WYATT EARP (1848-1929) | Os Grandes Mitos do Oeste no Cinema

Conheçam um pouco da biografia e da filmografia desse grande personagem da história norte-americana, que tanto foi retratado no Cinema.

BIOGRAFIA
Wyatt Earp nasceu em Manmouth, Estado de Illinois, começou dirigindo carruagens entre Overland e Santa Fé, e ficou conhecido como guarda armado da diligência de Wells Fargo, além de caçador de bisões e jogador profissional.

Entre 1874 e 1881, foi Delegado em Wichita, Dodge City e Tombstone. Nessa última cidade, no Estado do Arizona, a 26 de outubro de 1881, foi protagonista do célebre duelo a bala de O.K. Corral. Acusado de assassinato e depois absolvido, Earp deixa Tombstone e parte para Denver, no Colorado.

Foto histórica. Alguns dos mais conhecidos homens da Lei de Dodge City. Da esquerda para a direita: Xerife Charlie Bassett, Delegado Bat Masterson, Wyatt Earp, Luke Short, Frank McLean, W. H. Harris e Neil Brown.

Em 1898, quando se inicia em Klandike a corrida em busca do ouro, Earp inaugura um saloon em Nome, Alasca. Em 1927, adquire uma mina de ouro e poços de petróleo na Califórnia. Dois anos depois, em 1929, morre em los Angeles.

Os irmãos morreram antes dele: Morgan, em Tombstone, assassinado por amigos das vítimas de Wyatt, em 1882, um ano após O.K. Corral; Virgil, o primogênito, de pneumonia, em 1905; James, em 1926. Somente um, Warner, o caçula, sobreviveu.

O Historiador Stuart N. Lake comenta: “Earp foi o mais implacável defensor da lei que o Oeste conheceu”.

Outro biógrafo, Walter N. Burns, atesta: “Um leão em Tombstone, de olhar sempre à espreita, rosto frio e impassível como pedra, e de uma coragem desmedida”.

PERSONIFICAÇÃO NAS TELAS: PRÓS E CONTRAS
A caracterização do personagem, a princípio, com algumas excessões, baseia-se no biógrafo Stuart N. Lake, autor de Wyatt Earp, Frontier Marshall (1931). Mesmo assim, a realidade sempre se confundiu com o mito.

Seria em vão buscar nos filmes de John Ford e John Sturges uma identidade absoluta das situações. Ford emoldurou e floreou o quadro de acontecimentos. De modo esclarecedor, ele contou a Peter Bogdanovich: “Conheci pessoalmente Wyatt Earp. Nos primórdios do cinema silencioso, várias vezes veio visitar os amigos cowboys que conhecera em Tombstone, pois um bocado deles representava conosco. earp, então, contou-nos sobre o duelo. Ao realizar PAIXÃO DOS FORTES (My Darling Clementine, 1946), filmei exatamente como ele havia me relatado. Os rivais, além de cruzar a rua e se balearem, executaram uma autêntica manobra militar”.

John Sturges, na película Sem Lei e Sem Alma (Gunfight at the O.K. Corral, 1957), tentou um outro enfoque, seguindo itinerário iniciado em Dodge e concluído em Tombstone. O desempenho de Burt Lancaster como Earp caracteriza-se na rapidez das ações e na tranquilidade que demonstra em situações aparentemente calamitosas. Sturges maneja as ações dramáticas em ritmo violento, realçado pelo vigor do score musical de Dimitri Tiomkin.

A Lei da Fronteira (Frontier Marshall, 1939), de Alan Dwan, surge bem diferente das versões posteriores, de Ford e Sturges. Earp elimina os assaltantes na diligência e os irmãos estão ausentes. Wyatt luta sozinho no duelo final, e Doc Holliday morre antes. O produtor Darryl Zanuck e Dwan justificaram tais alterações, alegando interferência de uma parente de Earp, na época residindo na Califórnia.

Jacques Torneur em Choque de Ódios (Wichita, 1955), apresenta-nos uma nova faceta do herói, que procura restabelecer a ordem na cidade-título.

