JOAN CRAWFORD | Vida e Obra

A vida e a obra de uma das mais talentosas e poderosas estrelas que Hollywood já viu, Joan Crawford foi adorada por toda uma geração de fãs, acompanhem aqui, um pouco de sua milionária trajetória de sucesso.

A história de Joan Crawford é uma espécie de saga americana do século XX. Nasceu pobre, mas, citando uma antiga revista de Cinema, “às custas de coragem, ambição, trabalho duro, estudo e imaginação, tornou-se não apenas uma das mulheres mais ricas dos Estados Unidos, mas é também conhecida como uma das mais bonitas”.

O verdadeiro nome de Joan era Lucille LeSueur. Nasceu em San Antonio, no Texas, no dia 28 de março de 1906. Não se lembrava do verdadeiro pai, mas suas recordações mais antigas eram da afeição pelo padrasto, Henry Cassin, um proprietário de teatro de Lawton, Oklahoma, cujo sobrenome ela adotou a princípio, sendo conhecida como Billie Cassin. Quando, um dia, ele desapareceu inexplicavalmente. começou para Joan a verdadeira luta pela sobrevivência e para tornar-se alguém. A sua mãe, Anna, matriculou-a numa escola particular, onde ela devia ajudar na cozinha e servir a mesa para pagar os estudos. Havia pouco aprendizado e muita escravidão. Joan fugiu. Trabalhou como ajudante de lavanderia, balconista e garçonete, e ganhou um concurso de danças, num café, em Kansas City. Passou alguns meses no Stevens College, mas, finalmente, conseguiu um emprego de corista, numa companhia itinerante. Com ela, Joan foi a Chicago, a Detroit, a Nova York!

A estreia de Joan na Broadway, como uma das coristas de Innocent Eyes, foi a única aparição nos palcos d Nova York. Mas a beleza lhe trouxe um teste no Cinema, um contrato, com a Metro, pequenas pontas e, afinal, um papel em A Mosca Negra (Pretty Ladies), em 1925, trouxe-lhe ainda um novo nome, uma nova silhueta (fez uma dieta rigorosa) e o começo da ascensão.

Na realidade, sua primeira aparição nas telas foi como dublê de Norma Shearer, nas cenas a distância, em Lady of the Night. Mas o filme que a lançou, realmente, como estrela foi Garotas Modernas (Our Dancing Daughters) em 1928. E seu sapateado foi o primeiro a se ouvir, no Cinema em Hollywood Revue of 1929. A partir daí passou a ser uma das Damas da Metro. Não era tão estrela como Greta Garbo ou Norma Shearer mas ultrapassou-as no tempo.

Na época em que filmava Sally, Irene e Mary, o estúdio e uma revista de Cinema promoveram um concurso para lhe dar um nome profissional. Aí nasceu Joan Crawford.

Seus filmes da década de trinta não são ruins, mas raramente são muito bons. Um dos melhores foi Manequim (Mannequin), de 1938, dirigido por Frank Borzage, onde Joan desempenha um papel que tem muito a ver com sua vida real – uma operária que alcança o sucesso no mundo da Moda, com a ajuda de Spencer Tracy.

Em 1929, casou-se com Douglas Fairbanks Jr., que também ainda era novato. Parecia que era uma vida cor-de-rosa, uma felicidade completa. Acariciavam-se e beijavam-se em público, mas o divórcio veio em 1933.

Dois anos depois, ela se casou com o ator Franchot Tone, de quem também se divorciou, em 1939, depois de tempestuosas brigas.

Em 1942, começou o terceiro casamento que, como os outros dois, coincidentemente, durou apenas quatro anos. O novo marido, também ator, foi Philip Terry.

Bons filmes ela fez com George Cukor – As Mulheres (The Women), em 1939, e Um Rosto de Mulher (A Woman’s Face), em 1941.

Mas seu grande momento foi quando ela mudou de estúdio – da Metro para a Warner Brothers – e protagonizou Alma em Suplício (Mildred Pierce), em 1945, sob a direção de Michael Curtiz, que lhe valeu o Oscar. Com ela, estavam Zachary Scott e Ann Blyth.

