JOHN WAYNE | Considerado por muitos como o maior astro do Cinema

Os mais íntimos o chamavam de Duke. Ele assinava Marion Michael Morrison. Mas o nome pelo qual foi mesmo conhecido no mundo inteiro era John Wayne.

Se medirmos a grandeza dos astros pelo número de pessoas que vai assistir aos seus filmes, Wayne talvez possa ser considerado o maior astro de Cinema, em todos os tempos. Na verdade, recuando a 1932 e verificando, daí em diante, o produto das bilheterias de todos os filmes produzidos no mundo, vamos perceber logo que ele é a maior atração do Cinema sonoro, tendo alcançado o estrelato e ficado entre os dez maiores sucessos de cada ano, a partir de 1949 até 1974. ele é também quem mais ganhou dinheiro com Cinema, entre os intérpretes, cerca de 400 milhões de dólares, perdendo apenas para Cary Grant e James Stewart, está entre os que trabalharam em maior número de clássicos de Hollywood, a maioria deles dirigida por John Ford e Howard Hawks.

John Wayne nasceu em 26 de maio de 1907, em Winterset, no Estado de Iowa. Quando o pequeno Marion tinha cinco anos, a família se mudou para a Califórnia e comprou um rancho à beira do deserto Mojave, onde ele e o irmão Bob viviam fazendo estripolias, principalmente montando cavalos em pêlo.

No ginásio, Duke passou por duas fases, na primeira, queria ser advogado; na segunda, seu sonho era a Marinha. Mas acabou indo para a Universidade a Califórnia do Sul, onde ficou três anos.

Em 1928, conheceu John Ford, que acabou sendo um de seus maiores amigos. O diretor lhe arranjou trabalho nos estúdios da Fox e, pouco depois, um pequeno papel em Hangman’s House.. Mas foi em 1930, pelas mãos de outro diretor, Raoul Walsh, que pela primeira vez, estrelou um filme: A Grande Jornada (The Big Trail / foto abaixo), destinado anteriormente a Gary Cooper.

Sem ter ainda desenvolvido a personalidade que lhe trouxe fama anos depois, Wayne foi relegado a filmes westerns classe B, sendo que, em 1935, foi o protagonista do primeiro filme da Republic, Da Derrota à Vitória (Westward Ho, 1935), e, em 1945, ajudou o estúdio a celebrar 10 anos de sucessos. Na década de 30, foi um dos mais populares heróis daquele tipo de filme.

Mas a grande oportunidade surgiu em 1939, depois de aparecer em 72 filmes, quando John Ford o chamou para fazer o tímido Ringo Kid de No Tempo das Diligências (Stagecoach), que acabou ganhando o Oscar do ano. Daí em diante, John Wayne passou a ser uma estrela maior. E muitos filmes vieram, como os clássicos de guerra Fomos os Sacrificados (They Were Expandable) e Iwo Jima, o Portal da Glória (Sands of Iwo Jima), respectivamente de 1945 e 1949, dirigidos por John Ford e Allan Dawn; a trilogia de Ford sobre a Cavalaria: Sangue de Heróis (Fort Apache, 1948), Legião Invencível (She Wore a Yellow Ribbon, 1949) e Rio Bravo (Rio Grande, 1950); quele que foi, talvez, o melhor filme da Republic, também de John Ford, Depois do Vendaval (The Quiet Man), teve uma de suas cenas lembrada , em E.T., quando o menino repete, no colégio, o beijo qye Wayne dá em Maureen O’Hara, quando o Extraterrestre vê o filme na televisão; a trilogia de western de Howard Hawks: Onde Começa o Inferno (Rio Bravo, de 1959), El Dorado (El Dorado, de 1967) e Rio Lobo (Rio Lobo, de 1968), sendo que o primeiro é considerado por muitos críticos como o melhor western de todos os tempos; Bravura Indômita (True Grit, 1969), dirigido por Henry Hathaway, com o qual ganhou um Oscar e cujo personagem, Rooster Cogburn, repetiria, seis anos mais tarde, ao lado de Katharine Hepburn.

Entretanto, sua maior performance na década de 70 acabou sendo em seu último filme, O Último Pistoleiro (The Shootist, de 1976), dirigido por Don Siegel, onde faz um velho pistoleiro que está morrendo de câncer, afinal a doença que o acabou matando, realmente.