A aparição de Earp em Winchester ’73, de 1950, se restringe a duas sequencias muito rápidas. Na primeira, o personagem de James Stewart, Lin McAdam, ganha um rifle Winchester num concurso de tiro em Dodge City, dirigido por Wyatt Earp (Will Geer). Depois, Lin e Dutch (Stephen McNally), ainda em Dodge, tentam em vão, sacar os revólveres que haviam posto, momentos antes, nas mãos do xerife.

A Hora da Pistola (Hour of the Gun, 1967) é a continuação de Sem Lei e Sem Alma, do mesmo Sturges. Descreve o que se passou após o duelo de O.K. Corral, quando Wyatt foi julgado e absolvido. Sturges procura seguir uma linha de documentário, atendo-se à verdade histórica. Earp, após receber o título de Marshall, sai em busca dos irmãos Clanton, até liquidá-los.

Ao lado de A hora da pistola, Massacre de pistoleiros (1971), de Frank Perry, seria a versão mais desmistificada sobre a história de Wyatt Earp. Pela primeira vez a narrativa enfoca-se em Doc Holliday, onde todos os eventos são vistos através de seu ponto de vista. Ainda construído como um charmoso fora-da-lei, Holliday ainda é marcado pelo tom humanista antes visto no filme de Sturges. Já Earp é edificado como um personagem imoral e corrupto, tão ou mais pútrido que a família Clanton e que planeja minuciosamente o ataque empreendido no O.K. Corral.

As pretensões realísticas de destruir a mitologia tanto de A hora da pistola, quanto de Massacre de pistoleiros dariam força – ao lado do maior acesso à informação presente a partir dos anos 1980 – para serem realizados na década de 1990 dois importantes westerns a assumirem o tom desmistificador e investigativo: Tombstone – A justiça está chegando (1993), de George P. Cosmatos, e Wyatt Earp (1994), de Lawrence Kasdan. O primeiro assumiu referências óbvias ao western spaghetti – até pelo fato do diretor ser um italiano radicado nos EUA – e a obras anteriores do cineasta, marcadas pela ação e pela violência banais e pouca reflexão, além da estética sangrenta e extremamente barroca, a ode aos anti-heróis, a paródia ao cinema de gênero americano e os diálogos marcados por frases de efeitos por vezes tolas.

O MASSACRE DOS PISTOLEIROS (Hour of the Gun, 1971 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 4 de agosto de 1971

SINOPSE: O pistoleiro Doc Holliday (Stacy Keach) ganha a companhia de Katie Elder (Faye Dunaway) numa aposta. Juntos, chegam à cidade de Tombstone, onde um grande conflito entre o xerife e a família Clanton está acontecendo. Doc toma partido do xerife e parte para o duelo.

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SOBRE O FILME: Stacy Keach, excelente ator, está incrível como Doc Holliday, nesse western revisionista do início dos anos 70, uma forte e importante década autoral no cinema americano. Sei que nesse revisionismo, onde Doc e os irmãos Earp estão mais interessados em poder e dinheiro do que em justiça, pode não se sustentar em fatos. Mas essa desglamourização de figuras tão celebradas e o famoso duelo no OK curral, onde coloca tudo como um fato brutal e covarde, já vale o filme. Como história pode ser falha, mas como cinema, é um espetáculo.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Frank Perry
ROTEIRO: Pete Hamill
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 36min
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ELENCO PRINCIPAL:
Stacy Keach … Doc
Faye Dunaway … Katie
Harris Yulin … Wyatt
Michael Witney … Ike Clanton
Denver John Collins … The Kid
Dan Greenburg … Clum
John Scanlon … Bartlett
Richard McKenzie … Behan
John Bottoms … Virgil Earp
Philip Shafer … Morgan Earp


A HORA DA PISTOLA (Hour of the Gun, 1967 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 1 de novembro de 1967

SINOPSE: As armas não sossegam por muito tempo quando os justiceiros Wyatt Earp e Doc Holliday enfrentam foras-da-lei no velho Oeste. James Garner (Maverick) e Jason Robards (ganhador do Oscar, Todos os Homens do Presidente) são os lendários pistoleiros desta eletrizante história baseada em fatos, considerada “o mais próximo que alguém já chegou de contar a verdadeira história do tiroteio de OK Corral” (segundo o L.A. Herald-Examiner). A poeira nem teve tempo de baixar em OK Corral, e os famosos irmãos Clanton estão em busca de vingança. Um a um, eles matam os irmãos de Wyatt Earp – mas não darão o último tiro desta história. Com a autoridade da sua estrela de xerife e Doc Holliday (Robards) como braço direito, Earp (Garner) prepara o ato de vingança que o Oeste nunca mais vai esquecer.