Ainda no mesmo ano, Joan foi dirigida por Jean Negulesco, num filme considerado clássico no gênero – Acordes do Coração (Humoresque) -, onde ela se apaixona pelo violonista John Garfield (dublao pelo grande Isaac Stern), mas não consegue competir com a música: no final, ela o escuta tocar uma última vez e, depois, caminha mar adentro, num belo vestido de noite.

Depois de 1946, os filmes em que ela aparece com mais força são: Fogueira de Paixão (Possessed), de 1947, dirigido por Curtis Bernhardt, onde ela mata por amor a Van Helflin; Êxtase de Amor (Daisy Kenyon), de 1948, dirigido por Otto Preminger, quando ela saiu da Warner para a 20th Century Fox, contracenando com Dana Andrews e Henry Fonda; Caminho da Redenção (Flamingo Road), de volta à warner, em 1949, onde ela se apaixona por Sydney Greenstreet e é novamente dirigida por Michael Curtiz, que sempre conseguiu, mais do que os outros, despertar-lhe a sensobilidade; Precipícios d’Alma (Sudden Fear), em 1952, agora na RKO, dirigido por David Miller, quando ela descobre, de repente, como diz o título do filme em inglês, Medo Súbito, que seu novo marido (interpretado por Jack Palance) quer matá-la; Johnny Guitar, da Republic, em 1954, quando esteve soberba, dirigida por Nicholas Ray, num dos raros westerns realmente bons em que o astro principal é uma mulher.

Em 1955, Joan Crawford casa-se com Alfred Steele, o dono da Pepsi Cola. E, quando ele morre, é como Presidente da companhia que ela vem ao Brasil.

Com toda a certeza, não terá sido coincidência, mas, nessa época, sua carreira começava a declinar. Ela perdia o interesse pelo Cinema.

Finalmente, no último bom filme, depois de muito tempo desaparecida das telas – Que Foi que Aconteceu com Baby Jane? (Whatever Happened to Baby Jane?), em 1962 – contracena com outro “monstro sagrado”, Bette Davis, num verdadeiro duelo de interpretações dirigida por Robert Aldrich e novamente na Warner Brothers.

Seu último papel foi no filme inglês Trog, em 1970. Ela morreu em 1976.

Joan Crawford foi o exemplo mais representativo da “Grande Estrela” de Hollywood. Criou personalidade cinematográfica muito cedo, baseando-a, evidentemente, na própria ascensão social desesperada. A aparência externa podia mudar um pouco, entre as décadas de trinta e cinquenta, mas, o símbolo é o mesmo: uma mulher decidida e dura que deseja as melhores coisas da vida e faria qualquer coisa para obtê-las – até matar. Ela acabou simbolizando o lado tortuoso do sonho americano.

Ela parecia uma estrela, comportava-se como uma estrela, e, afinal, na realidade, era uma estrela. Foi a única que veio do Cinema Mudo e hegou à decada de setenta, sem perder a condição de Grande Dama. E isso por causa da imagem que criou e por causa da grande ambição.

Um jornalista inglẽs, comentando Alma em Suplício e o Oscar que Joan Crawford ganhou com o filme, disse que “o prêmio foi a apoteose da ambiciosa personalidade artística que Crawford criou, uma mulher forte e inflexível que abriu o caminho para o sucesso, sem perder a feminilidade”.


