JOSEPH LOSEY (1909 – 1984) | Os Diretores

Quando Joseph Walton Losey chegou ao longa-metragem, beirava os 40 anos (ele nasceu em La Crosse, Wiscosin, EUA, a 14 de janeiro de 1909 e tinha atrás de si uma experiência tão rica quanto variada. Estudava medicina e literatura, tomar parte em grupos teatrais universitários, exercera a crítica literária e teatral em jornais e revistas, viajara duas vezes à Europa (Alemanha, Inglaterra, Suécia, Finlândia, União Soviética), encenara peças (Londres, Nova York, Boston), montara shows (inclusive os de abertura do Radio City Music Hall e uma entrega de Oscars), produzira 90 programas de rádio e conhecera Bertold Brecht (com quem trabalhou intimamente na versão americana da revista Galileu).

Em meio a tudo isto, o primeiro contato com o Cinema: supervisionar 60 filmes educativos para a Fundação Rockefeller, todos eles colagens de cenas de fitas hollywoodianas. Em 1935, o curta-metragem Pete Roleum and His Cousins, encomendado pela Feira Mundial de Nova York  e rodado em cores e terceira dimensão, assinalou a estreia do cineasta. Seguiram-se outros dois curtas e passagens pelo núcleo de Cinema das Forças Armadas (dois filmes de treinamento) e pela Metro (uma fita da série O Crime Não Compensa/Crime Does Not Pay).

O Cinema americano do pós-guerra voltava-se para uma consciência social mais crítica e os filmes iniciais de Losey refletem algumas das tendências da época. O Menino dos Cabelos Verdes (foto abaixo) revelou, a olhos atentos, um talento diretorial. Embora o cineasta apontasse nas fitas americanas várias falhas, elas já continham as linhas mestras de sua obra: a humanização dos personagens e a perfeita integração da trama ao décor.

Estilista rigoroso, obcecado pela forma, Losey sempre utilizou os serviços de um planificador visual (o cartunista John Hubley nos Estados Unidos, o artista gráfico Richard MacDonald na Inglaterra, o cenógrafo Alexandre Trauner na França). A detalhada pré-planificação facilitou muito o trabalho de Losey ao rodar fitas modestas em prazos bastante curtos (O Menino dos Cabelos Verdes em 36 dias, O Fugitivo de Santa Marta em 23, O Cúmplice das Sombras em 17, O Maldito em 20 e Noite Inolvidável em 24). Enquanto filmava na Itália O Homem Que o Mundo Esqueceu (poster abaixo), foi intimado a depor perante a comissão do Senador MacCarthy, o incansável farejador de comunistas.

Como estava preso à realização, Losey retornou aos Estados Unidos após a data marcada, e ausência, tomada como desacato, redundou na sua inclusão na lista negra. Impedido de atuar no país natal, rumou para a Europa, a exemplo de, entre outros, Jules Dassin e John Berry. Na Inglaterra, um recomeço difícil. Assina filmes sob pseudônimo, trabalha em publicidade e televisão. A grande fase é aberta justamente quando Losey volta a figurar nos créditos com seu próprio nome. A Sombra da Forca (foto abaixo) recupera-o dos fracassos do incômodo período de ostracismo e vai dar em fitas maiúsculas (Entrevista Com a Morte, Armadilha à Sangue-Frio) e na consagração crítica (a começar pelos franceses). Mas Losey ainda não atingira o estágio que vinha perseguindo, o da completa liberdade de ação.

O Criado (foto abaixo), que ele co-produziu, garante, com sua ampla repercussão, a continuidade de uma carreira a partir de então liberta de vários compromissos. O filme registra a primeira colaboração com o escritor Harold Pinter (continuada em Estranho Acidente, O Mensageiro e na não concretizada versão de Em Busca do Tempo Perdido, de Proust), por muitos vista como a mais importante da filmografia loseyana. Por certo, outras se impõem, como os atores Dirk Bogarde e Stanley Baker, o fotógrafo Gerry Fisher, o montador Reginald Beck, o desenhista de produção Richard MacDonald.

Vários foram os grandes profissionais que passaram pelas fitas de Losey e, reparando na filmografia, poucos não o fizeram mais de uma vez. “Acredito com convicção que os filmes são um esforço coletivo, mas eles devem estampar a marca do diretor, caso contrário perdem o sentido. Se alguma contribuição faltar, do roteirista, do montador, dos atores, do cenógrafo, do cinegrafista, você perde algo da possibilidade coletiva, da totalidade do filme”.

É muito comum dividir-se a obra de Losey entre a fase americana e européia. Agora que a morte do diretor ditou o seu término irremediável, seria interessante, se ainda for desejável uma separação, pensar numa época marcada pela impossibilidade de expressão total (nem por isso desprovida de momentos marcantes) e outra em que o prestígio assegurou-lhe ampla independência.

