulian dizer “corta”, e pediu pa seu leading-man “menos ardor”. Fazendo jus à fama de inventivo estilista, Mamoulian nos deu pelo menos dois trechos notáveis do filme: o da “sequência-soneto” (em que Christina acaricia voluptuosamente os objetos do cômodo onde encontrara o amor) e o do final, com o longo close-up elegíaco na amurada do navio. Mamoulian ficou amigo de Garbo e viajou com ela para o Grand Canyon, dando ensejo a rumores de um romance entre os dois, desmentido aos repórteres.

O sucesso foi tanto que a M.G.M. elevou o salário de Garbo para 270 mil dólares por filme e, no ano seguinte, em The Painted Veil/1934 (O Véu Pintado), baseado no romance de Somerset Maugham, ela era Katrin, a mulher frívola que se casava sem amor com um médico (Herbert Marshall) e tomava como amante um diplomata (George Brent), redimindo-se durante uma epidemia de cólera na China. A fita, dirigida por Richard Boleslawski, ganhou o prêmio de melhor filme estrangeiro no Festival de Veneza, mas não teve boa acolhida nos Estados Unidos. Enquanto isso, na sua vida particular, Garbo tornava-se cada vez mais incomunicável. Nos sets, proibia a presença de qualquer estranho e, nas residências de Brentwood ou Palm Desert, só era contatada por intermédio de Salka ou Mercedes. Thalberg e Mayer, por sua vez, não ligavam para as excentricidades da estrela e se curvavam diante de suas exigências. Apesar do declínio (em termos de rentabilidade do último filme), continuaram investindo nela por causa da enorme e intacta popularidade da Europa.

Os três desempenhos seguintes de Garbo foram os melhores de toda a sua trajetória artística. Ela queria muito interpretar de novo o papel de Anna Karenina, mas o produtor David O’Selzinick desejava incluí-la no elenco de Dark Victory, para o qual já haviam sido contratados o diretor George Cukor e o ator Fredrich March. Insatisfeita, a star recolheu-se em sua casa de Palm Desert até que a M.G.M. visse as coisas a seu modo e, assim, Cukor foi substituído por Clarence Brown e March constrangido a assumir os traços de Vronsky. Brown, como sempre sussurrando com delicadeza suas instruções à atriz, obteve dela um desempenho de categoria e, auxiliado por William Daniels, brindou os cinéfilos com duas cenas antológicas: a do travelling sobre a mesa do banquete, no início, e a do suicídio, no desenlace, preparada com muito cuidado por Val Lewton, então assistente de Selzinick. Contrapondo continuamente um dos melhores close-ups de Garbo aos efeitos visuais do trem, Lewton criou uma indiferente e bela sensação de morte no rosto de Anna, antes de se jogar nos trilhos da ferrovia. Por sua performance, ela conquistou o New York Film Critics Award de 1935.

Na manhã de 9 de janeiro de 1936, John Gilbert faleceu, aos 38 anos, de um ataque do coração; na véspera, numa festa, um brincalhão arrancara a peruca do precocemente envelhecido ator, fazendo rir os convidados. Garbo tomou conhecimento do fato em Estocolmo e não compareceu ao enterro. Seu único comentário: – Meu Deus” O que será que eu vi nele? Bem, creio que era bonito.

A obra-prima surgiu em 1936: Camille (A Dama das Camélias), extraído do romance e da peça de Alexandre Dumas Filho. Seguindo atentamente os conselhos do experiente “diretor de estrelas”, George Cukor, e focalizada com maestria por Daniels e Karl Freund, Garbo esteve sublime em várias cenas, inclusive naquela em que Marguerite Gautier ria num crescendo nervoso enquanto o Barão de Varville (Henry Daniell no papel antes destinado a John Barrymore) tocava ao piano a “Iniciação à Valsa”, de Weber, e Armand (Robert Taylor) apertava desesperado, a campanhia da porta. Outra cena marcante foi a da morte de Marguerite que, no dizer de Andrew Sarris, “transformava o Cinema em escultura”. Os críticos foram unânimes nos louvores, e Garbo concorreu ao Oscar de 1937, competindo com Irene Dunne (Cupido é Moleque Teimoso), Janet Gaynor (Nasce uma Estrela), Barbara Stanwick (Stelle Dallas, a Mãe Redentora) e Luise Rainer (Terra dos Deuses). A laureada foi Luise Rainer, que já havia ganho no ano anterior por Ziegfeld, o Criador de Estrelas. Garbo ficou com o New York Film Critics Award e, em dezembro de 1937, o Rei Gustavo V, da Suécia, premiou-a com o troféu “Literis et Artibus”, que lhe foi enviado pelo correio.

Robert Taylor e Greta Garbo, em A Dama das Camélias (1936).

A história de Conquest/1937 (Madame Walewska), dirigida por Clarence Brown, concentrava-se mais na figura de Napoleão (Charles Boyer) do que em Marie Walewska, mas, afagada pelas lentes de Freund, Garbo aparecia absolutamente linda no écran.
Em 1938, não houve nenhum filme de Garbo, mas os jornais noticiaram o romance dela com Leopold Stokowski, que le fora apresentado por Anita Loos e a levou num passeio à Itália, norte da África e Suécia; os dois, entretanto, ao que se sabe, nunca trocaram votos de casamento.