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SOBRE O FILME: Exatamente dez anos após narrar o duelo no O. K. Curral no clássico “Sem Lei e Sem Alma” (Gunfight at the O.K. Corral, 1957), com Burt Lancaster como Wyatt Earp e Kirk Douglas como ‘Doc’ Holliday, o diretor John Sturges (1911-92) fez essa continuação, que mostra o que aconteceu com os personagens após o confronto. Só que com elenco inferior, competente, mas sem o carisma da dupla anterior: Garner como Earp e Robards (1922-2000) como Holliday, mais o veterano Ryan (1909-73), que infelizmente tem pouco a fazer como o vilão Clanton.

Os westerns haviam mudado muito no período, e o contraste entre os dois filmes é evidente. Este é muito mais violento, amargo e dúbio na divisão entre heróis e bandidos. Mas também mais lento, um pouco frio e opaco, nem empolgante nem exatamente revisionista, apesar das belas locações. Destaque para a bela trilha musical de Jerry Goldsmith (1929-2004) e Jon Voight em começo de carreira.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: John Sturges
ROTEIRO: Edward Anhalt
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:
James Garner … Wyatt Earp
Jason Robards … Doc Holliday
Robert Ryan … Ike Clanton
Albert Salmi … Octavius Roy
Charles Aidman … Horace Sullivan
Steve Ihnat … Andy Warshaw
Michael Tolan … Pete Spence
William Windom … Texas Jack Vermillion
Lonny Chapman … Turkey Creek Johnson
Larry Gates … John P. Clum


CREPÚSCULO DE UMA RAÇA (Cheyenne Autumn, 1964 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 3 de outubro de 1964

SINOPSE: Em 1878, o governo deixa de entregar os suprimentos necessários à tribo indígena Cheyenne, levando centenas de índios a sairem da reserva em Oklahoma até o Wyoming, local onde sempre viveram. Thomas Archer, Capitão da Cavalaria, tem a missão de conter os índios mas, durante o percurso, passa a respeitar os índios e decide ajudá-los.

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SOBRE O FILME: Em 1917, John Ford dirigiu o seu primeiro faroeste, O Furacão. Mesmo que sua longa e prolífica carreira o tenha permitido experimentar diversos gêneros, o diretor se notabilizou por dois deles: filmes de guerra e westerns, tendo como uma de suas marcas as cenas no Monument Valley. Seguindo a onda de seu tempo histórico e da indústria que representava os índios sempre como inimigos selvagens, demorou 47 anos para que o diretor assumidamente fizesse um “filme de redenção” para com os povos indígenas, filmando um projeto inicialmente apresentado a ele por Richard Widmark e prontamente rejeitado. Anos mais tarde, quando um argumento que escrevia ao lado de seu filho Patrick Ford precisou de maior impulso (até então, a base para o texto era o livro The Last Frontier, de Howard Fast), o material antes apresentado por Widmark veio à tona, pois estava relacionado ao grande êxodo Cheyenne, um dos temas do argumento. Neste momento da pré-produção foi que o livro Cheyenne Autumn de Mari Sandoz entrou em cena e deu o contorno dramático necessário para o roteiro que seria escrito por James R. Webb.

A trama se passa em 1878, em um momento de crise entre os índios Cheyenne (interpretados por Navajos) e o governo, que fez um acordo temporário e não cumpriu, ou seja, prover de água, alimentos e remédios os índios rendidos até que a reserva no território de Oklahoma fosse transferida para terras prósperas. Sem o cumprimento do acordo por parte dos brancos e com o povo já morrendo, os Cheyennes resolvem iniciar sua longa jornada para as terras do Wyoming, seu local de origem tardia. O governo classificou essa movimentação como “rebelião” e o Capitão da Cavalaria, Thomas Archer (ótimo personagem de Richard Widmark), deveria impedir a marcha. Mas nem tudo sairia como inicialmente planejado.