O Sexto Sentido (TV Series)
Joan Fairchild

  • Dear Joan: We’re Going to Scare You to Death (1972) … Joan Fairchild

The Tim Conway Comedy Hour (TV Series)
Joan Crawford / Lillian Abbott / Diamond Thief

  • Episode #1.3 (1970) … Joan Crawford / Lillian Abbott / Diamond Thief

TROG, O MONSTRO DA CAVERNA (Trog, 1970 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 24 de Outubro de 1970

SINOPSE: Antropóloga defende um primitivo antropoide encontrado em uma caverna de uma comunidade que quer destruí-lo. A Dra. Brockton utiliza de drogas e tenta se comunicar com o troglodita.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Trog, o Monstro da Caverna foi um dos filmes mais aterradores de minha infância, responsável por diversas noites em claro em razão da terrível criatura pré-histórica que milagrosamente é descoberta viva por três espeleólogos amadores em uma caverna no interior da Inglaterra. Décadas depois, revendo o filme para escrever a presente crítica, meu terror foi ainda maior, mas por razões completamente diferentes.

Meu terror veio, primeiro, por não entender como alguém, em sã consciência, pode ter aprovado um roteiro desses. Depois, ele continuou por constatar  o quanto é ridícula a caracterização deste elo perdido entre símios e humanos feita com uma “semi-fantasia de macaco” usada por Joe Cornelius em que os braços, as pernas e o tórax do bicho são mantidos 100% humanos, como se o ator tivesse se esquecido de vestir o restante. O terror veio também ao descobrir que a protagonista – além de Trog – é ninguém menos do que Joan Crawford, em seu último papel cinematográfico. E, claro, o terror veio ao perceber o quão vergonhoso é alguém sentir medo desse filme, sejam com que idade for.

Este é um daqueles filmes que o espectador assiste de queixo caído, incapaz de entender como, dois anos antes, o mundo deparara-se com os sensacionais 2001 – Uma Odisseia no Espaço e O Planeta dos Macacos com trabalhos de próteses símias sem igual e, aqui, a criatura do título é inacreditavelmente hilária, daquelas que nunca permitem qualquer semblante de imersão na narrativa. Outra coisa que traz estupefação é um roteiro que tinha assuntos de sobra para lidar, como o conflito entre ciência e religião, entre ciência e intolerância e a incapacidade humana de aceitar aqueles que são diferentes resultar em um apanhado de situações jogadas de qualquer jeito no papel por Aben Kandel, em seu penúltimo trabalho, que com certeza ficaria melhor se o próprio Trog tivesse escrito.

E o que dizer do vilão da fita? Michael Gough, conhecido mais recentemente por ter vivido o Alfred da quadrilogia do Batman iniciada em 1989, vive um sujeito asqueroso chamado Sam Murdock que deveria representar o verdadeiro “monstro”, mas que, na verdade, acaba sendo um personagem caricato, sem qualquer semblante de desenvolvimento e sem qualquer motivação minimamente construída ao longo do roteiro que, claro, quer destruir a criatura, como se o destino de uma descoberta científica dessa magnitude fosse ficar na dependência do que um empresáriozinho misógino de uma cidadezinha bucólica no meio do nada com coisa nenhuma.

Aliás, falando em ciência, é inacreditável a anti-ciência que é essa pérola do Cinema. Não que eu esperasse algo realista ou que seguisse explicações científicas de fazer a cabeça explodir de tão mirabolantes. Mas eu também não esperava a mais completa idiotice imbecilizante que é o desfile de sandices desmioladas que passam pela tela. De experiências com brinquedos, passando por intervenções cirúrgicas que caem de paraquedas e que levam ao despertar de memórias impossíveis, até uma explosão de violência que não tem uma sequência que leve logicamente à outra, Kandel cria uma aberração narrativa que, em conjunto com a direção quase amadora de Freddie Francis (por incrível que pareça, ele é um ótimo diretor de fotografia, com trabalhos em Os InocentesO Homem Elefante e o Cabo do Medo de Martin Scorsese), até consegue desviar a atenção do espectador da patética prótese símia. O problema é que dá vontade de renegar completamente o evolucionismo se isso significar que Trog é nosso antepassado…