GARBO LAUGHS
Então a M.G.M. anunciou: “Garbo Laughs” (Garbo ri). Na verdade, ela já rira antes na tela, mas, em Ninotchka/1939 (Ninotchka / foto abaixo), a brilhante comédia de Ernest Lubitsch, revelou o seu senso de humor, apenas vislumbrado em um ou outro momento de seus filmes passados. Quando Leon (Melvyn Douglas) caía da cadeira no café, a risada de Garbo era deliciosa, assim como toda a fita, sátira mordaz ao comunismo, narrada com o habitual Lubistsch touch. Por seu papel da austera comissária russa, Nina Yakushova, convertida ao modo de vida ocidental, foi indicada para o Oscar de 1939, juntamente com Bette Davis (Vitória Amarga), Irene Dunne (Duas Vidas), Greer Garson (Adeus, Mr. Chips) e Vivien Leigh (…E o Vento Levou). A estatueta foi entregue a Vivien Leigh.

A M.G.M. havia adquirido os direitos de Madame Curie com a intenção de filmá-la com Garbo, mas preferiu acioná-la em outra comédia, Two-Faced Woman/1941 (Duas Vezes Meu), que reuniu novamente a dupla Garbo-Douglas. Mas, desta vez, apesar de guiada por Cukor, a estrela teve menos sorte, interpretando um papel duplo, o da instrutora de esqui, Karin, e o e sua irmã gêmea. O fracasso, devido também à perda do mercado europeu em virtude da guerra mundial, perturbou a atriz que ela decidiu afastar-se temporariamente do cinema aos 36 anos de idade, e mudou-se para Nova York, onde as propostas para um retorno às telas jamais cessaram.

NO MAMAS, NO MURDERESSES
Em 1947, demonstrou interesse peloa cinebiografia de George Sand, que empregaria os talentos de Cukor, Salka Viertel e Laurence Olivier, mas desistiu; no mesmo ano, rejeitou o papel da mãe insana de Mourning Becomes Electra. Depois recusaria ser a assassina em The Paradine Case e o papel-título de I Remember Mama, informando aos produtores: No mamas, no muderesses (Nada de mamães, nada de assassinas). Entretanto, aceitou 50 mil dólares adiantados de Walter Wanger para trabalhar ao lado de James Manson e sob a direção de Max Ophuls em Lover and Friend, adaptação do romance La Duchesse de Langeais, de Balzac, chegando a fazer testes com James Hong Howe; a produção não foi avante por causa de desentendimentos com os patrocinadores da fita.

Em 1951, Dore Schary interessou-a em Death not be Proud, de John Gunther; Salvador Dali anunciou que estava preparando Santa Teresa d’Avila para Garbo, e esta quase se comprometeu a filmar My Cousin Rachel, mas novamente mudou de ideia, confessando que não tinha coragem de fazer nenhum filme. Entre outros projetos não realizados: G. W. Pabst pediu-lhe para ser Helena de Troia numa versão de Ilíada; Orson Welles declarou numa entrevista que chegou a escrever um roteiro, Loves of D’Annunzio and Duse, para um filme com Garbo e Chaplin; Garbo foi cogitada para viver Santa Joana D’Arc, a protagonista de Deep Blue Sea e a heroína de uma fita com Rossano Brazzi, dirigida por David Lean; Jean Cocteau convidou-a para aparecer em Le Testament d’Orphée, ao lado de Picasso; Aldous Huxley discutiu com ela a possibilidade de colocá-la num filme como… São Francisco de Assis; Luchino Visconti queria que ela fosse Maria Sophia, Rainha de Nápoles, numa adaptação de Em Busca do Tempo Perdido, de Marcel Prost e, um tempo depois, pensaram nela para Madre Teresa de Calcutá.

Greta Garbo em foto de Cecil Beaton, Março 1948.

Com o decorrer do tempo, o repouso prolongado da atriz tinha se transformado em exílio permanente e, segregada do mundo cinematográfico, ela gozou da companhia de personalidades do jet-set internacional como o Barão Erich Goldsschimdt Rotschild, Aristóteles Onassis, Erich Maria Remarque, Gaylord Hauser, Cecil Beaton e George Schlee, deixando sempre os colunistas suspeitarem de casos de amor.

Viveu as últimas cinco décadas de sua vida reclusa no 5º andar de um apartamento na Rua 52, em Nova York, de onde contemplava solitária, o East River e, em certos momentos nostálgicos, devia rememorar sua vida e o passado, convencida de que, tal como ocorreu com Norma Desmond, o cinema ficou pequeno demais para ela.

A última foto conhecida de Greta Garbo foi tirada em 9 de abril de 1990 pelo paparazzi americano Ted Leyson em Nova York.

Em 15 de abril de 1990, a bela e enigmática estrela sueca do cinema, Greta Garbo morre em Nova York aos 84 anos. Com seu talento e aura de mistério, tornou-se uma das mulheres mais fascinantes do século XX, eleita pelo Instituto Americano de Cinema como a quinta maior lenda da história da sétima arte. Apesar de sua carreira meteórica, Garbo era solitária e reservada. Pouco se soube e muito se especulou sobre a atriz, incluindo mistérios sobre sua relação com os Aliados na Segunda Guerra Mundial. Uma das citações mais memoráveis sobre ela é a de que “Greta é como a Mona Lisa — uma das grandes coisas da vida. E tão distante quanto.”

