JUDY GARLAND | A Estrela que Nunca Perdeu o Brilho

Judy Garland foi a estrela mais completa do Cinema, nos anos dourados de Hollywood. Com seus grandes olhos escuros, nariz arrebitado, riso contagiante, voz trêmula, mas volumosa, e personalidade inconfundível, ela conquistou os fãs do mundo inteiro, dançando, fazendo graça, interpretando papéis dramáticos com profunda sensibilidade e, sobretudo, cantando músicas admiráveis e inesquecíveis.

Frances Ethel Gunn nasceu a 10 de junho de 1922, em Grand Rapids, Minnesota, filha dos artistas de vaudeville, Frank Avent Gunn e Ethel Marian Milne, conhecidos como Jack and Virginia Lee Sweet Southern Singers. Com três anos de idade – assim diz a lenda – passou a atuar ao lado dos pais e das irmãs mais velhas, e quando a família se mudou para a Califórnia, a mãe colocou as filhas na Meglin Kiddies, agência que organizava espetáculos com crianças. Nessa ocasião, participam de filmes curtos da Warner, integrantes da série Vitaphone, com o grupo Meglin. Em 1931, numa turnê em Chicago, George, Jessel, inspirando-se no nome de seu amigo, o crítico teatral Robert Garland, anunciou o trio como as irmãs Garland e, pouco depois, Frances mudaria seu nome para Judy (título de uma música bastante em voga, de Hoagy Carmichael). Desbruçando-se sobre o piano, num espetáculo na Feira Mundial de Chicago, a menorzinha das irmãs Garland empolgou os espectadores.

No mesmo ano, em Lake Tahoe, cantando “Dinah”, chamou a atenção do diretor de elenco da Columbia, Lew Brown, do compositor Harry Akst e do agente Al Rosen que segeriu a Mrs. Gunn experimentar a jovem em Hollywood. De volta a Los Angeles, após percorrerem alguns estúdios com Rosen, Roger Edens, arranjador musical na M.G.M., conseguiu uma audição para Ida Koverman, secretária de Louis B. Mayer. Entusiasmada, Ida chamou o patrão para ouvir Judy cantar “Zing! Went the Strings of my Hearth” e, transcorridas duas semanas, a menina já estava assistindo às aulas em Culver City (tendo como colegas Mickey Rooney, Deanna Durbin, Jackie Cooper, Freddie Bartholomew) e aprendendo os segredos da profissão com Edens. Ficou assim cerca de dois anos, até que um dia puseram-na num filme de dois rolos, Every Sunday Afternoon/1936, dirigido por Felix Feist, no qual cantava “Americana”, em dueto com Deanna Durbin (foto abaixo). A Universal levou Deanna, e ela se tornou estrela. Mayer então resolveu: – Faremos de Judy uma estrela ainda maior.

Entretanto, emprestou-a primeiro à 20th Century-Fox (companhia fundada com dinheiro seu e de Nicholas Schenk, irmão de Joe Schenk, diretor de produção do dito estúdio) para Pigskin Parade/1936 (Loucuras de Estudantes/foto abaixo), filmezinho corriqueiro sobre universidade e futebol americano, sob a direção de David Butler, com Stuart Erwin, Patsy Kelly, Johnny Dows, Arlene Judge, Tony Martin, Jack Haley, Dixie Dunbar e Betty Grable. Judy era a irmã mais nova de Erwin, e cantava “Balboa” e It’s Love I’m After, entre outras canções.

Para homenagear Clark Gable em seu 36º aniversário, Edens preparou um arranjo especial de “You Made Me Love You”, intitulando-o “Dear Mr. Gable”, e encarregou Judy de cantá-lo na festa. Ela o interpretou tão bem que o número foi incluído e Broadway Melody of 1938/1937 (Melodia da Broadway de 1938), revista musical com score de Arthur Freed e Nacio Herb Brown, dirigida por Roy Del Ruth, tendo no elenco Eleanor Powell, George Murphy, Robert Taylor. Judy fazia o papel de uma jovem artista “empurrada” para o show business por uma stage-mother vivida por Sophie Tucker e, além de “Dear Mr. Gable”, cantava “Everybody Sing” e outros números, aparecendo também na seqüência de encerramento, ao lado de Buddy Ebsen.

Editorial use only. No book cover usage. Mandatory Credit: Photo by Mgm/Kobal/Shutterstock (5879202j) Judy Garland Broadway Melody Of 1938 – 1937 Director: Roy Del Ruth MGM USA Film Portrait Le règne de la joie

A seguir, reuniu-se pela primeira vez com Mickey Rooney em Thoroughbreds don’t Cry/1937 (Menino de Ouro), cumprindo ordens de Alfred E. Green. O enredo girava em torno de corridas de cavalos e, com Rooney e Judy, estava um garoto neo-zelandês, Ronald Sinclair. Judy cantava “Got a Pair of New Shoes” e, como Cricket, a jovem protagonista ajudava os dois garotos a conquistarem a vitória no turfe.

O próximo compromisso, Everybody Sing/1937 (Diabinho de Saias / foto abaixo), de Edwin L. Marin, focalizava uma família de artistas meio amalucada (Reginald Owen, Billie Burke, Lynne Carver), cujos criados (Allan Jones, Fanny Brice) colocavam a filha menor (Judy) num show da Broadway. Seus números, “Swing Mr. Mendelsohn Sing” e “Why? Because!” (com Fanny Brice), foram os mais elogiados.

Sucederam-se na trajetória de Judy, Listen Darling/1938 (Um Marido Para Mamãe / foto abaixo), de Edwin L. Marin, e Love Finds Andy Hardy/1938 (O Amor Encontra Andy Hardy), de George B. Seitz. O primeiro contava a história de uma adolescente (Judy) que seqüestrava a própria mãe viúva (Mary Astor) num trailer e a levava para um passeio no campo em busca de um bom partido (Walter Pidgeon). Freddie Bartholomew era seu “cúmplice”, e entre as canções: “Zing!” “Went the Strings of my Heart” e “On the Bumpy Road to Love”. Já o segundo incluía na famosa série Andy Hardy sobre um típico rapaz americano dos anos 30/40, filho de um juiz conservador e cortês (Lewis Stone), às voltas com problemas comuns numa família de pequena comunidade do interior. Nele, Judy (Betsy Booth), Lana Turner (Cynthia Porter) e Ann Rutherford (Polly Benedict) disputavam a afeição de Mickey Rooney (Andy Hardy). Judy saía ganhando e, nos intervalos da concorrência com as rivais, encontrava pretexto para cantar “Meet the Beat of my Heart” e mais algumas músicas. O filme triplicou o lucro de seus antecessores na série, e daí em diante a M.G.M., aproveitou melhor o tesouro que tinha em mãos. Até 1946, fez 14 filmes que renderam mais de 73 milhões de dólares e tornaram Mickey Rooney a atração máxima de bilheteria no país.

No final de 1937, Mayer promoveu o compositor Arthur Freed a produtor, e este escolheu The Wizzard of Oz (O Mágico de Oz), uma das histórias infantis de L. Frank Baum, para servir de base do seu primeiro filme na nova função. Anteriormente, em 1910 e 1925, duas versões cinematográficas haviam abordado a fantasia de Baum. Na de 1925, produzida pela Chadwick e distribuída pela Paramount, o cômico Larry Semon era, ao mesmo tempo, diretor do filme e o espantalho; Dorothy Dawn, a heroína; Charlie Murray, o Mágico de Oz e, no papel do homem-de-lata… Oliver Hardy (o Gordo, de O Gordo e o Magro). A Loew’s Inc. (matriz da M.G.M.) adquiriu os direitos de Samuel Goldwyn por 20.000 dólares e, preocupado, Mayer trouxe Mervyn Le Roy, da Warner, para auxiliar Freed, nomeando-o também produtor. Depois de cogitadas Shirley Temple e Deanna Durbin, Dorothy Gale, a camponesinha de Kansas que chegava em uma terra além do arco-íris, cheia de personagens pitorescos, foi entregue a Judy Garland. E com ela, no elenco do musical sépia-technicolorido, estavam: Ray Bolger, Jack Haley (substituindo Buddy Ebsen), Berth Lahr, Frank Morgan (Wallace Beery queria e W. C. Fields rejeitou o papel), Margaret Hamilton (entrando no lugar de Gale Sondergaad) e Billie Burke, respectivamente como Hunk, o espantalho; Hickory, o homem-de-lata; Zeke, o leão covarde; Professor Marvel/Mágico de Oz; Miss Gulch/Fada Má e Fada Boa. Sem falar nos 350 anões contratados para serem os Munchkins e que deram um trabalho danado aos produtores. Quando se viu livre deles, Mervyn Le Roy exclamou: – Walt Disney deve ter dado graças a Deus por seus sete anões não terem sido de carne e osso.