John Wayne trabalhou para todos os grandes estúdios de Hollywood e, apesar de não poder ser considerado um ator da estirpe de um Laurence olivier, com a técnica sofisticada de um Marlon Brando, não se pode lhe negar, também, uma garra de interpretação fora do comum, uma personalidade marcante, uma presença envolvente na tela, uma simpatia que o popularizou no mundo inteiro. É claro que seu alcance é limitado, mas dentro desses limites, ele se expressou com muita habilidade, conseguindo excelentes efeitos. Há uma grande confusão, por parte de muitos críticos, entre as interpretações de Wayne no Cinema, como um grande individualista, e as posições políticas reacionárias do homem, como republicano de direita realmente, ele se opunha a qualquer atitude mais liberal.

Em 1933, Wayne casou-se com Josephine Saenz, filha do Cônsul dominicano. Tiveram quatro filhos: Mike, Toni, Patrick e Melinda. Divorciaram-se em 1944 e, dois anos depois, Duke se casava novamente, dessa vez com a cantora e dançarina mexicana Esperanza Bauer. Esse casamento durou menos: a separação tempestuosa veio em 1953. Já no ano seguinte, em novembro de 1954, caou-se de novo. A nova Senhora Wayne era a atriz peruana Pilar Palette. Com ela, Wayne teve mais três filhos: Aissa, Ethan e Marisa. Agora eram 7 filhos e 20 netos.

Em 1969, John Wayne foi eleito o Superastro da década. Na década de 70, fez também Big Jake (1971), The Cowboys (1972), Train Robbers (1973), McQ (1974). Em maio de 1979, a doença conseguiu o que os bandidos dos filmes sempre tentaram sem êxito, derrubá-lo do cavalo.


O ÚLTIMO PISTOLEIRO (The Shootist, 1976 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 21 de Julho de 1976

SINOPSE: J.B. Brooks, talvez o pistoleiro mais famoso do oeste, abre mão de sua vida de fora-da-lei e de seus métodos cruéis e se estabelece na pacata Carson City, pois sabe que está gravemente doente. Entretanto, a cidadezinha está sendo aterrorizada por bandidos, fazendo com que o pistoleiro volte a pegar em armas, desta vez por uma boa causa, mesmo que seja a última vez.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: É praticamente impossível, para um apreciador do western, desgostar de O Último Pistoleiro. Don Siegel, que à época já havia nos trazido os clássicos Vampiros de Almas e Perseguidor Implacável (Dirty Harry), realiza uma verdadeira homenagem ao gênero do faroeste e um de seus maiores ícones, John Wayne. A obra, além do teor dramático de sua narrativa, ganha um caráter ainda mais melancólico e, é claro, histórico – este foi o último trabalho de Wayne, que morreria apenas três anos depois, em 1979, graças ao câncer em seu estômago, condição que o seu personagem deste filme compartilha.

Esse tom que beira a retrospectiva já se faz visivelmente presente nos minutos iniciais da projeção. Somos contados, rapidamente, a história de J.B. Books (John Wayne), um lendário pistoleiro do Velho Oeste e, agora, um dos poucos que permanece com vida. A cena utiliza planos de antigos filmes estrelados por Wayne, dentre eles Rio Vermelho Onde Começa o Inferno, já fortemente apelando para o saudosismo dos fãs do gênero. Tais dias, contudo, estão no passado e partimos para um Books mais velho em seu cavalo. Mas sua idade não significa o término de sua habilidade com o revólver, como logo aprendemos.

Ao chegar na pequena cidade de Carson City, J.B. prontamente procura o médico, velho conhecido seu, Dr. Hostetler (James Stewart), para descobrir a origem de uma dor que vem o incomodando faz algum tempo. Para sua desolação, o pistoleiro descobre que se trata de um câncer e que ele tem apenas alguns dias de vida. Sabendo disso, Books decide procurar um lugar tranquilo para passar seus dias finais e encontra a morada de Bond Rogers (Lauren Bacall), onde aluga um quarto. A partir daqui, a narrativa assume uma estrutura fragmentada em dias, nos mostrando a crescente e silenciosa angústia do cowboy enquanto sua doença avança. John Wayne nos entrega uma figura que não esconde toda a glória de seu passado – a mantém pelo seu porte e forte personalidade – mas que cuja condição acaba revelando, pouco a pouco, sua idade já avançada.