Quatro dias depois de ser internada no hospital devido a uma pneumonia, Greta Garbo morre às 11h30 de 15 de abril de 1990, domingo de Páscoa.


DUAS VEZES MEU (Two-Faced Woman, 1941 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 30 de novembro de 1941

SINOPSE: Karin (Greta Garbo), uma instrutora aérea namora Lawrence (Melvyn Douglas) e logo se casam. Mas ao procura-lo em Nova York, encontra-o com outra mulher.

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SOBRE O FILME: Definitivamente diferente de tudo o que Garbo fez. Não é um filme ruim muito pelo contrário, possui momentos inesquecíveis como Garbo dançando por exemplo.
Acredito que o filme não fez sucesso, justamente por ter Garbo no papel principal, pois o público já havia se acostumado com Garbo fazendo papéis de heroínas sofredoras, com uma áurea de mistério e sedução ao redor delas e aqui Garbo interpreta justamente o oposto de todas as suas personagens anteriores, interpreta uma mulher comum aparentemente sem atrativos algum.
Quando a personagem muda de personalidade e cria sua “irmã gêmea” o filme ganha um novo fôlego.
Outro fator de rejeição é a ousadia da personagem em um tempo em que as pessoas achavam um comportamento como aquele vulgar e pecaminoso.
Mesmo com todas essas contradições é um bom filme e podemos ver outra faceta de Garbo, mas Garbo fez muito bem em largar a carreira ela foi sábia, pois se continuasse poderia embarcar em projetos que poderiam manchar a sua áurea de mistério e isso seria fatal, pois Garbo poderia passar a ser considerada como uma mulher comum, como tantas que existem no mundo e definitivamente Garbo não era uma mulher comum e nem nasceu para representar uma.
Garbo largou a carreira no momento exato, continuou sendo o mito que sempre foi e fascina e instigue até hoje.

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DIREÇÃO: George Cukor
ROTEIRO: S.N. Behrman, Salka Viertel, George Oppenheimer (original screenplay)
GÊNERO: Comédia, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 30min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Karin Blake
Melvyn Douglas … Larry Blake
Constance Bennett … Griselda Vaughn
Roland Young … O.O. Miller
Robert Sterling … Dick Williams
Ruth Gordon … Miss Ellis
Frances Carson … Miss Dunbar


NINOTCHKA (Ninotchka, 1939 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 23 de novembro de 1939

SINOPSE: Nina Yakushova (Greta Garbo), comissária do governo soviético, é mandada a Paris para averiguar o comportamento de três representantes do governo que têm como missão negociar uma jóia. Aos poucos sucumbe ao capitalismo e a Leon d’Algout (Melvyn Douglas), um galanteador francês que está apaixonado por ela.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: A sátira pode ser em grande parte uma questão de contrastes fáceis, mas os amantes habitam um mundo de elegância e equilíbrio que é singular e comoventemente do grande alemão Ernst Lubitsch, junto com a enigmática sueca Greta Garbo, só podia sair faíscas. Ninotchka é um dos melhores filmes feitos por Lubitsch. Foi declaradamente um dos favoritos do diretor entre seus filmes, e é fácil entender por quê. De alguma forma eu fico surpreso com a rapidez com que o personagem de Garbo muda de uma cena para outra (o que é de fato coerente com o óbvio anti-soviético e sexismo casual do filme), mas sua presença magnética e o excelente diálogo fazem de tudo um enorme prazer Assistir.

Melvyn Douglas é um excelente protagonista, e os três fantoches russos oferecem um bom alívio cômico. O filme é típico da época da Guerra Fria – talvez um pouco mais complexo, na medida em que Leon realmente lê Das Kapital, mas isso apenas configura a réplica capitalista do mordomo à ideologia comunista. Mas a força do filme é que ele permanece focado no relacionamento humano e na mudança do personagem, e não no que a conversão de Ninotchka significa como uma declaração política. No geral, este é um filme encantador que mantém sua mensagem política em segundo plano.

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DIREÇÃO: Ernst Lubitsch
ROTEIRO: Charles Brackett, Billy Wilder, Walter Reisch (screen play)
GÊNERO: Comédia, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 50min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Ninotchka
Melvyn Douglas … Leon
Ina Claire … Swana
Bela Lugosi … Razinin
Sig Ruman … Iranoff
Felix Bressart … Buljanoff
Alexander Granach … Kopalski
Gregory Gaye … Rakonin
Rolfe Sedan … Hotel Manager
Edwin Maxwell … Mercier
Richard Carle … Gaston


A DAMA DAS CAMÉLIAS (Camille, 1936 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 12 de Dezembro de 1936

SINOPSE: Marguerite Gautier (Greta Garbo), uma cortesã, conhece o amor, mas é humilhada pelo antigo amante e o pai de seu novo amor, Armand Duval (Robert Taylor), que lhe diz que ela destruirá o futuro do seu filho. Diante deste quadro, apesar de amá-lo loucamente, ela não só o abandona como o faz acreditar que voltará para o seu antigo amante e protetor.