Por curiosidade, em 1981, o filme Under the Rainbow, de Steve Rash, com Chevy Chase e Carrie Fisher, recordou as estrepolias dos minúsculos atores em Culver City. Richard Thorpe, inicialmente escolhido para diretor, não aprovou e em determinado momento, Mervyn Le Roy pensou em assumir a direção. Depois, George Cukor permaneceu dois dias nos sets, e Victor Fleming, sucedeu-lhe atrás das câmaras, recebendo os créditos. Quase no final da filmagem, tendo sido Fleming convocado para …E O Vento Levou, King Vidor dirigiu a seqüência em que Judy canta “Over the Rainbow”. A canção quase foi cortada na montagem, mas acabou ganhando o Oscar de 1939 (Harold Arlen/E. Y. Harburg), sendo também premiada a partitura original de Herbert Stothart, com arranjo de Roger Edens. Judy recebeu um Oscar especial (em miniatura) das mãos de Mickey Rooney. Juntamente com “Over the Rainbow”, sua marca registrada para o resto da vida, Judy interpretou “Ding Dong the Witch is Dead” (com os anõezinhos), “We’re off to See the Wizzard” (com Bolger, Haley e Lahr) e “The Jitterburg”, mas esta última não escapou da tesoura. Houve uas refilmagens de O Mágico de Oz: 20th Century Oz/1977 e The Wiz/1978 (O Mágico Inesquecível), variações gay e black do mesmo tema.

Babes in Arms/1939 (Sangue de Artista / foto abaixo) reuniu novamente Judy e Mickey, desta vez sob o comando do enventivo Busby Berkeley. Vagamente baseado na peça de Rodgers e Hart, o enredo dizia respeito a filhos de artistas do vaudeville desempregados que montavam um espetáculo para ajudar os pais. A ideia veio de Arthur Freed que, a partir deste seu segundo encargo (agora sozinho como produtor), se tornaria o maior animador do gênero musical na M.G.M. nos anos 40/50. Fred aproveitou duas músicas de Rodgers/Hart) inclusive a do título) e, com seu parceiro Nacio Herb Brown, escreveu “Good Morning”, especialmente para o filme, acrescentando “I Cried For You”, que fizera com Gus Arnheim. Arlen e Harburg, a dupla premiada de O Mágico de Oz, compôs o número final, “God’s Country”. Rooney estava excelente (ele imitava Clark Gable e John Barrymore; e Judy, Eleanor Roosevelt) e recebeu uma indicação para o Oscar de melhor ator, perdendo para Robert Donat em Goodbye Mr. Chips/1939 (Adeus, Mr. Chips). Em certo trecho do filme, para contar a infância do seu personagem, foram intercaladas cenas da antiga série Mickey McGuire, que Mickey estrelou nos anos 20, antes de usar o sobrenome Rooney.

Os dois jovens artistas da M.G.M. continuaram unidos em Andy Hardy Meets Debutante/1940 (Andy Hardy e a Granfina / poster abaixo), de George B. Seitz, nono exemplar da série Andy Hardy, com Judy de novo como Betsy Booth cantando “Alone” e “I’m Nobody’s Baby”, e em Strike up the Band/1940 (O Rei da Alegria), musical dirigido por Busby Berkeley. Neste, Micjey queria ser um band-leader igual ao seu ídolo, Paul Whiteman, e Judy, sua coleguinha, cantava “Our Love Affair”, “I Aint’t Got Nobody” e “Do the Conga” (com Rooney e figurantes), seguida pela câmara voadora de Berkeley. No final patriótico, Judy, Rooney e Whiteman, em “Strike up the Band” (de George e Ira Gershwin). A bolação da orquestra de bonecos e frutas foi de Vincente Minnelli, na ocasião fazendo estágio na equipe de Freed.

Little Nellie Kelly/1940 (Um Amor de Pequena / foto abaixo) entrou em produção enquanto O Rei da Alegria ainda estava sendo rodado. Inspirado na comédia romântico-musical de George M. Cohan, o filme marcou o primeiro papel adulto de Judy. No entrecho, ela era uma jovem irlandesa, Nellie, que emigrava com o marido (George Murphy) para a América. Depois de alguns meses na nova terra, onde ele vinha a ser guarda em Nova York, Nellie morria de parto, deixando o viúvo com uma filha (também vivida por Judy). Norman Taurog dirigiu, e Judy cantou entre outras, “A Pretty Girl Milking Her Cow”, “It’s a Great Day for the Irish” e a famosa “Singing in the Rain”, de autoria de Freed/Brown. Terminado o filme, Judy passou a receber 2.000 dólares semanais.

Apesar de seu nome só aparecer nos créditos de Ziegfeld Girl/1941 (O Mundo é um Teatro), de Robert Z. Leonard, abaixo dos de James Stewart e das glamourosas Lana Turner e Hedy Lamarr, Judy conseguiu se impor nesta história sobre os problemas de três novatas nos bastidores da célebre companhia de revistas. Em números como “I Thought I’d Split My Sides”, “I’m Always Chasing Rainbows”, o calipso “Minnie from Trinidad” e a extravaganza providenciada pelo coreógrafo Busby Berkeley, “Stepped out of a Dream”, ela mostrou tudo o que sabia. Nessa ocasião, Judy se separou definitivamente de sua mãe superprotetora e foi morar com uma amiga: depois, descobriria que a amiga era uma “espiã” a soldo da M.G.M., tal como Mrs. Gunn.

Aos 19 anos, estava abatida e nervosa pelo excesso de pílulas que lhe vinham sendo administradas no estúdio, e quando encontrou o compositor inglês David Rose, sentia-se solitária e confusa. Rose levantou-lhe o moral e os dois se casaram contra a vontade da mãe e da M.G.M.

Pouco depois de seu casamento, Judy retornou frete às câmaras em Life Begins for Andy Hardy/1941 (Andy Hardy Cava a Vida / foto abaixo), de George B. Seitz, sua última participação na série, tendo sido incompreensivelmente cortadas as quatro canções (“Abide with Me”, The Rosary”, “Easy to Love” e “America”) que ela gravara para o filme. Como Babes on Broadway/1941 (Calouros da Broadway), foi baseado numa história original (sobre estudantes que encenavam um show beneficente e depois chegavam à Broadway), Freed encomendou também um score especialmente composto para o filme, e anunciou que sua nova contratada, Shirley Temple, faria parte do elenco. No lugar de Shirley acabou ficando Virginia Weidler, e a direção coube a Busby Berkeley, com assistência de George Sidney. Vincente Minnelli, ainda “aprendendo” na M.G.M., criou o número “The Ghost Theatre”, com Judy e Mickey Rooney fazendo respectivamente imitações de Sarah Bernhardt e George M. Cohan entre as mais conhecidas. Em outra cena, Mickey, em travesti, personificava Carmen Miranda, cantando “Mamãe, eu Quero”. As melhores músicas de Judy foram “How About You”, “F.D.R. Jones”, esta última compondo o número final, um show de menestréis feito com muita imaginação. No cast, o futuro diretor Richard Quine, Fay Bainter, James Gleason, Donald Meek e, em pontas, Donna Reed, Ava Gardner e… Roger Moore.