Um dos pontos mais interessantes da obra é justamente observar essa mudança do personagem, que se reflete perfeitamente através não só de sua aparência física, como das roupas que veste. Wayne, por mais que se mantenha no típico strong silent type, demonstra nuances de sua impotência em relação à morte. Sua relação com Bond e o filho dela, Gillom (Ron Howard) é organicamente construída pelo roteiro e, através da direção de Don Siegel, consegue nos convencer do princípio ao fim, nos trazendo momentos verdadeiramente dramáticos que deixam qualquer um com um coração mole.

Por outro lado, a já mencionada, estrutura fragmentada da obra acaba quebrando, em determinados momentos, nossa imersão. O filme acaba soando como uma narrativa episódica, que encerra algumas situações de maneira levemente apressada. É claro que temos a linha principal sendo seguida – o avanço da condição do protagonista – mas isso não consegue nos tirar a percepção de que estamos diante de diversas situações distintas unidas sem uma maior coesão. Essa característica afeta, principalmente, o desfecho da obra, que nos parece mal-construído, perdendo, portanto, grande parte de seu impacto.

As distintas sequências do longa ainda contam com um agravante: transições demasiadamente bruscas. Apesar de estarmos falando de um cinema tipicamente clássico americano, o encadeamento de diversas cenas nos causa um estranhamento, em especial levando em consideração a edição do som, que acaba dispensando uma maior harmonia. Felizmente, tal fator se limita a alguns momentos apenas, não prejudicando o filme inteiro.

Porém, mesmo com esses problemas, O Último Pistoleiro nos deixa com um triste sorriso, ao passo que atua como uma ótima despedida para John Wayne. Don Siegel pode não nos trazer um dos melhores westerns já feitos – longe disso – contudo, acaba nos entregando um filme a ser lembrado, parte pela história em si, parte pelos eventos que ocorreriam três anos após a sua estreia.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Don Siegel
ROTEIRO: Glendon Swarthout (novel), Miles Hood Swarthout, Scott Hale (screenplay)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Wayne … J.B. Books
Lauren Bacall … Bond Rogers
Ron Howard … Gillom Rogers
James Stewart … Dr. Hostetler
Richard Boone … Sweeney
Hugh O’Brian … Pulford
Bill McKinney … Cobb
Harry Morgan … Marshall Thibido
John Carradine … Beckum
Sheree North … Serepta


CHISUM, UMA LENDA AMERICANA (Chisum, 1970 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 29 de julho de 1970

SINOPSE: Um criador de gado, inspirado numa personagem lendária do Velho Oeste, “John Chisum” vai ter que defender seu território, com unhas e dentes da ambição desmedida do empresário Lawrence Murphy que deseja construir em suas terras.

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SOBRE O FILME: Chisum é um dos últimos filmes de John Wayne e traz-nos o ator no final da sua carreira, no papel de uma personagem que parece feita por medida para Wayne. Realizado com a minunciosa atenção ao detalhe, por Andrew V. McLaglen e, maravilhosamente fechado pelo mestre William H. Clothier, Chisum Senhor do Oeste tem direito a um lugar de honra na lista dos Westerns mais empolgantes e espetaculares de todos os tempos… e recorda-nos porque John Wayne se tornou na estrela imortal da Sétima Arte.

DIREÇÃO: Andrew V. McLaglen
ROTEIRO: Andrew J. Fenady (story “Chisum and the Lincoln County Cattle War”)
GÊNERO: Western, Biografia
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 51min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Wayne … John Chisum
Forrest Tucker … Lawrence Murphy
Christopher George … Dan Nodeen
Ben Johnson … James Pepper
Glenn Corbett … Pat Garrett
Geoffrey Deuel … Billy ‘The Kid’ Bonney
Andrew Prine … Alex McSween
Bruce Cabot … Sheriff Brady
Patric Knowles … Henry Tunstall
Richard Jaeckel … Jess Evans
Lynda Day George … Sue McSween
John Agar … Amos Patton
Pedro Armendáriz Jr. … Ben

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow.