Como dito anteriormente, este filme foi pensado por Ford para ser um marco diferencial em sua carreira, mostrando, em um enredo pensado especialmente para isso, os índios de uma maneira bem diferente do que ele estava acostumado. Quatro anos antes, em Audazes e Malditos, o cineasta havia feito a mesma coisa com os negros, e aqui, em Crepúsculo de uma Raça, explora esse novo olhar em um épico de 2h30 que abarca o sofrimento de um povo, a mudança de mentalidade no tratamento entre etnias e momentos da História dos Estados Unidos que o roteiro se dá a liberdade de brincar um pouco, tanto na tragédia ou melancolia, quanto na comédia, esta, majoritariamente representada por uma sequência que nem deveria estar no filme: a sequência em Dodge City. Criada para servir de intervalo (o que não funcionou, porque houve o corte de todo esse bloco, após a primeira exibição do longa), a sequência protagonizada por James Stewart e Arthur Kennedy é o verdadeiro elefante branco da fita.

O choque para o andamento narrativo é imenso. Nós passamos de uma jornada heroica (nativa e colonizadora), onde as condições do espaço geográfico são duras e diferentes objetivos deixam civilizações preparadas para um conflito mortal, para uma sequência onde não há nada a que o espectador se apegue. Mesmo que a direção seja muito boa e tenhamos James Stewart em cena, a distração e a nulidade de conexão da sequência de Dodge City com o resto do filme tem um grande peso na obra. E mesmo que alguém saia em defesa do ato, citando os vaqueiros texanos que visitam o saloon onde Wyatt Earp está jogando pôquer, é importante lembrar que nem os vaqueiros, Earp ou Doc Holliday protagonizam algo verdadeiramente importante para o filme. A cena serve mesmo ao propósito de “intervalo”, mas talvez fosse mais sábio colocá-la como um curta-metragem levemente alinhado ao filme. Assim, a obra ficaria até mais curta e não sofreria o peso de uma grande quebra para uma sequência que não serve verdadeiramente ao tema da película.

Sob a fotografia de William H. Clothier (que no mesmo ano trabalhou com Raoul Walsh, também em seu último westernUm Clarim ao Longe, igualmente revendo a relação entre brancos e vermelhos), acompanhamos a cavalgada de Cheyennes e soldados americanos por uma gama de fantásticas paisagens, bem ao gosto de John Ford, que aqui também apresenta um de seus filmes mais cuidadosos em termos de figurinos, assinados por Frank Beetson Jr. e Ann Peck. O grande esforço de aproximação entre etnias e os impasses históricos, políticos e ideológicos vão pouco a pouco se dissipando e vemos não só personagens mudarem de opinião (às vezes rápido demais), mas também a exploração dramática de uma situação de crise para destacar a obediência cega de alguns militares, como ocorre com o personagem de Karl Malden, obedecendo ordens a despeito da humanidade dele, de seus soldados e dos nativos.

Embora seja estranhamente desigual em seus atos e sua representação dos índios não seja exatamente uma unanimidade em termos de revisão histórica (Marlon Brando chegou a dizer que era “um dos mais racistas” dos diretor, pela maneira como expunha os nativos, à guisa de fazer as pazes com eles) Crepúsculo de Uma Raça é uma elegia com os pés no chão. O texto mostra civilizações diferentes lutando para manter suas tradições e garantir o seu lugar naquela terra. É um filme até certo ponto realista, com figurinos historicamente bem fieis e uma brilhante trilha sonora de Alex North (cujo último western havia sido Os Desajustados), destacando o porte épico da jornada Cheyenne e mostrando que, em todos os povos, em todos os momentos, existem pessoas e situações boas e ruins. O desafio desses povos é fazer com que o pior daquilo que existe em seu seio não se torne a causa de sua própria destruição. Uma despedida (dos westerns) um tanto problemática, mas verdadeiramente grandiosa de John Ford.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: John Ford
ROTEIRO: Mari Sandoz (suggested by “Cheyenne Autumn” by), James R. Webb (screenplay by), Howard Fast (based on the novel “The Last Frontier” by)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 34min
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ELENCO PRINCIPAL:
Richard Widmark … Capt. Thomas Archer
Carroll Baker … Deborah Wright
Karl Malden … Capt. Wessels
Sal Mineo … Red Shirt
Dolores del Rio … Spanish Woman)
Ricardo Montalban … Little Wolf
Gilbert Roland … Dull Knife
Arthur Kennedy … Doc Holliday
James Stewart … Wyatt Earp
Edward G. Robinson … Secretary of the Interior Carl Schurz