Em 1942, sob a direção de Busby Berkeley e produção de Arthur Freed, Judy fez um de seus filmes mais populares, For Me and My Gal (Idílio em Dó-Re-Mi / foto abaixo), contribuindo também para o esforço de guerra, pois o script, prestando homenagem nostálgica ao vaudeville de antes da Primeira Guerra Mundial, enviava aqui e ali mensagens patrióticas. Jo Hayden (Judy Garland) formava dupla com seu namorado Jimmy Metcalf (George Murphy) até que conhecia Harry Palmer (Gene Kelly), rapaz egocêntrico e oportunista, cujo sonho era atuar no Palace Theatre, em Nova York. Jo deixava Jimmy e se unia a Harry, mas, quando estavam a caminho da fama, Harry era convocado para o exército. Na pré-estréia, o público preferiu ver Judy com George Murphy no desenlace. Mayer mandou reunir o elenco para 21 dias de retakes, tendo sido adicionadas duas cenas para melhorar a imagem do personagem de Gene Kelly, tornando-o um herói. Por causa de seu enorme sucesso na Broadway em Pal Joey, Kelly havia sido contratado por David O’Selznick, mas não fora utilizado em nenhuma fita até a M.G.M. obter a cessão de seu contrato. Ao lado de Judy em “For Me and My Gal” e “When You Were a Tulip”, ele mostrou o quanto valia, e Judy, sozinha, brilhou num pout-pourri de músicas da Primeira Guerra e no memorável “After You’re Gone”. No elenco, a cantora húngara Marta eggerth, das saudosas operetas alemãs, estreando em Hollywood, e Richard Quine.

Presenting Lily Mars/1943 (Lily, a Teimosa / poster abaixo) fora inicialmente planejado pelo produtor Joe Pasternak como veículo dramático para Lana Turner, mas tornou-se um musical com Judy Garland. Baseado na novela de Booth Tarkington, contava a história de uma moça de cidade pequena tentando entrar para o show business. É claro que ela conseguia, e ainda ganhava o amor de um produtor, Van Heflin. Quando Mayer viu o copião do filme, ordenou a Pasternak que acrescentasse um final mais luxuoso e, neste segmento adicional, o partner de Judy era Charles Walters, sob cujas ordens ela atuaria mais tarde em Easter Parade/1948 (Desfile de Páscoa) e Summer Stock/1950 (Casa, Comida e Carinho). O número “Every Little Moment” (cantado em dueto com Connie Gilchrist) permaneceu como o mais lembrado pelos fãs. Entre os coadjuvantes, de novo, Marta Eggerth.

O estúdio achou então que o público queria ver mais um filme com a dobradinha Judy Garland-Mickey Rooney e acionou novamente Arthur Freed e Busby Berkeley para fazerem Girl Crazy/1943 (Louco por Saias). Mas, desta vez, Busby preferiu deixar a direção para Norman Taurog e se encarregou somente do número final, enquanto Charles Walters assumia como diretor de danças. Originalmente, Girl Crazy era uma peça musical dos Gershwin (filmada por William A. Seiter, em 1932, com Wheeler e Wolsey), na qual Ethel Merman, num papel secundário, criara uma magnífica interpretação de “I Got Rhythm” Este número ficou sendo o do encerramento na versão de 1943, dirigido por Berkeley naquele seu estilo incomparável, enchendo a tela de cowboys e cowgirls – e como Judy Garland estava encantadora de vaqueira… Em outros trechos do filme, ela cantava com a delicadeza e sensibilidade de sempre: “But not for Me”, “Bidin’ my Time” e “Embraceable You”. Na trama, Danny Churchill (Mickey Rooney), um playboy de Nova York, era obrigado pelo pai a estudar num quase falido colégio do Arizona. Para ajudar a escola, ele resolvia montar um rodeio musical, e Ginger Gray (Judy Garland) se inscrevia no concurso de rainha do espetáculo. No elenco, June Allyson, Tommy Dorsey e sua Orquestra, além de Roger Moore, Don Taylor e Peter Lawford em minor bits, como se costuma dizer em Hollywood. Em 1965, houve uma refilmagem, When the Boys Meet the Girls (Quando Eles e Elas se Encontram), com Connie Francis, Harve Presnell, Liberace, Herman’s Hermits, Louis Armstrong e o careca irritadiço Fred Clark.

Ainda em 1943 Judy se separou de David Rose e participou do musical all-star Thousands Cheer (A Filha do Comandante), no qual cantava “The Joint is Really Jumpin’ Down at Carnegie Hall”, acompanhada ao piano por José Iturbi.

Enquanto Judy ia seguindo o seu rumo cinematográfico, a M.G.M. pensava em vários projetos para a sua estrela, todos depois arquivados: Very Warm in May, Babes in Hollywood, The American Symphony, Good Mews (filmado com Judy Allyson e Peter Lawford) e The Captured shadow (escrito por F. Scott Fitzgerald para ela, Mickey Rooney e Freddie Bartholomew). Pensaram também os executivos da Marca do Leão numa refilmagem de Show Boat e na de Roberta, com Gene Kelly. E pouca gente sabe que Judy foi uma das primeiras atrizes a serem testadas por David O’Selznick para ser a irmã mais jovem de Scarlett O’Hara, em …E o Vento Levou.

Uma nova fase na carreira de Judy teve início com o clássico Meet Me in St. Louis/1944 (Agora Seremos Felizes / foto abaixo), uma das obra-primas de Arthur Freed e Vincente Minnelli. Extraído de uma série de reminiscências autobiográficas de Sally Benson, publicadas na revista New Yorker e depois em livro, o filme era uma crônica nostálgica de uma família da classe média, os Smith, na St. Louis do começo do século.

Sua vida tranquila e amena se abalava quando o pai resolvia transferir-se para Nova York por motivos de negócios. Percebendo a angústia que a possibilidade de deixar a casa e a cidade onde moravam causara em todos, o bom homem mudava de ideia. Judy não queria fazer o filme, porque preferia um papel de mulher mais adulta e Joseph L. Mankiewicz sopraram-lhe no ouvido que sua personagem não seria a principal, mas sim a de Margareth O’Brien (Tootie), a menorzinha das quatro filhas (as outras eram Lucille Bremer e Joan Carroll) do casal Smith (Leon Ames, Mary Astor). Freed tirou isto de sua cabeça e George Folsey, grandemente ajudado por Dotty Ponedel (maquiador de Marlene Dietrich nos tempos da Paramount), focalizou-a em lindos close-ups technicoloridos, mostrando a ela quem era a estrela. Judy entoou belas canções como “The Boy Next Door”, “The Trolley Song” (número fotografado por Harold Rosson) e “Have Yourself a Merry Little Christmas”, todas de Hugh Martin e Ralph Blane e, ainda de quebra, “Under the Bamboo Tree” (com Margareth O’Brien) e “Over the Banister”. Para os que se interessam por detalhes, o próprio produtor, Arthur Freed, dublou Leon Ames no número “You and I”, escrito por ele e Nacio Herb Brown, e Tom Drake substituiu Van Johnson no papel de John Truett, o namorado de Esther (Judy) na trama. A famosa sequência do Halloween, a predileta do diretor, correu o risco de ser extirpada, mas acabou ficando, tendo sido eliminado outro número, “Boys and Girls Like You and Me”. A direção de arte (Cedric Gibbons, Jack Martin Smith, Lemuel Ayers), os vestuários (Irene Sharaff) e a coreografia (Charles Walters), num trabalho coordenado brilhantemente pelo estilista Vincente Minnelli, fizeram o crítico James Agee exultar: – Agora Seremos Felizes é um musical que até os surdos devem gostar de ver.

Desentendendo-se constantemente com Fred Zinnemann, Judy pediu a Minnelli que o substituísse na direção de The Clock/1945 (O Ponteiro da Saudade / foto abaixo), sensível história de amor, baseada no original de Paul e Pauline Gallico, passada durante a Segunda Guerra Mundial. Alice Mayberry (Judy Garland), secretária, e Joe Allen (Robert Walker), pracinha com 48 horas de licença, se encontram na Estação Ferroviária Pensilvânia, casam-se, passam uma noite e uma manhã juntos, e ele parte de novo para a frente de batalha. A atmosfera de Manhattan, tão convincente, parecia produto de filmagem em locação, mas tudo foi feito com fundos projetados e cenários construídos no estúdio. Já apaixonados, Judy e Minnelli se entenderam muito bem, e ele conseguiu extrair uma das melhores interpretações da atriz e de Walker (este na época com sérios problemas íntimos) bem como um esplêndido resultado cinematográfico. Dando uma de Hitchcock, um dos roteiristas, Robert Nathan, o produtor Arthur Freed e o arranjador musical Roger Edens, apareciam na primeira sequência, na estação.