Sei muito bem que memória afetiva é um problema é que é melhor deixar quietas aquelas obras que os recônditos nostálgicos da mente etiquetaram indelevelmente como “boas”, mas confesso que essa foi a primeira vez que um filme desses consegue ultrapassar todos os níveis de desapontamento possíveis, inclusive a confortável barreira do “é tão ruim que é bom”. Trog, o Monstro da Caverna, sinto afirmar, jamais deveria ter sido colocado em celuloide, nem mesmo como uma brincadeira de mau gosto. Definitivamente um terror de todas as maneiras possíveis, menos a pretendida.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Freddie Francis
ROTEIRO: Aben Kandel (screenplay), Peter Bryan and John Gilling (original story)
GÊNERO: Horror/Sci-Fi
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 33min
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ELENCO PRINCIPAL:
Joan Crawford … Dra. Brockton
Michael Gough … Sam Murdock
Bernard Kay … Inspector Greenham
Kim Braden … Anne Brockton
David Griffin … Malcolm Travers
John Hamill … Cliff
Thorley Walters … Magistrate
Jack May … Dr. Selbourne
Geoffrey Case … Bill
Robert Hutton … Dr. Richard Warren
Joe Cornelius … Trog


O Homem de Virgínia (TV Series)
Stephanie White

  • Nightmare (1970) … Stephanie White

Galeria do Terror (TV Series)
Miss Claudia Menlo (segment “Eyes”)

  • Pilot (1969) … Miss Claudia Menlo (segment “Eyes”)

Journey to Midnight (1968)
Hostess (scenes deleted)


The Secret Storm (TV Series)
Joan Borman Kane

  • Episode dated 25 October 1968 (1968) … Joan Borman Kane
  • Episode dated 24 October 1968 (1968) … Joan Borman Kane
  • Episode dated 23 October 1968 (1968) … Joan Borman Kane
  • Episode dated 22 October 1968 (1968) … Joan Borman Kane
  • Episode dated 21 October 1968 (1968) … Joan Borman Kane

The Lucy Show (TV Series)
Joan Crawford

  • Lucy and the Lost Star (1968) … Joan Crawford

ESPETÁCULO DE SANGUE (Berserk!, 1967 – USA)
Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 23 de Agosto de 1954

SINOPSE: Monica Rivers é a proprietária e mestre de cerimônias de um circo itinerante e que faz qualquer coisa para atrair o público. Quando uma série de misteriosos assassinatos começa a ocorrer e alguns de seus artistas morrem horrivelmente, os lucros disparam. Ela contrata o equilibrista Frank Hawkins, impressionada com o bonito e musculoso jovem. Eles começam um caso que desperta ciúme em Durando, seu amante anterior. Quando Durando é encontrado morto pouco depois, os outros artistas começam a ficar alarmados, já que um misterioso assassino está solto no meio deles. Muitos suspeitam Monica ser cúmplice dos assassinatos, especialmente Matilda, que ficou de olho no novo namorado de Monica.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME: Berserk foi um dos últimos filmes protagonizados por Joan Crawford. Nos anos 60 a atriz seguia confiante em papéis do gênero “horror matrona” que começou com Baby Jane em 1962. Essa produção britânica nunca alcança seu potencial, mas vale a pena ser assistida graças a Joan Crawford sendo uma megera, desfilando em alguns excelentes e inadequados figurinos e fingindo ser vinte anos mais nova.

Uma cena que amei: uma das artistas do circo, uma loira curvilínea, diz para a equipe do circo enquanto eles se desesperam a respeito dos assassinatos: “nós nunca chegaremos a lugar algum se continuarmos discutindo assim!”. Logo em seguida Joan entra de supetão e diz: “você nunca vai chegar a lugar nenhum, ponto final. Sua vadia!”. Outro momento engraçado surge quando Joan responde ao detetive que investiga os assassinatos se seu circo sempre fora bem sucedido: “já comemos caviar e já comemos serragem”. Esta fala é atuada pela atriz de semblante melancólico e sério, como se estivesse estrelando um filme digno de Oscar.