SANGUE DE BÁRBAROS (The Conqueror, 1956 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 22 de fevereiro de 1956

SINOPSE: O líder mongol Temujin (John Wayne) enfrenta uma dura batalha contra a tribo rival responsável pela morte de seu pai. Pior ainda é a guerra que ele enfrenta diariamente em casa, onde sua prisioneira de origem tártara, Bortai (Susan Hayward), tenta confundi-lo causando intrigas familiares.

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SOBRE O FILME: Do bilionário produtor Howard Hugues, Sangue de bárbaros tem um elenco com grandes estrelas, John Wayne e Suzan Hayard marcaram com grandes atuações esta mega produção épica sobre Genghis Khan. Seqüestrada por Temujin, a princesa tártara Bortai, o engana, fazendo-o desconfiar do seu irmão de sangue, Jamuga interpretado por Pedro Armendariz. Mas, após tantas desventuras, a princesa acaba se apaixonando pelo chefe mongol. Agnes Moorehead interpreta a mãe de Temujin e Thomas Gomes como Hunlun. Sangue de bárbaros foi filmado numa locação perto de Utah, perto de um local de testes atônicos, e teve um resultado trágico. Muitos atores do filme e pessoal da produção contraíram câncer e o primeiro a ficar doente foi o diretor Dick Powel. Apesar da tragédia no elenco, este é um filme marcante na história dos grandes épicos. Ação do começo ao fim.

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DIREÇÃO: Dick Powell
ROTEIRO: Oscar Millard
GÊNERO: Aventura/Biografia/História
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 51min
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ELENCO PRINCIPAL:

John Wayne … Temujin
Susan Hayward … Bortai
Pedro Armendáriz … Jamuga
Agnes Moorehead … Hunlun
Thomas Gomez … Wang Khan
John Hoyt … Shaman
William Conrad … Kasar
Ted de Corsia … Kumlek
Leslie Bradley … Targutai
Lee Van Cleef … Chepei

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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow.


RASTROS DE ÓDIO (The Searchers, 1956 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 7 de maio de 1956

SINOPSE: O veterano da Guerra Civil Ethan Edwards (John Wayne) chega ao Texas em 1868 e encontra o seu irmão e a família dele. Entretanto, no dia seguinte, comanches invadem o rancho e matam o seu irmão e Martha (Dorothy Jordan), a esposa dele. Além disso, raptam as duas filhas do casal. Ethan parte então em uma busca vingativa pelas meninas junto com o companheiro Martin (Jeffrey Hunter), um mestiço que logo percebe que Ethan está obcecado por matar os índios e cheio de ódio racista. Eles encontram o corpo da mais velha, e saem em busca da caçula, que procuram por mais 5 anos no deserto.

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SOBRE O FILME: Rastros de Ódio é um daqueles filmes que deixa o espectador de queixo caído do começo ao fim por, dentre outros aspectos mais técnicos, sua beleza fotográfica. Não tem como não apreciar esse filme. Trata-se de uma saga de cowboys, com visuais lindíssimos, quase inacreditáveis, filmados em locação em Monument Valley, no Arizona e Utah, local que a mitologia do Western no cinema sedimentou no imaginário popular como a paisagem típica do gênero.

John Ford soube explorar esse aspecto em sua plenitude, trabalhando com a Technicolor e a tecnologia VistaVision para capturar o máximo possível do ambiente em planos gerais que servem para demonstrar a imponência da natureza sobre o Homem e a impossibilidade de domá-la. É perfeitamente possível dizer que, dentro de seu gênero, Rastros de Ódio é o filme mais belo, um que poderia ser apreciado apenas por seu visual, esquecendo-se completamente da história.

Não que a história seja desinteressante, longe disso, mas o roteiro do então já veterano Frank S. Nugent, se propõe a colocar o Homem em sua posição de insignificância diante do seu ambiente. Além disso, a temática da solidão, que cerca o personagem Ethan Edwards, encarnado à perfeição por John Wayne, ajuda nesse objetivo e cria uma espécie de “desespero do silêncio” mesmo nas sequências em que ele interage com seus pares.

