DAVID W. GRIFFITH | O Nascimento do Cinema

Em 1907, o Cinema norte-americano filmava quase que apenas em Nova York e um de seus diretores já tinha nome internacional, Edwin Stanton Porter que, como sabemos, fez O Grande Assalto ao Trem, em 1903, e que muitos consideram como o inventor da montagem cinematográfica.

Muitos atores viam o Cinema como um filho espúrio do Teatro. Mesmo assim, a nova forma de divertimento já começava a ser a mais popular e alguns produtos apresentavam toque de seriedade e criatividade. Com isso, o Cinema começou a atrair alguns grandes nomes da ribalta, como a grande atriz francesa Sarah Bernhardt e o ator-empresário inglês Herbert Beerbohm-Tree, que aceitaram arriscar o respeito com que eram tidos.

Nos Estados Unidos, um ator modesto, David Wark Griffith, nascido em La Grange, Kentucky, a 22 de janeiro de 1875, pensou muito antes de trabalhar no Cinema. Foi assisti-lo e achou-o um espetáculo “tolo e cansativo”. Teve, no entanto, algumas idéias e, ao tentar vendê-las a Porter, obteve o principal papel no filme Recued from an Eagle’s Nest/1907. Terminadas as filmagens, foi ao estúdio rival de Porter, oferecer mais histórias suas. McCutcheon comprou-lhe cinco, a 15 dólares cada, e Griffith continuou a trabalhar como ator.

NO ESTÚDIO DA BIOGRAPH
Em 1908, dirigiu o filme The Adventures of Dollie, que fez grande sucesso e ajudou a Biograph a sair de sérios problemas financeiros. Com isso, Griffith passou a ser um dos principais da firma. Entre 1908 e 1911 (quando assinou o quarto contrato com a Biograph), Griffith chegou a realizar 326 filmes de 1 e 2 rolos. E foi somente após esse quarto contrato que passou a se assinar david W. Griffith, porque não tinha vergonha de trabalhar no Cinema.

O primeiro filme que realizou mostra-o fiel discípulo de Porter, com história de resgates e suspense. Em seus filmes, Griffith procurava novos truques e técnicas para narrar uma história, o que lhe valeu a fama de inventor da linguagem cinematográfica.

Ainda em 1908, a fim de fazer com que o Cinema se parecesse menos com o Teatro, mudou as tradicionais posições da câmara, mostrou efeitos diferentes de luz e sombra e aperfeiçoou a montagem paralela, esboçada pelo mestre Porter, dando mais tensão às fitas de rapto e resgate. Passou a filmar planos mais longos e a aumentar o número de rolos de projeção (de 2 a 4), ampliando o tempo de duração dos filmes, apresentou um realismo cinematográfico e planos aproximados, panorâmicos e retrospectos. Tudo isso faz de David Griffith um dos primeiros vanguardistas do Cinema.

NO ESTÚDIO DA MUTUAL
Em outubro de 1913, David W. Griffith se transferiu para a Reliance-Majestic, produtora de filmes distribuídos pela Mutual Films Corporation. Com ele, levou os melhores nomes da firma anterior, a Biograph. Durante seis meses, supervisionou apenas a produção da firma.

O primeiro filme que dirigiu, The Battle of the Sexes/1914, com Lilian Gish, é bem comercial, a fim de dar dinheiro à distribuidora. No mesmo ano, dirige The Escape (rodado em Nova York e na Califórnia, para onde a indústria cinematográfica já começava a se mudar), Home, Sweet Home e The Avenging Conscience. O primeiro é um estudo sociológico sobre pobreza e crime. O segundo, um melodrama. O terceiro, estudo psicológico que, pelos cenários que apresenta, é precursor do expressionismo alemão.