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SOBRE O FILME: A DAMA DAS CAMÉLIAS (109’), Estados Unidos (1936), é a mais aclamada das muitas adaptações cinematográficas que o romance homônimo de Alexandre Dumas Filho (1824-1895) recebeu ao longo dos anos. Dirigida por George Cukor (1899-1983), essa luxuosa produção é protagonizada pela estrela sueca Greta Garbo (1905-1990) e por Robert Taylor (1911-1969). A Dama das Camélias rendeu a Greta Garbo sua terceira indicação ao Oscar de melhor atriz. Ela não conquistou a famosa estatueta, mas foi premiada pela Academia dos Críticos de Cinema de Nova York por sua refinada atuação neste filme. Garbo já havia sido premiada uma vez, no ano anterior, pela Academia dos Críticos de Cinema, por seu papel em Anna Karenina.

Na agitada Paris de 1847, vive a bela Marguerite Gautier (Greta Garbo), a mais cobiçada cortesã da Cidade Luz. Vinda de uma humilde família camponesa, Marguerite agora é conhecida como “A Dama das Camélias” por sempre aparecer em público com um buquê de camélias, sua flor preferida. Apesar de ter a saúde fragilizada pela tuberculose, Marguerite leva uma vida perdulária, festiva e luxuosa, bancada por seus muitos admiradores, dividindo-se entre ateliês da moda, teatros, cassinos e bailes, sempre acompanhada pela divertida e interesseira Prudence (Laura Hope Crews). Ela encanta os homens com sua beleza, mas não se envolve seriamente com nenhum deles, até conhecer o jovem e ardente Armand Duval (Robert Taylor), que se apaixona por ela, à primeira vista, ao vê-la num camarote do teatro. Ele logo passa a cortejá-la. A princípio, Marguerite resiste, mas diante das tantas investidas românticas e declarações apaixonadas de Armand, acaba por render-se ao amor. Mas, ironia da vida, agora que A Dama das Camélias finalmente conheceu o amor, é obrigada, pelas opressivas convenções sociais, a abrir mão dele.

O pai de Armand, Monsieur Duval (Lionel Barrymore), é contra o romance de seu filho com uma cortesã. Ele procura Marguerite e a chantageia emocionalmente, argumentando que se ela insistir nesse romance, Armand terá seu futuro irreversivelmente prejudicado, com todas as portas sendo-lhe fechadas. Com o coração sangrando, mas com a convicção de estar fazendo o que acredita ser melhor para o seu amado, Marguerite acata o pedido de Monsieur Duval e, num nobre gesto de abnegação, afasta-se de Armand.

Sucesso de crítica e de bilheteria, A Dama das Camélias é um belo exemplar da chamada “Era de Ouro de Hollywood”. Temos aqui uma requintada produção de época, apoiada numa ótima direção, com uma fotografia de encher os olhos, valorizada por uma competente direção de arte, com belos cenários, figurinos e locações, além da agradável trilha sonora composta por Herbert Stothart (1885-1949) e Edward Ward (1900-1971). Porém, o mais bonito, e triste, do filme é o amor verdadeiro sendo sacrificado por um “bem maior”, mostrando toda a nobreza e humanidade de uma figura considerada moralmente inferior, mas que foi capaz de transcender o egoísmo e abrir mão do amor da sua vida, visando ao bem do ser amado.

Greta Garbo é a alma e o coração de A Dama das Camélias, a protagonista absoluta do filme. A cada aparição sua, iluminando a tela, nossos olhos são imediatamente atraídos para a sua beleza misteriosa e cristalina. Sua atuação, cheia de sutilezas, hipnotiza e dá um charme todo especial à sofrida personagem-título.

A Dama das Camélias é um clássico da sétima arte, presença garantida entre os melhores filmes da história do cinema. Indispensável na lista de filmes a serem assistidos pelos cinéfilos de plantão. Ou por aqueles que desejam ser arrebatados por uma bela história de amor.

DIREÇÃO: George Cukor
ROTEIRO: Zoe Akins, Frances Marion and James Hilton (screen play)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 49min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Marguerite Gautier
Robert Taylor … Armand Duval
Lionel Barrymore … Monsieur Duval
Elizabeth Allan … Nichette
Jessie Ralph … Nanine
Henry Daniell … Baron de Varville
Lenore Ulric … Olympe
Laura Hope Crews … Prudence Duvernoy
Rex O’Malley … Gaston


ANNA KARENINA (Anna Karenina, 1935 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 30 de agosto de 1935

SINOPSE: Petersburgo, século XIX. Anna Karenina (Greta Garbo) é a esposa de Karenin (Basil Rathbone), um rico funcionário do governo. Ela viaja até Moscou para tentar acalmar Dolly (Phoebe Foster), sua cunhada, pois o irmão de Anna, Stiva (Reginald Owen), um mulherengo, foi infiel e agora o casamento passa por uma crise. Logo ao chegar na estação de trem ela conhece um oficial, o Conde Alexei Vronsky (Fredric March). Ambos se sentem atraídos, sensação esta que aumenta ao participarem de um baile. Anna decide voltar logo para São Petersburgo, pois tem um marido e um filho, Sergei (Freddie Bartholomow), esperando por ela. Talvez tudo não passasse de um flerte se Vronsky não antecipasse sua ida para São Petersburgo, embarcando no mesmo trem. Ele confessa seu amor, sendo que ela também está apaixonada. Logo Anna deixa Karenin, que não quer lhe dar o divórcio, pois para ele as aparências importam, e a proíbe de ver Sergei. Anna e Vronsky vão para a Itália, onde continuam se amando intensamente. Mas ao voltarem para a Rússia Anna sente que Vronsky está diferente.