Apesar de não ser explicitamente baseada em fatos reais, o roteiro de Nugent, extraído da obra homônima de Alan Le May, parece ter sofrido influência de um famoso caso real, ocorrido em 1836, em que uma menina de nove anos foi sequestrada pelos índios da tripo Comanche, tendo vivido entre eles por 24 anos, casando-se e tendo filhos com o Chefe Quanah Park até ser resgatada por um Texas Ranger contra sua vontade. Esse caso é particularmente interessante por ter sido substancialmente repetido no filme, incluindo a sequência de ataque à tribo Comanche, apesar de ser apenas um entre dezenas de casos semelhantes ocorrido por volta da mesma época.

Com isso, a história já fica evidente: Debbie (vivida quando criança por Lana Wood e, mais tarde, pela belíssima Natalie Wood) é sequestrada da fazenda de seus pais logo depois do retorno de seu tio Ethan Edwards, que volta da Guerra Civil e a Guerra Revolucionária Mexicana. A partir daí, o filme é uma longa busca de anos pela menina, empreendida por Ethan, que jamais desiste de seu objetivo de encontrá-la. No entanto, essa linha aparentemente reta inclui a morte de sua família e o sequestro, na verdade, de suas duas sobrinhas, apenas para ele encontrar o corpo de uma delas em um acampamento indígena. Existe uma tensão familiar entre a rudeza de Ethan e a delicadeza de Martha (Dorothy Jordan), esposa de seu irmão, que dá a entender uma paixão entre eles que nunca é levada a cabo.

Além disso, o que começa com uma caçada, torna-se algo mais, muito mais sinistro. Na medida em que os anos se passam, Ethan já não tem mais dúvidas que a menina foi assimilada pela cultura indígena e seu objetivo passa a ser, na verdade, o assassinato da jovem, pois ele não suporta a ideia de ter uma menina branca de sua família em meio aos terríveis índios, mais especificamente com a tribo do chefe Scar, vivido por Henry Brandon, ator branco vivendo um nativo. Assim, o herói de duas guerras ganha contornos bem mais densos e John Wayne carrega essa densidade em sua interpretação, talvez a melhor de sua carreira. Aliás, a presença constante – mas silenciosa – de Martin (Jeffrey Hunter) seu sobrinho que o acompanha na busca de anos, funciona justamente para contrastar personalidades e para colocar o preconceito de Ethan em xeque. É que Martin é 1/8 de descendência indígena e ele é jovial, com personalidade alegre que vai endurecendo ao longo do tempo, mas nunca ao ponto de se igualar a Ethan.

E é exatamente por essa consciência do roteiro sobre a personalidade de Ethan que essa obra de Ford não pode ser chamada, de forma alguma, de preconceituosa. Ela apenas retrata uma época, um tipo de raciocínio explicado (não justificado, claro) pelos anos de conflitos entre os brancos invasores e os peles-vermelhas. E esse aspecto funciona dos dois lados, pois os nativos em Rastros de Ódio não são pintados apenas como seres de alma pura que vivem em harmonia com a massacrante – mas bela, belíssima – natureza ao redor. Vemos nativos maus assim como vemos nativos bons, em uma tentativa eficiente de se criar equilíbrio no roteiro. Até mesmo o final, que não perdoa Ethan e nos faz sofrer por ele, por mais durão e desagradável que seja, tem esse objetivo de crítica.

Se esse grande filme tem um defeito, este é a inclusão de uma narrativa paralela sobre o romance de Martin com Laurie (Vera Miles, que faria Psicose). Há um romance, cartas trocadas durante os anos em que Martin fica longe, um quase casamento e por aí vai. É uma espécie de alívio cômico para uma fita pesada, mas que definitivamente não funciona e, em determinados momentos, arrasta-a bastante.

Não obstante seu pequeno desvio, a atuação de John Wayne, a direção de John Ford e a embasbacante fotografia de Winton C. Hoch, além da narrativa principal, tornam esse filme essencial na videoteca de clássicos de qualquer cinéfilo que se preze.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: John Ford
ROTEIRO: Frank S. Nugent (screenplay), Alan Le May (from the novel by)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 59min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Wayne … Ethan Edwards
Jeffrey Hunter … Martin Pawley
Vera Miles … Laurie Jorgensen
Ward Bond … Rev. Capt. Samuel Johnston Clayton
Natalie Wood … Debbie Edwards – Age 15
John Qualen … Lars Jorgensen
Olive Carey … Mrs. Jorgensen
Henry Brandon … Scar / Cicatriz
Ken Curtis … Charlie McCorry
Harry Carey Jr. … Brad Jorgensen