SEM LEI E SEM ALMA (Gunfight at the O.K. Corral, 1957 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 30 de maio de 1957

SINOPSE:
Earp (Burt Lancaster) é um homem da lei que chega a tombstone para limpar a cidade dos bandidos. Holliday (Kirk Douglas) é um dentista de formação, famoso pela rapidez no gatilho e pelo gosto pelos jogos de carta. Eles se unem para enfrentar Ike Clanton (Lyle Bettger) e seu perverso bando.

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SOBRE O FILME: A adaptação da real história de Wyatt Earp e “Doc” Holliday trata seus personagens como forças da natureza do Oeste, funcionando para criar a mitologia mas nem tanto para impactar como filme. Sem Lei e Sem Alma, de John Sturges (que três anos depois viria a filmar a clássica adaptação de Os Sete Samurais, intitulada Sete Homens e Um Destino), retrata justamente a história de duas figuras dessa magnitude, o xerife Wyatt Earp e o dentista “Doc” Holliday, que, juntos, protagonizaram o famoso tiroteio no O.K. Corral. Nos papeis protagonistas, os aclamados Burt Lancaster e Kirk Douglas.
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Sturges estabelece uma relação de dualidade interessante entre Wyatt e Holliday. Enquanto o primeiro, xerife de Dodge City, é o simbolo máximo da força policial, que busca a qualquer custo manter a ordem, o segundo apresenta-se como um clássico malandro, interessado somente nas mulheres e nos jogos. A união dos dois, então, surge de maneira espontânea, quase como uma força da natureza, que ocorre pontualmente para protagonizar um importante conflito.
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A intenção de Sem Lei e Sem Alma não é ser uma biografia e muito menos uma análise histórica, mas um faroeste clássico que transforma as diferenças entre dois indivíduos nos compostos perfeitos para, por meio de sua união, criar a força policial definitiva, que protagoniza um dos mais lendários confrontos da história do Velho Oeste americano: o tiroteio no O.K. corral.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: John Sturges
ROTEIRO: Leon Uris (screenplay), George Scullin (suggested by an article by)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 2min
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ELENCO PRINCIPAL:
Burt Lancaster … Wyatt Earp
Kirk Douglas … Doc Holliday
Rhonda Fleming … Laura Denbow
Jo Van Fleet … Kate Fisher
John Ireland … Johnny Ringo
Lyle Bettger … Ike Clanton
Frank Faylen … Xerife Cotton Wilson
Earl Holliman … Charles
Lee Van Cleef … Ed Bailey
Dennis Hopper … Billy Clanton
Whit Bissell … John P. Clum
Ted de Corsia … Shanghai Pierce
Lee Roberts … Finn Clanton
John Hudson … Virgil Earp
Olive Carey … Sra. Clanton
George Mathews … John Chanssey


WINCHESTER ’73 (Winchester ’73, 1950 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 12 de Julho de 1950

SINOPSE:
Lin McAdam (James Stewart) e Frankie “High Spade” Wilson (Millard Mitchell), seu melhor amigo, chegam em Dodge City para um concurso de tiro, cujo prêmio é um rifle Winchester tão perfeitamente fabricado que é conhecido como “Um em Mil”. No saloon Lin se depara com Dutch Henry Brown (Stephen McNally), sendo que eles não atiraram um no outro pelo simples fato de que o xerife, Wyatt Earp (Will Geer), não permite que ninguém ande armado pela cidade. Após uma acirrada disputa com Dutch, Lin vence o concurso. Entretanto logo em seguida Lin é atacado por Brown e seus cúmplices, que lhe roubam o rifle e fogem através do deserto, indo parar em um lugar remoto onde está um negociante de armas, que espera o momento certo para negociar com os índios. Brown e seus amigos têm apenas o Winchester sem munição, pois ao fugirem deixaram suas armas em Dodge City. Como as armas ali são vendidas por um preço muito caro, Dutch pega toda a quantia que tem e vai jogar pôquer para tentar ter dinheiro para comprar as armas. Ele perde tudo, então pressionado pelo amigo vende o rifle por 300 dólares. Ao tentar recuperar a arma, Dutch aposta todo o dinheiro em uma única jogada e perde novamente. Mais tarde o mercador se encontra com os índios, que não gostam da mercadoria pois são armas usadas. Quando o chefe dos índios vê o rifle decide ficar com ele e mata o negociante. É o início da trajetória do rifle, que logo irá mudar de dono.