Berserk poderia ter se tornado um classico “camp”, mas infelizmente possui um ritmo desconjuntado e infla seu roteiro mínimo com uma série de cenas tépidas exibindo os atos do circo em vez de desenvolver a estória ou criar situações mais interessantes. Os assassinatos são moderadamente divertidos (ainda que menos grotescos do que deveriam ser), mas considerando que este é um filme que reúne ingredientes como circo, assassinato e Joan Crawford como mestre de cerimônias as possibilidades eram infinitas e parece que não houve real investimento da equipe em uma narrativa mais envolvente e em um desfecho decente.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: Jim O’Connolly
ROTEIRO: Aben Kandel, Herman Cohen (original story)
GÊNERO: Horror, Mistério, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 36min
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ELENCO PRINCIPAL:
Joan Crawford … Monica Rivers
Ty Hardin … Frank Hawkins
Diana Dors … Matilda
Michael Gough … Albert Dorando
Judy Geeson … Angela Rivers
Robert Hardy … Superintendent Brooks
Geoffrey Keen … Commissioner Dalby
Sydney Tafler … Harrison Liston
George Claydon … Bruno Fontana
Philip Madoc … Lazlo


O Agente da UNCLE. (TV Series)
Amanda True

  • The Five Daughters Affair: Part I (1967)

DELLA (Della, 1965 – USA)
Della


EU VI QUE FOI VOCÊ (I Saw What You Did, 1965 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 21 de julho de 1965

SINOPSE: Numa fazenda isolada, duas adolescentes se divertem passando trotes. Até que um dia elas ligam para um homem que acaba de cometer um crime.

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SOBRE O FILME: Um suspense com bons momentos, o diretor William Castle, sabia se desdobrar em meio aos orçamentos pequenos de seus filmes. As atuações das garotas não são lá aquelas coisas, mas deu pra se diverti bem com o filme só poderia ser um pouco mais longo para aproveitar um pouco a situação. Joan Crawford, brilha em pouco tempo de tela.

Esta foi a última aparição de Joan Crawford em um filme americano. Depois disso, Crawford fez apenas mais dois filmes, ambos filmados inteiramente no Reino Unido. Joan Crawford recebeu US $ 50.000 por quatro dias de trabalho. O tempo total de tela de Crawford é de apenas 9 minutos.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: William Castle
ROTEIRO: William P. McGivern (screenplay), Ursula Curtiss (novel)
GÊNERO: Crime, Horror, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 22min
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ELENCO PRINCIPAL:
Joan Crawford … Amy Nelson
John Ireland … Steve Marak
Leif Erickson … Dave Mannering
Sara Lane … Kit Austin
Andi Garrett … Libby Mannering
Sharyl Locke … Tess Mannering
Patricia Breslin … Ellie Mannering
John Archer … John Austin
John Crawford … State Trooper
Joyce Meadows … Judith Marak


ALMAS MORTAS (Strait Jacket, 1964 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 19 de janeiro de 1964 

SINOPSE: Numa noite de sábado Lucy Harbin (Joan Crawford), que estava viajando, volta antes do previsto e vê que Frank Harbin (Lee Majors), seu marido, tinha sido infiel. Desta forma ela mata o marido e sua amante, Stella Fulton (Patricia Crest), com violentos golpes de machado. Lucy não é condenada, pois foi considerada legalmente louca. Após passar 20 anos num sanatório, Lucy é libertada e volta para casa para tentar reatar os laços com Carol Harbin (Diane Baker), a filha que na época era uma garotinha. Carol testemunhou os crimes e foi criada pelos tios, Bill Cutler (Leif Erickson) e Emily Cutler (Rochelle Hudson), tornando-se uma escultora ao crescer. Ela pensa em se casar com Michael Fields (John Anthony Hayes), que pertence a uma rica família e que não se importa que a mãe de Carol seja uma assassina. Ao voltar para casa Lucy acha tudo muito estranho, inclusive Carol, que durante toda a internação foi proibida de visitá-la. Tudo fica mais estranho quando novas vítimas são decapitadas por golpe de machado.