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SOBRE O FILME: Anna Karenina decide sair de São Petersburgo e ir a Moscou para tentar salvar o do irmão, que traiu a esposa com a babá. Ao descer da estação ferroviária, cruza pelo primeira vez com o oficial Vronsky, dando ali início a uma paixão arrebatadora, que irá provocar o fim de seu próprio casamento, o afastamento do filho e sua desgraça. Isso tudo se passa na Rússia do final do século XIX, época em que uma mulher divorciada era considerada uma pária social, e foi retratado no romance clássico homônimo da protagonista e escrito por Leo Tolstoy, já adaptado diversas vezes para o cinema. Esta versão, de 1935, era nada menos do que a oitava vez em que essa trama chegava às telas, e a segunda delas que contava com a estrela Greta Garbo no papel principal – a anterior fora em Love, de 1927, em que ela interpretava a mesma trágica personagem.

Cita-se a tragédia ao lembrar-se de Anna Karenina porque seu final é anunciado desde o início. Assim que sai do trem na capital russa, é confrontada com um acidente, em que um funcionário é atropelado pela locomotiva. “É um mau presságio”, comenta com o irmão. E de fato o é. Daí para frente tudo começará a piorar em sua vida, como se fosse necessário pagar pela felicidade que passa a desfrutar nos braços do amante, vivenciando uma alegria que até então desconhecia. Anna fica tão atordoada com a novidade do sentimento que esquece de tudo, roubando o pretendente da moça a qual ele havia sido prometido no grande baile, abandonando o filho aos cuidados do pai traído, ignorando o casamento e as aparências quando o amado sofre um acidente durante uma corrida de cavalos – mesmo estando diante de todas as fofoqueiras de plantão e, principalmente, do próprio marido.

Anna Karenina levado às telas em 1935 era uma grande produção, com orçamento robusto (mais de US$ 1 milhão, uma exorbitância para a época) e com dois grandes astros à frente do elenco. Greta Garbo era talvez a maior celebridade do momento, e somente sua presença já garantia o interesse de multidões – ainda que sua persona seja completamente equivocada. Garbo não era frágil, apaixonada, de arroubos ou movimentos impensados. Ela construiu ao seu redor uma imagem de distanciamento, de frieza e calculismo, o que em nada combina com a personagem. E isso percebe-se na tela. O contrário, no entanto, pode ser afirmado do seu par Fredric March, que recém havia ganho seu primeiro Oscar – em 1931, por O Médico e o Monstro, de Rouben Mamoulian – e tinha mesmo fama de galã e conquistador (conta a lenda que Garbo chegou a usar dentes de alho nas roupas para afastar qualquer segunda intenção dele em suas cenas mais quentes). Mesmo sendo oito anos mais velho do que ela, March está muito à vontade e responde pelas melhores cenas, ainda que o enredo inteiro se sustente nela.

Apontado pelo National Board of Review como um dos dez melhores filmes de 1935 e premiado como Melhor Filme Estrangeiro no Festival de Veneza, esse Anna Karenina rendeu ainda um prêmio de Melhor Atriz para Greta Garbo de acordo com a associação de críticos de cinema de Nova York. É curioso perceber, no entanto, que mesmo com toda essa repercussão, o filme acabou sendo ignorado no Oscar, esnobado em todas as categorias. Inclusive o diretor Clarence Brown, que já tinha três indicações e até sua morte obteve mais três, sem nunca ter sido premiado, no entanto. Em resumo, temos um filme elegante, que segue o romance à risca em sua veia principal, ignorando a maior parte das tramas paralelas e reforçando o moralismo da história, como se o destino da personagem fosse merecido. Historicamente curioso, resistiu à passagem do tempo mais pelo registro do que pelo conjunto em si.

DIREÇÃO: Clarence Brown
ROTEIRO: Leon Tolstoy (from the novel by), Clemence Dane and Salka Viertel (screen play)
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 35min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Anna Karenina
Fredric March … Count Vronsky
Freddie Bartholomew … Sergei
Maureen O’Sullivan … Kitty
May Robson … Countess Vronsky
Basil Rathbone … Alexei Alexandrovitch Karenin
Reginald Owen … Stiva
Phoebe Foster … Dolly
Reginald Denny … Yashvin
Gyles Isham … Konstantin Demitrievitch Levin


RAINHA CRISTINA (Queen Christina, 1933)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 26 de dezembro de 1933

SINOPSE: Em 1632, com a Suécia de Gustavo II Adolfo a tornar-se a maior potência do norte da Europa, a morte do rei deixa como sucessora a sua filha de seis anos, Cristina. Cristina (Greta Garbo) cresce para se tornar uma rainha amada pelo seu povo, continuando a elevar o nome do reino. Há no entanto uma preocupação, que é a necessidade de um herdeiro, uma vez que a rainha não parece querer casar. Tudo se torna mais complicado, quando a monarca deixa o seu coração guiá-la, vivendo a sua paixão pelo embaixador de Espanha, Don Antonio (John Gilbert).