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SOBRE O FILME: As negociações para a produção de Winchester ’73 começaram em 1949 e desde o início já tinha um diretor designado para dirigi-lo: Fritz Lang. O cineasta chegou a fazer as preparações para o longa no início de 1950 mas acabou desistindo do projeto porque a Universal International Pictures não queria que ele também fosse co-produtor, através de sua empresa Diana Productions Company (pela qual já havia feito Almas Perversas e O Segredo da Porta Fechada).
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Com a cadeira vaga e um bom roteiro em mãos, o estúdio achou que seria interessante aceitar a indicação dada pelo ator James Stewart e contratar Anthony Mann para ocupá-la. Embora não tivesse o peso de Fritz Lang, Mann vinha trilhando um caminho notável no cinema noir e, em 1949, fizera para a MGM dois bons longas do gênero, Pecado Sem Mácula e Mercado Humano. Parecia uma aposta arriscada, mas como Mann não tinha problemas com prazos e nem estourava orçamentos, o máximo que o estúdio poderia ter em mãos era um filme sombrio e denso (nesse caso, um western), mais ou menos na linha dos longas que o cineasta mais se destacara até o momento.
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Winchester ’73 é uma obra seminal. Ela está entre os primeiros westerns a jogar com a problemática identidade pregressa do cowboy ou pistoleiro e de como essa situação do passado afeta negativamente sua vida atual. Além disso, o próprio personagem é visto de uma outra forma, mais pessimista e egoísta, sem o grande louvor e senso de heroísmo a que estava acostumado. Anthony Mann dava um passo decisivo para a criação de um degrau que durante toda a década de 1950 se transformaria na escada que sepultaria o western clássico em seu topo e deixaria aberta a porta para o revisionismo em todas as suas facetas a partir dos anos 60. Winchester ’73 pode não ser uma obra prima absoluta, mas com certeza é um western essencial (e obrigatório!) para quem quer entender as mudanças estéticas, formais e temáticas do gênero.

James Stewart, Will Geer, e Stephen McNally em Winchester ’73 (1950).

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DIREÇÃO: Anthony Mann
ROTEIRO: Robert L. Richards, Borden Chase
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 32min
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ELENCO PRINCIPAL:
James Stewart … Lin McAdam
Shelley Winters … Lola Manners
Dan Duryea … Waco Johnnie Dean
Stephen McNally … Dutch Henry Brown
Millard Mitchell … High Spade
Charles Drake … Steve Miller
John McIntire … Joe Lamont
Will Geer … Wyatt Earp
Rock Hudson … Jovem Bull
Tony Curtis … Doan
John Alexander … Jack Riker
Steve Brodie … Wesley
James Millican … Wheeler
Abner Biberman … Latigo Means
John Doucette … Roan Daley
James Best … Crater
Chuck Roberson … Long Tom
Jay C. Flippen … Sargento Wilkes
Ray Teal … Delegado Noonan


O ÚLTIMO MALFEITOR (Bad Men of Tombstone, 1949 – USA)
Data de lançamento: 22 de janeiro de 1949

SINOPSE: Um xerife enfrenta uma quadrilha de bandidos cruéis que aterrorizam sua cidade.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Kurt Neumann
ROTEIRO: Philip Yordan, Arthur Strawn (screenplay), Jay Monaghan (based on story “Last of the Badmen” by)
ELENCO: Barry Sullivan, Marjorie Reynolds, Broderick Crawford


PAIXÃO DOS FORTES (My Darling Clementine, 1946 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 3 de dezembro de 1946

SINOPSE: Wyatt Earp (Henry Fonda) é um pacífico e respeitado criador de gado, negócio que comanda junto com os irmãos Morgan (Ward Bond), Virgil (Tim Holt) e James (Don Garner). Quando James é assassinado e sua criação roubada, Earp aceita tornar-se xerife de Tombstone para instaurar a paz na cidade, encontrar os criminosos que procura e vingar a morte do irmão.