CAMINHOS ÁSPEROS (Hondo, 1953 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 27 de Novembro de 1953

SINOPSE:
Vivendo em meio a hostil território Apache, Angie Lowe (Geraldine Page) insiste em não deixar a propriedade antes da volta de seu esposo Ed (Leo Gordon). Hondo Lane (John Wayne), um frio caubói de passagem, acaba capturado pelo líder indígena Vittorio (Michael Pate) e para escapar da morte passa-se pelo desaparecido marido. Sua missão agora é proteger a mulher e o filho dela, Johnny (Lee Aaker).

Assista o filme clicando no player acima. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: John Wayne (Wayne-Fellows Productions) pensou em Glenn Ford para interpretar ‘Hondo Lane’ no western “Caminhos Ásperos” (Hondo), rodado e lançado em 1953. Glenn Ford era, sem dúvida, um ótimo ator de faroestes mas após alguém assistir a performance de John Wayne protagonizando o herói desse filme, fica difícil imaginar qualquer outro ator no lugar do Duke que tem uma de suas melhores atuações como… ‘John Wayne’. Mas “Caminhos Ásperos” não se resume à perfeita interpretação de Wayne como um rude batedor do Exército pois nos 83 minutos desse faroeste há muita ação de excelente qualidade. Há, por certo, algumas sequências de ação risíveis devido à necessidade de criar efeitos para emocionar as platéias que vibravam com a novidade daquele ano, o processo 3D (3.ª Dimensão). Relançado em 1995 “Caminhos Ásperos” é um filme creditado ao diretor John Farrow e que ganhou status de um dos melhores westerns da extensa filmografia de John Wayne, na qual o que não falta são grandes filmes.

“Hondo” foi uma das primeiras histórias publicadas por Louis L’Amour, autor que vendeu com seus livros a impressionante cifra de 200 milhões de exemplares, sempre com histórias sobre o Velho Oeste. John Wayne nunca escondeu que não morria de amores pela causa dos índios, entendendo que eles pagaram o preço do avanço da civilização, opinião discutível de um ultradireitista. Porém “Hondo” é uma história inteiramente favorável aos nativos com o personagem tendo vivido entre os apaches, casado com uma índia e absorvido os costumes dos índios. Com surpreendente sinceridade John Wayne cita durante o filme a dignidade dos apaches e ao final, quando se prenuncia o extermínio dos bravos que sobreviveram ao chefe Vittorio, um pesaroso Hondo diz que aquilo “é o fim de um estilo de vida”. Enquanto isso os conquistadores brancos de “Caminhos Ásperos” são mostrados como marido e pai irresponsável (Ed Lowe) e oficiais incompetentes (o jovem Tenente McKay). A capa de uma edição da revista Time de 1952 mostra John Wayne à frente de um cenário de faroeste mesclado com uma caixa registradora. Bons tempos em que westerns eram lucrativos e mais que isso, estrelados por John Wayne.

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DIREÇÃO: John Farrow
ROTEIRO: James Edward Grant, Louis L’Amour
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 23min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Wayne … Hondo Lane
Geraldine Page … Angie Lowe
Ward Bond … Buffalo Baker
Michael Pate … Vittorio
James Arness … Lennie
Rodolfo Acosta … Silva
Leo Gordon … Ed Lowe
Tom Irish … Lieutenant McKay


NO RASTRO DA BRUXA VERMELHA (Wake Of The Red Witch, 1948 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 30 December 1948 (Houston, Texas) (premiere)

SINOPSE:
O Capitão Ralls é um caçador de tesouros, e o comandante de uma embarcação que navega pelos mares do sul. Ele concorre com o magnata holandês dos navios Mayrante Sidneye por dinheiro e pela mulher que ama, Angelique Desaix, e o prêmio final desta corrida é uma vasta quantia em dinheiro carregada pelo navio A Bruxa Vermelha.