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SOBRE O FILME: Com a renovação do contrato de Greta Garbo com a MGM, em 1932, a actriz garantia um maior poder de decisão nas obras em que participaria, e isso começava a dar frutos. Por um lado Garbo cansara-se de desempenhar a eterna tentadora, de vida dissoluta, que acabava por sofrer fins inenarráveis, depois de ter destroçado vidas à sua volta. Por outro conseguia finalmente ser centro de um conjunto de filmes de enormes valores de produção, inspirados em personagens históricas de maior complexidade e empatia com o seu público. Por fim, e em especial para este filme, Garbo conseguia o regresso de John Gilbert, com quem tinha desde há uns anos uma relação, e cuja carreira definhava com o advento do sonoro.

Todos estes elementos se conjugavam na reinterpretação da história dos amores da rainha Cristina da Suécia, afinal o país de onde Garbo era proveniente. A actriz lera a história de Salka Viertel, quando estava de férias na Suécia e decidiu que era hora de trazer uma sua conterrânea para o cinema. O filme foi recebido como um regresso de Garbo ao ecrã, pois ele acontecia dezoito meses depois do seu antecessor, na época um hiato considerável.

“Rainha Cristina” conta a história daquela que foi rainha da Suécia a meio do século XVII, numa época em que o reino era um dos mais poderosos do norte da Europa, vitorioso na Guerra dos Trinta Anos, e paladino do protestantismo. Cristina (Greta Garbo) surge representada tal como era, mulher independente, de personalidade forte, amada do seu povo, com forte sentido de estado e uma grande paixão pelo conhecimento e cultura, quer científicos quer artísticos. Tal como a rainha histórica, também a personagem de Garbo espantava por não se quedar a um papel feminino, gostando de vestir roupas masculinas, comportar-se como um homem (mesmo nas conquistas amorosas) e chocar pelo facto de não pensar casar.

É essa a trama da história do filme de Rouben Mamoulian (um realizador célebre pela versão da Paramount da história “Dr. Jekyll and Mr. Hyde”), que coloca a ênfase do filme nas pressões para a necessidade de casamento, como forma de garantir herdeiros para a coroa. Vemos aí as forças em confronto, desde o fiel Oxenstierna, ministro da rainha (Lewis Stone, no seu quinto filme com Garbo), até ao conde Magnus (Ian Keith), tesoureiro real e amante das horas vagas. Surgindo um pretendente dentro do reino, Charles (Reginald Owen), um herói de guerra, de sangue azul, o casamento parece óbvio, mas Cristina surpreende ao declinar.

Os caprichos da rainha ganham proporções de assuntos de estado, quando a rainha se apaixona pelo embaixador de Espanha, Don Antonio (John Gilbert), e com isso começa a ganhar a oposição de todo o reino. Resta-lhe apenas decidir entre casar com Charles e esquecer o seu amor, ou deixar o reino por Don Antonio. Cristina vai optar pela segunda hipótese, sem que consiga colher disso nenhum fruto, pois Antonio acabaria por morrer num duelo com o conde Magnus.

Temos assim Greta Garbo em mais uma história de amor, mas agora como uma mulher de honra, disposta a trocar um reino pelo homem que ama. É, como sempre, uma personagem dominante, mesmo nas relações amorosas, onde a forma como trata homens e mulheres traz uma suspeita de bissexualidade.

O filme vive sobretudo (para lá de todo o design bem conseguido) da sequência em que Cristina conhece Antonio na estalagem. Em eventos dignos de uma screwball comedy, o par acaba a dormir junto, sem que Antonio saiba que Cristina é uma mulher. Segue-se todo o deslumbramento da paixão nascente, com a célebre cena em que Garbo quase faz amor com todo o quarto, tal a sua necessidade de memorizar cada espaço.

O filme termina quase em jeito de aventura, onde não falta um duelo final, mas mais que o destino dos homens, é o destino da rainha que nos interessa. Faltando aqui o facto de Cristina ter fugido para Itália onde se converteria ao Catolicismo, isso é deixado em aberto, para vermos apenas uma mulher resoluta, que não se quer deixar amarrar a convenções, senhora do seu destino, como o ilustrado na cena final, o grande plano famoso em que vemos Garbo orgulhosa, na proa do seu navio.

Mais uma vez é Garbo quem domina o filme, com as suas fraquezas e forças, resoluções e hesitações. Gilbert teria em “Rainha Cristina” o seu canto do cisne, e não mais se destacaria no cinema. O filme foi muito bem recebido pela crítica e público, tornando-se um dos maiores sucessos de sempre de Greta Garbo, mostrando à MGM que a opção da actriz era a correcta, e por isso, a repetir.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Rouben Mamoulian
ROTEIRO: H.M. Harwood, Salka Viertel, Margaret P. Levino (from the original story by)
GÊNERO: Biografia, Drama, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 39min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Christina
John Gilbert … Antonio
Ian Keith … Magnus
Lewis Stone … Oxenstierna
Elizabeth Young … Ebba
C. Aubrey Smith … Aage
Reginald Owen … Charles
Georges Renavent … French Ambassador
David Torrence … Archbishop


ANNA CHRISTIE (Anna Christie, 1930 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 21 de Fevereiro de 1930

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SINOPSE:
O velho marinheiro Chris Christofferson está totalmente arrependido de uma decisão que tomou há 15 anos atrás. Isso porque, após ter mandado a sua filha Anna viver com os seus parentes em St. Paul, ele passou a sentir sua falta diariamente. Ele ficou ainda mais triste quando descobriu que Anna passou por sérias dificuldades, e teve inclusive que se prostituir. Agora, com ela já adulta, ele tentará de tudo para recuperar os anos perdidos e amolecer o coração da jovem.