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SOBRE O FILME: Um dos melhores (se não o melhor!) filme de John Ford. O diretor constrói belíssimos planos do Monument Valley (o meu preferido é quando os três irmãos Earp avistam a cidade de Tombstone pela primeira vez à noite com o céu coberto de nuvens).

O roteiro gira em torno de várias rivalidades: Earps x Clantons; Wyatt x Doc Hollyday; Chihuahua x Clementine. O elenco todo se sai muito bem, encabeçados pelo sempre carismático Henry Fonda (que mantém um clima de tensão com Victor Mature durante quase todo o filme). Mas pra mim o grande destaque do elenco é Walter Brennan, como o traiçoeiro patriarca dos mal encarados Clanton. Não é a toa que ele venceu três vezes o Oscar de melhor coadjuvante. Merecia o quarto pela atuação nesse magnífico filme.

Lindo como Ford transforma uma história puramente violenta em algo poético, ao mesmo tempo em que não abre mão de explorar o típico conflito dos westerns de essência. Não apenas consegue ser um filme que incorpora bem todos os aspectos de gênero, como também o abrange para alcançar um olhar mais íntimo sobre uma época que, naturalmente, exigia aquela rigidez característica. Desconstruir tudo isso é extremamente difícil, ainda mais em um gênero tão rotulado como o western. E o tom melancólico imposto pelo diretor contribui para essa quebra de padrões pré-estabelecidas. No fim das contas, Ford realmente faz com que isso pareça algo fácil de se romper.

Só mesmo um gênio para tratar um embate épico e amplamente conhecido por todos da forma como tratou. Uma aula.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: John Ford
ROTEIRO: Samuel G. Engel and Winston Miller (screenplay), Sam Hellman (story)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 37min
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ELENCO PRINCIPAL:
Henry Fonda … Wyatt Earp
Linda Darnell … Chihuahua
Victor Mature … Doc Holliday
Cathy Downs … Clementine Carter
Walter Brennan … Old Man Clanton
Tim Holt … Virgil Earp
Ward Bond … Morgan Earp
Alan Mowbray … Granville Thorndyke
John Ireland … Billy Clanton
Roy Roberts … Mayor
Jane Darwell … Kate Nelson
Grant Withers … Ike Clanton
J. Farrell MacDonald … Mac the Barman
Russell Simpson … John Simpson


HORAS DE PERIGO (Tombstone: The Town Too Tough to Die, 1942 – USA)
Data de lançamento: 13 de junho de 1942

SINOPSE: Wyatt Earp, com a ajuda de seus irmãos e Doc Hollyday, limpa Tombstone, na batalha épica de O.K. Corral.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: William C. McGann
ROTEIRO: Dean Riesner and Charles Reisner (story), Albert S. Le Vino (screenplay)
ELENCO: Richard Dix, Kent Taylor, Edgar Buchanan


A LEI DA FRONTEIRA (Frontier Marshal, 1939 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 28 de Julho de 1939

SINOPSE: Na agitada cidade mineira de Tombstone, Ben Carter (John Carradine), proprietário de bar, tenta se livrar do concorrente e contrata um pistoleiro para destruir o local. Uma vez que o xerife se recusa a lidar com o bandido, Wyatt Earp (Randolph Scott) um ex-olheiro do Exercito, é convidado para o cargo. Apesar de sua recusa inicial, Wyatt acaba aceitando o cargo de xerife e começa a limpar a cidade dos bandidos. Enquanto isso, mantém uma amizade/rivalidade com Doc Holliday (Cesar Romero), um jogador tuberculoso.