Fontes: IMDb e Revista Cinemin/Sergio Leemann


YOUTH GETS A BREAK (Youth Gets a Break, 2001 – CURTA)
20min


DETERMINAÇÃO VITORIOSA (Steaming, 1985)
1h 35min


UMA ESTRANHA MULHER (La Truite, 1982)
1h 43min


DON GIOVANNI (Don Giovanni, 1979)
2h 56min


O CRIADO (The Servant, 1963 – UK)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 14 November 1963 (London)

SINOPSE:
Baseada em romance de Robin Maugham, a história explora a relação entre as classes sociais através de um jovem e rico solteiro que contrata um criado mais velho, para que satisfaça todas as sua vontades. A convivência é muito complicada mas, pouco a pouco, os papéis acabam se invertendo.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
O que destaca essa tradicional narrativa de manipulação e inversão de papéis é, antes de qualquer coisa, o delicioso cinismo de Dick Bogarde, cujas expressões tão bem trabalhadas escondem camadas de perigo, mas não se delatam diretamente como a causa da tensão que se abate sobre aquela casa. Sua construção, aliás. é quase tão rica quanto a própria atmosfera da residência, reforçada por ângulos de câmeras que valorizam sombras e reflexos. Sarah Miles, por sua vez, se introduz na narrativa trazendo consigo uma fina e ameaçadora sensualidade, cujo ápice se exerce na cozinha escura, quando o protagonista, preso em uma batalha visual sufocante com Miles, ignora o telefone, entregando silenciosamente ao espectador o início de seu colapso. A loucura final, ainda que realmente não tenha sido a mais sutil, fecha o filme de maneira forte e perturbadora, como já se podia esperar.

DIREÇÃO: Joseph Losey
ROTEIRO: Harold Pinter (screenplay), Robin Maugham (novel)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: UK
DURAÇÃO: 1h 56min
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ELENCO PRINCIPAL:
Dirk Bogarde … Hugo
James Fox … Tony
Sarah Miles … Vera
Wendy Craig … Susan
Patrick Magee … Bispo
Catherine Lacey … Lady Mounset
Richard Vernon … Lord Mounset
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players.


O MENINO DOS CABELOS VERDES (The Boy with Green Hair, 1948 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 16 de novembro de 1948

SINOPSE: Peter Frye , um típico garoto norte-americano, perde os pais quando eles são pegos por uma blitz, em Londres. Ninguém diz a ele que seus pais morreram e que agora ele é um órfão. E assim, sem ele próprio saber o porquê, vai sendo despachado da casa de um parente para o outro – todos igualmente egoístas e nenhum interessado em ajudá-lo. Peter acaba indo parar na casa de Gramp , o mais gentil dos seus anfitriões. Peter e Gramp parecem se dar bem, mas na manhã seguinte em que é avisado que seus pais morreram, o cabelo de Peter, subitamente, adquire a cor verde. As reações absurdas das pessoas que o cercam fazem com que O Menino dos Cabelos Verdes se torne uma parábola.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Em níveis simbólicos superficiais, a cor verde pode sugerir esperança. Quando o garoto Peter Frye (Dean Stockwell) recebe a notícia de que seus pais morreram na guerra, seu cabelo amanhece esverdeado. Até então ninguém tinha a coragem de dizer ao garoto que ele virou um “órfão de guerra”. Antes de saber o real motivo do desinteresse de seus familiares em ajudá-lo, Peter é despachado da casa de um parente para o outro até que estabelece moradia na casa de Gramp (Pat O’Brien), o mais gentil dos seus tios.

Quando o cabelo de Peter amanhece esverdeado, os vizinhos e os amigos de colégio reagem de maneira preconceituosa. Encaram a mudança como se fosse uma anomalia patológica que precisa ser imediatamente expurgada sobre pena de ameaçar o “bem-estar” da comunidade. Ninguém percebe que o cabelo verde – de acordo com o imaginário das crianças órfãs de guerra – aponta para a perda e a dor. O filme vira uma parábola edificante e pacifista bem sintonizada com o contexto histórico pós-guerra de 1948, ano da produção.

O Menino dos Cabelos Verdes é o primeiro longa-metragem de Joseph Losey, que foi uma das principais vítimas de perseguições políticas no episódio conhecido como Caça às Bruxas, comandado pelo senador Joseph McCarthy no anos 50.

DIREÇÃO: Joseph Losey
ROTEIRO: Ben Barzman and Alfred Lewis Levitt (screenplay), Betzi Beaton (story)
GÊNERO: Comédia, Drama, Família
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 22min
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ELENCO PRINCIPAL:
Pat O’Brien … Gramp
Robert Ryan … Dr. Evans
Barbara Hale … Miss Brand
Dean Stockwell … Peter
Richard Lyon … Michael
Walter Catlett … The King
Samuel S. Hinds … Dr. Knudson
Regis Toomey … Mr. Davis
Charles Meredith … Mr. Piper
David Clarke … Barber
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Imagem em Movimento/Camila Vieira.


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