Sucedeu na filmografia da estrela, The Harvey Girls/1946 (As Garçonetes de Harvey / foto abaixo), de George Sidney, a princípio outro projeto dramático para Lana Turner. Judy queria fazer Yolanda and the Thief (Yolanda e o Ladrão), mas foi persuadida de que havia um papel mais adequado para ela na fita inspirada no livro sobre Fred Harvey, personagem real, fundador de uma cadeia de restaurantes, em 1876, que, para moralizar seus estabelecimentos, contratou jovens de boa reputação e educadas como garçonetes.

Judy personificava Susan Bradley, garota do Missouri que ia para Sandrock, no Oeste, noiva por correspondência. Lá descobria que o noivo (Chil Wills) era o bêbado da cidade, e, embora tivesse assinado a carta, quem a havia escrito fora Ned Trent (John Hodiak), dono do saloon Alhambra, como brincadeira. Susan empregava-se como garçonete de Harvey e, após certo antagonismo, Trent e ela se apaixonam um pelo outro. Coreografada com muita competência por Robert Alton, a canção “On the Atchison, Topeka e Santa Fe”, da dupla Johnny Mercer/Harry Warren, ganhou o Oscar de 1946, e a música cantada por Judy, “In the Valley when the Evening Sun Goes Down”, também deixou boa lembrança. No elenco, a presença da sempre eficiente Angela Lansbury, da “cara-de-pau” Virginia O’Brien e da lindíssima Cyd Charisse, começando a se destacar no filme musical.

Casada com Minnelli, Judy filmou, sob a direção do marido, um número para a revista Ziegfeld Follies/1946 (Ziegfeld Follies / foto abaixo), intitulado “A Great Lady Has an Interview”, paródia sofisticada das estrelas que Kay Thompson e Roger Edens haviam preparado para Greer Garson. Foi Charles Walters quem criou a coreografia, mas, para seu desapontamento, Freed mandou Minnelli dirigi-lo. Este figurou sozinho nos créditos, mas outros colegas funcionaram, cada qual orientando determinado esquete ou número musical (George Sidney, Norman Taurog, Roy Del Ruth, Robert Lewis, Lemuel Ayres, além de Walters), sendo que muitos foram cortados na montagem, entre eles alguns de Judy Garland: “Fireside Chat” (com Ann Shotern e Lucille Ball), “Reading the Play” (com Frank Morgan) e “As Long as I Have my Art” (com Mickey Rooney).

Minnelli também conduziu Garland no seu filme subsequente, Till the Clouds Boll By/1946 (Quando as Nuvens Passam), outro musical carregado de astros e estrelas, desta vez abordando a carreira do compositor Jerome Kern (falecido durante as filmagens), vivido por Robert Walker. No relato, Judy era Marilyn Miller, a atriz que nos anos 20/30 se identificara com dois shows de Kern: Sally, no qual ela cantara “Look for the Silver Lining”, e Sunny, quando interpreta “Sunny” e “Who?”. Foram estas músicas de Judy em Quando as Nuvens Passam, e embora houvesse um diretor creditado, Richard Whorf, Minnelli tomou conta de sua mulher nestes dois números, enquanto George Sidney dava uma mãozinha na apoteose, tendo certo trabalho para esconder a gravidez da atriz (de Liza Minnelli). O produtor Freed telefonou para o homenageado, Jerome Kern, perguntando-lhe que tal achara Robert Walker encarnando-o na tela. – Não sei – respondeu o famoso compositor. – Vou chamar Eva (a esposa dele) e vamos ver o que ela diz. – Bem, qual foi a opinião dela? – Ela disse: “Mande Walker para mim”.

Em 1942, o cenógrafo Lemuel Ayers sugeriu a Freed a filmagem de The Pirate (O Pirata), com score de Cole Porter. Ayers havia desenhado os cenários e os vestuários para a peça de S. N. Behrman, levada à cena, naquele ano, om Alfred Lunt e Lynn Fontanne. A ideia básica viera de uma comédia de Ludwig Fulda, “Der Seerauber”. Quando o espetáculo estava na décima quinta semana em cartaz, a M.G.M. adquirira os direitos de adaptação cinematográfica e Joe Pasternak fora contratado para produzir uma fita não musicada, com Henry Koster como diretor e Joseph L. Mankiewicz como roteirista. Em 1947, Freed decidiu mudar todos os planos e fazer um musical om Judy Garland, dirigido por Vincente Minnelli. No argumento, finalmente escrito por Albert Hackett e Frances Goodrich, Manuela (Judy Garland), filha de família aristocrática do Caribe, é prometida em casamento a Don Pedro Vargas (Walter Slezak), o prefeito da cidade. Sob pretexto de aguardar o navio que vem trazendo seu enxoval, Manuela pede à tia (Gladys Cooper) para levá-la ao porto. Lá, ela sonha com o mar e com o temível pirata Macoco. Serafin (Gene Kelly), um ator itinerante, apaixona-se por Manuela; ela, porém, está vidrada na imagem de Macoco. Serafin, então, faz-se passar por pirata e se envolve em muitas encrencas, até desmascarar Don Pedro Vargas, que não pe outro senão o verdadeiro Macoco. Numa América Central erguida no estúdio, com uma direção de arte (Cedric Gibbons, Jack Martin Smith, Edwin B. Willis, Arthur Krams) misturando vários estilos com predominância do exótico e do barroco, e atores e figurantes vestindo trajes vistosos, desenhados por Tom Keogh e executados por Madame Barbara Karinski (costureira do Ballet Russo no tempo de Diaghilev), Judy interpretava bleas músicas de Cole Porter: “Be a Clown” (com Gene Kelly e os admiráveis Nicholas Brothers), “Mack the Black” (com Kelly), “Love of my Life” e “You Can do no Wrong”. O melhor número entretanto foi “The Pirate Ballet”, com Kelly numa paródia de Douglas Fairbanks, em sensacional coreografia acrobática, fotografada com destaque do preto e do vermelhão por Harry Stradling. Um dos pontos altos da fita era exatamente o Technicolor bem forte, deliberadamente irreal, um dos melhores trabalhos de mestre Stradling.

Durante a filmagem de “Voodoo”, Judy tinha que dançar em volta de uma fogueira. Quando ia começar o número, viu o fogo, ficou histérica e gritou: – Vou morrer queimada! Querem que eu morra queimada! Em seguida, correu para um grupo de extras, pedindo bezendrina a cada um deles. Rindo, chorando, completamente fora de controle, foi conduzida para longe do set. Esta primeira manisfestação pública da precária condição de saúde da atriz abalou toda a equipe, e o número não pôde ser concluído. O filme não teve boa acolhida nas bilheterias, e o produtor Freed justificou o fracasso dizendo que era uma obra avançada para o seu tempo.

Easter Parade/1948 (Desfile de Páscoa / foto abaixo) começou a ser preparado com Judy Garland e Gene Kelly e direção de Vincente Minnelli. Este, porém, deixou a produção após cinco dias de trabalho, sendo sucedido por Charles Walters. Gene Kelly quebrou o tornozelo num dos ensaios e Freed pediu socorro a Fred Astaire. A terceira atração no elenco, Cyd Charisse, também se acidentou, e Ann Miller ocupou seu lugar. Judy era Hanna Brown, corista de night club, treinada por Don Hewers (Fred Astaire) para assumir o posto de sua parceira, Nadine (Ann Miller), que o abandonara. A princípio, Judy estava preocupada em atuar ao lado de Astaire por causa de sua fama de exigente. Um dia tomou coragem e lhe perguntou: – Fred, cadê aquele chicote que você costuma usar? – Nunca o usei a não ser em mim mesmo. Os dois se relacionaram muito bem e entre os números mais consagrados estavam “Couple os Swells”, com Judy e Astaire fantasiados de mendigos; “Easter Parade”, no qual o técnico em efeitos especiais, Warren Newcombe, por meio de um processo especial, conjugou cenários construídos com pinturas, utilizando a câmara em movimento, um feito inédito, e “Shaking the Blues Away”, com a exímia sapateadora Ann Miller.