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SOBRE O FILME: Um dos filmes mais famosos e elogiados do Allan Dwan e uma trama seminal para os grandes realizadores norte-americanos, mas que, aqui, apesar da ótima condição e do magistral elenco, sobrepõe muitas subtramas interessantes num curto espaço de tempo. Tanto que o Doc Halliday aparece mais que o próprio Wyatt Earp, isolado, sem a companhia dos irmãos. Incomodei-me um pouco com a disputa demorada entre as duas mulheres pela atenção do médico, mas o roteiro prioriza a dramaticidade inequívoca das situações, atropeladas pela duração extremamente limitada. O duelo final soou rasteiro demais, previsível, sem empolgação. Mas o que interessa ao diretor é a composição de personagens, as entrelinhas emocionais nos diálogos. Neste sentido, um filme interessantíssimo, que justifica muito bem a sua fama. Apesar da sua excelente interpretação, achei o Randolph Scott bem menos contido do que o tipo que consagraria em sua colaboração profícua com o magistral Budd Boetticher…

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Allan Dwan
ROTEIRO: Sam Hellman (screen play), Stuart N. Lake (based on a book by)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 11min
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ELENCO PRINCIPAL:
Randolph Scott … Wyatt Earp
Nancy Kelly … Sarah Allen
Cesar Romero … Doc Halliday
Binnie Barnes … Jerry
John Carradine … Ben Carter
Edward Norris … Dan Blackmore
Eddie Foy Jr. … Eddie Foy
Ward Bond … Town Marshal
Lon Chaney Jr. … Pringle
Chris-Pin Martin … Pete


UMA NAÇÃO EM MARCHA (Wells Fargo, 1937 – USA)
(Filme Completo / Legendas em Português)
Data de Lançamento: 31 December 1937 (USA)

SINOPSE:
A história sobre o desenvolvimento das comunicações entre os Estados Unidos, durante sua rápida expansão no século XIX. A história narra a vida de Ramsey McCay (Joel McCrea), empregado da recém criada associação entre Henry Wells e William Fargo, e de como graças a sua dedicação, a Wells-Fargo chega a converter-se em uma grande empresa de correios e transporte de mercadorias para o Oeste, presente nos maiores acontecimentos de época.

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SOBRE O FILME:
Este é um faroeste muito interessante, mais ainda hoje em dia, porque mostra como se criou um serviço de correio rápido no Oeste na época em que a única maneira sensata de ir para a Califórnia era em veleiros que passavam pelo Panamá. Surpreendentemente, este filme não envelheceu e há algumas cenas como quando mostram São Francisco que parecem incrivelmente reais. O roteiro de Wells Fargo, é apresentada através da história de Ramsey MacKay (Joel McCrea), e Justine (Frances Dee). O relacionamento deles fica em apuros por causa das longas ausências de Ramsay e também da guerra civil, onde sua família se junta aos Confederados e Ramsay é chamado por Lincoln para garantir que o dinheiro chegue aos soldados. Robert Cummings e Johnny McBrown estão em papéis coadjuvantes.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Frank Lloyd
ROTEIRO: Roland Kibbee and James R. Webb (screenplay), Borden Chase (story)
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 37min
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ELENCO PRINCIPAL:
Joel McCrea … Ramsay MacKay
Bob Burns … Hank York – a Wanderer
Frances Dee … Justine Pryor
Lloyd Nolan … Dal Slade
Henry O’Neill … Henry Wells
Mary Nash … Mrs. Pryor
Ralph Morgan … Nicholas Pryor
Johnny Mack Brown … Talbot Carter
Porter Hall … James Oliver
Jack Clark … William Fargo
Clarence Kolb … John Butterfield
Robert Cummings … Dan Trimball – Prospector


O ÚLTIMO FAVOR (Frontier Marshal, 1934 – USA)
Data de lançamento: 19 de janeiro de 1934

SINOPSE: A primeira de várias versões “oficiais” da biografia de Wyatt Earp. O lendário homem da lei, aqui rebatizado de Michael Wyatt (George OBrien) por razões legais, chega em uma cidade de fronteira sem lei, e logo entra em conflito com o chefe da cidade (Alan Edwards).

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Lewis Seiler
ROTEIRO: Stuart Anthony and William M. Conselman (screenplay)
ELENCO: George O’Brien, Irene Bentley, George E. Stone


Fontes de Pesquisa: Revista Cinemin, Obvious, IMDb, Filmow, Cine Players, Plano Crítico, Revista Moviement, CinemaUol.

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