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SOBRE O FILME: Nos anos 1960, Hollywood incorporou em sua grade de produção um bom número de atrizes clássicas para interpretar papéis de mulheres loucas, violentas e desequilibradas. Praticamente uma caraterística dos filmes de terror B da época, essa escalação denotava o novo fascínio do público por um tipo muito específico de terror e suspense, filão que tem nome e data de origem nos cinemas dos Estados Unidos: o muitíssimo bem-sucedido O Que Aconteceu Com Baby Jane?, de Robert Aldrich, lançado em 1962.

Para uma indústria que nunca lidou bem com a velhice — e o Studio System forçava em suas atrizes e atores a ideia de que a velhice os afastaria completamente dos holofotes, um fator percebido ainda hoje em dia, mas em proporções muitíssimo menores –, o cinema via agora um meio de lucro nessa leva de filmes, que custava pouco para produzir e que podia gerar bastante dinheiro para os produtores. Claro que boa parte das grandes casas de cinema na América não queriam arriscar todo e qualquer projeto de “violência pelas mãos de matronas dos anos 30”, ou os terrores do subgênero psycho-biddy, mas eventualmente distribuíam a obra, como aconteceu com Almas Mortas (1964), que teve produção pela própria empresa do diretor William Castle e foi distribuído pela Columbia Pictures. Ao final do filme, a cabeça da mulher que está no logo do estúdio é mostrada aos seus pés, como se tivesse sido decepada, exatamente como a cabeça das vítimas que vemos no longa.

William Castle começou a dirigir filmes em 1939 e fez de tudo um pouco. Os dois gêneros que mais se destacam em sua filmografia são o Noir e o Western, pelo menos até meados dos ano 1950, quando o diretor teve dificuldades para conseguir projetos. Depois praticamente dois anos fazendo trabalhos na TV, o cineasta mergulhou no horror e fez nesse gênero praticamente todo o restante da sua carreira. De 1959 para frente, Castle construiu para si uma personalidade que fazia mímicas assumidas de Alfred Hitchcock, inclusive brincando com a figura do famoso diretor britânico, além de adotar, em ocasiões especiais, o título de “Mestre do Suspense”. Afirmando ter assistido O Que Aconteceu Com Baby Jane? mais de 17 vezes, Castle cultivou um sonho que realizaria em 1964: trabalhar com Joan Crawford e com Robert Bloch, o autor de Psicose.

Sem ofertas para papéis dignos de sua grandeza, Crawford acabou aceitando os primeiros roteiros interessantes que lhe caíram nas mãos em 1963: Almas nas Trevas, de Hall Bartlett, e Almas Mortas. O convite para este segundo longa foi realizado pelo próprio William Castle, em uma festa, que garantia a Joan Crawford pré-aprovação de roteiro e elenco se ela aceitasse atuar em seu Strait-Jacket (Camisa de Força, em português, um título muito melhor que Almas Mortas, que mais parece um drama nietzschiano do que um filme de terror).

O roteirista da obra, Robert Bloch, vinha de dois anos de muito trabalho na televisão. Após seu famoso romance Psicose ter sido adaptado para o cinema, ele foi convidado para escrever histórias de terror e suspense para as séries Alfred Hitchcock Presents e Thriller, tendo também assinado dois roteiros, Demência e A Mansão do Dr. Caligari, ambos de 1962. Em Almas Mortas, o escritor disfarça o impulso assassino que marcou o seu Norman Bates e o dá a Lucy Harbin (Joan Crawford), uma espécie de femme fatale anacrônica que em um surto de ciúmes, ao ver o marido traindo-a em sua própria cama, mata a ele e à sua amante a machadadas, inicialmente cortando-lhes a cabeça e seguindo com o abate até completar 41 golpes. A cena, assistida pela filha de Lucy, dá a chave para muita coisa do mistério que se desenrolará a partir de então.

SPOILERS!