A intenção de Freed era reunir de novo a dupla Judy Garland/Fred Astaire em The Barkleys of Broadway/1949 (Ciúme, Sinal de Amor), mas este foi o primeiro dos filmes que Judy não pôde começar ou teve de deixar por motivos de saúde. Ensaiou duas semanas e depois foi substituída por Ginger Rogers, separada de Astaire na tela há nove anos. Charles Walters dirigiu a fita.

Depois da cinebiografia de Jerome Kern, a M.G.M. quis rodar a história de Richard Rogers e Lorenz Hart, sob o título de Words and Music/1948 (Minha Vida é uma Canção / foto abaixo), com Tom Drake como Rogers e Mickey Rooney como Hart. No meio dos vários astros e estrelas convidados, Judy interpretou dois números, “I Wish I Were in Love Again” (com Rooney) e o solo “Johnny One Note”, ambos escritos para Sangue de Artista, mas cortados depois, na montagem daquela fita.

Após curto período de descanso, Judy voltou frente às câmaras ao lado de Van Johnson e sob direção de Robert Z. Leonard, em In the Good Old Summertime/1949 (A Noiva Desconhecida), refilmagem de The Stop Around the Corner (A Loja da Esquina), comédia de Ernst Lubitsch, com James Stewart e Margaret Sullavan, produzida em 1940. Entre as músicas mais destacadas de Judy incluíam-se “Meet Me Tonight in Dreamland”, “Have a Very Merry Christmas Night”, “I Don’t Care” e “Put Your Arms Around me, Honey”. Na cena final, Liza Minnelli, com dois aninhos e meio de idade, aparecia numa ponta. Outra curiosidade era a participação de Buster Keaton numa deliciosa pantomina (foto abaixo), caindo em cima do Stradivarius do gorducho S. Z. Sakall.

A M.G.M., então, comprou os direitos cinematográficos de Annie Get Your Gun/1950 (Bonita e Valente), visando especialmente colocar Judy como estrela. Ela gravou todo o score e chegou a filmar algumas cenas sob direção de Busby Berkeley, mas começou a chegar atrasada e a faltar ao trabalho, e pegou uma suspensão, internando-se em seguida num hospital. Louis B. Mayer pagou a conta e pediu a Betty Grable para viver a personagem de Annie. O diretor da fita, depois da saída de Berkeley e de seu substituto, Charles Walters, ficou sendo George Sidney.

Embora necessitasse de um repouso mais prolongado, Judy apresentou-se a Joe Pasternak para contracenar com Gene Kelly em Summer Stock/1950 (Casa, Comida e Carinho), de Charles Walters, no qual manteve seu prestígio cantando “If You feel Like Singing, Sing”, “Happy Harvest” e “Girl Happy”.

Exausta, mal cumpriu sua obrigação e tirou férias, mas logo o estúdio já a estava chamando para substituir June Allyson em Royal Wedding/1951 (Núpcias Reais), com Fred Astaire. Depois de gravar todas as suas músicas e de alguns dias de filmagens, comunicou ao diretor, Stanley Donen, que não poderia continuar no mesmo ritmo de trabalho, e colocaram Jane Powell no seu lugar. Despedida da M.G.M. em junho de 1950, após uma discussão com Minnelli e seu agente, Judy correu para o banheiro e cortou os pulsos com um pedaço de copo quebrado. Pouco após, pediu o divórcio do pai de Liza.

Em 1952, Judy casou-se com Sid Luft (ex-piloto de provas e ex-marido da atriz Lynn Bari / foto abaixo), que se tornara seu agente. Foi ele quem a aconselhou a fazer uma série de concertos na Europa, onde teve calorosa receptividade por parte do público. Na volta, deu uma performance no Teatro Palace de Nova York, recebendo estrondosa ovação e funcionou muito no rádio.

Outra boa iniciativa de Luft foi formar a Transcona Enterprises com sua esposa, e procurar a Warner, para ver se o estúdio topava refilmar A Star is Born (Nasce uma Estrela / foto abaixo). David O’Selzinick produzira a primeira versão em 1937 como independente, tendo a fita obtido sete indicações para o Oscar e muitos elogios para seu diretor William A. Wellmann, e seus astros, Janet Gaynor e Fredric March. A história havia sido inspirada na de um outro filme, What Price Hollywood?/1932 (Hollywood), com Constance Bennett e Lowell Sherman, produzido também por Selznick e dirigido por George Cukor, que veio a ser justamente o diretor da versão em Cinemascope com Judy Garland. Por coincidência, Judy fizera uma adaptação radiofônica para o Lux Radio Theatre (programa apresentado por Cecil B. De Mille), que se propunha a transportar para o rádio filmes famosos) ao lado de Walter Pidgeon. Moss Hart reescreveu o script, conservando a intriga básica sobre a desconhecida Esther Blodgett (Judy Garland) que se torna a estrela de cinema Vicky Lester e perde o marido alcoólatra e autodestrutivo, o astro da tela em declínio Norman Maine (James Mason, substituindo Cary Grant). Por seu excepcional desempenho, Judy concorreu ao Oscar de Melhor Atriz, perdendo para Grace Kelly em The Country Girl/1954 (Amar é Sofrer). No dia seguinte, Groucho Marx lhe passou um telegrama nestes termos: “Judy, foi o maior assalto desde o da Brinks.” Judy estava para dar à luz, e o seu prêmio foi um filho, Joe, também de Luft. No filme, ela interpretava um dos melhores números de toda a carreira, “The Man That Got Away” e, além dele, “It’s a New World”, “Gotta Have Me Go With You”, “Someone at Last”, todos compostos por Ira Gershwin e Harold Arlen, e impecáveis. Sem o conhecimento de Cukor, a Warner mandou incluir um número de 18 minutos, “Born in a Trunk”, e, em conseqüência, o filme ficou muito longo, obrigado depois a cortar 27 minutos de sua duração, dentro dos quais estavam dois números, “Lose That Long Face” e “Here What I’m Up For”. Até pouco tempo julgou-se que os negativos originais estivessem perdidos, mas a 7 de julho de 1983 a Academia, em associação com a Warner, apresentou a versão restaurada do clássico de 1954. Detalhe curioso: Humphrey Bogart (compadre de Judy, pois era padrinho de Lorna, a filha que ela teve com Luft) estava presente na gravação da trilha sonora e se prontificou a dublar a voz de um bêbado numa breve cena passada num café; Bogie pode ser ouvido no filme pedindo a Esther para cantar “Melancholy Baby”. Em 1976, houve uma refilmagem, com mudança de ação para o ambiente do rock, com Barbra Streisand e Kris Kristofferson, dirigido por Frank Pierson, e mais recentemente, a cantora americana Lady Gaga, brilhou no mesmo papel de Judy, mas com semelhanças com o filme da década de 70.

Apesar do contrato da Trancona com a Warner mencionar a realização de três fitas de Judy, a atriz ficou afastada do cinema até 1961. Durante esta fase atuou em boates, televisão, teatro, gravações, e se separou definitivamente de Sid Luft. Enquanto isso, inúmeros papéis lhe foram oferecidos: um dos principais, ao lado de Frank Sinatra em Carousel/1956 (Carroussel); o de Helen Morgan em The Helen Morgan Story/1957 (Com Lágrimas na Voz), junto de Paul Newman (Ann Blyth reviveria a cantora, dublada por Gogi Grant); o de Eve em The Three Faces of Eve/1957 (As Três Máscaras de Eva), que deu o Oscar a Joanne Woodward; o que Mitzi Gaynor faria em South Pacific/1958 (Ao Sul do Pacífico).

Finalmente, Stanley Kramer convocou-a para Judgement at Nuremberg/1961 (Julgamento em Nuremberg) – e Judy Garland mergulhou profundamente na alma da personagem Irene Hoffman (foto abaixo), e ninguém se esqueceu daqueles quinze minutos em que permaneceu na tela. Por sua emocionante interpretação, foi indicada ao oscar como coadjuvante, mas Rita Moreno arrebatou a estatueta com seu trabalho em West Side Story/1961 (Amor, Sublime Amor).