“O NASCIMENTO DE UMA NAÇÃO”, A PRIMEIRA OBRA-PRIMA DO CINEMA
Em 1915, Griffith se lanlou a um projeto mais ambicioso: filmou uma adaptação do romance The Clansman, do reverendo sulista Thomas Dixon Jr., e trechos de outro livro do mesmo autor, The Leopard’s Spot. O filme teria o mesmo título do livro, mas, poucos dias antes do lançamento m Nova York (3 de março de 1915), Griffith mudou o nome, O Membro de um Clã, referência bem direta à Ku-Klux-Klan, para The Birth of a Nation (O Nascimento de Uma Nação), filme que levou 6 semanas de preparo, 9 meses de filmagens e 3 meses de montagem, gastando 100.000 dólares.

O assassinato de Lincoln, em O Nascimento de uma Nação.

Em 12 rolos, o cineasta falava da Guerra Civil, período histórico fundamental para a Nação norte-americana. Lançado, o filme provocou muitas controvérsias; a polícia, o senado e a censura foram movimentados, pois se acusava o filme de racista e de modificar, destruindo, episódios a guerra civil; vários Estados proibiram a exibição da obra-prima. O Nascimento de uma Nação não foi apenas o primeiro grande épico de fôlego da história do Cinema; foi a mais autêntica primeira obra-prima do Cinema, pois mostra, de forma consciente, a primeira manifestação de um meio de expressão, sem outras influências que não as cinematográficas.

“INTOLERÂNCIA”, OUTRA OBRA-PRIMA
Em julho de 1915, Griffith, associado a Thomas Ince e Mack Sennett, fundou a Triangle. Nessa nova firma, emprestou apenas o nome e prestígio às produções, porque, já nessa época, pensava somente na produção Intolerance/1916, superprodução lançaca em Los Angeles, em 6 de agosto. Em 14 rolos, Griffith tratava de um tema antes abordado, em Home Sweet Home, a intolerância. O filme se passa em quatro épocas diferentes: na moderna, em Jerusalém, na França (séc. XVI) e em Babilônia. Nesse filme, Griffith materializou um sonho delirante, mas a crítica e o público não gostaram, pois acharam muito confuso. Ao perceber o fracasso de bilheteria, em 1919, odiretor extraiu desse filme dois outros, The Mother and the Law e The Fall of Babylon.

Set de filmagem de um dos episódios de Intolerância, mais tarde relançado como A Queda da Babilônia.

Em Intolerância, Griffith gastou 2 milhões de dólares e utilizou todos os recursos técnicos possíveis e impossíveis: câmaras múltiplas, gruas, cenários grandiosos em tamanho natural e milhares de extras. Mas ninguém ainda estava acostumado a narrativa cheia de vaivéns no tempo e no espaço.

O FIM DE GRIFFITH
Em seus filmes seguintes, Hearts of the World/1917 (Corações do Mundo, filme de propaganda pago pelo Governo inglês para fazer com que os Estados Unidos entrassem na Primeira Guerra Mundial), The Great Love/1918 (O Grande Amor), The Greatest Thing on Life/1919 (O Tambor da Vitória), The Romance of Happy Valey/1919 e The Girl Who Stayed at Home/1919, Griffith não mostrou a mesma criatividade, correção técnica.

Mesmo assim, Griffith dirigiu mais alguns filhos: Broken Blossons/1919 (Lírio Partido), True Heart Susie/1919 (A Casta Susana), Way Down East/1920 (Horizonte Sombrio), Orphans of the Storm/1922 (Órfãs da Tempestade), Isn’t Life Wonderful?/1924, Sorrows of Satan/1926, Abraham Lincoln/1930 e The Struggle/1931. Mas esses últimos filmes foram fracassos sucessivos.

Além de obras-primas que ficarão, Griffith também descobriu e lançou grandes talentos: Douglas Fairbanks, Mary Pickford, Lilian e Dorothy Gish, Richard Barthelmess, Harry Carey, Mack Sennett e as irmãs Talmadge (Norma, Constance e Natalie), sem falar em cineastas como Raoul Walsh, Sidney A. Franklin, Eric von Stroheim, Allan Dwan, Tod Browning e Joseph Henaberry.