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SOBRE O FILME:
”Anna Christie”, escrito pelo dramaturgo Eugene O’Neill, foi levado às telas pela primeira vez em 1923, sob direção de Jacques Feyder. Mas esta versão de 1930 ganha uma importância peculiar na história do cinema por dois motivos correlatos: primeiro porque traz no elenco, no papel principal, a diva Greta Garbo; e porque a atriz sueca, que iniciou sua carreira na fase silenciosa, marca aqui seu primeiro trabalho sonoro.
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Ao contrário de muitas estrelas, Garbo venceu a barreira do preconceito da indústria em relação ao filme falado e encantou o mundo com sua sensualidade e o sotaque carregado na voz rouca. Naquela ano foi indicada para o Oscar por seu papel de uma prostituta que esconde até o fim o segredo do pai (Bickford). A MGM, estúdio a que a atriz pertencia, rodou o filme simultaneamente nas versões inglês e alemão para conquistar maior audiência.

Greta Garbo e Marie Dressler em Anna Christie (1930).

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DIREÇÃO: Clarence Brown
ROTEIRO: Frances Marion, Eugene O’Neill
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 29min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Anna Christie
Charles Bickford … Matt Burke
George F. Marion … Chris Christopherson
Marie Dressler … Marthy
James T. Mack … Johnny the Harp
Lee Phelps … Larry the Bartender


MULHER DE BRIO (A Woman of Affairs, 1928)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 15 de dezembro de 1928

SINOPSE: Desiludida com o amor após ser impedida de casar com o jovem Neville, a jovem Diana (Greta Garbo) acaba se unindo a David, com quem achava estar tendo uma boa vida. O problema é que, tempos depois, ele se revelou um ladrão e, por pressão, se suicidou. Mas o que ela não imaginava era que iria voltar a se encantar por Neville, só que agora ele já é casado.

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SOBRE O FILME: Drama mudo indicado ao Oscar de melhor roteiro adaptado, embora nenhum candidato oficial foi anunciado este ano. O filme, lançado com uma trilha sonora sincronizada e efeitos sonoros, foi baseado em um romance best-seller de 1924 do búlgaro Michael Arlen (1895-1956), “The green hat”, que ele adaptou como uma peça teatral de quatro atos em 1925. Houve outra versão deste longa: Repudiada (34).

Em particular, o roteiro do filme eliminou todas as referências ao uso de heroína, homossexualidade e sífilis, que estavam no centro das tragédias envolvidas. A Metro-Goldwyn-Mayer também divulgou esta produção como um filme totalmente silencioso.

Um melodrama raro e decente que nos permite encontrar a diva sueca Greta Garbo (1905-1990) ainda com sua performance magnética, fazendo par com o carismático John Gilbert (1897-1936), que morreu do coração com apenas 38 anos devido ao alcoolismo. Um filme reservado e altamente recomendado para os amantes de filmes silenciosos.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Clarence Brown
ROTEIRO: Michael Arlen (novel “The Green Hat”), Marian Ainslee, Ruth Cummings (titles)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 38min
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ELENCO PRINCIPAL:
Greta Garbo … Diana Merrick
John Gilbert … Neville Holderness
Lewis Stone … Dr. Hugh Trevelyan
Johnny Mack Brown … David Furness (as John Mack Brown)
Douglas Fairbanks Jr. … Jeffry Merrick
Hobart Bosworth … Sir Morton Holderness
Dorothy Sebastian … Constance


ANA KARENINA (Love, 1927)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 29 de novembro de 1927

SINOPSE: Na Rússia imperial dos czares, a bela Anna Karenina (Greta Garbo), esposa do senador Karenin (Brandon Hurst), deixa-se seduzir pelo conde Alexei Vronsky (John Gilbert), o galante capitão da guarda do Grão-duque Michel (George Fawcett). Embora Anna tente esconder essa paixão, ela torna-se evidente aos olhos de todos, pelo que o marido a força a escolher um caminho. Anna escolhe Vronsky, o que obriga os dois a abandonar a Rússia, algo que ela não poderá suportar durante muito tempo, por saudades do seu pequeno filho (Philippe De Lacy). Só que o regresso significa a humilhação, tanto para ela como para Vronsky.

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SOBRE O FILME: Depois do enorme sucesso de “O Demónio e a Carne” (Flesh and the Devil, 1926), realizado por Clarence Brown, no qual o par Garbo-Gilbert se tornou célebre, a MGM não perdeu tempo a tentar capitalizar essa fama. A ideia de um amor maior que a vida, capaz de transpor as barreiras das leis dos homens (isto é o casamento) era sobremaneira apetecível, numa era em que o Código de Hays ainda não existia, e Hollywood podia lidar com personagens adúlteros como se fossem heróis.