Rumores de novos filmes surgiram – The Graduate/1967 (A Primeira Noite de um Homem), Valley of the Dolls/1967 (O Vale das Bonecas), e as cinebiografias de Gertrude Lawrence, Fanny Brice e Edith Piaf -, mas suas próximas aparições no cinema deram-se em A Child is Waiting/1963 (Minha Esperança é Você), com Burt Lancaster (foto abaixo), e I Could Go on Singing/1963 (Na Glória, a Amargura), com Dirk Bogarde, nos quais, respectivamente dirigida por John Cassavetes e Ronald Neame, ainda demonstrou vitalidade dramática e física. Na última fita cantou a música do título, “Hello Bluebird”, “It Never Was You”, “By Myself” e, junto com um grupo de garotos, “I Am the Monarch of the Sea”.

Concertos, tevê e dois casamentos (com Mark Herron e Mickey Deans), angústia e crises nervosas sucederam-se na vida de Judy até seu falecimento a 22 de junho de 1969, aos 47 anos de idade.

Uma das últimas imagens de Judy Garland, semanas antes de morrer.

Na gravação de um dos programas transmitidos pela emissora CBS, seu guest star, Mickey Rooney, pegou-lhe a mão e disse:

“Este é o maior amor de minha vida, não existe nenhum adjetivo que possa expressar o meu amor por Judy. Esta é a Judy, e é só isto que eu posso dizer.”

Os fãs de todo o mundo sempre sentiram o mesmo.

NA GLÓRIA, A AMARGURA (I Could Go on Singing, 1963 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 7 de março de 1963

SINOPSE: Jenny Bowman é uma famosa cantora que vai a Londres para uma temporada e também para reencontrar um médico com quem teve um romance (Dirk Bogarde) e reivindicar a posse do filho que vive com ele há vários anos. É a luta de uma artista para conciliar a vida privada com a profissional.

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SOBRE O FILME: Realizado pelo cineasta britânico Ronald Neame, “Na Glória, a Amargura” é um bom filme anglo-americano dos anos 1960. Sua trama gira em torno de uma cantora americana que, aproveitando sua estada em Londres para realizar uma série apresentações no Palladium, anseia por rever um filho ilegítimo que vive com o pai desde seu nascimento, dezoito anos atrás.

Só por ser o último filme da espetacular Judy Garland já merece toda a atenção. A história é simples, mas muito bem conduzida e interpretada, intercalada por bons números musicais na voz poderosa de Judy. Assistir esse filme dá uma certa melancolia, não somente pela história sentimental entre mãe e filho, mas principalmente porque sabemos que alguns anos depois a Judy foi-se embora, cedo demais, com apenas 47 anos. Mas além de ter encantado os fãs com vários filmes ao longo de sua carreira, ela deixou um belo presente para o cinema e para nós: sua filha Liza Minnelli.

DIREÇÃO: Ronald Neame
ROTEIRO: Robert Dozier (story), Mayo Simon (screenplay)
GÊNERO: Drama, Musical
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 40min
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ELENCO PRINCIPAL:
Judy Garland … Jenny Bowman
Dirk Bogarde … David Donne
Jack Klugman … George
Aline MacMahon … Ida
Gregory Phillips … Matt
Russell Waters … Reynolds
Pauline Jameson … Miss Plimpton
Jeremy Burnham … Young Hospital Doctor
Eric Woodburn … Verger
Robert Rietty … Palladium Stage Manager
Gerald Sim … Joe – Assistant Mgr. at the Palladium
David Lee … Pianist
Leon Cortez … The Busker


MINHA ESPERANÇA É VOCÊ (A Child Is Waiting, 1963 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 11 de Janeiro de 1963 (USA)

SINOPSE:
Em uma escola para crianças excepcionais, uma professora novata e inexperiente (Judy Garland) entra em conflito com o diretor da instituição (Burt Lancaster), por causa de seu modo de educar um menino autista recém-abandonado pela família. Comovente denúncia do preconceito de grande parte da sociedade para com os portadores de deficiência mental, Minha Esperança É Você é um drama que continua bastante atual.

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SOBRE O FILME:
Mesmo depois de tanto tempo, este filme dirigido por John Cassavetes permanece corajoso, forte, fascinante, impressionante. As interpretações são magníficas, e há uma série de seqüências antológicas, assustadoras e belas. Até hoje, não é muito comum se falar no cinema sobre pessoas com deficiência mental, ou com necessidades especiais, a nomenclatura mais politicamente correta nos tempos do politicamente correto. Em 1963, então, era sem dúvida um ato de grande coragem fazer um filme sobre esse tema. O nome do produtor explica a coragem: Stanley Kramer era um sujeito que não tinha medo de polêmicas, de abordar temas difíceis.

DIREÇÃO: John Cassavetes
ROTEIRO: Abby Mann (screenplay & story)
GÊNERO: Drama
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 42min
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ELENCO PRINCIPAL:
Burt Lancaster … Dr. Matthew Clark
Judy Garland … Jean Hansen
Gena Rowlands … Sophie Widdicombe
Steven Hill … Ted Widdicombe
Paul Stewart … Goodman
Gloria McGehee … Mattie
Lawrence Tierney … Douglas Benham
Bruce Ritchey … Reuben Widdicombe
John Marley … Holland
Bill Mumy … Boy Counting Jean’s Pearls
Elizabeth Wilson … Srta. Fogarty
Juanita Moore … Mãe de Julius
Mario Gallo … Dr. Ernie Lombardi


A GATA DOS MEUS SONHOS (Gay Purr-ee, 1962 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 24 de Outubro de 1962

SINOPSE: “A jovem Gata Mewsette decidiu abandonar a vida no campo e viajar para Paris à procura de aventura e romance… mas acabou caindo nas garras do vilão Meowrice, charmoso sedutor de gatinhas inocentes.”

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SOBRE O FILME: Judy Garland em um de seus últimos filmes consegue cativar em um filme infantil para adultos. Porque para adultos? Imagina um filme para crianças nos dias de hoje onde o vilão quer vender a personagem principal como escrava sexual em um explícito tráfico de mulheres? Pois então, parece que os filmes infantis de antigamente não precisavam ficar seguindo o politicamente correto o tempo todo. Ou será que as crianças não eram subestimadas nas décadas passadas? Acredito que é possível fazer mais filmes assim, despertando assuntos adultos em crianças, até para formar opiniões e reflexões. O filme tem muita cantoria, lógico que ia ter, afinal é com a Judy Garland, e algumas sequências de musicas são fantásticas e necessárias pro ritmo do filme, mas tem outras que atrapalham o desenvolvimento e rompem a narrativa.

Os personagens são todos cativantes, dos gatos pretos até o gatinho vivido por Red Buttons, que pra variar consegue roubar a cena até em animações (Cada vez mais tenho a teoria que o Buttons foi o melhor coadjuvante que já existiu). Os desenhos são maravilhosos, principalmente nas sequências musicais, de encher os olhos mesmo, uma pena que o cinema 3D tenha praticamente matado as animações analógicas dessa época. O filme se passa na França, mas é uma animação americana mesmo. Judy Garland foi quem sugeriu que os mesmos compositores de O Mágico de Oz trabalhassem no filme, Harold Arlen e E.Y. Harburg. O filme ainda teve problemas com o escritor Chuck Jones, que tinha um contrato de exclusividade com a Warner e foi demitido após descobrirem que escreveu este filme na clandestinidade.

DIREÇÃO: Abe Levitow
ROTEIRO: Dorothy Jones, Chuck Jones
GÊNERO: Animação
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 25min
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ELENCO PRINCIPAL:
Judy Garland … Mewsette (voice)
Robert Goulet … Jaune-Tom (voice)
Red Buttons … Robespierre (voice)
Paul Frees … Meowrice / Cat at Railway Station (voice)
Hermione Gingold … Mme. Rubens-Chatte (voice)
Mel Blanc … Bulldog / Bartender / the Driver / Mice Sounds (voice)
Morey Amsterdam … Narrator (voice)
Joan Gardner … Lady From Provence (voice)
Julie Bennett … Lady From Provence (voice)


JULGAMENTO EM NUREMBEG (Judgment at Nuremberg, 1961 – USA)
(Filme Completo / Legendado em Português)
Data de Lançamento: 14 de dezembro de 1961

SINOPE: Após a 2ª Guerra Mundial um juiz americano é convocado para chefiar o julgamento de quatro juristas alemães responsáveis pela legalização dos crimes cometidos pelos nazistas durante a guerra.
À medida que surgem provas de esterilização e assassinatos de judeus, a pressão política vai-se tornando cada vez maior, pois a Guerra Fria está chegando e ninguém quer mais julgamentos como os da Alemanha. Além disso, os governos aliados querem fortemente esquecer o passado, mas a coisa certa a ser feita é a questão que esse Tribunal tentará responder.