Em 1919, com Douglas Fairbanks, Mary Pickford e Charles Chaplin, fundou a United Artists Corporation, produtora de películas que se destacaram pela qualidade e bilheteria. Em 1933, vendeu a sua parte na sociedade.
Em 1935, recebeu o prêmio especial da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, por suas realizações como produtor e diretor. Em 1948, a 23 de julho, morreu em Los Angeles, Califórnia.

FOOTLIGHT VARIETIES (Footlight Varieties, 1951)
(segment “Confidence”)


FLICKER FLASHBACKS No. 1 (Series 5, 1947 – CURTA)
(archive footage from “The Last Deal, 1910”, uncredited)


THE STRUGGLE (The Struggle, 1931 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 10 de dezembro de 1931

SINOPSE: O casamento de um jovem casal é ameaçado pela queda do marido ao alcoolismo.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Na época em que ele fez este filme, Hollywood tinha D.W. Griffith exatamente onde o queriam; um homem quebrado. Seu estúdio havia acabado e ele estava vendendo suas ações da United Artists – para fazer este filme, eu acho. É uma pena que as coisas tenham dado tão errado para ele neste momento, pois é evidente em “The Struggle” que ele estava descobrindo como usar o som. Fiquei muito impressionado com seu uso de som, quase como Altman às vezes com diálogos sobrepostos. Mas, infelizmente, Hollywood havia ido além do Griffith e não precisavam ou queriam mais ele por perto. Este filme não é do calibre de “Broken Blossoms” ou “Intolerance”, mas é um belo esforço em pequena escala de um dos maiores nomes do cinema.

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DIREÇÃO: D.W. Griffith
ROTEIRO: Anita Loos and John Emerson (from the screen story by)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 27min
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ELENCO PRINCIPAL:
Hal Skelly … Jimmie Wilson
Zita Johann … Florrie Wilson
Charlotte Wynters … Nina
Evelyn Baldwin … Nan Wilson
Jackson Halliday … Johnnie Marshall
Edna Hagan … Mary Wilson
Claude Cooper … Sam
Arthur Lipson … Cohen
Charles Richman … Mr. Craig
Helen Mack … A Catty Girl
Scott Moore … Al – O Gigolo
Dave Manley … Tony – A Mill Worker


O LIBERTADOR (Abraham Lincoln, 1930 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 8 de Novembro de 1930

SINOPSE: Um marco no cinema, este filme do legendário diretor Griffith, é a primeira obra biográfica da era dos filmes “falados” e a primeira na tentativa de narrar a vida do Presidente Lincoln desde sua infância até a sua morte, incluindo o martírio na Guerra Civil

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: A importância deste personagem real nas filmografias griffithiniana e fordiana (e, por extensão, na spielberguiana) é inquestionável, mas esta cinebiografia causa estranhamento pelo tom cômico (quase caricato) com que o personagem é representado, adiantando o tom de deboche que o célebre Walter Huston depositaria em filmes clássicos posteriores. O elenco completo está muito eficiente e as diversas anedotas que pontuam a narrativa são muito boas, bem como a seqüência final bastante conhecida, mas o tom elíptico do roteiro (que oblitera longas passagens temporais significativas) e a mudança radical de ritmo entre a primeira e a segunda metade chamam a atenção (negativa, no primeiro caso; positiva, no segundo). A pouca familiaridade com o cinema falado, por parte de seu diretor, é evidente, mas, ao invés de ser um mau aspecto, isto rende soluções visuais belíssimas e muito criativas, incluindo o ótimo uso de uma trilha sonora “popular” bastante característica. Um clássico subestimado na obra de seu polêmico diretor, que talvez fique mais evidente e seja redescoberto a partir das indicações ao Oscar de 2013… 