O tema do novo filme do par saiu de um dos mais famosos livros de Leo Tolstoy, “Anna Karenina”. Como antes acontecera, Greta Garbo (aqui a nominal Anna Karenina) e John Gilbert (o conde Vronsky) irão viver um amor proibido, que os coloca em colisão com a tradicional sociedade do seu país. Tudo começa quando a carruagem em que segue Anna tem um problema, e Vronsky surge como salvador. Por entre algumas insinuações, o par passa a noite numa estalagem, e inicia-se alguma cumplicidade entre ambos, que vai dando que falar na alta sociedade que ambos frequentam, chegando claro aos ouvidos e olhos do marido de Anna, o senador Alexei Karenin (Brandon Hurst). Este obriga Anna a escolher, e embora ela num primeiro momento opte por ficar, pois não quer perder o seu filho, a sua comoção pública num momento de perigo para o amado, torna os seus sentimentos demasiado evidentes e forçam-na a optar por sair de casa.

Só que, se para Vronsky os momentos vividos em Itália com Anna são idílicos, ela não consegue esquecer o filho, decidindo regressar. Humilhada pelo marido, Anna decide que se estragou a sua vida, não deverá estragar a de Vronsky, e combina com o superior deste, o Grã-duque Michel (George Fawcett), o regresso de Vronsky à sua unidade, a troco do seu desaparecimento. Com este sacrifício Anna possibilita que Vronsky recupere a sua honra e lugar na sociedade, mas, ao contrário do livro de Tolstoy, a história dá-nos um final feliz, com o reencontro dos amantes após a morte de Karenin.

No original chamado “Amor”, o filme de Edmund Goulding centra-se nas várias facetas desse sentimento como catalisador do enredo. É o amor que leva Anna e Vronsky a desafiar a sua sociedade, mas é também o amor de Anna pelo filho que a leva a voltar atrás. Assim como é o amor de Anna por Vronsky que a leva a sacrificar-se por ele, e o amor (este várias vezes referido no filme) fraternal dos militares que os levam a receber Vronsky de volta.

No jeito dramático dos romances dos anos 1920, “Anna Karenina” faz uso das ferramentas do melodrama, para nos dar uma história que sabemos, desde o primeiro momento, ir conduzir a sofrimento e possível tragédia. Com actuações comedidas, mas nem por isso menos intensas, Greta Garbo e John Gilbert (ele com algum papel na própria realização) perfilam-se como figuras máximas do star system, capazes de agregar uma legião de fãs que querem ver as suas histórias como se fossem episódios diferentes de um mesmo folhetim. É nítida a química entre ambos, numa subtil erotização, como poucas mais vezes conseguiriam.

Com Irving Thalberg a exigir o citado final adocicado, foi ainda filmado um final mais de acordo com o livro de Tolstoy, e no qual Anna Karenina se suicida. Esta versão seria distribuída apenas na Europa.

Oito anos mais tarde, Greta Garbo viria a reinterpretar a mesma história, contracenando com Fredric March no filme de Clarence Brown, “Ana Karenina” (Anna Karenina, 1925), uma adaptação mais fiel à obra de Tolstoy.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Edmund Goulding
ROTEIRO: Lev Tolstoy (from the novel “Anna Karenina”), Marian Ainslee, Ruth Cummings
GÊNERO: Drama, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 22min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Gilbert … Vronsky
Greta Garbo … Anna Karenina
George Fawcett … Grand Duke
Emily Fitzroy … Grand Duchess
Brandon Hurst … Karenin
Philippe De Lacy … Serezha – Anna’s Child


A CARNE E O DIABO (Flesh and the Devil, 1926)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 25 de dezembro de 1926

SINOPSE: Leo (John Gilbert) e Ulrich (Lars Hanson) são amigos desde a infância. Apaixonado por Felicitas (Greta Garbo), que é casada, Leo acaba matando seu marido. Como punição, ele é transferido para África e pede a Ulrich que cuide de Felicitas por três anos. Sem saber que Leo a ama, Ulrich se apaixona por Felicitas e se casa com ela. Ao voltar, Leo acaba divido entre a paixão e a amizade.

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SOBRE O FILME: Flesh and the Devil e um grande clássico do cinema mudo, e o primeiro filme que assisto com a Greta Garbo digno de nota, já que Grande Hotel não conta, por sua participação ser pequena e pelo filme ser medíocre.

Aqui, pode-se pensar que há um viés um pouco machista, mas eu sinceramente achei bastante coerente do ponto de vista ideológico, pois é tão comum se colocar uma mulher acima de uma amizade, mas os resultados podem ser catastróficos. Ou um homem entre mulheres amigas, dá na mesma! Acho que a moral final é uma mensagem bem forte e para ser levada a sério, aliás, mesmo com parâmetros morais bem diferentes, esse filme continua tão atual hoje quanto em sua época.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Clarence Brown
ROTEIRO: Benjamin Glazer (screen play), Hermann Sudermann (from the novel “The Undying Past” by), Marian Ainslee (titles)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 52min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Gilbert … Leo von Harden
Greta Garbo … Felicitas
Lars Hanson … Ulrich von Eltz
Barbara Kent … Hertha
William Orlamond … Uncle Kutowski
George Fawcett … Pastor Voss
Eugenie Besserer … Leo’s Mother
Marc McDermott … Count von Rhaden
Marcelle Corday … Minna


Fontes de Pesquisas/Textos: iMDB, Filmow, Revistas Cinemin, A Janela Encantada, Plano Crítico, Papo de Cinema/Robledo Milani.

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