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SOBRE O FILME: O longa-metragem Julgamento em Nuremberg (Judgment at Nuremberg, de Stanley Kramer, 1961) pode ser considerado um dos melhores dramas históricos sobre julgamentos em tribunais – quiçá o mais satisfatoriamente produzido em prol de tal aspecto. Logo, sendo ambientado em 1948, o filme granjeia com primazia a demonstração das pretensões pessoais de cada personagem apresentada durante o longa em uma correlação direta com o que estava acontecendo na época, ou seja, o desenrolar dos processos contra quatro juízes acusados de cometer crimes de guerra durante o Regime Nazista (Terceiro Reich).

A partir do supracitado, é inegável afirmar que o roteiro de Abby Mann e o elenco de peso são os dois pontos cruciais à conquista da inter-relação tão belamente desenvolvida entre os fatos terríveis que antecederam o julgamento, os efeitos dos mesmos sobre a população alemã e mundial e a reverberação das consequências dos resultados do júri para as nações como um todo. Deste modo, cada cena foi certamente construída para que cada uma das personagens exteriorizassem suas opiniões e, melhor dizendo, seus julgamentos sobre o papel do povo alemão no Holocausto.

De modo geral, quanto ao elenco, deixo aqui minha admiração ao ator austríaco Maximilian Schell, responsável por brilhantemente interpretar o advogado de defesa Has Rolfe. Ademais, a condução magnífica do julgamento foi avultada tanto por ele quanto pelos atores Spencer Tracy (Dan Haywood), o qual entrega um juiz estadunidense magnânimo e perceptivelmente cansado, Tad Lawson (Richard Widmark), o qual dedica-se em transmitir um advogado estadunidense simultaneamente imerso e inexorável nos seus ideais, Rudoph Petersen (Montgomery Clift), responsável por entregar uma testemunha de defesa notavelmente perturbada com os horrores que vivenciou e Burt Lancaster (Dr. Ernst Janning), dando vida a um juiz alemão amargurado e melancólico, além das atrizes Judy Garland (Irene Hoffman), encarregada da segunda testemunha do caso, fazendo isto com destreza ao doar-se à transmissão de uma mulher resiliente e ainda assombrada com o que vivenciou e Marlene Dietrich (Madame Bertholt), incumbida de conceder uma viúva altiva e crédula em uma Alemanha melhor.

Posto isso, não posso negligenciar o modo como o longa guia o espectador, o transformando em um ser inerte aos dois lados da defesa no passo em que o convoca na tomada de escolha, sendo ela apresentada em meio a dicotomia dos tribunais, isto é, considerar culpados ou inocentes aqueles que estão sendo julgados. É desta maneira que a trama nos convence de que a acusação está correta à medida que nos cativa, no entanto, em tomar por verdade as falas da defesa. Por conseguinte, cá está Julgamento em Nuremberg como um atestador das cicatrizes – perdoem o eufemismo – da tragédia do Holocausto, principalmente na cena mais marcante do longa, em que são mostradas cenas reais dos campos de concentração onde mais de seis milhões de judeus foram massacrados.

Por fim, Julgamento em Nuremberg promove o que pode ser colocado como a excelência da representação em tela de cinema da defesa dos Direitos Humanos. Além do mais, as reflexões que germinam em um desenvolvimento de personagens altamente rico, principalmente no que se refere ao posicionamento de câmera que abruptamente aproxima o espectador em uma imagem perfil das personagens, trazem consigo o seguinte questionamento: nós, seres humanos, estamos tentando desesperadamente fingir não saber das mazelas sociais que afloram ao nosso redor, assim como os alemães representados no longa afirmam prontamente não ter conhecimento do que estava acontecendo com os judeus? Ademais, devemos ser julgados por uma tão vaga percepção do sofrimento “alheio”?

DIREÇÃO: Stanley Kramer
ROTEIRO: Abby Mann (based on his original story by)
GÊNERO: Drama/Guerra
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 59min
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ELENCO PRINCIPAL:
Spencer Tracy … Chief Judge Dan Haywood
Burt Lancaster … Dr. Ernst Janning
Richard Widmark … Col. Tad Lawson
Marlene Dietrich … Mrs. Bertholt
Maximilian Schell … Hans Rolfe
Judy Garland … Irene Hoffman
Montgomery Clift … Rudolph Petersen
William Shatner … Capt. Harrison Byers
Werner Klemperer … Emil Hahn
Kenneth MacKenna … Judge Kenneth Norris


NASCE UMA ESTRELA (A Star Is Born, 1954 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 29 de Setembro de 1954

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SINOPSE: Esther Blodgett (Judy Garland) é uma sonhadora artista que deseja se tornar uma grande estrela do cinema americano. Seu sonho se torna realidade quando ela conhece o astro de Hollywood Norman Maine, e os dois se apaixonam. Depois de um tempo, eles se casam, e a carreira de Esther começa realmente a decolar, e ela passa a ser chamada pelo nome artístico de Vicky Lester. Só que enquanto sua fama aumenta, seu marido está cada vez mais decadente e afundado no álcool, o que começa a abalar a carreira da esposa.

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SOBRE O FILME: Judy Garland estava afastada havia quase quatro anos das telas, quando a MGM rompeu o contrato que mantinha desde sua adolescência, demitindo-a em meio às filmagens de Annie Get Your Gun, quando a atriz entrou em colapso nervoso. Desde jovem Judy lutava contra a depressão e vício em medicamentos, aumentado por seu crescente alcoolismo. Receitados pelos médicos da MGM quando ela ainda era uma adolescente, traria consequências trágicas à vida da atriz e cantora. Judy foi uma espécie de amostra do que a fama precoce e o excesso de trabalho podem acarretar. atrasos nas filmagens, indecisões e interrupções eram uma constante.
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Judy Garland ainda estrelaria alguns filmes, mas nenhum grande sucesso, e teria sua vida, mais do que nunca, calcada na música, apresentando-se em diversos locais, tendo um programa de TV e sendo relembrada como a doce Dorothy de O mágico de Oz. O gosto amargo da derrota por algo tão sem sentido, deixou um constrangimento geral, de críticos, fãs e amantes do cinema em geral. Mas a atriz levantou-se mais uma vez e provou, através da Imortalidade, que não só de Oscars se faz uma carreira, mas de sentimento e glória, que só os que lhe amam podem reconhecer.

James Mason e Judy Garland em A Star is Born (1954).

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: George Cukor
GÊNERO: Drama, Musical, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h 34min
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ELENCO PRINCIPAL:
Judy Garland … Esther Blodgett / Vicki Lester
James Mason … Norman Maine
Jack Carson … Matt Libby
Charles Bickford … Oliver Niles
Tommy Noonan … Danny McGuire
Lucy Marlow … Lola Lavery
Amanda Blake … Susan Ettinger
Irving Bacon … Graves
Hazel Shermet … Libby’s Secretary
James Brown … Glenn Williams


CASA, COMIDA E CARINHO (Summer Stock, 1950 – USA)
( Filme Completo / Dublado em Português )
Data de Lançamento: 31 de agosto de 1950

SINOPSE: A história gira em torno de uma família simples do interior, que permite que uma companhia da Broadway mostre seu novo espetáculo na sua fazenda. O evento acaba por agitar a vida de todos. Judy canta “Get Happy”, dentre outros, com maestria.

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SOBRE O FILME: Realizado pelo cineasta Charles Walters, a partir de um roteiro escrito por George Wells e Sy Gomberg, “Casa Comida e Carinho” é mais um belo musical produzido pela Metro-Goldwyn-Mayer (MGM) nos anos de ouro do cinema americano.

O filme marca o terceiro e último musical em que Gene Kelly e Judy Garland trabalharam juntos, onde se destacam diversos números musicais, tais como “Get Happy”, “You Wonderful You” e “Heavenly Music”, dentre outros.