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DIREÇÃO: D.W. Griffith
ROTEIRO: Stephen Vincent Benet (adapted for the screen by), John W. Considine Jr. (story), Gerrit J. Lloyd (continuty and dialogue)
GÊNERO: Biografia, Drama, História
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 36min
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ELENCO PRINCIPAL:
William L. Thorne … Tom Lincoln
Lucille La Verne … Parteira
Helen Freeman … Nancy Hanks Lincoln
Otto Hoffman … Offut
Walter Huston … Abraham Lincoln
Edgar Dearing … Jack Armstrong
Una Merkel … Ann Rutledge
Russell Simpson … Tio Jimmy – Empregador Lincoln
Charles Crockett … Charles Crockett
Kay Hammond … Mary Todd Lincoln
Helen Ware … Srt. Edwards
E. Alyn Warren … Stephen A. Douglas / General Ulysses Grant
Jason Robards Sr. … Billy Herndon
Gordon Thorpe … Tad Lincoln
Ian Keith … John Wilkes Booth
Francis Ford … Criado de Sheridan
Robert Keith … Mensageiro da União

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow.


INTOLERÂNCIA (Intolerance: Love’s Struggle Throughout the Ages, 1916, USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 5 de setembro de 1916

SINOPSE: O filme mostra quatro histórias que contam casos de intolerância: na Babilônia; na França, durante o massacre da noite de São Bartolomeu; na Judéia, na época da crucificação de Cristo; e nos Estados Unidos na época em que o filme foi realizado, sendo que as histórias são interligadas pela dramatização de um poema de Walt Whitman.

SOBRE O FILME: Intolerância é uma daquelas obras que qualquer apreciador de verdade de Cinema, esse aí com “C” maiúsculo mesmo, precisa assistir pelo menos uma vez na vida. Não é um filme fácil de se ver e não é necessário gostar dele.

Basta assistir e tentar compreender o escopo da empreitada de Griffith apenas um ano depois de seu polêmico O Nascimento de uma Nação. Na verdade, Intolerância nasceu muito menor, com uma história contemporânea apenas intitulada The Mother and the Law (A Mãe e a Lei), mas o gigantesco sucesso de seu filme anterior aliado às críticas severas que recebeu pelo inegável racismo contido na fita, fez com que o produtor, roteirista e diretor quadruplicasse sua ambição, que passou a conter quatro narrativas que reúnem 2.500 anos de História do Mundo em um trabalho magnífico de entrelaçamento e de estudo sobre a “intolerância” sob as mais diversas formas, algo que ele próprio entendia ter sido alvo em razão de seu trabalho de 1915. Mas há que se deixar muito claro que Intolerância não é e nunca foi um pedido de desculpas em razão de O Nascimento de uma Nação. Griffith afirmou isso em entrevistas à época e, de fato, não há nada em seu épico que “desfaça” o que sua visão impossível de aceitar legou para o mundo no ano anterior.

– Ano 539 a.C. – Na Babilônia, um conflito religioso leva à guerra entre o Rei Nabonido (Carl Stockdale) e seu filho, o Príncipe Belsazar (Alfred Paget) e Ciro, o Grande, da Pérsia (George Siegmann), o que resulta na Queda da Babilônia e o fim de sua independência. A história, baseada em fatos reais, é vista sob o ponto de vista da Moça das Montanhas (Constance Talmadge), levada por seu irmão para o “mercado de noivas” na cidade e que acaba se apaixonando pelo príncipe e lutando em seu exército.

Intolerância é, sem dúvida alguma, um dos mais importantes filmes já feitos. Uma obra de tirar o fôlego e capaz de colocar em perspectiva muita coisa que se faz no Cinema hoje em dia. Deixar de ver esse filme é fechar os olhos para uma importante fatia da história da Sétima Arte.

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DIREÇÃO: D.W. Griffith
ROTEIRO: Hettie Grey Baker (titles), D.W. Griffith (scenario)
GÊNERO: Drama, História
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 43min
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ELENCO PRINCIPAL:
Alfred Paget – Príncipe Belshazzar
Seena Owen – Princesa Amada
Ethel Grey Terry – Favorita do Harém
Carmel Myers – Favorita do Harém
Noble Johnson – soldado da Babilônia
George Walsh – noivo de Canaã


Fontes de Pesquisa/Textos: Revista Cinemin, IMDB, Filmow e Wikipedia.

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