Assista o filme clicando no player acima. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
Baseado no livro homônimo de Garland Roark, “No Rastro da Bruxa Vermelha” é um bom filme de aventuras. Realizado pelo cineasta Edward Ludwig, ele se caracteriza por vários flashbacks narrados por diferentes personagens, o que obriga o espectador a se manter ligado e atento, sob pena de se perder no desenrolar da trama. Com um roteiro bem estruturado e a forma utilizada de narração, a trama se mostra imprevisível, o que acentua sua riqueza e sua complexidade. Muito bem fotografado por Reggie Lanning, o filme apresenta várias seqüências inesquecíveis, como aquelas que mostram a morte de Angélique ou as cenas submarinas.

DIREÇÃO: Edward Ludwig
ROTEIRO: Harry Brown (roteiro), Kenneth Gamet (roteiro), Garland Roark (romance)
GÊNERO: Ação, Aventura
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 46min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Wayne … Capitão Ralls
Gail Russell … Angelique Desaix
Adele Mara … Teleia Van Schreeven
Luther Adler … Mayrant Ruysdaal Sidneye
Eduard Franz … Harmenszoon Van Schreeven
Grant Withers … Capitão Wilde Youngeur
Henry Daniell … Jacques Desaix
Dennis Hoey … Capitão Munsey
Gig Young … Samuel ‘Sam’ Rosen
Paul Fix … Antonio ‘Ripper’ Arrezo
Jeff Corey … Sr. Loring
Erskine Sanford … Dr. van Arken
Henry Brandon … Kurinua
David Clarke … Mullins
Al Kikume … Nativo
Chuck Roberson … Marinheiro
John Pickard … Mergulhador
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Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow, Cine Players, 75 Anos de Cinema.


ROMANCE DOS SETE MARES (The Fighting Seabees, 1944 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 10 de março de 1944

SINOPSE: Wedge Donovan (John Wayne) é o chefe de uma companhia de construção civil localizada no Pacífico Sul, antes do ataque a Pearl Harbor. Assim, quando o ataque ocorreu, trabalhadores dele foram mortos ou ficaram mutilados, pois é proibido civis usarem armas. Assim ele vai até Washington com o oficial Robert Yarrow Dennis O’Keefe), que proibiu o uso de armas mas só por estar cumprindo ordens, pois Robert acha a regra errada. Apesar dos argumentos de Donovan para a Marinha, lhe negam permissão para treinar seus homens para combate. Só depois de incorrer grandes perdas é dado a Donovan uma patente, com seus homens se alistando oficialmente na Marinha. Paralelamente Constance Chesley (Susan Hayward), a namorada de Yarrow, se sente atraída por Wedge.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Drama de guerra indicado ao Oscar de melhor trilha sonora de comédia ou drama. O retrato do filme de personagens japoneses foi considerado particularmente racista, mesmo para um filme de propaganda feito durante a Segunda Guerra Mundial. Produzido originalmente em preto e branco, há também disponível em uma versão colorida computadorizada.

O nome “Seabees” é um apelido para a divisão de Batalhões de Construção da Marinha dos EUA (CBs). Uma das raras vezes em que vemos John Wayne (1907-1979) dançando. Ele executa o “Jitterbugger” com Adele Mara (1923-2010) na cena da boate. Este foi um dos 7 filmes

Um dos filmes populares da Segunda Guerra Mundial de John Wayne, em que seu herói mostra a esperada independência rebelde. O filme é também um ménage-a-trois romântico que é um tanto atípico para a sua filmografia. O final é um pouco apressado e eu me senti dizendo: “O que aconteceu?” Mas não deixa de ser um bom filme de guerra, apesar de ser mais focado no drama romântico e de ter poucas sequências de batalhas.

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DIREÇÃO: Edward Ludwig
ROTEIRO: Borden Chase and Æneas MacKenzie (screenplay)
GÊNERO: Drama, Romance, Guerra
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:
John Wayne … Lt. Cmdr. Wedge Donovan
Susan Hayward … Constance Chesley
Dennis O’Keefe … Lt. Cmdr. Robert Yarrow
William Frawley … Eddie Powers
Leonid Kinskey … Johnny Novasky
J.M. Kerrigan … Sawyer Collins
Grant Withers … Whanger Spreckles
Paul Fix … Ding Jacobs
Ben Welden … Yump Lumkin
William Forrest … Lt. Tom Kerrick


Fontes de Pesquisa/Textos: IMDb, Filmow.

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