Enfim, sem se tratar de uma obra-prima do gênero, “Casa Comida e Carinho” é sem dúvida um musical agradavelmente conduzido e realizado com entusiasmo, tendo Judy Garland e Gene Kelly como seus principais astros.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Charles Walters
ROTEIRO: George Wells, Sy Gomberg (screenplay)
GÊNERO: Musical, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 48min
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ELENCO PRINCIPAL:
Judy Garland … Jane Falbury
Gene Kelly … Joe D. Ross
Eddie Bracken … Orville Wingait
Gloria DeHaven … Abigail Falbury
Marjorie Main … Esme
Phil Silvers … Herb Blake
Ray Collins … Jasper G. Wingait
Nita Bieber … Sarah Higgins
Carleton Carpenter … Artie
Hans Conried … Harrison I. Keath


A NOIVA DESCONHECIDA (In the Good Old Summertime, 1949 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 29 de julho de 1949

SINOPSE: Refilmagem musical da comédia “A Loja da Esquina”, de Ernst Lubitsch, traz Judy Garland e Van Johnson nos papéis de Veronica Fisher e Andrew Larkin, dois vendedores de uma loja de música, na virada do século 20. Aparentemente, eles se detestam e as brigas durante o expediente são constantes. As palavras doces de cada um são guardadas para as cartas românticas que escrevem à noite aos seus respectivos “amigos” de correspondência. Mal sabem eles que, na verdade, estão envolvidos em um romance inocente e apaixonado um com o outro. Buster Keaton está impagável no papel do sobrinho do dono da loja. Liza Minnelli, filha de Garland, surge em uma cena com apenas 3 anos de idade.

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SOBRE O FILME: A Judy Garland é tão incrível, que apenas com a sua presença, ela consegue transformar cada filme mais ou menos em algo agradável de se assistir. É o caso de “A Noiva Desconhecida”, que tem uma premissa simples e se não fosse pela performance da Judy, seria um filme bem esquecível. Eu gosto da relação do casal protagonista, eles trabalham como vendedores em uma loja de música, vivem discutindo e trocam cartas de amor um pro outro, sem saber quem está por trás. A dinâmica é interessante, só que a revelação só acontece nos últimos minutos e, em boa parte, o filme fica maçante e arrastado. Por estar classificado como um musical, eu esperava mais músicas… ele é bem discreto nesse quesito, mas pelo menos, a Judy canta em todos os números (com exceção do de abertura) e rouba a cena, como sempre. Só que teve um detalhe que me estranhou muito: o longa começa sendo narrado pelo Andrew e depois esse recurso desaparece. Eu penso que, ou você usa a narração no filme inteiro, ou então, hora nenhuma.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Robert Z. Leonard
ROTEIRO: Albert Hackett, Frances Goodrich, Ivan Tors (written for the screen by)
GÊNERO: Comédia, Musical, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 42min
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ELENCO PRINCIPAL:
Judy Garland …Veronica Fisher
Van Johnson … Andrew Delby Larkin
S.Z. Sakall … Otto Oberkugen
Spring Byington … Nellie Burke
Clinton Sundberg … Rudy Hansen
Buster Keaton … Hickey
Marcia Van Dyke … Louise Parkson
Lillian Bronson … Aunt Addie


MINHA VIDA É UMA CANÇÃO (Words and Music, 1948 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 31 de dezembro de 1948

SINOPSE: Em 1919, na cidade de Nova York, Lorenz Hart é um jovem letrista de 25 anos à procura de uma parceria com alguém que possa compor músicas para seus versos. Certo dia, através do amigo Herbert Fields, ele é apresentado a Richard Rogers, um talentoso compositor em busca de um bom letrista. Os dois artistas iniciam, assim, uma longa amizade devotada inteiramente à criação de novas canções. Apesar de trabalharem com afinco, dois anos se passam sem que consigam um único contrato com algum produtor. Rogers perde a esperança e decide vender roupas para crianças. Embora mais otimista em relação ao futuro, Hart aceita a saída do parceiro e decide fazer uma festa de despedida para ele. Durante o evento, Hart conhece Peggy Lorgan McNeil, uma jovem cantora, e se apaixona imediatamente por ela.

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SOBRE O FILME: Realizado pelo cineasta Norman Taurog, ‘’Minha Vida É Uma Canção’’ é um dos bons musicais da Hollywood do final dos anos 40. Um belo espetáculo biográfico, um tributo aos gênios Richard Rogers e Lorenz Hart., enquanto um vive as glórias do sucesso, o outro sucumbe a depressão .Ótimos números e canções da dupla com participações de Judy Garland, Gene Kelly, June Allyson,Lena Horne… e boa atuação de Mickey Rooney,no papel do auto-destrutivo Lorenz Hart.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Norman Taurog
ROTEIRO: Guy Bolton (story), Ben Feiner Jr. (adaptation) Fred F. Finklehoffe
GÊNERO: Biografia, Comédia, Musical
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 2h
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ELENCO PRINCIPAL:
June Allyson … June Allyson
Perry Como … Eddie Lorrison Anders
Judy Garland … Judy Garland
Lena Horne … Lena Horne
Gene Kelly … Gene Kelly
Mickey Rooney … Lorenz ‘Larry’ Hart
Ann Sothern … Joyce Harmon
Tom Drake … Richard ‘Dick’ Rodgers
Cyd Charisse … Margo Grant
Betty Garrett … Peggy Lorgan McNeil
Janet Leigh … Dorothy Feiner


DESFILE DE PÁSCOA (Easter Parade, 1948 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 30 de junho de 1948

SINOPSE: Quando sua parceira de longa data abandona o Ziegfeld Follies, Don Hewes decide mostrar ao mundo que ele era a parte talentosa da dupla escolhendo uma corista qualquer para transformá-la em uma estrela dos palcos.

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SOBRE O FILME: “Desfile de Páscoa” trata-se de produção original de Arthur Freed, que conseguiu dispor de várias canções de autoria do compositor Irving Berlin (considerado um dos maiores dos EUA). Em torno das músicas, construiu-se uma história (creditada à Frances Goodrich e Albert Hackett, com participação de um então desconhecido Sidney Sheldon). Ou seja, nada a ver com Broadway.Este foi o único filme estrelado pelos lendários Fred Astaire (1899-1987) e Judy Garland (1922-1969), que ganhou ainda o Oscar de trilha de filme musical. Gene Kelly iria originalmente estrelar o musical, mas quebrou o tornozelo e pediu para o amigo Astaire, que estava aposentado, substituí-lo. Cyd Charisse (de “A Roda da Fortuna”) iria fazer Nadine, mas ficou grávida e foi substituída por Ann Miller, neste que foi seu primeiro filme para a Metro, marcando o início de uma longa relação com o estúdio (ela conta que rodou seu número ainda muito doente das costas, depois de acidente em queda que a fez perder uma gravidez). Vincente Minnelli estava cotado para dirigir o filme, mas o psiquiatra foi contra, para que não trabalhasse com sua então esposa Judy Garland.

“Desfile de Páscoa” tem canções deliciosas, como “It Only Happens when I Dance with You”, “A Fella with a Umbrella”, “Easter Parade”, “Shaking the Blues Away”, “I Love a Piano”, “Steppin’ Out with my Baby” e a mais famosa, “A Couple of Swells”, em que Astaire e Garland interpretam como se fossem vagabundos de rua. O clima é sempre romântico e divertido, o que pode agradar mesmo os que não curtem o gênero musical. 

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Charles Walters
ROTEIRO: Sidney Sheldon, Frances Goodrich, Albert Hackett (screenplay)
GÊNERO: Musical, Romance
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 43min
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ELENCO PRINCIPAL:
Judy Garland … Hannah Brown
Fred Astaire … Don Hewes
Peter Lawford … Jonathan Harrow III
Ann Miller … Nadine Hale
Jules Munshin … Headwaiter François
Clinton Sundberg … Mike the Bartender
Richard Beavers … Singer


Fontes de pesquisa: iMDB, Wikipedia, Cinemin, Filmow, Plano Crítico, Cine Players, Cinema UOL, 50 Anos de Filmes, 75 Anos de Cinema.

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