Não há dúvidas de que a melhor coisa do filme seja Joan Crawford. A atriz domina todas as cenas em que aparece, até mesmo quando não deveria, na famosa cena final. O filme iria terminar na revelação do grande mistério, colocando Carol Harbin (Diane Baker) como a verdadeira assassina, realizando todas aquelas atrocidades para incriminar a mãe, uma já conhecida psicopata, para conseguir se casar com o noivo Michael (John Anthony Hayes), casamento que os pais do jovem não aprovaria. Se estivessem mortos, porém, isso não seria um problema. O plano é bem escondido pelo roteiro e a cena final, com Carol agindo como louca, seria perfeita para o término da película, não o sacrifício materno (também enlouquecido) que Crawford mandou adicionar às pressas, pois não queria que Diane Baker fosse a última pessoa a ser vista no filme, muito menos em uma cena tão forte como aquela.

O poder de Crawford na produção também se estendeu por outras áreas, como a inserção de propaganda da Pepsi (da qual era uma das diretoras — título obtido “por tabela”, após a morte do esposo, que ocupava o cargo) e a escalação do próprio vice-diretor da empresa, Mitchell Cox, no elenco do filme. Embora não fosse ator — e tenha dado muitos problemas nas filmagens, pois não conseguia se lembrar de suas falas — ele até que não está mal em cena e consegue passar tranquilamente a imagem de um psiquiatra em férias, apenas “visitando” pela fazenda de uma antiga paciente.

Embora não existam atuações ruins no longa, Diane Baker (com exceção da ótima cena final) e John Anthony Hayes são os elos fracos. A culpa disso é parcialmente do roteiro, que lhes deu diálogos incrivelmente estúpidos na primeira parte do filme, além de insistir em um humor negro que perde a graça quando reprisado sob bases diferentes, vide a fala de Carol sobre “engordar os porcos para matá-los“; “esperar o momento certo para abater as galinhas” e outras deixas que trazem à tona o elemento assassino da fita. Visualmente falando, essas alusões se saem muito melhor, mesmo com os sustos forçados e a criação de uma atmosfera de silêncio para um posterior ataque da trilha sonora. Os cômodos escuros e as sombras de alguém com um machado cortando cabeças em uma fazenda são bem capturadas pela câmera, mesmo que hoje tenha efeitos que não envelheceram bem, mas isso é algo perdoável, já que estamos falando de um filme B.

Almas Mortas prova que a indústria do cinema, mesmo cruel com as atrizes que “passavam da idade”, ainda tinha o privilégio de tê-las lutando para trabalhar e fazendo o melhor de si até em filmes menores. O fato é que Almas Mortas além de possuir Joan Crawford, tem outras notáveis qualidades, especialmente na surpresa dada pelo roteiro e por uma boa parte da fotografia, direção de arte (as cabeças cortadas são ótimas!) e direção. Vale a pena não só pelas machadadas, mas pelo sabor fresco de um psycho-biddy estrelado por uma das atrizes que um dia fora o topo da lista de Hollywood.

FICHA TÉCNICA:
DIREÇÃO: William Castle
ROTEIRO: Robert Bloch
GÊNERO: Drama, Horror, Thriller
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 33min
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ELENCO PRINCIPAL:
Joan Crawford … Lucy Harbin
Diane Baker … Carol Cutler
Leif Erickson … Bill Cutler
Howard St. John … Raymond Fields
John Anthony Hayes … Michael Fields
Rochelle Hudson … Emily Cutler
George Kennedy … Leo Krause
Edith Atwater … Mrs. Alison Fields
Mitchell Cox … Dr. Anderson


JOHNNY GUITAR (Johnny Guitar, 1954 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 23 de Agosto de 1954

SINOPSE:
Vienna é a dona do saloon, constantemente ameaçada pelos rancheiros que querem sua propriedade por causa da passagem da ferrovia. O minerador Dancin’Kid é acusado de matar num assalto à diligência um dos rancheiros, irmão de Emma. Vienna chama seu ex-amante e pistoleiro Johnny Guitar, para ajudá-la a manter os rancheiros afastados. Emma, que ama Dancin’Kid, tem ciúmes dele com Vienna e quer enforcá-la, acusando-a de participar do crime que matou seu irmão. As duas se confrontam numa última luta inusitada e mortal.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
Johnny Guitar foi o segundo western de Nicholas Ray (o primeiro foi Paixão de Bravo, lançado dois anos antes) e o seu primeiro filme em cores. E que cores! Utilizando o processo Truecolor, desenvolvido por uma divisão da Republic Pictures – estúdio que produziu o filme –, o fotógrafo Harry Stradling Sr. colocou na tela uma bela composição cromática em forte contraste e de alternância entre filtros suaves e luz dura, jogo estético que contribuiu para a construção do pódio de western cult que o longa alcançaria no futuro, após o fracasso de público e crítica no momento de seu lançamento.

Ward Bond, Joan Crawford, Sterling Hayden, e Frank Marlowe em Johnny Guitar.

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DIREÇÃO: Nicholas Ray
GÊNERO: Western
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 50min
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ELENCO PRINCIPAL:

Joan Crawford … Vienna
Sterling Hayden … Johnny ‘Guitar’ Logan
Mercedes McCambridge … Emma Small
Scott Brady … Garoto dançante
Ward Bond … John McIvers
Ben Cooper … Turkey Ralston
Ernest Borgnine … Bart Lonergan
John Carradine … Tom velho
Royal Dano … Corey
Ian MacDonald … Pete
Trevor Bardette … Jenks
Will Wright … Ned
Denver Pyle … Posseiro
Sheb Wooley … Posseiro


ALMA EM SUPLÍCIO (Mildred Pierce, 1945 – USA)
( Filme Completo / Legendado em Português )
Data de Lançamento: 28 de Setembro de 1945

SINOPSE:
Principal suspeita do assassinato de seu marido, Mildred Pierce tem sua vida repassada em flashback. Vemos como era seu relacionamento com as filhas, o quanto dava duro para lhes dar tudo do bom e do melhor, e como uma delas a tratava mal, chegando a ter um relacionamento com seu padrasto. Oscar de Melhor Atriz para Joan Crawford.

Assista o filme no player acima ou CLICANDO AQUI. Use a linha de comando no canto inferior direito para visualizar em tela cheia (fullscreen).

SOBRE O FILME:
Trata-se seguramente de uma obra-prima que fica devendo muito ao seu argumento, aos seus técnicos principais, ao seu elenco, em particular a Joan Crawford, mas certamente mais ainda ao diretor Michael Curtiz que reuniu as peças e as conjugou de forma notável. Comecemos, pois, por sublinhar a excelência da realização, sobretudo na criação de ambientes, onde Curtiz é mestre. A utilização da iluminação, criando zonas de luz e sombra é magnifica e ajuda habilmente a definir dramaticamente certas situações, impondo um clima de mistério e por vezes de certa perversidade.
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O romance de James M. Cain é fértil em peripécias, mas revela-se algo diferente da adaptação que dele foi feita para cinema. Passa-se em Glendale, na Califórnia, durante a década de 1930, um período difícil, marcado pela Grande Depressão. Mas o estrato social afasta-se claramente dos pobres de “As Vinhas da Ira”, por exemplo, e localiza-se numa classe média com problemas, mas relativamente desafogada.

Joan Crawford, Ann Blyth, e Lee Patrick em Mildred Pierce (1945).

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DIREÇÃO: Michael Curtiz
GÊNERO: Drama, Filme Noir
ORIGEM: USA
DURAÇÃO: 1h 51min
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ELENCO PRINCIPAL:
Joan Crawford … Mildred Pierce Beragon
Jack Carson … Wally Fay
Zachary Scott … Monte Beragon
Eve Arden … Ida Corwin
Ann Blyth … Veda Pierce
Bruce Bennett … Bert Pierce
Lee Patrick … Mrs. Maggie Biederhof
Moroni Olsen … Inspector Peterson
Veda Ann Borg … Miriam Ellis
Jo Ann Marlowe … Kay Pierce


Fontes de pesquisa: IMDB, Wikipedia, Cinemin e Cinelândia, Plano Crítico.

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